sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

sob o temporal - tragédia mais que anunciada, cíclica, constante há muito tempo em nossa agenda... nosso calendário!

Desceu tudo morro abaixo e cuspindo barro gritei por socorro...


Encheu, transbordou o riacho e cuspindo barro gritei por socorro...


SOB O TEMPORAL
(Selito SD)

Levantei o meu barraco
Na encosta do morro
Veio temporal
Levou tudo morro abaixo
E cuspindo barro gritei por socorro
Sob o temporal

Sob o temporal, sob o temporal (Bis)

Eta vidinha danada
Essa da gente que é pobre
Sofrida, desamparada
Sem ouro, prata, nem cobre
Sem guarida, sem morada
Vai se virando como pode (Eu levante!)

Levantei o meu barraco
No vale, eu saí do morro
Veio temporal
Encheu, transbordou o riacho
E cuspindo barro gritei por socorro
Sob o temporal

Sob o temporal, sob o temporal (Bis)

Eta vida desgraçada
Da gente que nada tem
Sofrida, desamparada
Sem um mísero vintém
Sem guarida, sem morada
Só conta com Deus, mais ninguém (Eu levante!)

ele vem aí... e o bicho vai pegar!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

neste domingo, 31.01.2010, será celebrado o aniversário de 7 anos do projeto samba de terreiro de mauá, com muito samba


Domingo, agora dia 31 à partir das 15 horas nós do Samba de Terreiro de Mauá estaremos comemorando o nosso 7º aniversário no bar do Buiú.

O Endereço é Rua San Juan, 121 - Parque das Américas - Mauá


Próximo à estação Guapituba da CPTM.


Em caso de dúvidas entrem em contato:
9288-1890 / 7662-7664 / 8155-4571 / 7478-6343

www.terreirodemaua.blogspot.com
www.sambafalado.blogspot.com

manifesto saia do armário: contra a boiolagem institucional!

Por Gustavo Dumas

Não, caro leitor, orgulhosíssima leitora. Não se trata este texto de um panfleto homófobo, longe disso, aliás. Está mais para um pedido para que soltemos nossas frangas, preparemos nossos chiliques reprimidos e façamos um movimento viril, sim, contra a frescura generalizada em que se transformou o tal Choque de Ordem, no Rio, o Psiu, em São Paulo, e outras quejanças que se espalham como praga pelos nossos areais de orla e calçadões urbanos e que ameaçam amealhar também nossas mentes e corações. Entre outras pouco louváveis ações do nosso juvenil alcaide Dudu Eletropaes, já se encontra uma lista extensa de atentados contra o bom humor histórico dos cariocas, que inclui rapto de mesinhas de botequim, proibição de caipirinhas à beira-mar e sequestro de quitutes arquetípicos como o queijo coalho e os caldinhos de panela. Para completar o cardápio, confia-se à Guarda Municipal uma nova função para o próximo carnaval: reprimir o desfile de blocos formados espontaneamente em cima da risca ou que não se cadastraram junto à governança até agosto do ano passado. (Leia na íntegra)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

velha guarda musical da gloriosa verde e branco da barra funda

camisa verde e branco - carnaval 2010 - são paulo

barroca da zona sul, carnaval 2010 - são paulo

morro da casa verde, carnaval 2010 - são paulo

nenê da vila matilde, carnaval 2010 - são paulo

mocidade alegre, carnaval 2010 - são paulo

unidos do peruche, carnaval 2010 - são paulo

leandro de itaquera, carnaval 2010 - são paulo

vai-vai 80 anos (1930-2010)





flor de liz, carnaval 2010 - são paulo

tom maior, carnaval 2010 - são paulo

pérola negra, carnaval 2010 - são paulo

unidos da vila maria, carnaval 2010 - são paulo

rosas de ouro, carnaval 2010 - são paulo

imperador do ipiranga, carnaval 2010 - são paulo

brandy - i wanna be down (remix) (feat. mc lyte, yoyo & queen latifah)


Letra da música I Wanna Be Down (Remix)(feat. Queen Latifah, Yo-Yo, & Mc Lyt (em inglês)

[(verse):Brandy]
Oh yeah ooh yeah
I would like to get to know if I could be
The kind of girl that you could be down for
Cause when I look at you I feel something tell me
That you're the kind of guy that I should make a move on

[(verse):Mc Lyte]
Yeah I get exotic with tha malotic tune I get hypnotic with tha room
but you got to put me down soon I flip a sideshow
if you come my way up down and around even sideways
I'm about as ready as the Lyte can get we can go all out
I ain't afraid of the sweat but yet I bet you got the techniques
to freak a girl inside out what's that all about(oooh yeah)
Can I have some of that you got to put me on word around town
is your nine men strong I wanna be put on in tha worst way since
the first day I think it was a Thursday (oh baby) you be that brother
that I wanna sink my teeth in make me wanna ask where tha hell you been
I like the way you be with all that personality but I got flava too you needs
to get with me

[(chorus):Brandy]
I wanna be down
With what you're going through
I wanna be down
I wanna be down with you
No matter the time
Of day or night it's true
I wanna be down

[(verse):Yo-Yo]
He was born twenty years ago just a pimp toes everyday new clothes
look at tha cut cool-toes on three got tha heat so bluff it sling' teshies
cause it's more than twenty duckets struck it kind of rich now his pockets
lookin' straight slam the deese on tha benzo pancake by tha gate moms
lookin' straight with her house she got great loungin' in her new home
that's about to state I'll be your call mail motel you can get it
when you want it even though you got chicks all up on you it don't matter
cause brother you're fly I can't lie
I've been mackin' daddy from tha corner of my eye now baby bring it on
don't be frontin' on your baby boo all I wanna is what's up with you
how can I get with you seems like you got a hold on me it must vodoo
cause baby I want you

[Repeat Chorus]

[(verse):Queen Latifah]
About yey short about yey tall about so big about so small about
this length about this width about this flow about this gift instict
leading me right up your alley way skip tha
Moet let's chill with some
Allazae nuff stress in our day let me massage your mind as my mentals
start to play a ghetto sauce who you are
and I'll be your sexual chocolate bar and I got to keep it strong for tha
cause and you got to keep me strong for the toss brother mad at me damn
tha family what else could we be when no one else understands us
but me you were the first to tame me uh Big Tif I'm out

[Repeat Chorus]

[(outro):Queen Latifah]
Hey here we go here we go here go now and it's on yeah
and you don't stop Brandy is in tha house and you don't stop
until tha body rock keep it on and you don't stop rock on


Letra da música I Wanna Be Down (Remix)(feat. Queen Latifah, Yo-Yo, & Mc Lyt (tradução)

Letra da música (tradução) (em Português). Atente para o fato de que trata-se de um tradutor automático. A tradução é péssima!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

corpo de bollywood, o povo quer cinema

Documentário | De Raquel Valadares | 2008 | 28 min | RJ

Corpo de Bollywood mostra como Cinema na Índia é a principal forma de entretenimento, Bollywood é o centro dessa cultura cinematográfica e desse empreendimento, é também um dos canais mais importantes de comunicação, mas sobretudo o elo comum de um povo bastante diversificado. Cinema, casa dos prazeres máxima da cultura indiana, mostra seu corpo, sua estrutura quando objeto do documentário. Entrevistas com: distribuidor Balkrishna Shroff, exibidor Umesh Mehra, produtor Mahesh Bhatt, diretor Indranil Chakravarty, empresário Devendra Joshi e jornalista Kunal Mishra, dentre vários espectadores.



Para saber mais, acesse http://portacurtas.com.br/faq.asp?FaqCat=8, ou entre em contato através do email: emexibicao@portacurtas.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

movimento negro unificado: longa vida para a revolução do haití

Haiti, terras dos negros revoltosos

O Haiti, é raiz da única revolução vitoriosa de ex-escravos africanos no mundo, e derrotou em 1804 o maior exército imperialista da época, o EXÉRCITO DE NAPOLEÃO BONAPARTE.

As grandes potências industriais, França, EUA, Inglaterra e outras, jamais engoliram esta derrota imperialista de grande significado histórico para todos os oprimidos e em especial aos negros de todo o mundo, e desarticulam todas possibilidades de autonomia e independência do povo haitiano.

A presença americana quando não é direta através de suas tropas, estimulou ao longo da história ditaduras fantoches como de Jaques Duvalier, o Papa Doc e em seguida a de Baby Doc, período de ditaduras sangrentas que tinha inclusive como umas das principais bases econômicas a exportação de sangue haitiano para abastecer hospitais americanos nos EUA.

É uma presença tão nefasta, que não aceita nem governo social democrata, tipo Joan Batiste Aristides, que sofreu dois golpes de estados militares, sendo a última quando preparava as comemorações dos 200 anos da revolução vitoriosa dos ex-escravos haitianos.

Através da Organização das Nações Unidas, criou-se a MINUSTAH, forças militares composta por vários países do mundo, sob a coordenação das tropas brasileiras, que se encontram no Haiti realizando o trabalho repressivo junto às organizações autócnes (locais) com o argumento de que sem a presença externa os grupos criminosos tomam o território. ESTE É UM ARGUMENTO VERGONHOSO CONTRA A SOBERANIA DO POVO HAITIANO.

Várias regiões do Brasil são controladas pelo narcotráfico, grupos de roubo de cargas , desvio de madeiras em regiões de proteção do meio-ambiente, e não cogitamos que sejam ocupadas por tropas extrangeiras militares. ISTO É RACISMO PURO em relação ao Haiti.

Através dos meios de comunicação faz-se campanhas midiáticas a fim de convencer a opinião pública mundial, da necessidade da presença das tropas.

O Haiti, como todos os africanos do mundo é vítima da ação racista, colonialista, imperialista, que tem como raiz o capitalismo surgido na Europa, a partir do século XII e expandido através de guerras genocidas, para a Ásia, África e Américas.

Em especial o Genocídio dos Africanos: invasão do território africano, matança e seqüestro de africanos, mortes na travessia do Atlântico, exploração do trabalho dos africanos no Brasil durante o período da escravidão, três séculos e meio, racismo pós Abolição da Escravatura, 1888 no Brasil.

A situação do Haiti é fruto dessa exploração histórica e represália pela realização da Revolução Vitoriosa no Haiti em 1804.

Toda ação externa deve ter como eixo a REPARAÇÃO HISTÓRICA AOS AFRICANOS NO MUNDO, com ação especial para o Haiti uma das principais vítimas do Racismo Internacional.

Concordamos com as propostas aprovada na FRENTE DE SOLIDARIEDADE AO POVO HAITIANO:

  • Exoneração do racista Cônsul Geral do Haiti no Brasil;
  • Retirada das tropas brasileiras do Haiti e transformação em ajuda humanitária;
  • Cancelamento da Dívida Externa Ilegítima;
  • Envio de pessoal técnico para trabalhar a terra, desenvolver ações na área da educação e saúde.
  • Ajuda Humanitária para reconstrução de curto, médio e longo prazo;
  • Envio de água, alimento e semente para plantio;
  • Entrega da Apoio Financeiro e de Material diretamente às organizações locais e não ao governo fantoche imposto pelo imperialismo;
  • Atividades nacionais no dia 21 de março, DIA INTERNACIONAL PELA ELIMINAÇÃO DA DISCRIMINAÇÃO RACIAL;
  • Ações do MNU em conjunto com outros setores do Movimento Negro e outros Movimento Sociais no Fórum Social Mundial Temático de Salvador-BA, onde estaremos trabalhando o Genocídio da Juventude Negra e a Questão de Gênero, e no Fórum Social Mundial Temático de Porto Alegre-RS, onde estaremos priorizando a Luta dos Quilombolas no Brasil, pelo apoio ao povo haitiano;
  • Debates, Seminários, Atividades Culturais, Venda de materiais a fim de divulgar e levantar finanças.

Milton Barbosa
Coordenador Nacional de Relações Internacionais do
Movimento Negro Unificado

brasil e eua vão intensificar a intervenção no Haití

Obama fala de novo com Lula sobre socorro ao Haiti

Presidente dos EUA sugere que os dois países liderem reconstrução haitiana junto ao Canadá

Leonencio Nossa - Estado 18.01.2010

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta segunda-feira, 18, um novo telefonema do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, e os dois voltaram a conversar sobre a situação no Haiti e as operações conjuntas do Brasil e dos EUA no socorro àquele país e às vítimas do terremoto. A informação é da Secretaria de Imprensa da Presidência. (saiba mais)



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

furico li furico lá, furico li furico lá

O Show do Gongo 2009 de São Paulo elegeu o curta "Furico Li Furico Lá", escrito e dirigido por Sandra Brogioni, como o grande vencedor da noite. Confira abaixo o filme que conquistou a platéia do Festival Mix Brasil deste ano.

Furico li Furico lá, furico li furico lá

"Estava totalmene nu devido ao forte calor" hehehehe



Fonte: http://www.melhoresdoyoutube.com/2009/11/furico-li-furico-la.html

domingo, 17 de janeiro de 2010

só após seis horas chegou a polícia, esmurrando e dando chutes na porta... - movimento cultural projeto nosso samba de osasco

Gutão - Celeração do 8º Aniversário do PNS



QUEM MATOU INÊS

(Selito SD)
Canta: Projeto Nosso Samba
Destaque para o Gutão (sambista & rapper)

Agitado dia na periferia
Da dona injustiça pretensa morada
Do disse-me-disse à pancadaria
Não foram mais que três palavras trocadas

Generalizada foi a correria
Foi intensa a troca de tapa e pernada
Juro, se pudesse erradicaria
Toda violência de toda quebrada

Só após seis horas chegou a polícia
Esmurrando e dando chutes na porta
Que coisa absurda mas não fictícia
Deu tremenda surra no Zé Perna-Torta
Que, por já ser finda a batalha,
A milícia gritou:
"Com o pobre ninguém se importa
Outra vez não chegaram em hora propícia
E agora já é tarde, pois Inês é morta"

Se Inês é morta diga quem matou Inês

Quebraram o Zé Perna-Torta
E o jogaram no xadrez

Se Inês é morta diga quem matou Inês


Gente boa gente, seguem abaixo letra e áudio com o samba da Gloriosa para o carnaval de 2010, gravado ontem 16.01 na quadra da escola, na Roda de Samba da Ala de Compositores. O gogó de ouro é de Agnaldo Amaral. E tudo não passou de um esquenta durante a festa-almoço promovida pela Harmonia da Verde e Branco. Foi, de fato, um aquecimento para o 1º ensaio técnico, no Anhembi, em que a a comunidade da Barra funda quebrou tudo!!!

Abraços e... SAUDAÇÕES SAMBÍSTICAS!!!

Selito SD.



TÔ NO JOGO... ME RESPEITE!!! - CAMISA 2010
(Alemão; Braga; Cogumelo; Willians do Violão e Fernando Paz)

Me respeite!

O jogo já vai começar...

Tô na jogada,
Os Deuses vêm abençoar
Com o meu trevo da sorte

Entrei no jogo, pode apostar
A cada competição, uma nova emoção
A vitória alcançar
Vou guerrear pra conquistar seu coração

Feito criança vivendo num mundo de ilusão

Roda pião, bola de gude, amarelinha,
No passa anel com quem está? Vê se adivinha!

Fantástico é o jogo da vida
Eu sou Don Juan, você a preferida

Eu pergunto a você: "E o amanhã, como será?"

Chega de tanta desigualdade

Quero ver brotar felicidade

No jóquei, o glamour, mas que saudade

Sempre, na esperança, apostei

Em um Brasil Melhor


O meu prazer é brincar, jogar

A alegria verde e branco no ar

Com o meu trevo de fé eu tenho sorte

S
ou Camisa Verde Até a morte!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

africa – compreendendo um pouco esse universo...



Este texto, o produzi como trabalho de conclusão do Curso de Difusão Cultural ÁFRICA: SOCIEDADES E CULTURAS, ministrado pelo CENTRO DE ESTUDOS AFRICANOS CEA) da Faculdade de filosofia, Letras e ciências humanas da Universidade de São Paulo, no segundo semestre de 2003. (Selito SD)

Apresentação

Iniciamos dizendo que, como já é sabido, no Brasil padecemos de uma quase que total ignorância em relação à questão ou às questões ligadas à África. Assim sendo, quando decidimos participar do Curso de Extensão Cultural África: Sociedades e Culturas, ministrado pelo Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo - CEA/USP, foi com o intuito, não de preenchermos, mas de iniciarmos o processo de preenchimento desta lacuna de nosso conhecimento em relação ao continente africano.

Passando pelo curso pudemos perceber que a carga horária do mesmo, relacionada com a densidade do conteúdo apresentado, não nos possibilitaria um mergulho profundo, o que nos foi alertado. Todavia, o risco de que a grande quantidade de informações viesse a se tornar meramente um monte de notícias não se efetivou. Pelo contrário, o que houve foi a constituição de um espectro que nos possibilita, agora, termos um melhor olhar, uma melhor compreensão de um universo que a nós sempre foi apresentado superficialmente, de forma simplificada, homogênea e preconceituosa.

(...)

A África no contexto historiográfico

Para o desenvolvimento deste, optamos por constituir um texto a partir do fichamento da leitura de alguns capítulos da obra História Geral da África I – Metodologia e Pré-história da África (Unesco), mesclados com algumas anotações de aula, o que resultou no que segue.

Como já foi mencionado acima, em relação à África, os mitos e preconceitos de toda espécie cumpriram, e de um modo um tanto eficaz, o papel de ocultar ao mundo sua verdadeira história. De acordo com M’BOW (1982), a prisão a certos postulados por parte de estudiosos não-africanos impedia que as sociedades de África merecessem um estudo científico de fato. Alegava-se a falta de documentação escrita. A tradição oral, memória coletiva dos povos de África, que apresenta uma imbricada rede de episódios de suma relevância em suas vidas, foi incessantemente tratada com intenso desdém, como inútil. E isto, mesmo sendo a iIlíada e a Odisséia racionalmente consideradas essenciais fontes históricas da antiga civilização grega. Este posicionamento era de tal monta que, em se tratando dos modos de produção, das relações sociais e das instituições políticas, tudo era analisado tendo como referência a Idade Média européia. O que, convenhamos, não foi que de mais brilhante se deu na história da humanidade.

O continente africano, deste modo, não era visto como uma entidade constituída de história. Insistia-se na idéia de uma remotíssima cisão entre uma “África Branca” e uma “África Negra” que se ignoravam, e apresentava-se um Saara impermeável e inibidor de qualquer miscigenação entre etnias e os povos – uma ideologia branca e eurocêntrica.

Atualmente já se pode dizer que é amplamente reconhecido que por meio de uma vasta quantidade de culturas e línguas as civilizações do continente africano constituem as vertentes históricas de um conjunto de povos e sociedades unidas por laços seculares. Outrossim, não podemos esquecer o quão nefasto foi o aparecimento, a partir do tráfico negreiro e da colonização, de estereótipos raciais fomentadores de desprezo e incompreensão, falseadores dos próprios conceitos de historiografia. Teve, o africano, que lutar contra a servidão humana e a psicológica, transformado que foi em uma mercadoria e destinado ao trabalho forçado. Marcado pela pigmentação de sua pele, passa a simbolizar para o branco dominador, essencialmente, uma raça imaginária e inferior – a de negro. A história, então etno-história, deforma as realidades históricas e culturais de África.

A partir da Segunda Guerra Mundial e dos processos de independência ocorreram modificações significativas. Muitos historiadores passam a empenharem-se numa abordagem mais rigorosa dos estudos relacionados a áfrica, com objetividade e imparcialidade, fazendo uso de fonte originais, com a acuidade devida a um trabalho científico.

Para estudar a África...

Segundo J. Ki-zerbo (1982), a África tem uma história, e está longe o tempo em que o conhecimento dos sábios resumia-se à frase álibi: “Aí existem leões”. Posteriormente, descobriram as minas e as “tribos indígenas”, suas proprietárias, e incorporaram-nas como propriedades das nações colonizadoras. Mais tarde, os povos se insurgem contra a opressão batendo, de modo febril, os pulsos ritmados pelas lutas libertárias. Trata-se da história de uma conscientização a ser reescrita em virtude do mascaramento, da camuflagem, da desfiguração e mutilação sofridas, motivadas pelas circunstâncias, ou seja, ignorância e interesse. Os vários séculos de opressão fixaram sua imagem em um cenário de miséria, barbárie, irresponsabilidade e caos, e isso passou a justificar o presente e o futuro. Faz-se necessário ressuscitar imagens “esquecidas” ou perdidas; um retorno a ciência a fim de se possibilitar uma conscientização com autenticidade; reconstruir o verdadeiro cenário; modificar o discurso.

Por que e como?

Esta necessidade é devida ao fato de a história de África ser pouco conhecida, ter muitas genealogias mal feitas, estruturas mal esboçadas e seqüências absurdas. Tal contexto legitima o lugar secundário dedicado à história africana em relação às demais histórias da humanidade. Também é fato que o quadro vem se modificando e já há muitos pesquisadores de méritos incontestáveis envolvendo-se com a questão africana.

No entanto, cabe ressaltar que quanto à metodologia a se aplicar há uma problemática. Há que se ter o cuidado de não caminhar rumo a uma singularização, bem como rumo a um demasiado alinhamento às normas estrangeiras – eurocêntricas.

As fontes: Escrita, Arqueologia, Tradição (Linguística e Antropológica)*

As fontes são difíceis de acessar e três são as principais e constituem os pilares do conhecimento histórico: os documentos escritos, a arqueologia e a tradição. Estas apoiadas na Lingüística e na Arqueologia. Não se deve, porém, estabelecer uma hierarquia definitiva entre estas fontes, o que seria um erro.

As fontes escritas, além de raras, encontram-se mal distribuídas espacial e temporalmente. Os períodos de maior obscuridade na história africana são aqueles que não se beneficiam dos testemunhos escritos e que remetem aos séculos que interpolam o nascimento de Cristo (excetuando a áfrica do norte). E mesmo quando há esse testemunho a interpretação pede uma sensível meticulosidade. Quantitativamente, um considerável número de materiais arquivístico ou narrativos escritos permanecem inexplorados em acervos públicos (Marrocos, Argélia, Europa...) e ou particulares (eruditos sudaneses, Niger). E além da UNESCO ter estabelecido o Centro Ahmed Baba para coleta de documentos em Tombuctu, há arquivos no Irã, No Iraque, na Armênia, na Índia, na China e nas Américas a espera de pesquisadores.

A Arqueologia revela os testemunhos mudos que em geral são muito mais eloqüentes que os oficiais das crônicas de certos autores. São prestigiosas descobertas e valiosas contribuições, sobretudo, quando da falta de crônicas orais e escritas (como é o caso de milhões de anos do passado de África). São objetos-testemunhos enterrados com aqueles a quem testemunham e velam; são objetos significativos que indicam medidas de civilização quanto a estilos de vida, técnicas e tecnologias, arte, etc. a linguagem destes achados possui algo de objetivo e irecusável devidos à sua própria natureza.

A tradição oral assim como a escrita e a arqueologia é repositório e vetor de criações socioculturais acumuladas pelos povos tidos e ditos sem escrita, ou seja, um museu vivo. São, os mais velhos, ancestrais em potencial, os guardiães do frágil fio de Ariadne constituído pela história falada e que reconstituem os corredores obscuros do labirinto do tempo, com seus cabelos brancos, vozes cansadas e memórias um pouco obscuras. São derradeiras ilhotas de uma paisagem que perdeu a imponência, mas que tem seus elementos ligados por uma precisa ordem que ora faz se apresentar erodida, devastada pelo modernismo. Na medida em que um deles deixa de existir, uma fibra do fio de Ariadne se rompe e um fragmento na paisagem constituinte da história torna-se subterrâneo. Ao contrário da escrita que disseca, decanta e petrifica, a tradição reveste de carne e de cores, irrigando de sangue e vida o esqueleto do passado.

Muitos são os obstáculos a se ultrapassar para se peneirar com critério o material da tradição oral separando os das palavras-armadilha. Para o africano a palavra é pesada, é fortemente ambígua, pode fazer e desfazer, pode acarretar malefícios e, por isto, sua articulação não se dá de modo aberto e direto. Ela pode não se fazer clara para as pessoas comuns, mas luminosa para aquelas munidas das antenas da sabedoria. A tradição oral é estruturada e sustentada pela musica, o que faz com que tipos de musica, cantos e instrumentos constituam um mundo meticulosamente regulado. Assim, cada gênero literário oral possui um instrumento específico em cada região cultural. Tal é a integração da musica com a tradição que algumas narrativas só se transmitem cantadas. Em suma, a tradição oral é uma fonte integral, cuja a metodologia bem estabelecida confere à história do continente africano uma notabilíssima originalidade.

A lingüística está para a história da África, não como uma disciplina auxiliar, mas como uma disciplina autônoma e que vai ao cerne de seu objeto... Muito há que se fazer nesta área, iniciando pela catalogação científica das línguas. Só por meio de uma meticulosa e laboriosa análise de fato lingüística é que se pode fazer extrapolações retroativas, o que é dificultado pela não existência de um conhecimento histórico aprofundado destas línguas. Daí a compreensão dos duelos de erudição em algumas áreas, particularmente em relação à língua bantu. Para Malcolm Guthrie, p. e., vale a teoria da autogênese, ao passo que para Joseph Greenberg, as línguas bantu devem ser postas num contexto continental mais amplo, em virtude de as semelhanças existentes não significarem analogias acidentais e exógenas, mas originarem-se de um parentesco endógeno, expresso em centenas de línguas pelas similitudes dos pronomes, do vocabulário básico e aspectos gramaticais, como o sistema de classes nominais.

Os estudos lingüísticos mostram as rotas e os caminhos das migrações, bem como a difusão de culturas materiais e espirituais marcadas, pois pela distribuição de palavras aparentadas. Portanto, faz-se importante uma análise diacrônica e da glotocronologia se o que se almeja é compreender o dinamismo e o sentido da evolução. É necessário um estudo sistemático dos topônimos e dos antropônimos sob uma abordagem endógena, uma vez que um considerável número de nomes foi deformado pela redação ou pronúncia exóticas de não-africanos ou de africanos atuando como escribas ou intérpretes. Mesmo tendo em muito colaborado com a história da África, a lingüística deve se apartar do desprezo etnocentrista que marcou os trabalhos de A. W. Schlegel e A. Schleicher para os quais as línguas da família indu-européia estariam no topo da evolução enquanto que as línguas dos negros estariam próximas ao estado original da linguagem, sem gramática, com um discurso marcado por seqüências monossilábicas e de léxico elementar.

A Antropologia igualmente deve se valer dos pressupostos e considerações já apresentados em tópicos anteriores. Ele deve criticar ao seu próprio procedimento e insistir tanto nas normas quanto nas práticas e não confundir as relações sociais, passíveis, estas, de serem decifradas pelas experiências e as estruturas que a sustentam.

As fontes de história da África mencionadas não podem ser classificadas de acordo com uma escala de valores que venha a privilegiar qualquer uma delas em detrimento das outras. Caberá avaliar caso por caso no desenvolver de um estudo, ressaltando que não se trata de testemunho de tipos radicalmente diferentes, portanto, todas dizendo respeito à definições de signos advindos do passado e que em sendo veículos de mensagens não possuem neutralidade, mas intenções francas ou ocultas, demandando crítica metodológica. Por fim, cada uma das categorias, cada uma das fontes pode conduzir o pesquisador às demais, p. e., a tradição oral pode levar a depósitos arqueológicos e mesmo auxiliar a decifrar documentos escritos.

Princípios norteadores para um estudo conseqüente

São quatro os grandes princípios que devem nortear a pesquisa, se de fato se almeja implementar um trabalho contundente sobre a África:

A interdisciplinaridade, de importância tal que, por si só, quase que constitui uma fonte específica. Por exemplo, a expansão dos Bantu, atestada pela lingüística, tradição oral, arqueologia e antropologia, além de fontes escritas árabes, portuguesas, inglesas e africânderes, torna-se uma palpável realidade susceptível de uma sintética ordenação cujas arestas mostram-se de forma mais nítida na convergência destes diferentes planos. Outrossim, os argumentos lingüísticos unem-se aos da tecnologia sugerindo uma difusão de gongos reis e sinos cerimoniais geminados a partir da África ocidental rumoao baixo Zaire, ao Shaba e à Zâmbia. Contudo, as provas arqueológicas trouxeram, de modo evidente, uma inestimável confirmação para tal fato;

A história vista do interior, a partir do pólo africano e não mensurada eternamente por valores estrangeiros é outra exigência imperativa. É necessária uma consciência de si mesmo e o direito à diferença como pré-requisitos insubstituíveis à constituição de uma personalidade coletiva autônoma. Isto não significa que tenha que ser abolida as conexões históricas da África com os demais continentes do velho e do novo mundo. Entretanto, tais conexões devem ser analisadas no sentido da necessidade de os intercâmbios serem recíprocos de influências multilaterais, e cujas contribuições positivas do continente africano para o desenvolvimento da humanidade não deixem de aparecer;

A história dos povos africanos em seu conjunto, ou seja, a totalidade da massa continental mais as ilhas que a complementam, a exemplo de Madagascar, segundo a definição da carta da OUA – Organização da Unidade Africana. Lembrando que a história do continente africano engloba o mediterrâneo numa unidade sedimentada por laços milenares, por vezes sangrentos, mas no geral, propiciadores de enriquecimento mútuo. Este é também um princípio obrigatório, pois na África mesmo o despotismo de algumas dinastias rendem-se à distância, à falta de meios técnicos que os intensifiquem e pela perenidade das democracias aldeãs. Da base ao topo, o conselho reunido pela e para a discussão é que constitui o cérebro do corpo político – uma história dos povos;

Deve-se evitar uma história excessivamente fatual, para que não sejam destacadas em demasia as influências e os fatores de fora do continente. É claro que é primordial que se estabeleça fatores chaves que possibilitem a definição do perfil original da evolução da África. Entretanto, merecerão especial interesse as civilizações, as instituições, as estruturas: técnicas e tecnologias, artes e artesanatos, rotas comerciais, concepção e organização do poder, visão de mundo, modo de pensar, religião, filosofa, técnicas de modernização, o problema das nações e das pré-nações, etc. tal opção requer inexoravelmente uma abordagem interdisciplinar.

Considerações

Para mergulhar no universo africano de modo a, realmente, poder absorver, apreender e, assim, compreender as questões que o permeiam, entendemos, após havermos tido a oportunidade de participar do curso África: Sociedades e Culturas, ser necessária a capacidade de abrir a mente e desvencilhá-la de praticamente tudo o que de um modo geral nos foi passado, ensinado e informado a respeito do continente africano, a partir de uma visão contaminada, preconceituosa, galgada em valores demasiadamente eurocêntricos.

É preciso que percebamos que não são somente os europeus que possuem valores civilizatórios. Que não cabe desperdiçarmos tempo e trabalho especulando sobre quais valores são melhores ou piores, quais são os mais ou menos evoluídos. Esses valores advêm de diferentes povos, de diferentes sociedades, de diferentes culturas e é exatamente destas diferenças que se desprende a maior riqueza e constituem o Valor, o bem maior da espécie humana – da humanidade.

Faz-se necessário, pois que tratemos de dar conta da demanda existente por um pesquisar, descobrir, um entender, um esclarecer, um fornecer elementos para constituir no imaginário coletivo um continente africano, uma África que seja vista por uma ótica que não seja mítica, mística e que seja, sim, destituída de qualquer tipo de preconceito que possa fazer com que se oculte ao mundo uma verdadeira história da África.

Deste modo, acreditamos que aquele pesquisador que se predispuser a se enveredar no estudo do continente africano terá a possibilidade da descoberta, não somente de um grande número de sociedades e culturas, mas de que estas poderão apresentar uma gama imensamente diversa de valores, contudo amarrados por um fio de convergência. Poderão apresentar, ao que nos parece, ao que se nos prenuncia, um outro jeito de perceber, pensar e interpretar e interagir com o meio. Um outro modo de vida, uma outra filosofia.

Bibliografia

KI-ZERBO, J. (Coord.) – História Geral da África. I Metodologia e Pré-história, UNESCO, 1982.

Anotaçoes de aula

LEITE, F. – Valores Civilizatórios em Sociedades Negro-Africanas. CEA/USP.

PETTER, M, M. T. – Questões Lingüísticas na África. DL/FFLCH/USP.

SERRANO, C. – Uma Nova Visão da África.Justificar

[*] Fazemos aqui uma mui breve menção sobre tais fontes, somente com o intuito de apresentá-las.

golaço de Giovanni em jogo-treino do santos f. c.

Giovanni chegou. No primeiro jogo-treino após sua apresentação oficial, contra o Paulista, de Jundiaí, com vitória do Santos por 3 x 1, G10 mostrou que, apesar dos 37 anos e do longo período de inatividade, trata muito bem a bola e é capaz de lances espetaculares. Confira!





Veja todos os gols, com destaque para o passe de letra de Giovanni no lance do segundo tento santista e, obviamente, para o golaço do meia mostrado de vários ângulos.

Uma revolução racial em perspectiva – relatos de testemunhas oculares da Insurreição do Haiti*

O artigo desta postagem tem intuito de apresentar aos leitores deste portal, elementos que os possibilitem compreender o porque de o Haití ser o mais pobre país das Américas e um dos mais pobres do mundo. Tal situação não trata-se de obra do acaso, mas resultado de um processo histórico que remete ao colonialismo europeu, escravagismo, etc. Instabilidade política fomentada por potências do hemisfério norte, sequência de governos ditatoriais e entreguistas, mais instabilidade geológica resultraam num caldo de miséria de toda sorte... má sorte! (SelitoSD).


Até muito recentemente, a história da Insurreição Haitiana havia sido tão marginalizada pela memória oficial do mundo ocidental, que pareceu ter caído numa categoria de eventos literalmente "impensáveis", como a considerou Michel-Rolph Trouillot.6 Porém, se a história da insurreição de São Domingos caiu no reino do silêncio, isso não se deve ao fato de que ninguém, em sua época, ter falado sobre ela. Na verdade, estes eventos incitaram a composição de um vasto corpus literário. Ao longo deste período, os porta-vozes dos colonizadores brancos submergiram o público francês numa propaganda favorável aos seus interesses, recontando incessantemente a "história dos desastres" que haviam recaído sobre eles, e insistindo na urgência de pôr fim à revolta.7


Facing Racial Revolution – eyewitness accounts of the Haitian Insurrection**

Jeremy D. Popkin

popkin@email.uky.edu

Dept. of History. University of Kentucky, Lexington KY, 40506. USA.


RESUMO

O objetivo desse artigo é analisar as reações dos brancos que testemunharam pessoalmente a Revolução do Haiti, de 1791 a 1804, e escreveram acerca de suas experiências. Este é um pequeno e geralmente negligenciado capítulo dessa história. Estas testemunhas da Revolução do Haiti foram os primeiros homens brancos que viveram segundo uma verdadeira revolução racial, na qual pessoas que anteriormente eram definidas, pelo mundo europeu, como inferiores, obtiveram êxito em subverter a hierarquia racial. Embora suas memórias não tivessem sido muito lidas, em sua época, os brancos que estavam presentes nesse evento nos oferecem uma visão única do impacto de se viver segundo este tipo de inversão das relações raciais de poder. Os relatos acerca da Revolução do Haiti também demonstram quão profundamente incômoda se tornou a literatura memorialista para a noção de identidade branca da Europa.

Palavras-chave: Haiti, Insurreição do Haiti, conflitos raciais


ABSTRACT

My purpose in this article is to examine just one small and neglected chapter of it, namely, the reactions of whites who personally witnessed the Haitian Revolution of 1791 to 1804 and then wrote about their experiences. The witnesses of the Haitian Revolution were the first whites to live through a true racial revolution, one in which people who the European world had defined as inferior succeeded in overturning the racial hierarchy. Although their memoirs were not widely read at the time, the whites who had been at this extraordinary event give us a unique window into the impact of living through this kind of inversion of racial power relations. These witness accounts from the Haitian Revolution thus demonstrated the deeply troubling implications of personal memoir literature for white Europeans' sense of self.

Key words: Haiti, Haiti Insurrection, racial conflicts


Em novembro de 1803, as últimas forças militares francesas, que permaneciam na colônia de São Domingos, capitularam. Um mês depois, Jean-Jacques Dessalines, o líder do exército negro que havia derrotado os franceses, proclamou a criação da República Independente do Haiti. De uma certa maneira, o impacto causado, na época, por este evento revolucionário pode ser comparado ao choque provocado pelos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001. O êxito da luta pela independência do Haiti desafiou a mais fundamental das asserções, sob as quais se construíra a identidade dos franceses e, mais além, de todos os europeus: a convicção de que as sociedades criadas pelas populações brancas, de origem européia, estariam a salvo da destruição por pessoas de cor.

Para ser exato, as narrativas produzidas por brancos que foram aprisionados por corsários bárbaros, ou por soberanos indígenas que se defendiam da expansão inglesa já haviam mostrado que os europeus não eram todopoderosos.1 São Domingos, por sua vez, não era apenas a exótica terra natal de uma população não-européia, na qual os europeus entraram por sua conta e risco. São Domingos era, ao contrário, o culminar de três séculos de inovações no Mundo Atlântico, uma fronteira tecnológica onde senhores de terra brancos (numericamente superados por seus escravos, na proporção de 12 por 1) demonstravam, com uma eficiência e brutalidade inigualáveis, sua habilidade para explorar o trabalho dos escravos. Origem de aproximadamente metade do açúcar e do café produzidos no mundo, em 1789, São Domingos chegou a parecer indispensável para a manutenção da civilização européia, e da economia atlântica. Seu surpreendente colapso, nas mãos de trabalhadores escravos que os próprios brancos haviam trazido da África, representou um enorme desafio para a preservação da identidade branca. (artigo completo)

haití

O Haiti (em francês Haïti; no crioulo haitiano Ayiti) é um país das Caraíbas que ocupa o terço ocidental da ilha Hispaniola, possuindo uma das duas fronteiras terrestres das Caraíbas, a fronteira que faz com a República Dominicana, a leste. Além desta fronteira, os territórios mais próximos são as Bahamas e Cuba a noroeste, Turks e Caicos a norte, e Navassa a sudoeste. A capital é Porto Príncipe (Port-au-Prince).

República do Haití (em francês e crioulo, idiomas oficiais, e português)
e a bandeira e o brasão de armas


História

Os primeiros humanos nesta ilha, conhecida como Quisqueya pelos índios arauaques (ou taínos) e caraíbas,[4] chegaram à ilha há mais de 7000 anos. Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo chegou a uma grande ilha, à qual deu o nome de Hispaniola. Mais tarde passou a ser chamada de São Domingos pelos franceses. Dividida entre dois países, a República Dominicana e o Haiti, é a segunda maior das Grandes Antilhas, com a superfície de 76.192 km² e cerca de 9 milhões de habitantes. Com 641 quilômetros de extensão entre seus pontos extremos, a ilha tem formato semelhante à cabeça de um caiman (ou caimão) (pequeno crocodilo abundante na região), cuja "boca" aberta parece pronta a devorar a pequena ilha de Gonaive. O litoral norte abre-se para o oceano Atlântico, e o sul para o mar do Caribe (ou das Antilhas).

A Ilha Hispaniola foi descoberta por Cristóvão Colombo em 1492. Já no fim do século XVI, quase toda a população nativa havia desaparecido, escravizada ou morta pelos conquistadores.

A parte ocidental da ilha, onde hoje fica o Haiti, foi cedida à França pela Espanha em 1697. No século XVIII, a região foi a mais próspera colônia francesa na América, graças à exportação de açúcar, cacau e café.

Após uma revolta de escravos, a servidão foi abolida em 1794. Nesse mesmo ano, a França passou a dominar toda a ilha. Em 1801, o ex-escravo Toussaint Louverture tornou-se governador-geral, mas, logo depois, foi deposto e morto pelos franceses. O líder Jacques Dessalines organizou o exército e derrotou os franceses em 1803. No ano seguinte, foi declarada a independência e Dessalines proclamou-se imperador.

Após período de instabilidade, o país é dividido em dois e a parte oriental - atual República Dominicana - reocupada pela Espanha. Em 1822, o presidente Jean-Pierre Boyer reunificou o país e conquistou toda a ilha. Em 1844, porém, nova revolta derrubou Boyer e a República Dominicana conquistou a independência.

Da segunda metade do século XIX ao começo do século XX, 20 governantes sucederam-se no poder. Desses, 16 foram depostos ou assassinados. Tropas dos Estados Unidos da América ocuparam o Haiti entre 1915 e 1934, sob o pretexto de proteger os interesses norte-americanos no país. Em 1946, foi eleito um presidente negro, Dusmarsais Estimé. Após a derrubada de mais duas administrações governamentais, o médico François Duvalier foi eleito presidente em 1957.

François Duvalier, conhecido como Papa Doc, instaurou feroz ditadura, baseada no terror policial dos tontons macoutes (bichos-papões) - sua guarda pessoal -, e na exploração do vodu. Presidente vitalício, a partir de 1964, Duvalier exterminou a oposição e perseguiu a Igreja Católica. Papa Doc morreu em 1971 e foi substituído por seu filho, Jean-Claude Duvalier - o Baby Doc.

Em 1986, Baby Doc decretou estado de sítio. Os protestos populares se intensificaram e ele fugiu com a família para a França, deixando em seu lugar o General Henri Namphy. Eleições foram convocadas e Leslie Manigat foi eleito, em pleito caracterizado por grande abstenção. Manigat governou de fevereiro a junho de 1988, quando foi deposto por Namphy. Três meses depois, outro golpe pôs no poder o chefe da guarda presidencial, General Prosper Avril.

Depois de mais um período de grande conturbação política, foram realizadas eleições presidenciais livres em dezembro de 1990, vencida pelo padre esquerdista Jean-Bertrand Aristide. Em setembro de 1991, Aristide foi deposto num golpe de Estado liderado pelo General Raul Cedras e se exilou nos EUA. A Organização dos Estados Americanos (OEA), a Organização das Nações Unidas (ONU) e os EUA impuseram sanções econômicas ao país para forçar os militares a permitirem a volta de Aristide ao poder.

Em julho de 1993, Cedras e Aristide assinaram pacto em Nova York, acordando o retorno do governo constitucional e a reforma das Forças Armadas. Em outubro de 1993, porém, grupos paramilitares impediram o desembarque de soldados norte-americanos, integrantes de uma Força de Paz da ONU. O elevado número de refugiados haitianos que tentavam ingressar nos EUA fez aumentar a pressão americana pela volta de Aristide. Em maio de 1994, o Conselho de Segurança da ONU decretou bloqueio total ao país. A junta militar empossou um civil, Émile Jonassaint, para exercer a presidência até as eleições marcadas para fevereiro de 1995. Os EUA denunciaram o ato como ilegal. Em julho, a ONU autorizou uma intervenção militar, liderada pelos EUA. Jonaissant decretou estado de sítio em 1º de agosto.

Em setembro de 1994, força multinacional, liderada pelos EUA, entrou no Haiti para reempossar Aristide. Os chefes militares haitianos renunciaram a seus postos e foram anistiados. Jonaissant deixou a presidência em outubro e Aristide reassumiu o País com a economia destroçada pelas convulsões internas.

No período de 1994-2000, apesar de avanços como a eleição democrática de dois presidentes, o Haiti viveu mergulhado em crises. Devido à instabilidade, não puderam ser implementadas reformas políticas profundas.

A eleição parlamentar e presidencial de 2000 foi marcada pela suspeita de manipulação por Aristide e seu partido. O diálogo entre oposição e governo ficou prejudicado. Em 2003, a oposição passou a clamar pela renúncia de Aristide. A Comunidade do Caribe, Canadá, União Européia, França, Organização dos Estados Americanos e Estados Unidos, apresentaram-se como mediadores. Entretanto, a oposição refutou as propostas de mediação, aprofundando a crise.

Em fevereiro de 2004, eclodiram conflitos armados em Gonaives, espalhando-se por outras cidades nos dias subsequentes. Gradualmente, os revoltosos assumiram o controle do norte do Haiti. Apesar dos esforços diplomáticos, a oposição armada ameaçou marchar sobre Porto Príncipe. Aristide foi retirado do país por militares norte-americanos em 29 de fevereiro, contra sua vontade, e conseguiu asilo na África do Sul. De acordo com as regras de sucessão constitucional, o presidente do Supremo Tribunal (Cour suprême), Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência interinamente e requisitou, de imediato, assistência das Nações Unidas para apoiar uma transição política pacífica e constitucional e manter a segurança interna. Nesse sentido, o Conselho de Segurança (CS) aprovou o envio da Força Multinacional Interina (MIF), liderada pelo Brasil, que prontamente iniciou seu desdobramento.

Considerando que a situação no Haiti ainda constitui ameaça para a paz internacional e a segurança na região, o CS decidiu estabelecer a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), que assumiu a autoridade exercida pela MIF em 1º de junho de 2004. Para o comando do componente militar da MINUSTAH (Force Commander) foi designado o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, do Exército Brasileiro. O efetivo autorizado para o contingente militar é de 6.700 homens, oriundos dos seguintes países contribuintes: Argentina, Benin, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai.

Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de proporções catastróficas, com magnitude 7.0 na escala de Richter, atingiu o país a aproximadamente 22 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em seguida, foram sentidos na área múltiplos tremores com magnitude em torno de 5.9 graus. O palácio presidencial, várias escolas, hospitais e outras construções ficaram destruídos após o terremoto. O número de mortos não é conhecido com precisão, embora fontes noticiosas afirmarem que podem chegar aos 100 mil.[5]


Geografia


Aspectos físicos

O terreno do Haiti consiste principalmente de montanhas escarpadas com pequenas planícies costeiras e vales fluviais. O leste e a zona central é um grande planalto elevado.

A maior cidade é a capital Port-au-Prince, com 2 milhões de habitantes, seguindo-se-lhe Cap-Haïtien com 600 000.


Aspectos demográficos

Embora a densidade populacional do Haiti suba em média a 270 habitantes por quilómetro quadrado, a sua população está concentrada nas zonas urbanas, planícies costeiras e vales. Cerca de 90% dos haitianos são de ascendência africana. O resto da população é principalmente mulata, de ascendência mista caucasiana-africana. Uma minúscula minoria tem sangue europeu ou levantino. Cerca de dois terços da população vivem em áreas rurais.

O francês é uma das duas línguas oficiais, mas é falado só por cerca de 10% da população. Quase todos os haitianos falam Krèyol (Crioulo), a outra língua oficial do país. O inglês é cada vez mais falado entre os jovens e no sector empresarial.


Aspectos religiosos

O catolicismo romano é a religião de estado, professada pela maioria da população. Houveram várias conversões ao protestantismo sendo agora essa a segunda religião do país. Muitos haitianos também praticam tradições vodu, sem ver nelas nenhum conflito com a sua fé cristã.

A padroeira do Haiti, na Igreja Católica, é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Por religiões:

Aspectos políticos

O Haiti é uma república presidencialista com um Presidente eleito e uma Assembléia Nacional. A constituição foi introduzida em 1987 e teve como modelo as constituições dos Estados Unidos da América e da França. Foi parcial ou completamente suspensa durante alguns anos, mas voltou à plena validade em 1994.


Aspectos econômicos

No século XVIII, o Haiti, então chamado de Saint-Domingue, e governado pelos franceses, era a mais próspera colônia no Novo Mundo. Seu solo enormemente fértil produzia uma grande abundância de colheitas e atraiu milhares de colonizadores franceses.

Desde o período de colonização o Haiti possui uma economia primária. Produzia açúcar de excelente qualidade, que concorreu com o açúcar brasileiro no século XVII e junto com toda produção das Antilhas serviu para a desvalorização do açúcar brasileiro na Europa. Após vários regimes ditatoriais, hoje em dia seu principal produto de exportação ainda continua sendo o açúcar, além de outros produtos como banana, manga, milho, batata-doce, legumes, tubérculos e muito mais.

Atualmente sua economia encontra-se destroçada e em ruínas. O país permanece extremamente pobre, sendo o mais pobre da América e de todo Hemisfério Ocidental, tão miserável como Timor-Leste, Afeganistão, entre outros. 45,2% da população é analfabeta, a expectativa de vida é de apenas 60,9 anos. Sua renda per capita é um-terço da renda da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.


Divisão polítoco-geográfica

O Haiti está dividido em dez departamentos:
  1. Artibonite
  2. Centre
  3. Grand'Anse
  4. Nippes (criado em 2003)
  5. Nord
  6. Nord-Est
  7. Nord-Ouest
  8. Ouest
  9. Sud
  10. Sud-Est
Mapa dos departamentos do Haiti.

Referência
  1. Portal da Língua Portuguesa, Dicionário de Gentílicos e Topónimos do Haiti.
  2. CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini ((em inglês)).
  3. Ranking do IDH. PNUD Brasil (05/10/2009). Página visitada em 16/10/2009.
  4. Origem do nome Quisqueya.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre