domingo, 31 de outubro de 2010

reflexão derradeira

Gente boa gente, em tempo...
"O artigo é de Paulo Moreira Leite que hoje escreve na Época, mas foi colaborador da Veja até pouco tempo. Portanto está longe de ser alguém de esquerda. Mas a avaliação que faz sobre o rumo que Serra tomou nesta eleição é a mesma (acredito) que qualquer analista de esquerda ou direita com bom senso faria" (Thiago Mendonça)
Tucanos no extremo sáb , 30/10/2010

por Paulo Moreira Leite


Caminhando pelo centro de São Paulo, ontem, assisti a uma manifestação de leitores de José Serra que saiu do Largo São Francisco e chegou a Praça da República. Foi um cortejo com milhares de pessoas. Entre funcionários públicos, o baixo clero e o alto clero da administração do governo paulista, de autarquias e empresas ligadas ao governo, você podia ver aqueles cidadãos comuns que compõem o tucano imaginário que nem sempre se pode avistar.

Depois que o governo Lula atraiu a quase totalidade do movimento sindical para apoiar seu governo, inclusive a Força Sindical, criada com ajuda de empresários paulistas, de Fernando Collor e convênios amigos nos tempos de FHC, o PSDB nunca mais foi capaz de fazer uma mobilização popular, com aquela massa de cidadãos do universo D e E das grandes cidades.

No ato de ontem, estavam cidadãos de classe média, homens e mulheres que se deram ao trabalho de sair de casa numa sexta-feira para participar de um ato político. Pude reconhecer líderes de entidades empresariais, médicos, jornalistas, profissionais liberais, alguns artistas. Algumas pessoas estavam bem vestidas, de chapéu para enfrentar o sol. Em número suficiente para serem notadas no meio do cortejo que atravessava a Barão de Itapetininga a caminho da Praça da Republica, senhoras usavam lenços estampados em volta do pescoço, numa elegancia que se vê também pelas ruas de Higienópolis e dos Jardins.

O ato foi convocado para manifestar apoio a José Serra mas muitos estavam ali basicamente para combater Dilma Rousseff. Essa foi, sem dúvida, a principal bandeira do PSDB na campanha presidencial de 2010. Os tucano se tornaram uma legenda do contra.

Minha avaliação é que Serra não conseguiu exibir um projeto de país ao longo da campanha. Exibiu fragmentos. Mostrou realizações como governador e como ministro. Mas não definiu um retrato, uma mensagem positiva para 140 milhões de pessoas. Fez uma campanha concentrada em sua personalidade, numa comparação de competênciais pessoais, quase técnicas.

FHC compareceu à passeata de ontem mas esteve ausente ao longo da campanha. Essa decisão pode explicar-se pelas pesquisas que demonstram a baixa popularidade do ex-presidente e pelo esforço de Serra em apagar suas diferenças em relação a Lula. Mas deixou Serra sem lastro.

Alguns integrantes do PSDB culpam o marketing. Eu acho ingenuidade. A questão não é de publicidade, mas de linha política. Não consigo imaginar que Luiz Gonzalez pudesse levar ao ar um anúncio de 30 segundos que não fosse a expressão do pensamento de Serra.

Numa ruptura com uma história moderada, de quem era uma típica legenda de centro-esquerda, na campanha presidencial o PSDB se tornou adversário estridente de Lula, Dilma e do PT. Uma das palavras do ato no centro de São Paulo era defender a democracia – uma forma nada sutil de dizer que ela se encontra em risco, o que é um pouco deselegante em pleno processo eleitoral num país que hospeda o mais amplo regime de liberdades de sua história.

Parecia natural, para muitos eleitores com quem conversei, que ali se falasse que o país estava sob ameaça de cair numa ditadura de esquerda ou pelo menos sob um regime autoritário. Referindo-se às críticas do governo Lula à midia, uma professora de Direito chegou a me dizer que durante a campanha Dilma começara um “movimento para fechar os jornais.” Ouvi a reclamação de que a candidata do PT tem “orgulho” por sua participação na resistência armada ao regime militar, em vez de demonstrar “arrependimento” pelo que fez, o que seria muito mais do que um balanço critico do período. Um funcionário de banco reclamou que o vice Indio da Costa foi patrulhado quando falou das ligações do PT com as FARC e sustentou que o fato das duas siglas participarem de um mesmo parque jurássico da esquerda sul-americana (o Forum São Paulo) demonstra tais ligações. Combate-se a discriminalização do aborto com argumentos que colocam convicções sobre o tema acima dos direitos de escolha de cada mulher. Pergunto sobre a importancia da economia e da distribuição de renda na definição do voto. “Aceito que uma pessoa que recebeu benefícios nesta época vote na Dilma. racional,” me dizem. “Mas e o outros? ”

PT e PSDB nasceram em épocas diferentes da nossa história política, mas tiveram uma origem comum nos meios universitários e, em especial, na mobilização democrática que deu fim à ditadura militar. Lula fez campanha para eleger FHC no senado. A sigla tucana quer dizer: “Partido da Social Democracia Brasileira”. Num tempo em que o PT se proclamava socialista e tinha horror a assumir uma visão que em seu vocabulário remetia a pecados como reformismo e adesão a valores do capitalismo, os tucanos eram os baluartes da moderação. Seu universo era a centro-esquerda enquanto o PT era a esquerda. Personalidades como Franco Montoro lhe davam um parentesco com a Democracia Cristã chilena, aliada história do PS naquele país. Em 2010, o partido consumou um processo de quem reescreve a historia, redefine valores, alianças e posturas.

Qualquer que seja o resultado das urnas, amanhã, nesta campanha eleitoral o PSDB ficou longe daquela posição centrista que chegou a ocupar na política brasileira desde seu nascimento, entre o PT, na época muito mais à esquerda do que hoje, na vizinhança do PMDB e à esquerda do DEM e do PP. Na evolução dos confrontos e da luta pelo voto na campanha presidencial de 2010, os tucanos assumiram um discurso conservador puro e duro, doutrinário, como nunca se viu em sua história.

Em passado pouco distante, o PSDB se apresentava como a representação nacional da “modernidade” — em contraposição ao “atraso” na célebre formulação de Sergio Buarque de Hollanda que se tornou uma espécie de mantra tucano para se opor à esquerda em geral e ao PT em particular, embora o pai da idéia tenha assinado o manifesto de fundação petista. Desse ponto de vista, o PSDB seria expressão de uma cultura cosmopolita e tolerante, respeito pelas diferenças, favorável às liberdades do indivíduo e de sua autonomia para tomar decisões, fazer opções e organizar a vida. O ponto de partida dessa visão de mundo é emancipar a pessoa de imposições que falam em nome do coletivo, da sociedade e do Estado.

Em 2010 o partido agarrou-se ao extremismo católico e evangélico para buscar votos numa postura de quem dispensa a separação entre Igreja e Estado. Serra encerrou seu programa eleitoral com imagens de Bento XVI, representante da facção mais retrógrada da Igreja. Bispos veteranos como dom Angélico Sandalo Bernardino, aliado fidelíssimo de Mario Covas em outros tempos, protetor de mobilizações operárias quando os sindicatos eram perseguidos, porta-voz da fatia mais popular da Igreja, pedia votos para Dilma Rousseff.

Num partido que foi berço de boa parte das lutas pelos direitos da mulher, a campanha tucana abrigou e estimulou um debate em torno do aborto que foi muito além de um confronto politico, com a criação de um ambiente de inquisição em que a adversária deveria “confessar” maus pensamentos ou arder nas chamas da intolerância. A partir daquele episódio que a crônica da campanha registrará como “o caso da bolinha de papel ” o PSDB tentou convencer o eleitorado de que o adversário é uma sigla intolerante e adepta de métodos violentos. Em poucos dias, o assunto inspirou uma competição de vídeos anti-Serra pela internet.

Criticada por esconder as bandeiras do partido e fugir de sua história, evitando aparições do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que provocaram queixas gerais no partido, a campanha de José Serra chegou ao fim da corrida eleitoral com um perfil bem diferente daquilo que o candidato exibiu na maior parte de sua carreira e também no início da campanha, quando se apresentava — um típico muro tucano, poderia observar um adversário — como uma espécie de continuação heteredoxa do governo Lula. Entrevistei a atriz Fernanda Montenegro numa festa de lançamento da novela Passione, ainda no primeiro turno. Perguntada sobre a eleição, ela deu uma resposta que resumia a visão de muitas pessoas naquele momento: se disse muito feliz porque o Brasil poderia optar por três candidaturas de esquerda. (Marina Silva era a terceir integrante do grupo).

Essa mudança é a questão que irá acompanhar o PSDB em seu futuro próximo e distante. Os tucanos fizeram campanhas diferentes no plano estadual e federal. Na campanha de Geraldo Alckmin, avalia-se que a campanha presidencial poderia ter obtido resultados melhores se não tivesse sido tão extremista. Critica-se a insistência em levantar a questão do aborto, assunto que muitos eleitores, mesmo religiosos, preferem nem comentar em suas vidas privadas — muito menos na campanha. Ouve-se, também, condenações aos ataques mais duros ao governo Lula, como no caso da bolinha de papel. Estas diferenças não são novas e não terão importancia até a contagem de votos, amanhã à noite. Os rumos desse debate serão definidos, obviamente, pelo resultado da campanha presidencial.

sábado, 30 de outubro de 2010

onde você estava em 1964?

por Emir sader


Há momentos na história de cada país que são definidores de quem é quem, da natureza de cada partido, de cada força social, de cada indivíduo. Há governos em relação aos quais se pode divergir pela esquerda ou pela direita, conforme o ponto de vista de cada um. Acontecia isso com governos como os do Getúlio, do JK, do Jango, criticado tanto pela direita – com enfoques liberais ou diretamente fascistas – e pela esquerda – por setores marxistas.

Mas há governos que, pela clareza de sua ação, não permitem essas nuances, que definem os rumos da história futura de um país. Foi assim com o nazismo na Alemanha, com o fascismo na Itália, com o franquismo na Espanha, com o salazarismo em Portugal, com a ocupação e o governo de Vichy na França, entre outros exemplos.

No caso do Brasil e de outros países latinoamericanos, esse momento foi o golpe militar e a instauração da ditadura militar em 1964. Diante da mobilização golpista dos anos prévios a 1964, da instauração da ditadura e da colocação em prática das suas políticas, não havia ambigüidade possível, nem a favor, nem contra. Tanto assim que praticamente todas as entidades empresariais, todos os partidos da direita, praticamente todos os órgãos da mídia – com exceção da Última Hora – pregavam o golpe, participando e promovendo o clima de desestabilização que levou à intervenção brutal das FAA, que rompeu com a democracia – em nome da defesa da democracia, como sempre -, apoiaram a instauração do regime de terror no Brasil.

Como se pode rever pelas reproduções das primeiras páginas dos jornais que circulam pela internet, todos – FSP, Estadão, O Globo, entre os que existiam naquela época e sobrevivem – se somaram à onda ditatorial, fizeram campanha com a Tradição, Família e Propriedade, com o Ibad, com a Embaixada dos EUA, com os setores mais direitistas do país. Apoiaram o golpe e as medidas repressivas brutais e aquelas que caracterizariam, no plano econômico e social à ditadura: intervenção em todos os sindicatos, arrocho salarial, prisão e condenação das lidreanças populares.

Instauraram a lua-de-mel que o grande empresariado nacional e estrangeiro queria: expansão da acumulação de capital centrada no consumo de luxo e na exportação, com arrocho salarial, propiciando os maiores lucros que tiveram os capitalistas no Brasil. A economia e a sociedade brasileira ganharam um rumo nitidamente conservador, elitistas, de exclusão social, de criminalização dos conflitos e das reivindicações democráticas, no marco da Doutrina de Segurança Nacional.

As famílias Frias, Mesquita, Marinho, entre outras, participaram ativamente, no momento mais determinante da história brasileira, do lado da ditadura e não na defesa da democracia. Acobertaram a repressão, seja publicando as versões mentirosas da ditadura sobre a prisão, a tortura, o assassinato dos opositores, como também – no caso da FSP -, emprestando carros da empresa para acobertar ações criminais dos órgãos repressivos da ditadura. (O livro de Beatriz Kushnir, “Os cães de guarda”, da Editora Boitempo, relata com detalhes esse episódio e outros do papel da mídia em conivência e apoio à ditadura militar.)

No momento mais importante da história brasileira, a mídia monopolista esteve do lado da ditadura, contra a democracia. Querem agora usar processos feitos pela ditadura militar como se provassem algo contra os que lutaram contra ela e foram presos e torturados. É como se se usassem dados do nazismo sobre judeus, comunistas e ciganos vitimas dos campos de concentração. É como se se usassem dados do fascismo italiano a respeito dos membros da resistência italiana. É como se se usassem dados do fraquismo sobre o comportamento dos republicanos, como Garcia Lorca, presos e seviciados pelo regime. É como se se usasse os processos do governo de Vichy como testemunha contra os resistentes franceses.

Aqueles que participaram do golpe e da ditadura foram agraciados com a anistia feita pela ditadura, para limpar suas responsabilidades. Assim não houve processo contra o empréstimo de viaturas pela FSP à Operação Bandeirantes. O silêncio da família Frias diante de acusações públicas, apoiadas em provas irrefutáveis, é uma confissão de culpa.

Estamos próximos de termos uma presidente mulher, que participou da resistência à ditadura e que foi torturada pelos agentes do regime de terror instaurado no país, com o apoio da mídia monopolista. Parece-lhes insuportável moralmente e de fato o é. A figura de Dilma é para eles uma acusação permanente, pela dignidade que ela representa, pela sua trajetória, pelos valores que ela representa.

Onde estava cada um em 1964? Essa a questão chave para definir quem é quem na democracia brasileira.

Fonte: Carta Maior

terça-feira, 26 de outubro de 2010

partido alto bolinha de papel - tantinho da mangueira e serginho procopio

Gente boa gente, o camarada Thiago Mendonça repassou-me por email a mensagem seguinte:
"Repasso este partido alto de Tantinho da Mangueira, feito de improviso, que peguei no youtube. Vai ser o samba de comemoração do dia 31. Cronista do povo, Tantinho deixou o seu recado. E se ele falou, tá falado. Abraços."
Grande Tantinho... Tá faladissimo, Thiago!!! E como diz outro camarada, o Renato Fontes, ao final de suas mensagens...

Há braços!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

niver do dikuã, pode espalhar geral que tá todo mundo convidado! é nesta terça-feira 26.10 no bar pau brasil..

novo curso yoruba osasco

Novo Curso Gratuito de Cultura Yorubá:

ASPECTOS DA  REALEZA SAGRADA AFRICANA A PARTIR DE 4 REINOS YORUBÁS
Ministrante : Ivan da Silva Poli ( Aluno da Faculdade de Educação da USP ) 

Reinos: Ile Ife - Onde tudo começou Osogbo- um reino onde predomina a figura do Mito Feminino  Oyo - um reino  onde predomina a figura do  Mito Masculino Ketu - Os mitos da Ordem e subversão da Ordem em um reino Yorubá

Local: Biblioteca Pública Municipal de Osasco Monteiro Lobato. 

Dias 6 e 27 de novembro de 2010 (sábados) das 12:30 às 15:30 

Inscrições : contato e-mail mahxandre@gmail.com  

O Curso dá horas de AACC e Estudos Complementares aos que necessitam.   



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

(re) Lançamento do desafio do butiquim do pns - samba de partdido versando sobre amor


Gente boa gente, segue abaixo algumas ponderações sobre o próximo Desafio do Butiquim do PNS, já lançado e que objetiva a participação de todos(as) que tiverem disposição e criatividade para tal.

Tema: AMOR

Estilo: SAMBA DE PARTIDO

Estamos (re)lançando o Desafio do BUTIQUIM do PNS para 07/11/2.010, o último deste ano e cuja PROPOSTA é apresentar um samba de partido (partido alto), que fale de amor. Entretanto, a composição apresentada não poderá conter as seguintes palavras: AMOR, (EU) TE AMO, (EU) TE QUERO, PAIXÃO, CORAÇÃO, BEIJO E APAIXONADO(A). E solicitamos que as composições nos sejam encaminhadas através de email até 29/10/2.010 para que possamos programar a roda.
Aquele que se dispuser a fazer uma busca sobre o significade do amor, decerto há de ter muito trabalho e deparar-se-á com um universo a desvendar. De início poderá vasculhar os dicionários, compêndios, tratados, livros diversos: impresos e ou virtuais. Dentre estes, p. e., a Wikipédia, a enciclopédia livre, segundo a qual:
"a palavra amor (do latim amor) presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atração, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objeto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação."
Contudo, sem querer entrar na discussão do que venha a ser o amor segundo as "N" concepções e ou pontos de vista existentes, quando no nosso contexto, o do Butiquim do PNS, pensamos e optamos pelo tema, o fizemos a partir daquilo que é entendido pelo senso comum, a saber: amor romântico, ocidental surgido/criado/inventado no romantismo há mais ou menos 200 anos - sedução homem-mulher, mulher-homem...  E, dentro deste parâmetro, sem mais complicações, é que resolvemos propor a brincadeira.

O pressuposto é o galanteio, a  sedução, a conquista, o floreio, a exaltação, a valorização da pessoa amada... É disso que se trata! O resto é desafeto, ressentimento, desamor e fica para uma outra ocasião, se for o caso.

Curto e grosso, creio que para o compositor é também um execício de colocar-se no lugar de uma personagem criada por ele ou por outrem e, a partir desse ponto de vista virtual, criar uma história qualquer. A idéia é que o artista submeta-se a um desafio. Executar o que se tem pleno domínio não é desafio, a não ser que se crie novas dificuldades; novos obstáculos!

O que configura um samba como partido alto ou samba de partido, para além do ritmo, compasso; da levada singular, é que o partido alto caracteriza-se por um refrão simples ou complexo, criado de momento ou não, e entrecortado por versos improvisados (a estrutura pode variar) seguindo ou não tema pré-estabelecido... E o que difere o samba de partido é que ele não é improvisado nem no refrão e nem nos versos. Um pouco mais de informação pode ser obtida clicando aqui.
Mas o que garante a substância do samba de partido é criá-lo como se estivesse numa roda de partido alto improvisando. O compositor, insisto, tem que ser escritor: cronista, contista, romancista, poeta... um pouco de cada, no mínimo, e ter a capacidade de versar/escrever sobre a realidade, sempre, a partir de fatos verídicos e ou fictícios.
 
Ouça Sambas de Partido Alto com Aniceto do Império versando com outros bambas, clique aqui.
 
Seguem alguns exemplos Clássicos:
 
 
 
 
 
 


Debaixo do meu chapéu (Nei Lopes)
 
E, por hora, é isso!
 
Saudações Sambísticas.

Sellito SD.

uma sequência de três vídeos muito interessantes

Gente boa gente, disponibilizo abaixo uma sequência de três vídeos muito interessantes a fim de que os avaliem e possam posteriormente refletir e emitir um parecer.

Já antecipo que há um embate entre jornalismos: como um mesmo fato pode ser abordado de formas tão diferentes (Glodo x SBT).

É lembrado o episódio envolvendo o ex-goleiro Rojas (banido do futebol) no histórico jogo Brasil x Chile peas eliminatórias da Copa do Mundo de 1990.

E por fim, uma incrível historinha envolvendo algumas conhecidíssimas personagens. Divirtam-se! Ou não...

Vídeo 1

Vídeo 2

Vídeo 3

terça-feira, 19 de outubro de 2010

a hipocrisia tem dado o tom imperante na discussão sobre aborto

por Thiago Mendonça



Até agora o debate sobre o aborto foi tratado com hipocrisia. Virou a maior bandeira de José Serra, que acusou nos subterrâneos sua adversária de matar criancinhas. Ex-alunas de Mônica Serra, indignadas com o uso político do aborto, contam que a mesma declarou ter feito aborto nos anos 70. A principal testemunha é uma bem sucedida bailarina cuja mãe é militante do PSDB, ligada a Ruth Cardoso. A notícia saiu sem muito destaque na Folha de São Paulo. Passo a notícia para frente porque compartilho da opinião de que é absurdo utiizar este discurso para ganhar uma eleição. Deixa-me indignado uma pessoa que quando teve necessidade fez um aborto chamar a candidata adversária de assassina de criancinhas. Espero que essa notícia segure a oportunista sanha neo-fundamentalista de José Serra.





 SP, sábado, 16.10.2010


Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex-aluna

Reportagem tentou ouvir mulher de candidato tucano por dois dias, sem sucesso


MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O discurso do candidato à Presidência José Serra (PSDB) de que é contra o aborto por "valores cristãos", que impedem a interrupção da gravidez em quaisquer circunstâncias, é questionado por ex-alunas de sua mulher, Monica Serra.

Num evento no Rio, há um mês, a psicóloga teria dito a um evangélico, segundo a Agência Estado, que a candidata Dilma Rousseff (PT), que já defendeu a descriminalização do aborto, é a favor de "matar criancinhas".

Segundo relato feito à Folha por ex-alunas de Monica no curso de dança da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a então professora lhes contou em uma aula, em 1992, que fez um aborto quando estava no exílio com o marido.

Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher. Em 1973, com o golpe que levou Augusto Pinochet ao poder, o casal se m udo u para os Estados Unidos.


OUTRO LADO

Folha tentou falar com Monica Serra durante dois dias para comentar o relato das ex-alunas, sem sucesso.

Um dia depois do debate da TV Bandeirantes, no domingo, 10, a bailarina Sheila Canevacci Ribeiro, 37, postou uma mensagem em seu Facebook para "deixar a minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra" em relação ao tema.

Ela escreveu que Serra não respeitava "tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Monica Serra já fez um aborto". A mensagem foi replicada em outras páginas do site e em blogs.

"Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o seu aborto traumático", escreveu Sheila no Facebook. "Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse [sic] eleito presidente?"

À Folha a bailarina diz que "conf ir ma cem por cento" tudo o que escreveu. Sheila afirma que não é filiada a partido político. Diz ter votado em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) no primeiro turno. No segundo, estará no Líbano, onde participará de performance de arte.

Se estivesse no Brasil, optaria por Dilma Rousseff (PT). Sheila é filha da socióloga Majô Ribeiro, que foi aluna de mestrado na USP de Eva Blay, suplente de Fernando Henrique Cardoso no Senado em 1993. Majô foi pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero da USP, fundado pela primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008).

Militante feminista, Majô foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco pelo PSDB.

A socióloga disse à Folha estar "preocupada" com a filha, mas afirma que a criou para "ser uma mulher livre" e que ela "agiu como cidadã".

Sheila é casada com o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que foi professor de antropologia cultur al na Un iver sidade La Sapienza, em Roma, e hoje dirige pesquisas no Brasil.

Folha localizou uma colega de classe de Sheila pelo Facebook. Professora de dança em Brasília, ela concordou em falar sob a condição de anonimato.

Contou que, nas aulas, as alunas se sentavam em círculos, criando uma situação de intimidade. Enquanto fazia gestos de dança, Monica explicava como marcas e traumas da vida alteram movimentos do corpo e se refletem na vida cotidiana.

Segundo a ex-estudante, as pessoas compartilhavam suas histórias, algo comum em uma aula de psicologia.
Nesse contexto, afirmou, Monica compartilhou sua história com o grupo de alunas. Disse ter feito o aborto por causa da ditadura.

Ainda de acordo com a ex-aluna, Monica disse que o futuro dela e do marido, José Serra, era muito incerto.

Quando engravidou, teria relatado Monica à então aluna, o casal se viu numa situação muito vulnerável.

"Ela não con fessou. Ela conto u", diz Sheila Canevacci. "Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas [ela é] uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

morre seu nenê da vila matilde


Morreu na madrugada desta segunda-feira 4, aos 89 anos, o seu Nenê, fundador da escola de samba Nenê de Vila Matilde, em consequência de insuficiência respiratória. Desde a semana passada ele estava internado no Hospital Tatuapé com problemas pulmonares. O velório acontece na quadra da escola, na Penha, zona leste da cidade de São Paulo. O enterro será na terça-feira 5, no Cemitério Quarta Parada.
Seu Nenê fundou a escola de samba em 1949 e durante mais de 45 anos foi o presidente da agremiação. Em 1996, Alberto Alves da Silva Filho assumiu a presidência no lugar do pai, que apresentava problemas de saúde. Mesmo assim, continuou participando dos desfiles. A Nenê possui onze títulos do Carnaval de São Paulo, entre eles dois tricampeonatos.
Em 2010, a Nenê de Vila Matilde foi a escola campeã do Grupo de Acesso, com um samba enredo sobre a água.
Em fevereiro de 2009 a fotógrafa Olga Vlahou clicou o sambista. Clique aqui para ver.