sexta-feira, 30 de abril de 2010

22 anos do geledés - instituto da mulher negra

Hoje, 30 de abril, é dia de celebrar os 22 anos de existência e luta contra o racismo e o sexismo, a valorização e promoção das mulheres negras, em particular, e da comunidade negra em geral.

O Géledes providenciou um lindo papel de parede em comemoração aos seus 22 anos e lançam hoje o e-book: PLPs Uma experiência com Raça e Classe.

Para baixar o e-book você terá que se cadastrar no site do Gelédes e efetuar o seu login.

www.geledes.org.br

Parabéns para a iniciativa, muitos anos de vida!

douglas germano, o cuca, é o convidado de hoje dos inimigos do batente, ndo anhanguera dá samba

sexta-feira, 23 de abril de 2010

a mídia não comenta, mas cuba realiza eleições neste domingo

Para algumas pessoas no mundo deve ter soado um pouco estranho o anúncio do Conselho de Estado da República de Cuba de que no domingo 25 de Abril se efetuarão as eleições para delegados às 169 Assembleias Municipais do Poder Popular.

Por Juan Marrero, em Cuba Debate

Isso é perfeitamente compreensível, pois um dos componentes principais da guerra mediática contra a revolução cubana tem sido negar, escamotear ou silenciar a realização de eleições democráticas: as parciais, a cada dois anos e meio, para eleger delegados do conselho, e as gerais, a cada cinco, para eleger os deputados nacionais e integrantes das assembleias provinciais.

Cuba entra no seu décimo terceiro processo eleitoral desde 1976 com a participação entusiasta e responsável de todos os cidadãos com mais de 16 anos de idade. Nesta ocasião, são eleições parciais.

Com a tergiversação, a desinformação e a exclusão das eleições em Cuba da agenda informativa de cada um, os donos dos grandes meios de comunicação tentaram afiançar a sua sinistra mensagem de que os dirigentes em Cuba, a diferentes níveis, não são eleitos pelo povo. (Leia na íntegra)

e a polícia segue desempenhando seu papel: torturar e matar...

E a PM segue matando, principalmente, jovens negros. Mas o incrível é a surpresa manifestada pala imprensa que continua a tratar algo que é sistemático como coisa esporádica. No caso em questão o jovem Eduardo Luís Pinheiro dos Santos, 30, ousou desacatar a "autoridade" que, num país que se diz democrático (seja lá o que isso queira dizer - intuo que não deva ser boa coisa) e avesso (será?) à pena capital, costuma executar sumariamente à suspeitos (quase sempre pretos e ou não brancos - os que podem ser esculachados bsem maiores problemas).

Problema, para parte importante da sociedade, situada do setor médio para o topo, é quando essa "autoridade" com "carta branca" para matar extrapola... E extrapolar é não fazer o serviço direito, ou seja, deixar a merda transparecer. isso incomoda!




Corregedoria da PM prende nono policial para investigar morte em SP

Corporação anunciou instauração de inquérito nesta quinta-feira. Homem foi encontrado morto em 10 de abril pouco após ser abordado.


Um nono policial militar foi preso na madrugada desta sexta-feira (23) e levado para a Corregedoria da Polícia Militar durante o inquérito que investiga a morte de um homem na madrugada de 10 de abril na Zona Norte de São Paulo. Outros oito policiais já haviam sido detidos na quinta-feira (22).

Os nove presos passaram a noite na corregedoria. Alguns já prestaram depoimento e todos devem permanecer no local nesta sexta à disposição das investigações. Os policiais eram todos da 1ª Companhia do 9º Batalhão e estavam trabalhando na noite do crime.

O corpo da vítima foi encontrado por volta da 0h do dia 10 na esquina da Rua Voluntários da Pátria com a Avenida Brás Leme, na Zona Norte de São Paulo. Poucas horas antes, por volta das 20h50 do dia 9, a vítima estava entre quatro pessoas abordadas por PMs, chamada para apartar uma briga provocada por suposto roubo de bicicleta na esquina da Rua Maria Curupati com a Avenida Casa Verde, também na Zona Norte. (A íntegra)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

josé padilha mostra antropólogos como vilões no documentário "segredos da tribo"


Quem vê de fora, acha que "Segredos da Tribo", o novo documentário de José Padilha ("Tropa de Elite", "Ônibus 174"), vai mostrar um outro lado dos ianomâmis, que caíram nas graças dos pesquisadores na década de 1960 e foram até visitados por Sting 20 anos depois, quando a floresta Amazônica e a importância de sua preservação conquistaram a mídia. Mas o filme – que abre o festival É Tudo Verdade… » A notícia completa em iG

terça-feira, 13 de abril de 2010

o vídeo a que os ministros do stf deveriam assistir: “apesar de você”, sobre a tortura

clique aqui para assistir o documentário

Caro Paulo Henrique Amorim o Supremo Tribunal Federal irá julgar na 4ª feira 14/04/2010 a ADPF 153, que é uma solicitação da OAB sobre a Lei de Anistia, pedindo uma definição dos ministros da corte suprema, no sentido de que a anistia não vale para os crimes de tortura, assassinatos, estupro de prisioneiras e desaparecimentos forçados, (crimes de lesa humanidade) cometidos pelos agentes públicos a serviço do estado brasileiro durante a ditadura militar de 1964-1985, ou seja, que os militares, policiais militares, policiais civis e civis que praticaram estes crimes contra os opositores do regime, não são beneficiários da lei ede anistia, através da interpretação errada de que tais barbaridades estariam contidas na definição de crimes conexos.

A impunidade vigente estes anos todos, sob o manto do esquecimento e de um falso acordo nacional representado pela Lei de Anistia, fere os tratados internacionais aos quais o Brasil é signatário, a consciência nacional, os direitos humanos e a própria democracia em que vivemos, no sentido que sinaliza com a impunidade, para que os crimes de tortura continuem acontecendo, como acontecem de forma indiscriminada país afora.

Envio a vocês o documentário Apesar de Você - Os caminhos da justiça, para fazermos o lançamento em seu sitio de modo a expor para a população brasileira o significado deste julgamento que será realizado no STF, sua importância para o futuro do país, para a defesa da cidadania e para o combate à pratica da tortura, tratamentos cruéis e degradantes.

É inadmissível que tenhamos outro resultado que não a decisão dos ministros da Suprema Corte, em favor da legalidade, do ordenamento jurídico internacional dos direitos humanos aos quais o Brasil aderiu, do combate à tortura e da apuração judicial dos crimes praticados pelos torturadores do regime militar, porém estamos receosos; pois pelas declarações de Gilmar Mendes, uma grande maracutaia parece estar a caminho e o STF poderá se tornar mais uma filial da pizzaria nacional.

Os ataques contra o Programa Nacional de Direitos Humanos, especificamente à criação da Comissão Nacional da Verdade e as pressões sofridas pelo Ministério Público Federal no sentido de emitir relatório contrario à consciencia nacional, defendendo a não apuração dos crimes deste período de nossa história (com a aceitação destas pressões pelo procurador geral da república, um calaboca foi dado em um instrumento importante da democracia brasileira como é o MPF); mostram o tamanho do embate que enfentamos na luta contra a impunidade em nosso país e para o estabelecimento da verdade e da justiça.

Ao lançar na Conversa Afiada este documentário, esperamos que os Ministros do STF o assistam antes de julgar a ADPF 153 e também que os seus leitores ao assisti-lo, participassem de uma campanha relampago, enviando com urgência email aos Ministros do Supremo Tribunal posicionando-se sobre o assunto e pedindo a responsabilização dos torturadores da ditadua militar.
  • Pelo acolhimento das posições da oab expressas na adpf-153 sobre a lei da anistia.
  • Pelo respeito à memória dos que morreram e desapareceram lutando por um brasil justo e democrático.
  • Pela federalização dos crimes de tortura para que sejam apurados pelo mpf.
  • Pelo direito a memória, à verdade e à justiça.
  • Pela reponsabilização dos torturadores do regime militar.

Atenciosamente,

Marcelo Zelic
Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
Coordenador do Projeto Armazém Memória
(11) 3052-2141
(11) 9206-9284
www.armazemmemoria.com.br
mzelic@uol.com.br

PS - Assinaram o documentário Apesar de Você - os caminhos da justiça: a Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Juízes para a Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Grupo Tortura Nunca Mais-SP, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Associação dos Magistrados do Brasil, União Nacional dos Estudantes e o Projeto Memórias Reveladas do Arquivo Nacional.

MENSAGEM ENVIADA AO GABINETE DOS MINISTROS DO STF - FAÇA A SUA PARTE - MANIFESTE-SE.

vi congresso brasileiro de pesquisadores negros


VI CONGRESSO BRASILEIRO DE PESQUISADORES(AS) NEGROS(AS)

“AFRO-DIÁSPORA, SABERES PÓS-COLONIAIS, PODERES E MOVIMENTOS SOCIAIS”

26 a 29 JULHO de 2010


VI COPENE

mapa1.jpgO VI Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) debaterá sobre “Afrodiáspora: saberes pós-coloniais, poderes e movimentos sociais”, a fim de apresentar e discutir os processos de produção/difusão de conhecimentos intrinsecamente ligados às lutas históricas empreendidas pela populações negras nas Diásporas Africanas, nos espaços de religiosidades, nos quilombos, nos movimentos negros organizados, na imprensa, nas artes e na literatura, nas escolas e universidades, nas organizações não-governamentais, nas empresas e nas diversas esferas estatais, que resistem, reivindicam e propõem alternativas políticas e sociais que atendam às necessidades das populações negras, visando a constituição material dos direitos.

Difundir e debater os saberes produzidos por negros(as) no Brasil implica no esforço de identificar no cenário sociocultural brasileiro, conhecimentos, manifestações e formas de pensar/estar no mundo, concepções, linguagens e pressupostos não hegemônicos, construídas pela multiplicidade de sujeitos que constituem as populações negras, focalizando essa população como produtora de conhecimentos científicos, técnicos e artísticos.

Essa temática também propõe uma reconfiguração dos quadros da memória, no que tange a experiência histórica da população negra no Brasil, que respeite a presença da ancestralidade e tradições africanas, mas, ao mesmo tempo, considere as composições, traduções e recriações realizadas nos movimentos da diáspora.

A escolha dessa temática para orientar os debates e proposições do VI Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as), leva em consideração a atual conjuntura brasileira, quando os segmentos negros organizados reivindicam e acentuam o incremento de mecanismos jurídicos-políticos de constituição material de direitos, tais como: a Lei n.º 10.6391 e suas Diretrizes Curriculares, a implementação de Políticas de Ações Afirmativas, a luta pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do Projeto de Cotas para Negros nas Universidades pelo Congresso Nacional, o que tem implicado na exigência e na urgência de ampliar o campo de discussão e produção de conhecimentos sobre as populações negras.

Em suma, traremos à tona estudos e debates sobre a realidade das populações negras, principalmente as questões ligadas ao racismo, às reconstruções culturais diaspóricas, às resistências e (re)existências negras. A disseminação de conhecimentos e o debate sobre tais questões, a busca de alternativas que possibilitem a equidade social, farão parte dos trabalhos de intelectuais negros e negras no VI Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as).

Estimamos que sejam beneficiados(as) diretamente pelo VI COPENE cerca de 2000 participantes, de todas as Unidades da Federação e do exterior. Além disso, espera-se que na realização deste congresso, assim como nas edições anteriores, tenhamos um crescimento quantitativo e qualitativo da produção científica. (Saiba mais indo na fonte)


informativo festa da acadêmicos de são jorge

quinta-feira, 8 de abril de 2010

domino tem gafieira

GAFIEIRA NA CASA informa:

Temporada Gafieira na Casa no Hotel Cambridge

Dias 11/04, 18/04, 25/04 e 02/05. Domingo, às 20h.

Com Aula aberta de dança e discotecagem de ritmos brasileiros!

Não percam essa curtíssima temporada da Gafieira na Casa,

muito maxixe, choro, samba, xote, baião e bolero.

Música de qualidade para quem gosta de dançar

e para quem gosta da nossa boa música brasileira!

Você conhece já conhece a GAFIEIRA NA CASA?
Não? Então escuta lá:
www.myspace.com/gafieiranacasa


TEMPORADA GAFIEIRA NA CASA - HOTEL CAMBRIDGE

Espaço Salvador Dali
Rua João Adolfo, 126 - Centro - SP

R$20,00 (sem nome na lista)
R$15,00 (com nome na lista

ou apresentando flyer na porta)

lista de desconto: gafieiranacasa@gmail.com

Produção Gafieira na Casa - 11-7897-4965 / ID 93*9915

rio alagado, número de mortos aumenta e o governador cuida do jogo do fla

por Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

Mais de uma centena de mortos, os velhos problemas se repetindo, como destacou (e cobrou) o jornal O Globo (abaixo). E o governador do Estado do Rio de Janeiro preocupado com o jogo do Flamengo pela Libertadores, no Maracanã, que foi inundado pela chuva.

Está aqui mesmo no www.espn.com.br: "Após ter sido vetado, o estádio foi liberado pelo governador Sérgio Cabral após conversas com a presidente (...) Patrícia Amorim". Assim, os rubro-negros enfrentarão a Universidad do Chile às 16 horas, horário absurdo para um dia útil. (Leia na íntegra)

santos x milan: o jogo histórico

por Luiz Zanin

Está aí, a pedidos, o texto sobre Santos 4 x Milan 2, o meu jogo inesquecível. É longo, está aí para quem quiser se arriscar. Abraços.

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http://blog.cacellain.com.br/up/c/ca/blog.cacellain.com.br/img/santos_x_milan.jpg

Uma virada espetacular, sob um temporal que parecia a nova edição do Dilúvio, 22 atletas disputando a bola palmo a palmo, em meio à lama — assim foi o jogo da minha vida. Santos x Milan, Maracanã, dia 14 de novembro de 1963, segunda partida pelo Mundial Interclubes: tudo bem, pode não ter sido um primor de tática, técnica, ou disciplina. Para mim, foi e continua sendo o jogo dos jogos.

Não devia ser assim. Quando me convidaram para escrever sobre o jogo de futebol que mais me havia marcado, tentei pensar numa partida recente e vista no calor do estádio. Sendo recente, estaria mais fresca tanto na minha memória como na dos possíveis leitores. E, visto no campo, o futebol se revela infinitamente maior, complexo e emocionalmente denso do que fazem supor aquelas vãs e frias imagens trazidas pela TV. Quem quiser saber o que é o futebol, para valer, tem de ir ao estádio, pelo menos de vez em quando. Isso é dogma.

Mas ninguém engana o coração, e, para o bem ou para o mal, o jogo da minha vida continua lá, na neblina do passado, meio impreciso, perdido para sempre em sua íntegra porque não existe registro completo em tape ou filme. E não foi visto no campo, e sim num prosaico aparelho de televisão em preto-e-branco. Mesmo assim, marcado a ferro e a fogo na minha imaginação, estará para sempre aquele Santos 4 x Milan 2 de 1963, que (hoje eu vejo) me definiu para sempre como torcedor e determinou em boa medida a maneira como vejo o futebol, e outras coisas da vida.

Havia muita coisa valendo naquele 14 de novembro de 1963. Decidia-se o Torneio Mundial Interclubes, entre o vencedor da Copa Libertadores da América e o campeão europeu. Naquela época, o título não era disputado em partida única, em Tóquio, como acontece nos anos mais recentes, mas numa melhor de três jogos. Claro, se um dos times vencesse as duas primeiras seguidas tudo estaria terminado. O Santos já havia perdido a primeira batalha em Milão, por 4 a 2, e precisava fazer o resultado positivo no Rio para forçar o jogo de desempate. Se perdesse de novo, o Milan levaria a taça.

Apesar da derrota fora de casa, havia esperança na virada. E não era para menos. Afinal, aquela equipe do Santos era tida como o suprassumo do futebol e havia chegado à final depois de derrotar o poderoso Boca Júniors dentro do seu estádio, La Bombonera, por 2 x 1, gols de Coutinho e Pelé. Depois de alguns anos em formação, naquele começo dos anos 60 o time da Vila havia atingido o ápice, uma excelência de jogo jamais igualada depois, nem por ele mesmo e nem por outro time ou seleção do mundo em qualquer tempo ou lugar. Era o time das estrelas, o bicho papão, a equipe dos verdadeiros galácticos, o dream team, antes que essas expressões se vulgarizassem e fossem aplicadas a conjuntos menores.

No entanto, naquele jogo contra o Milan havia um considerável desfalque a ser levado em conta: a estrela máxima, Pelé, estava contundido e não poderia jogar. Não havia Pelé, a figura lendária que fazia tudo parecer possível e até fácil. Ficaram de fora também o quarto-zagueiro Calvet e o médio volante Zito, o grande capitão e comandante da equipe. Não que com essas ausências o time ficasse exatamente fraco. Afinal, o Santos entrou em campo naquela noite com Gilmar, Ismael, Mauro e Dalmo, Haroldo e Lima, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Almir e Pepe. Um esquadrão de meter medo nos adversários, com seu uniforme imaculadamente branco, naquele tempo sem qualquer publicidade a poluí-lo.

Vamos admitir, o Milan era também um timaço, que não por acaso havia metido quatro gols no Santos, no Estádio de San Siro, com Pelé e tudo: Ghezzi, David, Trapattoni, Maldini e Trebbi; Pelagalli e Lodetti; Mora, Rivera, Mazzola e Amarildo. Detalhe: o time de Milão contava com dois brasileiros na equipe: Mazzola, o José Altafini, campeão do mundo em 1958, e mais Amarildo, que simplesmente havia substituído Pelé na seleção durante a Copa de 1962, no Chile, quando o Rei sofreu uma distensão muscular.

E esse esquadrão italiano mostrou ao Maracanã toda a sua eficácia ao fazer 2×0 logo no primeiro tempo, gols de Mazzola e Mora. A minha lembrança daquela etapa inicial é a de um Santos nervoso, afobado, tentando chegar ao gol atabalhoadamente, pois tinha de ganhar de qualquer jeito para forçar a terceira partida. Jogando assim, se oferecia de graça ao contra-ataque italiano. Aliás, eles sempre foram especialistas nisso, verdadeiras cobras venenosas que esperam pelos times agressivos lá atrás, defendem-se muito bem e partem em contragolpes rápidos e fulminantes. Com esse estilo, foram enfiando seus gols na defesa do Santos.

Tudo parecia perdido e me lembro da sensação de desalento durante o intervalo. Eu era ainda um menino e portanto ainda não sabia que, às vezes, para chegar ao paraíso você tem de suportar longa travessia no deserto, no sofrimento e na incerteza. De qualquer forma, recordo a tristeza, aquela sensação de impotência diante do mundo real, que raramente se comporta de modo a satisfazer os nossos desejos imediatos (nesse sentido, como em outros, o futebol é escola de vida e formador de personalidade).

Para agravar a já precária situação do Santos, durante o intervalo caiu sobre o Rio de Janeiro uma daquelas chuvas antológicas, um aguaceiro de terceiro ato do Rigoletto, como dizia Nelson Rodrigues. Bem, o Maraca não dispunha de um sistema de escoamento dos mais eficientes e, diante da enormidade do temporal, nem acredito que qualquer engenhoca fosse capaz de escoar águas que caíam em cachoeira como no prenúncio do Juízo Final. O fato é que o campo se converteu em pântano impraticável para o futebol e mais ainda para aquela equipe tida como a mais técnica do mundo, aquele tipo de time que tem de jogar sobre um tapete persa, uma mesa de sinuca, com a bola rolando de pé em pé sobre a grama macia.

Assim era o Santos, mas se quisesse ainda alterar o seu destino diante do Milan teria de jogar pólo aquático. E não é que jogou mesmo? Apesar do meu desânimo inicial, logo vi que o time havia voltado com muita disposição do vestiário. Um “excesso de disposição”, diriam mais tarde alguns críticos, mencionando uma estranha laranjada que teria circulado pelo vestiário no intervalo. Em suas memórias, no livro Eu e o Futebol, Almir admite ter tomado uma “bola” durante o longo tempo em que permaneceram no vestiário. Nada diz sobre os outros jogadores. Outra versão afirma que o Santos estava tão ansioso para virar o jogo que os jogadores ficaram menos de 5 minutos no vestiário. Voltaram logo ao gramado (ou ao que restava dele) e ficaram esperando pelo Milan, sob chuva.

O fato é que os santistas vieram como doidos para o segundo tempo, tomados por uma espécie de furor religioso. Qualquer um podia sentir que estavam dispostos a matar ou morrer em campo, se fosse preciso, para reverter o placar. O primeiro lance de que me lembro (ou será uma trapaça da memória?) foi uma dividida, se não me engano entre Almir e Trapattoni. Almir voou com os dois pés na altura do peito do italiano, mostrando qual seria o tom, o clima e o ambiente de jogo para aqueles 45 minutos finais.
Com sua raça inigualável, Almir começou a fazer a diferença, e o fiel da balança passou a pender para o Santos. Mas foi Pepe quem primeiro vazou o gol milanês, cobrando a falta que Maldini fizera em Coutinho com um daqueles seus canhões que eram a angústia permanente dos goleiros. Logo depois Dalmo cruzava sobre a área e Mengálvio, o falso lento Mengálvio, desviava de cabeça para dentro do gol. Jogo empatado. Eu não acreditava no que via e temi estar sonhando quando Lima, o Coringa da Vila, que jogava em qualquer posição, driblou o marcador, acertou uma bomba da intermediária e fez o terceiro. O Milan parecia perdido em campo. E estava mesmo. Mais ainda ficou quando Pepe bateu outra falta, a barreira abriu e a bola foi para o fundo da rede italiana pela quarta vez.

Em apenas 21 minutos, o Santos havia revertido o placar do primeiro tempo e devolvia a goleada tomada em Milão. Poderia ter vencido por mais, se forçasse. Mas a partir do quarto gol passou a administrar o resultado, para delírio dos torcedores que lotavam o Maracanã.

Essa torcida deve ser tratada como um caso à parte. O jogo quase aconteceu no Pacaembu o que, em tese, seria melhor para a nação santista, pois estaria mais próximo da Vila Belmiro. Mas a diretoria entendeu que o Maracanã, o maior estádio do mundo, o templo do nosso futebol, seria o palco ideal para uma disputa daquela envergadura. E levou o jogo para lá. Claro, muitos vieram de Santos e de São Paulo, mas o grosso da platéia era mesmo carioca. Era gente que adorava o futebol praticado pelo Santos e portanto idolatrava Pelé acima de todas as coisas. A escalação do Rei ficou em suspenso até quase a hora do jogo, mas ele acabou vendo a partida da tribuna, pois não tinha condições de entrar em campo. E, mesmo com Pelé fora do time, a galera carioca torceu apaixonadamente pela equipe na qual ele jogava.

Há explicação para esse apoio dos cariocas ao Santos, apesar da tradicional rivalidade entre São Paulo e Rio. O carioca adora o futebol-arte, praticado com técnica, malícia e refinamento. E nunca houve time, como o Santos dos anos 60, que tivesse elevado tanto esse esporte ao patamar de uma das belas artes. Nesse sentido, o Santos era considerado “o mais carioca dos times”, como certa vez dissera Nelson Rodrigues, e apenas por engano nascera na Vila Belmiro, no litoral paulista. Jogando esse futebol que o brasileiro adora ver e no qual se reconhece, tornou-se o segundo time de cada um dos torcedores do Rio. E, assim, nada menos do que 132.728 pessoas pagaram ingresso para assistir àquela batalha futebolística no Maracanã. Depois da conquista do título, a diretoria do Santos mandou colocar uma placa no estádio, em agradecimento. No bronze lê-se: “Às palmas dos cariocas, o coração do Santos Football Club. Bi-campeão mundial. Rio, 14 e 16 de novembro de 1963.

Almir Moraes Albuquerque, o Almir Pernambuquinho, deve ser visto como outro caso à parte nessa história toda. Substituto de Pelé, foi vaiado ao entrar em campo, pois havia jogado no Vasco e a maior parte da torcida que lá estava para apoiar o Santos era flamenguista. Jogou tão bem e mostrou tanta raça durante a partida que saiu do estádio como herói. Almir foi um dos bad boys mais carismáticos do futebol brasileiro. Passou por um sem número de times, sempre aliando técnica e espírito de luta. Não tinha medo de cara feia. Batia, apanhava e jogava muita bola. Vestiu a camisa, no sentido literal como no figurado, de cada equipe a que serviu, do Vasco ao Corinthians. Guerreiro, indisciplinado, boêmio e genial, morreu alvejado por tiros numa briga de bar na Galeria Alaska, em Copacabana, em 1973. Inspirou um especial da Globo, um Caso de Polícia chamado O Homem que Incendiou o Maracanã, escrito por Aguinaldo Silva e levado ao ar em 1981. Almir não era mencionado no programa, mas as referências a ele eram tão explícitas que sua viúva ganhou uma indenização na justiça, contra a emissora, em 1984.

Havia ainda outros ingredientes que apimentavam aquele jogo de 14 de novembro de 1963. Mazzola havia sido campeão do mundo pelo Brasil em 1958 e fora jogar na Itália depois da Copa. Mesmo destino de Amarildo, que substituiu Pelé no Mundial do Chile, em 1962. Dizem que o sucesso no Chile subiu à cabeça de Amarildo, apelidado de “O Posssesso”, e agora ele afirmava que Pelé estaria superado e o melhor do mundo seria ele. Uma usurpação de cetro e coroa. Almir, ao tomar conhecimento da história, ficou ofendido e decidiu acertar contas com Amarildo em campo, em nome do Rei. Perseguiu-o durante todo o jogo mas só conseguiu acertar-lhe uma botinada sem bola na partida seguinte.

Falou-se também que a diretoria italiana contava como tão certa a conquista do Mundial já nesse segundo jogo que havia preparado uma sala do estádio com mesa de bebidas, salgadinhos e doces para comemorar o título. Já haviam, inclusive, reservado vôo para a Itália no dia seguinte, confiantes de que não haveria o tira-teima ¬¬– que afinal seria jogado dois dias depois, no mesmo Maracanã, e vencido pelo Santos por 1 x 0, gol de pênalti cometido por Maldini em Almir e convertido por Dalmo.

Todos esses elementos –a rivalidade intercontinental entre Europa e América do Sul, a empáfia dos italianos, a situação de desvantagem, talvez mesmo a ausência do mito Pelé – haviam contribuído para que o jogo se transformasse em autêntica epopéia. Claro, houve o palco inigualável de um Maracanã lotado, e a chuva, que beneficiava mais o espírito de luta do que a técnica refinada. O final foi realmente catártico, um desfecho operístico, com aquelas 130 mil e tantas pessoas acenando seus lenços brancos e cantando “Está chegando a hora…” enquanto os jogadores do Santos botavam o Milan na roda, passavam a bola de pé em pé e faziam o tempo escoar. Foi lindo de doer.

Tão comovente que passei boa parte do segundo tempo com os olhos molhados. Quando o jogo acabou, ainda estava de lencinho na mão, na sala de TV onde assistia ao jogo. Minha mãe passou por lá e quis saber se havia acontecido alguma coisa. “Nada, nada”, respondi. Mas não era verdade. Muita coisa havia acontecido naqueles noventa e poucos minutos de pura tensão, de agonia e êxtase.

Sem nunca ter lido nem ouvido falar em Nelson Rodrigues, havia descoberto, de maneira intuitiva, que um grande jogo tem o formato de uma tragédia grega, como ele escrevia em suas crônicas. Numa delas, publicada em O Globo de 18 de novembro de 1963, Nelson comenta a vitória do Santos naquele mundial: “O que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão. E o lindo, o sublime na vitória do Santos é que, atrás dela, há o homem brasileiro com seu peito largo, lustroso, homérico.” O título da crônica é O Divino Delinqüente e, adivinhe só, corre em socorro de ninguém menos que Almir Pernambuquinho em pessoa, condenado por outros comentaristas por seu suposto jogo violento contra os italianos.

Almir não era nenhum santo, mesmo. Mas a verdade é que o pau cantou solto, e de lado a lado, naquelas duas partidas finais. Foram jogos viris, e, para citar mais uma vez essa mesma crônica antológica de Nelson Rodrigues, nela ele diz que “Não se pode exigir, de um jogo de futebol, a cerimônia, a polidez, a correção de uma sessão na Câmara dos Comuns”. Ainda mais em jogo que vale título mundial. Dizem que Nelson não entendia nada de táticas ou de técnica e mal via os jogadores em campo com seus olhos de míope. Pouco importa. Ele compreendeu, como ninguém, o mais importante, a essência: o fundamento dramático do jogo da bola.

Eu já era santista antes daquela partida. Amava aquele time de uniformes brancos, vestidos por uma maioria de jogadores negros, em especial os do ataque, setor onde havia um único branquelo, Pepe, o José Macia, filho de imigrantes espanhóis, que gastava a bola na ponta-esquerda. Acontece que aquele era um time tão excepcional que me deixou mal acostumado. Aprendi com ele a ver tudo de uma maneira fácil demais, com uma certa ligeireza.

Em minha fantasia, a vitória era decorrência quase obrigatória do fato de o time entrar em campo. E a derrota, apenas um improvável e raro acidente de percurso, facilmente corrigível no jogo seguinte. Em sua formação clássica, que se declinava por música – Gilmar, Mauro, Dalmo e Calvet, Zito e Lima, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe – o Santos era mesmo uma equipe praticamente imbatível. Entrava já com grande superioridade moral sobre os adversários e em 1962 havia atingido o seu apogeu, seu ano de ouro, o annus mirabilis – aquele no qual ganhou nove competições seguidas, entre as quais o Campeonato Paulista, a Taça Brasil, a Copa Libertadores da América e o seu primeiro Mundial Interclubes. Conquistou tudo – do regional ao universal. Nesse ano, participou de 64 jogos. Ganhou 46, empatou 10 e perdeu 8. Fez 216 gols (média de 3,37 por jogo) e tomou 60.

Como se vê, mesmo esse time perdia de vez em quando mas, de tão raras, as derrotas eram esquecidas. Ao vê-lo em campo, a vitória parecia sempre tranqüila demais, quase obrigatória, mero cumprimento de rotina, de formalidade. Era uma orquestra de alto nível tocando e passeando sobre os adversários. Com aqueles jogadores, um jogo parecia menos uma disputa, uma luta renhida do que um espetáculo, um show, uma demonstração à maneira das que faziam, em basquete, os magos americanos do Harlem’s Globetrotters.

Em 1963, esse time mítico nada perdera de sua força. Pelo contrário. Jogava de maneira tão magnífica que havia até quem o considerasse melhor e mais aprimorado do que o do ano anterior. Em suma, até aquela partida no Maracanã posso dizer que eu tinha uma visão superficial do que era o futebol. Uma visão infantil, o que se justifica, pois afinal eu era apenas um menino fascinado por um time de super-heróis.

Mas, naquela noite, o Santos que jogou contra o Milan não parecia tão invulnerável assim. Havia os desfalques de Zito e Calvet. Havia, acima de tudo, a assustadora ausência de Pelé. Depois do placar adverso no primeiro tempo, vieram a chuva e o silêncio da multidão. Começou a pairar um ar de derrota sobre o Maracanã. Uma derrota talvez humilhante, uma goleada inclemente, daquelas que se levam pela vida afora, como uma cicatriz sem honra. Naquela noite eu temi pelo Santos. Temi por mim mesmo e vi a fatalidade de perto. Senti o frio da morte. Mas lutamos e sobrevivemos. Aquela virada histórica me abriu os olhos para outra dimensão do futebol, mais plena, mais trágica, mais densa de sentido. Mais humana.

Não me lembro de esquema tático nem nada. Não sei se o Santos jogava em 4-2-4 ou 4-3-3. Sei lá. Na época, isso não tinha a menor importância para mim. Lembro, sim, que Pepe foi um gigante em campo, participando de grande parte das jogadas ofensivas e marcando nos momentos vitais. E que Almir, com sua valentia, foi quem comandou a virada. Heróis foram todos, enfim, do goleiro ao ponta-esquerda, passando pelo massagista e pelo roupeiro. Lembro da emoção. Em certa época, emoção é tudo na vida. E aquele jogo foi adrenalina pura para um coração jovem.

Muitas outras partidas marcaram – positiva ou negativamemente –a minha existência de torcedor. Por exemplo, não esqueço de duas derrotas da seleção, a de 1982, contra a Itália, em Sarrià, e a de 1998, contra a França, na final da Copa, em Paris. A primeira me pareceu injusta; a segunda, vergonhosa. Mas não esqueço também a glória dos 4 a 1 sobre a Itália na final do México em 1970. Ou o 1×0 sobre o Corinthians, gol de Serginho Chulapa que nos deu o Paulista de 1984. E os 3 a 2 do Santos adolescente, também sobre o Corinthians, no Brasileiro de 2002, o jogo das pedaladas do Robinho sobre o Rogério e o fim da longa fila de títulos importantes. Poderia citar outras epopéias e outras hecatombes.

Foram muitos jogos marcantes, e todos me emocionaram demais. Mas considero aquele Santos 4 x Milan 2 de 1963 como uma espécie de grau zero, de mito da origem da minha vida de torcedor do Santos e de aficionado do futebol. Com aquela partida, aprendi que nem tudo se resolve com facilidade ou na base de uma suposta superioridade técnica. A técnica é fundamental, mas de nada vale se não houver determinação, coragem, espírito de sacrifício. Amor à camisa. Deve-se viver e jogar com o coração, do contrário não se vai a lugar nenhum e nada vale a pena.

Amadureci com aquele jogo. Ele me preparou para a idade adulta e tem sido uma lição para a vida toda.

Ficha técnica
Santos 4 x 2 Milan
Estádio: Maracanã (RJ)
Público: 132.728 pagantes
Data: 14 de novembro de 1963
Santos: Gilmar, Ismael, Mauro e Dalmo, Haroldo e Lima, Dorval, Mengálvio, Coutinho, Almir e Pepe. Técnico: Luiz Alonso Perez, o Lula
Milan: Ghezzi, David, Trapattoni, Maldini e Trebbi; Pelagalli e Lodetti; Mora, Rivera, Mazzola e Amarildo. Técnico: Luis Carniglia
Árbitro: Juan Brozzi (Argentina)
Gols: Milan: Mazzola 13′, Mora, 18′, ambos no primeiro tempo; Santos: Pepe 5′, Mengálvio 9′, Lima 19′ e Pepe 21′, todos no segundo tempo

Origem: http://blogs.estadao.com.br/luiz-zanin/santos-x-milan-o-jogo-historico/


quarta-feira, 7 de abril de 2010

avatar conta uma história que preferimos esquecer


Avatar é, ao mesmo tempo, tolo e profundo. É tolo porque a exigência de um final feliz engendra um enredo previsível que arranca o coração do filme. E é profundo porque, como outros filmes sobre alienígenas, é uma metáfora sobre o contato entre culturas humanas diferentes. Nesse caso a metáfora é consciente e precisa: esta é a história do engajamento europeu com os povos nativos das Américas. Essa é uma história que ninguém quer escutar, por causa do desafio que oferece ao modo como escolhemos ver a nós mesmos. A Europa enriqueceu maciçamente com os genocídios nas Américas; as nações americanas foram fundadas neles. O artigo é de George Monbiot.

O Blockbuster em 3D Avatar, de James Cameron, é tanto profundamente tolo como profundo. É profundo porque, como em muitos filmes sobre alienígenas, é uma metáfora para o contato entre culturas humanas diferentes. Mas nesse caso a metáfora é consciente e precisa: esta é a história do engajamento europeu com os povos nativos das Américas. É profundamente tolo porque a exigência de um final feliz engendra um enredo tão estúpido e previsível que arranca o coração do filme. O destino dos nativos americanos é tratado com mais proximidade histórica do que a história contada em outro filme novo, The Road (John Hillcoat, 2009), no qual pessoas sobreviventes de um cataclismo fogem aterrorizadas enquanto são caçadas até a extinção.

Mas essa é uma história que ninguém quer escutar, por causa do desafio que oferece ao modo como escolhemos ver a nós mesmos. A Europa enriqueceu maciçamente com os genocídios nas Américas; as nações americanas foram fundadas neles. Essa é uma história que não podemos aceitar.

Em seu livro Holocausto Americano, o acadêmico estadunidense David Stannard documenta os maiores atos de genocídio que o mundo já experienciou. Em 1492, 100 mil povos nativos viviam nas Américas. No fim do Século XIX, quase todos eles tinham sido exterminados. Muitos morreram de doenças. Mas a extinção em massa também foi empreendida.

Quando os espanhóis chegaram nas Américas, eles descreveram um mundo que dificilmente teria sido muito diferente do seu próprio. A Europa foi devastada pela guerra, pela opressão, escravidão, fanatismo, doença e fome. As populações que encontraram eram saudáveis, bem nutridas e em sua maioria (com exceções, como os Astecas e Incas), pacíficas, democráticas e igualitárias. Pelas Américas, os primeiros exploradores, inclusive Colombo, observaram a extraordinária hospitalidade dos nativos. Os conquistadores ficaram maravilhados com as impressionantes estradas, construções e com a arte que encontraram, a qual em alguns casos ia além de tudo o que tinham visto antes. Nada disso os impediu de destruir tudo e todos que encontraram pelo caminho.

O açougue começou com Colombo. Ele abateu o povo nativo da Hispaniola (hoje Haiti e República Dominicana) por meio de uma brutalidade inimaginável. Seus soldados arrancaram bebês de suas mães e espatifaram suas cabeças em pedras. Jogaram seus cachorros sobre crianças vivas. Numa ocasião, eles enforcaram 13 índios em honra a Cristo e aos 12 discípulos, num cadafalso na altura em que seus dedos tocassem o chão, então os estriparam e queimaram vivos. Colombo ordenou que todos os nativos entregassem uma certa quantia de ouro a cada três meses; quem não o fizesse teria suas mãos cortadas. Por volta de 1535, a população nativa da Hispaniola havia caído de 8 mil para zero; parte como consequência de doença, parte como de assassinato, sobrecarga de trabalho e fome.

Os conquistadores espalharam sua missão civilizatória ao longo das Américas Central e do Sul. Quando não conseguiam dizer onde seus tesouros míticos estavam escondidos, os povos indígenas eram açoitados, afogados, desmembrados, devorados por cachorros, enterrados vivos ou queimados. Os soldados cortavam os seios das mulheres, devolviam as pessoas a suas cidades com suas mãos e narizes cortados, ao redor de seus pescoços e índios caçados por seus cães, por esporte. Mas a maior parte foi morta pela escravidão e doença. Os espanhóis descobriram que era mais barato fazer os índios trabalharem até a morte e substituí-los, do que mantê-los vivos: a expectativa de vida nas minas e plantações era de três a quatro meses. Um século após sua chegada, em torno de 95% da população da América Central e do Sul tinha sido destruída.

Na Califórnia, ao longo do Século XVIII a Espanha sistematizou o extermínio. Um missionário franciscano chamado Juniperro Serra deu cabo de uma série de “missões”: na realidade, de campos de concentração usando trabalho escravo. A população nativa foi arrebanhada pela força das armas e posta a trabalhar nos campos, com um quinto das calorias de que os afro-americanos escravos no Século XIX se nutriam. Eles morriam de tanto trabalhar, de fome e doença em índices alarmantes, e eram continuamente substituídos, limpando etnicamente as populações indígenas. Juniperro Serra, o Eichmann da Califórnia, foi beatificado pelo Vaticano em 1988. Neste momento esperam mais um só milagre seu para torná-lo santo.

Enquanto a colonização espanhola foi orientada pelo lustro do ouro, a Norte-Americana foi pela terra. Na Nova Inglaterra eles renderam as vilas dos nativos americanos e os assassinaram enquanto dormiam. Enquanto o padrão oeste de genocídio se espalhava, era endossado em níveis cada vez mais altos. George Washington ordenou a destruição total das casas e da terra dos Iroquois. Thomas Jefferson declarou que as guerras de sua nação com os índios deveriam continuar até que cada tribo “seja eliminada ou jogada para além do Mississipi”. No Massacre de Sand Creek, de 1864, tropas no Colorado abateram povos desarmados com a bandeira branca em mãos, matando crianças e bebês, mutilando seus corpos e guardando as genitálias das vítimas para usar como porta-tabaco ou amarrar seus chapéus. Theodore Roosevelt chamou a esse evento de “o feito mais correto e benéfico jamais ocorrido na fronteira”.

O abatedouro ainda não acabou: no mês passado, o Guardian reportou que fazendeiros brasileiros na Amazônia oeste, depois de abaterem a todos, tentaram mantar o último sobrevivente de uma tribo da floresta. Ainda assim, os maiores atos de genocídio da história raramente perturbam nossa consciência coletiva. Talvez tivesse vindo a ser isso o que teria ocorrido caso os nazistas houvesse vencido a Segunda Guerra Mundial: o Holocausto teria sido denegado, desculpado ou minimizado da mesma maneira, mesmo se continuasse a ocorrer. As pessoas das nações responsáveis – Espanha, Inglaterra, EUA e outros – não tolerarão comparações, mas as soluções finais empreendidas nas Américas foram muitíssimo melhor sucedidas. Aqueles que cometeram ou as endossaram ainda perseveram como heróis nacionais. Aqueles que fustigam nossa memória são ignorados e condenados.

É por isso que a direita odeia Avatar. No neocon Weekly Standard, John Podhoretz reclama que o filme parece “um western revisionista”, no qual “os índios se tornam caras bons e os Americanos, os caras ruins”. Ele diz que o filme questiona “as raízes da derrota dos soldados americanos nas mãos da insurgência”. Insurgência é uma palavra interessante para uma tentativa de resistir à invasão: insurgente, como selvagem, é como é chamado alguém que tem alguma coisa que você quer. L'Observatore Romano, jornal oficial do Vaticano, condenou o filme, chamando-o de “apenas...uma parábola anti-imperialista e anti-militarista”.

Mas ao menos a direita sabe o que está atacando. No New York Times, o crítico liberal Adam Cohen elogia Avatar por defender a necessidade de se ver claramente. O filme revela, diz ele, “um princípio bem conhecido do totalitarismo e do genocídio, que o oponente é melhor oprimido quando não podemos vê-lo”. Mas, numa formidável ironia inconsciente, ele contorna estrondosamente a metáfora óbvia e, em vez de falar dela, ele enfatiza as atrocidades nazistas e soviéticas. Nós nos tornamos todos hábeis na arte de não ver.

Eu concordo com as críticas de direita que dizem que Avatar é rude, enjoativo e clichê. Mas ele fala de uma coisa mais importante – e mais perigosa – do que aquelas contidas em milhares de filmes de arte.

(*) George Monbiot é jornalista e escritor. Texto publicado na página do autor.

Tradução: Katarina Peixoto

Origem: http://www.cartamaior.com.br

Convite Sarau da Educação

    Sarau da Educação

    X Encontro Temático: Samba & Poesia

Homenagem aos poetas do samba brasileiro, com ambiente temático, varal de poesias, dança, música, declamação e muito mais

    17 de abril, das 19h às 22h

    Local: Centro de Formação dos Profissionais da Educação

    Endereço: Av. Marechal Rondon, 263- Osasco- SP

    Mande sugestões: saraudaeducacao@gmail.com

    Fones: 9417 8622 – 7324 7729

    Realização: Grupo de Cultura da Educação

    Apoio: Secretaria Municipal de Educação Osasco

terça-feira, 6 de abril de 2010

i curso preparatório para a defensoria pública para militantes de direitos humanos e movimentos populares

Um conjunto de entidades sociais realizarão o I Curso Preparatório para a Defensoria Pública para Militantes de Direitos Humanos e Movimentos Populares. Parte das vagas serão reservadas a negros, mulheres e pessoas com idade superior a 35 anos.

A iniciativa partiu de lideranças do movimento negro preocupadas com o pequeno índice de ingresso de negros e negras na Defensoria Pública, nos últimos concursos públicos.

O projeto de lei que deu origem à Defensoria em São Paulo previa cotas para candidatos que cursaram ensino médio em escolas públicas e para afrodescendentes. Porém foi vetado. A lei em vigor não tem essa previsão.

O curso, focado no conteúdo jurídico exigido no concurso público de acesso à carreira, está sendo organizado de forma espontânea por membros de diversas entidades, entre elas UNEafro Brasil, AFDDFP, UMEP, Mov. Brasil Afirmativo, Centros Acadêmicos, Núcleo de Educação Popular Prestes e outras.

A proposta está aberta a outras entidades interessadas em participar e indicar alunos. Contato pelo e-mail nucleoconcursopublico@gmail.com ou ligar para 11- 8622-5360.

Aulas com Defensores Públicos

As aulas serão dadas por um grupo de Defensores Públicos solidários com a causa e outros profissionais, de forma voluntária. Para participar é necessário estar no último semestre ou ter concluído o curso superior de Direito, ter vínculo com núcleos, entidades de defesa dos direitos humanos ou ser militante ligado a movimentos populares.
O curso oferecerá 50 vagas. O início do curso está previsto para a segunda quinzena de Abril, já que o concurso para a Defensoria Pública ocorrerá Junho desse ano!

As inscrições ocorrerão nos dias 29 e 31 de Março e 6, 7 e 8 de Abril, na R. Abolição, 167, em reuniões, sempre às 19h. Valor simbólico do curso: R$ 30,00 para despesas operacionais.

Prepare-se para o concurso da Defensoria Pública!

ANOTE:

Inscrições:
Dias 29/03, 31/03, 06/04, 07/04 e 08/04, na Rua Abolição, 167, próx. à Câmara Municipal (metrô Anhangabaú / Term. Bandeira). Levar cópia do RG e uma foto 3 X 4.

Origem: http://www.uneafrobrasil.org/home_cursodefensoria.asp

carter: kátia abreu recebe 25 vezes mais dinheiro do governo do que o mst

Leiam e repassem, possivelmente Essa Senhora será vice na Chapa do Tucano prá Presidencia da República

Em dezembro de 2009, Miguel Carter concluiu o trabalho de organizar o livro: Combatendo a Desigualdade Social – O MST e a Reforma Agrária no Brasil. É um lançamento da Editora UNESP, que reúne colaborações de especialistas sobre a questão agrária e o papel do MST pela luta pela Reforma Agrária no Brasil.

Esta semana, ele conversou com Paulo Henrique Amorim, por telefone.

Paulo Henrique Amorim – Professor Miguel, o senhor é professor de onde?

Miguel Carter – Eu sou professor da American University, em Washington D.C.

Paulo Henrique Amorim – Há quanto tempo o senhor estuda o problema agrário no Brasil e o MST?

Miguel Carter - Quase duas décadas já. Comecei com as primeiras pesquisas no ano de 91.

Paulo Henrique Amorim – Eu gostaria de tocar agora em alguns pontos específicos da sua introdução “Desigualdade Social Democracia no Brasil”. O senhor descreve, por exemplo, a manifestação de 2 de maio de 2005, em que, por 16 dias, 12 mil membros do MST cruzaram o serrado para chegar a Brasília. O senhor diz que, provavelmente, esse é um dos maiores eventos de larga escala do tipo marcha na história contemporânea. Que comparações o senhor faria ?

Miguel Carter – Não achei outra marcha na história contemporânea mundial que fosse desse tamanho. A gente tem exemplo de outras mobilizações importantes, em outros momentos, mas não se comparam na duração e no numero de pessoas a essa marcha de 12 mil pessoas. Houve depois, como eu relatei no rodapé, uma mobilização ainda maior na Índia, também de camponeses sem terra. Mas a de 2005 era a maior marcha.

Paulo Henrique Amorim
– O senhor compara esse evento, que foi no dia 2 de maio de 2005, com outro do dia 4 de junho de 2005 – apenas 18 dias após a marcha do MST – com uma solenidade extremamente importante aqui em São Paulo que contou com Governador Geraldo Alckmin, sua esposa, Dona Lu Alckmin, e nada mais nada menos do que um possível candidato do PSDB a Presidência da República, José Serra, que naquela altura era prefeito de São Paulo. Também esteve presente Antônio Carlos Magalhães, então influente senador da Bahia. Trata-se da inauguração da Daslu. Por que o senhor resolver confrontar um assunto com o outro ?


Miguel Carter – Porque eu achei que começar o livro com simples estatísticas de desigualdades sociais seria um começo muito frio. Eu acho que um assunto como esse precisa de uma introdução que também suscite emoções de fato e (chame a atenção para) a complexidade do fenômeno da desigualdade no Brasil. A coincidência de essa marcha ter acontecido quase ao mesmo tempo em que se inaugurava a maior loja de artigos de luxo do planeta refletia uma imagem, um contraste muito forte dessa realidade gravíssima da desigualdade social no Brasil. E mostra nos detalhes como as coisas aconteciam, como os políticos se posicionavam de um lado e de outro, como é que a grande imprensa retratava os fenômenos de um lado e de outro.

Paulo Henrique Amorim – O senhor sabe muito bem que a grande imprensa brasileira – que no nosso site nós chamamos esse pessoal de PiG (Partido da Imprensa Golpista) - a propósito da grande marcha do MST, a imprensa ficou muito preocupada como foi financiada a marcha. O senhor sabe que agora está em curso uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, que reúne o Senado e a Câmara, para discutir, entre outras coisas, a fonte de financiamento do MST. Como o senhor trata essa questão? De onde vem o dinheiro do MST?


Miguel Carter - Tem um capítulo 9 de minha autoria feito em conjunto com o Horácio Marques de Carvalho que tem um segmento que trata de mostrar o amplo leque de apoio que o MST tem, inclusive e apoio financeiro.

Paulo Henrique Amorim – O capítulo se chama “Luta na terra, o MST e os assentamentos” - é esse ?

Miguel Carter – Exatamente. Há uma parte onde eu considero sete recursos internos que o MST desenvolveu para fortalecer sua atuação, nesse processo de fazer a luta na terra, de fortalecer as suas comunidades, seus assentamentos. E aí tem alguns detalhes, alguns números interessantes. Porque eu apresento dados do volume de recursos que são repassados para entidades parceiras por parte do Governo Federal. Eu sublinho no rodapé dessa mesma página o fato de que as principais entidades ruralistas do Brasil têm recebido 25 vezes mais subsídios do Governo Federal (do que o MST). E o curioso de tudo isso é que só é fiscalizado como o pobre recebe recurso público. Mas, sobre os ricos, que recebem um volume de recursos 25 vezes maior que o dos pobres, (sobre isso) ninguém faz nenhuma pergunta, ninguém fiscaliza nada. Parece que ninguém tem interesse nisso. E aí o Governo Federal subsidia advogados, secretárias, férias, todo tipo de atividade dos ruralistas. Então chama a atenção que propriedade agrária no Brasil, ainda que modernizada e renovada, continua ter laços fortes com o poder e recebe grande fatia de recursos públicos. Isso são dados do próprio Ministério da Agricultura, mencionados também nesse capítulo. Ainda no Governo Lula, a agricultura empresarial recebeu sete vezes mais recursos públicos do que a agricultura familiar. Sendo que a agricultura familiar emprega 80% ou mais dos trabalhadores rurais.

Paulo Henrique Amorim – Qual é a responsabilidade da agricultura familiar na produção de alimentos na economia brasileira?

Miguel Carter – Na página 69 há muitos dados a esse respeito.

Paulo Henrique Amorim - Aqui: a mandioca, 92% saem da agricultura familiar. Carne de frango e ovos, 88%. Banana, 85%.. Feijão, 78%. Batata, 77%. Leite, 71%. E café, 70%. É o que diz o senhor na página 69 sobre o papel da agricultura familiar. Agora, o senhor falava de financiamentos públicos. Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora Kátia Abreu, que talvez seja candidata a vice-presidente de José Serra, a Confederação Nacional da Agricultura recebe do Governo Federal mais dinheiro do que o MST?


Miguel Carter – Muito mais. Essas entidades ruralistas em conjunto, a CNA, a SRB, aquela entidade das grandes cooperativas, em conjunto elas recebem 25 vezes do valor que recebem as entidades parceiras do MST. Esses dados, pelo menos no período 1995 e 2005, fizeram parte do relatório da primeira CPI do MST. O relatório foi preparado pelo deputado João Alfredo, do Ceará.

Paulo Henrique Amorim – O senhor acredita que o MST conseguirá realizar uma reforma agrária efetiva? A sua introdução mostra que a reforma agrária no Brasil é a mais atrasada de todos os países que fazem ou fizeram reforma agrária. Que o Brasil é o lanterninha da reforma agrária. Eu pergunto: por que o MST não consegue empreender um ritmo mais eficaz?

Miguel Carter – Em primeiro lugar, a reforma agrária é feita pelo Estado. O que os movimentos sociais como o MST e os setenta e tantos outros que existem em todo o Brasil fazem é pressionar o Estado para que o Estado cumpra o determinado na Constituição. É a cláusula que favorece a reforma agrária. O MST não é responsável por fazer. É responsável por pressionar o Governo. Acontece que nesse país de tamanha desigualdade, a história da desigualdade está fundamentalmente ligada à questão agrária. Claro que, no século 20, o Brasil, se modernizou, virou muito mais complexo, surgiu todo um setor industrial, um setor financeiro, um comercial. E a (economia) agrária já não é mais aquela, com tanta presença no Brasil. Mas, ainda sim, ficou muito forte pelo fato de o desenvolvimento capitalista moderno no campo, nas últimas décadas, ligar a propriedade agrária ao setor financeiro do país. É o que prova, por exemplo, de um banqueiro (condenado há dez anos por subornar um agente federal – PHA) como o Dantas acabar tendo enormes fazendas no estado do Pará e em outras regiões do Brasil. Houve então uma imbricação muito forte entre a elite agrária e a elite financeira. E agora nessa última década ela se acentuou num terceiro ponto em termos de poder econômico que são os transacionais, o agronegócio. Cargill, a Syngenta… Antes, o que sustentava a elite agrária era uma forte aliança patrimonialista com o Estado. Agora, essa aliança se sustenta em com setor transacional e o setor financeiro.

Paulo Henrique Amorim – Um dos sustos que o MST provoca na sociedade brasileira, sobretudo a partir da imprensa, que eu chamo de PiG, é que o MST pode ser uma organização revolucionária – revolucionária no sentido da Revolução Russa de 1917 ou da Revolução Cubana de 1959. Até empregam aqui no Brasil, como economista Xico Graziano, que hoje é secretário de José Serra, que num artigo que o senhor fala em “terrorismo agrário”. E ali Graziano compara o MST ao Primeiro Comando da Capital. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, que, como se sabe ocupou por dois dias a cidade de São Paulo, numa rebelião histórica. Eu pergunto: o MST é uma instituição revolucionária?

Miguel Carter – No sentido de fazer uma revolução russa, cubana, isso é uma grande fantasia. E uma fantasia às vezes alardeada com maldade, porque eu duvido que uma pessoa como o Xico Graziano, que já andou bastante pelo campo no Brasil, não saiba melhor. Ele sabe melhor. Mas eu acho que (o papel do) MST é (promover) uma redistribuição da propriedade. E não só isso, (distribuição) de recursos públicos, que sempre privilegiou os setores mais ricos e poderosos do país. Há, às vezes, malícia mesmo de certos jornalistas, do Xico Graziano, Zander Navarro, dizendo que o MST está fazendo uma tomada do Palácio da Alvorada. Eles nunca pisaram em um acampamento antes. Então, tem muito intelectual que critica sem saber nada. O importante desse (“Combatendo a desigualdade social”) é que todos os autores têm longos anos de experiência (na questão agrária). A grande maioria tem 20, 30 anos de experiência e todos eles têm vivência em acampamento e assentamentos. Então conhecem a realidade por perto e na pele. O Zander Navarro, por exemplo, se alguma vez acompanhou de perto o MST, foi há mais de 15 anos. Tem que ter acompanhamento porque o MST é de fato um movimento.

Paulo Henrique Amorim
– Ou seja, na sua opinião há uma hipertrofia do que seja o MST? Há um exagero exatamente para criar uma situação política?


Miguel Carter – Exatamente. Eu acho que há interesse por trás desse exagero. O exagero às vezes é inocente por gente que não sabe do assunto. Mas às vezes é malicioso e procura com isso criar um clima de opinião para reprimir, criminalizar o MST ou cortar qualquer verba que possa ir para o setor mais pobre da sociedade brasileira. Há muito preconceito de classe por trás (desse exagero).

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

Conversa Afianda, 28/3/2010 - www.paulohenriqueamorim.com.br


convite do centro ángel rama para lançamento e debate de livro

O CENTRO ÁNGEL RAMA DA FFLCH CONVIDA PARA

Lançamento de livro, seguido de debate:


Capitalismo em Crise: a natureza e dinâmica da crise econômica mundial,

organizado por Plinio de Arruda Sampaio Jr., com artigos de Eduardo Almeida, Jorge
Grespan, Maria Orlanda Pinassi, Plinio de Arruda Sampaio Jr., Ricardo Antunes, Valério Arcary e Virgínia Fontes

Debatedores: Plinio de Arruda Sampaio Jr. e Jorge Grespan



Dia 6 de abril, terça-feira, às 17h, na Sala 8 do Prédio de Filosofia e Ciências Sociais da FFLCH/USP


Serviço de Comunicação Social
TELS: (11) 3091.4612 / 3091.4938 FAX: (11) 3091.4612
comunicacaofflch@usp.br

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Rua do Lago, 717, sala 121 - Prédio da Administração
CEP 05508-900 - São Paulo/SP

Universidade de São Paulo

Visite nossa sala de imprensa:
http://www.fflch.usp.br/scs