Logun-Edé, chamado geralmente apenas de Logun, é
o ponto de encontro entre os rios e florestas, as barrancas, beiras de rios, e
também o vapor fino sobre as lagoas, que se espalha nos dias quentes pelas
florestas. Logun representa o encontro de naturezas distintas sem que ambas
percam suas características. É filho de Oxóssi com Oxum, dos quais herdou as
características. Assim, tornou-se o amado, doce e respeitado príncipe das matas
e dos rios, e tudo que alimenta os homens, como as plantas, peixes e outros
animais, sendo considerado então o dono da riqueza e da beleza masculina.
Tem a astúcia dos caçadores e a
paciência dos pescadores como principais virtudes.
Dizem os mitos que sendo Oxóssi e Oxum
extremamente vaidosos, não puderam viver juntos, pois competiam pelo prestigio
e admiração das pessoas e terminaram separando-se. Ficou combinado entre eles
que Logun-Edé viveria seis meses nas águas dos rios com Oxum e seis meses nas
matas, com seu pai Oxóssi. Ambos ensinariam a Logun a natureza dos seus
domínios. Ele seria poderoso e rico, além de belo.
No entanto, o hábito da espreita
aprendido com seu pai, fez com que, um dia, curioso a respeito da beleza do
corpo de sua mãe, de que tanto se falava nos reinos das águas, Logun-Edé
vestindo-se de mulher fosse espiá-la no banho. Como Oxum estivesse vivendo seu
romance com Xangô, tio de Logun, e Xangô tivesse exigido como condição do
casamento que ela se livrasse de Logun, Oxum aproveitou a oportunidade para
punir Logun com sua transformação num orixá meji (hermafrodita) e abandoná-lo
na beira do rio. Iansã o encontra, e fascinada pela beleza da criança leva
Logun para casa onde, juntamente com Ogum, passa a criá-lo e educa-lo.
Com Ogum Logun-Edé aprendeu a arte da
guerra e da forja e com Iansã o amor à liberdade. Diz o mito que Logun tinha
tudo, menos amor das mulheres, pois mesmo Iansã, quando roubada de Ogun por
Xangô, abandona Logun com seu tio, criando assim um profundo antagonismo entre
Xangô e Logun, já que por duas vezes Xangô lhe tira a mãe.
Em outro episódio Logun vai brincar nas
águas revoltas (a deusa Obá, também esposa de Xangô) e esta tenta matá-lo como
vingança contra Oxum que lhe fizera uma enorme falsidade. Oxum, vendo em seu
jogo de búzios o que estava sucedendo com seu filho abandonado, pede a Orunmilá
que o salve e este, que sempre atendia às preces da filha de Oxalá, faz uma
oferenda a Obá que permite então que os pescadores salvem Logun-Edé,
encarregando-o de proteger, a partir daquele dia, os pescadores, as navegações
pelos rios e todos os que vivessem à beira das águas doces.
Logun nunca se casou, devido a seu
caráter infantil e hermafrodita e sua companhia predileta é Ewá, que também
vive, como ele, solitária e no limite de dois mundos diferentes.
• Cor: Azul e amarelo
• Número: 3
• Dia da semana: quinta-feira
• Comida: milho e coco, peixesv
• Símbolo: ofá (arco e flecha) e abebê
(espelho de mão)
• Saudação: Loci loci, Logun!

