"(…) Apropriei-me do conceito de escolha existencial do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard. Em termos gerais, significa o seguinte: uma pessoa escolhe a si mesma e, desde então, torna-se o que ela é. O que é escolher a si mesmo?
É escolher tudo o que somos: escolher nossa continuação corporal, nossas capacidades mentais, nosso objetivo moral, nossas predisposições emocionais, nossos pais, o mundo em que nascemos, nosso país e assim por diante. Nos escolhemos por completo. Se você se escolhe uma pessoa decente, isso quer dizer que você é essa pessoa, junto com tudo que você é; você é uma pessoa decente e vai se tornar o que é. O conceito de escolha existencial está também relacionado à categoria do salto. O salto significa que a escolha existencial é uma escolha absoluta, que não está determinada, por isso falo de salto. Existem saltos por toda a parte e particularmente na atividade humana. Todos sabemos sobre esses saltos. Quando se toma qualquer decisão, como casar-se ou divorciar-se, tem-se sempre a possibilidade das duas opções: fazer ou não. Existem argumentos e razões para ambas. Mas você toma uma decisão. Você salta quando diz: 'Bom, isso é o que vou fazer e assumo a responsabilidade por fazê-lo'. A escolha existencial é essa espécie de salto. Salto absoluto porque não se pode voltar atrás. Se você escolhe alguém como esposa(o), poderá se retratar, já que mais tarde poderá decidir não se casar com ela. Mas, se você faz uma escolha existencial, está escolhendo a si próprio, e não escolhendo isso ou aquilo, essa ou aquela pessoa. Por isso, tornar-se o que se é significa um ponto de partida. Evidentemente, uma escolha existencial pode ser malograda. Então você perde a si próprio, pois a perda da escolha existencial significa não poder escolher outra vez, não há uma segunda escolha. A escolha existencial ocupa lugar privilegiado, pois é absluta e, por isso, existencial. É a fonte e o ponto de partida da própria existência da pessoa."
Foto: Heine Pedersen
É escolher tudo o que somos: escolher nossa continuação corporal, nossas capacidades mentais, nosso objetivo moral, nossas predisposições emocionais, nossos pais, o mundo em que nascemos, nosso país e assim por diante. Nos escolhemos por completo. Se você se escolhe uma pessoa decente, isso quer dizer que você é essa pessoa, junto com tudo que você é; você é uma pessoa decente e vai se tornar o que é. O conceito de escolha existencial está também relacionado à categoria do salto. O salto significa que a escolha existencial é uma escolha absoluta, que não está determinada, por isso falo de salto. Existem saltos por toda a parte e particularmente na atividade humana. Todos sabemos sobre esses saltos. Quando se toma qualquer decisão, como casar-se ou divorciar-se, tem-se sempre a possibilidade das duas opções: fazer ou não. Existem argumentos e razões para ambas. Mas você toma uma decisão. Você salta quando diz: 'Bom, isso é o que vou fazer e assumo a responsabilidade por fazê-lo'. A escolha existencial é essa espécie de salto. Salto absoluto porque não se pode voltar atrás. Se você escolhe alguém como esposa(o), poderá se retratar, já que mais tarde poderá decidir não se casar com ela. Mas, se você faz uma escolha existencial, está escolhendo a si próprio, e não escolhendo isso ou aquilo, essa ou aquela pessoa. Por isso, tornar-se o que se é significa um ponto de partida. Evidentemente, uma escolha existencial pode ser malograda. Então você perde a si próprio, pois a perda da escolha existencial significa não poder escolher outra vez, não há uma segunda escolha. A escolha existencial ocupa lugar privilegiado, pois é absluta e, por isso, existencial. É a fonte e o ponto de partida da própria existência da pessoa."
Foto: Heine Pedersen

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