poemas, inquietações, idéias, reflexões, alguns escritos, experimentos... e outras coisinhas mais!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Geraldo Filme (São João da Boa Vista, 1928 — São Paulo, 5 de janeiro de 1995)
Geraldo Filme
Nascido em São João da Boa Vista, no interior paulista, Geraldo Filme (1928 - 1995) veio pequeno para a Capital. O pai tocava violino, mas foi com a avó que conheceu os cantos de escravos que influenciaram sua formação musical. Sua mãe tinha uma pensão nos Campos Elíseos e fazia marmitas que o menino Geraldo entregava em toda a região. Na Barra Funda, bairro vizinho, passava um bom tempo nas rodas de samba e tiririca (capoeira) que os carregadores improvisavam, no Largo da Banana.
Compôs o primeiro samba (Eu Vou Mostrar) com 10 anos de idade. Sua mãe fundou o primeiro cordão carnavalesco formado só por mulheres negras, que futuramente iria se transformar na Escola de Samba Paulistano da Glória.
Geraldo tem o nome ligado à história do Carnaval paulista. Respeitado e querido por todas as escolas, marcou presença na Unidos do Peruche, para quem compôs sambas-enredo, mas é lembrado principalmente por sua ligação com a Vai-Vai. O samba "Vai no Bexiga pra Ver" tornou-se um hino da escola, e "Silêncio no Bexiga" homenageia um célebre diretor de bateria da Vai-Vai, o Pato Nágua. Com o samba-enredo “"Solano Trindade, Moleque de Recife" levou a escola ao título de campeã.
Um grande conhecedor da história de São Paulo, Geraldo pesquisou e compôs o samba "Tebas" que conta a história da origem desse termo que significava "o bom" ou "o melhor" e era muito usado pelos paulistanos no século passado. A origem desse termo se dá devido a um escravo que conseguiu sua carta de alforria por ser um grande conhecedor de alvenaria e hidráulica, sendo o responsável pela construção das torres da Catedral da Sé e da canalização dos esgotos da região central da cidade. Foi dele o primeiro casamento na catedral após a construção das torres. Ele construiu também um chafariz no centro da cidade. Ambas autorias não são lembrados pelas autoridades.
Nos últimos anos de vida trabalhou na organização do Carnaval na cidade de S. Paulo, tornando-se uma referência da cultura negra paulistana. Um aspecto pouco estudado de sua obra é a releitura do samba rural paulista ("Batuque de Pirapora", "Tradições e Festas de Pirapora"), que trazem elementos dos jongos, vissungos e batuques ensinados por sua avó. Deixou poucas gravações, e boa parte de sua obra continua desconhecida. O LP “Geraldo Filme”, gravado em 1980, demorou 23 anos para ser lançado em CD (Eldorado, 2003).
Uma importante gravação de cunho documental e histórico, O Canto dos Escravos, com Clementina de Jesus e Doca da Portela (Eldorado, 1982), também já pode ser encontrada em CD. A gravação do programa Ensaio, realizada em 1982, é outro documento valioso sobre Geraldo Filme (SESC/ TV Cultura).
Suas composições podem ser ouvidas em gravações de Beth Carvalho (Beth Carvalho Canta o Samba de São Paulo), Osvaldinho da Cuíca (História do Samba Paulista), grupo A Barca, entre outros. Existe em vídeo um documentário sobre sua obra, realizado por Carlos Cortez, uma co-produção da TV Cultura, CPC-Umes e Birô da Criação.
Discografia
1980 - Geraldo Filme 1982 - O Canto dos Escravos (Com Clementina de Jesus e Doca) 1982 - Memória Eldorado
geledés - s. o. s. racismo
| ||||||
| << Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo > Fim >> | ||||||
| Página 1 de 201 | ||||||
Notícias - SOS - Mais Lidas
- Homem negro espancado, suspeito de roubar o próprio carro
- RACISMO NO AEROPORTO DE ARACAJU!!!
- Negros e pardos sofrem mais com a falta de saneamento
- O tal do cabelo ruim
- Piada racista pode custar cargo a ministro francês
- Amy Winehouse aparece em vídeo cantando música racista
- Carrefour não quer clientes negros e pobres
- RACISMO EM ARACAJU: Gilmar quer levar vítima de racismo para falar na Comissão de Direitos Humanos
- Nigéria processa Pfizer por testes de drogas em crianças
- RACISMO EM ARACAJÚ: Advogado confirma processo contra médica
- Racismo: uma dura realidade do futebol mundial
universitários agridem homem negro e são presos por racismo
Três estudantes de medicina de uma universidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram presos no início da manhã deste sábado (12), após terem agredido um homem de 55 anos numa das principais avenidas da cidade. Os jovens atingiram um auxiliar de serviços gerais com um tapete de carro enrolado, enquanto o chamavam de "negro", aos gritos. Por isso, foram presos em flagrante por racismo e lesão corporal.
O auxiliar de serviços gerais foi abordado por volta das 6 horas, quando estava em uma bicicleta a caminho do trabalho. Um dos rapazes, com o tapete enrolado, desferiu um golpe nas costas do homem e gritou "negro". Segundo testemunhas, os três vibraram com a ação. Pouco depois, dois vigilantes que saíam de um evento e testemunharam a agressão conseguiram deter os estudantes e levá-los à polícia.
O crime de racismo é inafiançável no Brasil e prevê pena de um a três anos de prisão. Os advogados dos jovens, no entanto, tentam obter a liberdade provisória dos rapazes. Segundo o delegado Mauro Coraucci, que estava de plantão, os três seguiriam para a cadeia de Santa Rosa de Viterbo.
sábado, 12 de dezembro de 2009
imagino que, ao ler a notícia, fhc deve ter vibrado muito intensamente, tamanha e "tanta foi sua alegria!"
noticia
Este es un hombre cabal y tenaz, por el que siento una profunda admiración. Lo conocí en septiembre de 2004, tras la incorporación de España a la Alianza contra el Hambre que él lideraba, en una cumbre organizada por Naciones Unidas en Nueva York. No podía haber sido mejor la ocasión.
a morte dos habitares míticos
Viagens pelos rios do imenso Vale Amazônico, mais precisamente pelo estreito de Breves, no lado ocidental marajoara, em olhares de relances acompanhamos um teatro vivo de uma mãe a chorar a perda de seus filhos. Trata-se da mãe-natureza diluída em lágrimas de sangue no silêncio da floresta saqueada. Neste cenário, homens escravizados, populações locais desfiguradas, espíritos das matas afugentados, culturas ribeirinhas invisibilizadas desvelam dramas de uma história subterrânea tristemente vivida por populações amazônicas de faces marajoaras, filhas das mestiçagens afroindígenas.
Nas avenidas aquáticas, tessitura de cartografias amazônicas, continuamos assistindo a passagem de empurradores e balsas abarrotadas de toras de madeira, apenas ao som das embarcações que nos transportam de lá para cá e daqui pra lá. Não há mais vozes ensurcedoras outroramente ouvidas por Dalcídio Jurandir, na saga dos viradores de madeira, quando denunciou em matéria jornalística de 1939 a exploração sofrida por morenos corpos humanos, atrofiados pela vigília da floresta derrubada. Hoje, entre nós marajoaras, a lei do silêncio impera. Decreta-se a morte dos habitares míticos.
Nessa esteira, sangradas pelos instrumentos da cultura material rural, moderna e tradicional (potentes motores-serras, serrotões, machados, terçados) e em cicatrizes de cores artificiais para facilitar leituras de suas classificações, a floresta segue sua via-crúcis pelos rios da Amazonia Marajoara, destruída pelo ritmo da ganância de um capitalismo selvagem aposentado dos discursos acadêmicos, mas na ativa, vivo e voraz em territórios amazônicos.
Deitado em sangria rumo a outros portos, visibilizando estéticas do holocausto recriado em paisagens marajoaras, esse patrimônio natural leva consigo territorialidades de nosso patrimônio cultural e sensível. Os personagens lendários e míticos da mãe-natureza desaparecem de nosso imaginário à proporção que árvores de acapu, virola, quaruba, pau-amarelo, cedro, seus antigos habitares, são vencidos pela fúria do capitalismo industrial madeireiro em expansão e dominação nos quatro cantos de nossas fronteiras físicas e culturais amazônicas.
Esse processo fincou raízes no espocar da década de 1930, quando os seringais amazônicos foram aposentados e classificados como inúteis para a lógica mercadológica internacional. História semelhante vive nossos idosos, já que depois de longas décadas de trabalho foram escorraçados do direito à velhice, à memória e à transmissão de suas experiências e sabedorias.
Tal constatação faz lembranças de memórias narradas por antigos moradores do “abandonado arquipélago de Marajó” tomar conta de nosso interior. Uma dessas vozes insiste em não esquecermos suas proféticas palavras: “antes aqui existia muita visagem, depois que a luz elétrica chegou elas foram sumindo”. Ou histórias contadas por uma antiga curandeira, ligada ao mundo da encantaria que, ao ser questionada sobre o modo de vida na cidade do passado, sem titubear assinalou: “em outros tempos, os encantados caminhavam livremente pelas ruas da cidade. Fosse de dia, fosse de noite, facilmente encontrávamos Manoel das Flores, Tupinambá andando por aqui”.
Se um modo de vida urbanocêntrico, europeu, disciplinador e pretensamente modernizante, instalado na região marajoara com o alvorecer da década de 80, expulsou das antigas vilas o conjunto de entidades das matas e das águas, nos dias de hoje, esses seres paradigmáticos estão em apuros, pois suas vidas andam por um fio. Com isso, a morte da floresta e a poluição das águas, últimos redutos de vivência desses seres que povoam nosso imaginário mítico e são fontes para desconstruirmos cosmologias colonizadoras e dominantes, decretam que estamos na liminaridade de nossos modos de ser, acreditar, viver.
Diante da iminente morte dos habitares míticos, como amazônidas, paraoaras, marajoaras, o que estamos fazendo? Nossos diplomas, escritas e belos discursos estão sendo canalizados para que rios de vida e verdade? Este texto cumpre, portanto, uma missão: sem perder a capacidade de indignação, mesmo com poucas ferramentas para fazer frente à guerra em defesa da cultura e da vida de populações locais, seu tom poético é antes de tudo uma escrita de denuncia, politicamente comprometida com a escuta dos clamores de nossos irmãos de beiras de rios, lagos, igapós, várzeas e terras firmes, silenciados pelas vozes e desmandos de poderes recolonizadores.
_________________________
(*)Agenor Sarraf Pacheco: Licenciado Pleno e Bacharel em História pela Universidade Federal do Pará (1999), Especialista em Métodos e Técnicas de Elaboração de Projetos Sociais pela PUC-MG (2002), Mestre e Doutor em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004 e 2009 ). Atua na área de Elaboração de Projetos Sociais, com ênfase em políticas educacionais. Desenvolve projetos de educacação continuada de professores pesquisadores, Focalizando Histórias, Memórias e Saberes Locais. Atualmente realiza cursos, oficinas e palestras sobre História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Afroindígena. Investiga discursos imaginários e representações confeccionados por cronistas, viajantes, jornalistas e literatos sobre identidades, saberes e Religiosidades marajoaras de populações de tradições orais. Integra, na Universidade da Amazônia, uma área Temática de Comunicação, Linguagem e Cultura na Amazônia, na linha de pesquisa: Literatura e Identidade Cultural na Amazônia.
Visite Aruanda Mundi em: http://aruandamundi.ning.com/?
iv encontro de arte e matriz africana

José Antonio Dos Santos Da Silva gostaria de convidar você para o evento
"IV ENCONTRO DE ARTE E MATRIZ AFRICANA".
Para confirmar sua presença e saber mais sobre este evento, acesse:
http://eventos.sonico.com/
Visite Aruanda Mundi em: http://aruandamundi.ning.com/?
barra funda - estação do samba, 2 anos!
Salve Salve!
Local: Quadra da Escola
Data: 18.12.2009 (SEXTA-FEIRA)
Horário: 20h30
Preço Único: R$5,00
Atenciosamente,
Presidente Julio Marcos Da Silva Américo
Ala De Compositores
Camisa Verde E Branco
"Com O Meu TREVO De Fé, Eu Tenho Sorte
Sou CAMISA VERDE Até A Morte!"
Enredo Carnaval Dois Mil E Dez:
"Tô No Jogo, Me Respeite!"
www.camisaverde.net
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
as novas faces do samba paulista
Gente boa gente, segue, nesta postagem, o original (sem edição) do texto de Thiago Mendonça, publicado pela Falha de São Paulo, na quarta-feira, 09.12.2009, sob o título: PERIFERIA RENOVA SAMBA DE SÃO PAULO. Atento para o fato de que, na publicação da Falha, na caixa que destaca individualmente os sambistas, foi omitido o Caio Prado e o nome do Babalú (do Samba da Laje) foi grafado errado. Atento ainda que após a edição mudaram o título e cortaram trechos que deturparam alguns sentidos do originalmente escrito. Confiram! Abraços.
por: THIAGO MENDONÇA
A tarde chuvosa de terça-feira não impede a descontração do encontro, que começa com atraso devido aos alagamentos. Na mesa do bar estão representantes de algumas das comunidades de samba de São Paulo, movimento que tomou conta das periferias da cidade. Demonstram certo mau-humor quando a fotógrafa pede para posarem: “Vai ficar parecendo grupo de pagode”. Presentes Selito SD, do Projeto Nosso Samba de Osasco, T.Kaçula, da Rua do Samba Paulista, Babalu, do Samba da Laje, Marquinhos Dikuã, do Samba de Todos os Tempos, Marquinhos Jaca, da Vai Vai, e Caio Prado, ex-projeto Nosso Samba. Adriana Moreira, uma das mais belas vozes desta geração de sambistas, avisa que ela e Douglas Germano não conseguirão vir para a foto por conta da chuva. “Pô, ela ia salvar a foto”, brinca Selito. Entre sambas e risadas, eles contam a história do novo samba paulista.
O novo samba paulista
Nos anos 90 surgiram os primeiros sinais de saturação do pagode comercial. Ao mesmo tempo, as escolas de samba vinham deixando de agregar compositores para se tornarem um triste pastiche dos desfiles cariocas. Não havia mais espaços para os compositores. Alguns anunciaram a morte do samba, mas ele sobreviveu tímida e desorganizadamente nos quintais e botecos da periferia paulistana. Até que, em 1997, aconteceu o Mutirão do samba, um encontro de sambistas, visando o culto ao samba de raiz, a formação de novos talentos e a exibição de novos sambas. Douglas Germano, um dos fundadores, via ali um estímulo à criação. “O Mutirão nasceu com a vontade de registrar nossa própria história. Neste grupo de 32 pessoas havia compositores, percussionistas de escola de samba e de botequim, instrumentistas, cantores e cantoras. Todos amigos há muito tempo.”
Surgia algo novo em São Paulo. “Uma roda com composições próprias, que era ao mesmo tempo um encontro e um espaço de formação”, lembra Adriana Moreira. O mutirão durou três anos e dali saiu toda uma nova geração de compositores e músicos, alguns com trabalhos autorais, como Adriana Moreira, Douglas Germano e Kiko Dinucci.
Movimentos de samba
A experiência do Mutirão serviu como inspiração para a formação de uma série de novas experiências. Projeto Nosso Samba, Samba da Vela, Samba Autêntico, Samba da Laje, Samba de Todos os Tempos, entre dezenas de comunidades. “Houve aquela movimentação, surgiu uma série desses núcleos, a partir do samba tradicional”, conta Selito. “Ninguém aguentava mais aquela mesmice dos anos 90”, diz Kaçula, “a vulgarização das letras a repetição incessante das fórmulas de sucesso. O mutirão trouxe um jeito novo, a possibilidade de mostrar nossas composições e trocar experiências.” As comunidades são um culto às batucadas, uma retomada a partir da tradição, que gerou uma nova sonoridade paulistana.
Identidade paulistana
O movimento desencadeou também a busca de um samba com sotaque próprio, livre do samba do Rio. Caio Prado identifica a idéia de morte do samba com o culto excessivo ao passado do samba carioca. “Não surgia mais nada original. Queríamos um samba com idéias nossas, literatura nossa, que falasse do nosso cotidiano.”
O novo samba paulistano procura ser a crônica de seu tempo e espaço. Como observa Marquinhos Jaca, “tem gente que usa roupa de bamba da antiga, fica paranóico, agindo como se vivesse em 1954. Não vivemos o que eles viveram, não sofremos o que eles sofreram, não somos do morro. Nosso samba tem que retratar nossa realidade.”
Mercado
Marquinho Dikuã acredita que as comunidades possam abrir uma nova possibilidade para sua geração de sambistas. “Hoje há em São Paulo 30, 40 comunidades de samba que reúnem por ano 300 a 400 mil pessoas. Temos um público. Se nos organizarmos, podemos ter muitas conquistas.” Caio concorda com Marquinho, mas coloca um porém: “A gente conseguiu se reunir para produzir, mas por algum motivo essa produção não consegue ser escoada. A pergunta é como quebrar a barreira e cair nas graças do povo.”
Esta preocupação levou a um novo boom na produção de discos. T.Kaçula, após produzir 12 discos sobre as velhas guardas paulistas, prepara seu segundo disco solo. Caio Prado prepara o primeiro disco “gospel” de samba de raiz. Douglas Germano e Marquinhos Jaca estão com disco pronto e aguardam o melhor momento para lançá-los. Adriana Moreira e Marquinho Dikuã preparam o segundo trabalho. Selito, mais avesso à indústria fonográfica, tem um projeto de registro de suas parcerias para este ano, mas mostra-se descrente sobre as possibilidades comerciais deste trabalho. Com todas as dificuldades, o sonho de acontecer no universo musical resiste. “De qualquer maneira, nunca se falou tanto de samba em São Paulo como agora. Muitos compositores, instrumentistas, cantores e cantoras aparecendo, cantando samba, estudando. Isso é muito bom” diz Douglas Germano.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
periferia renova samba de são paulo
Movimento surgiu no fim dos anos 90, com foco no samba de raiz, na formação de novos talentos e novas composições.
Encontro Mutirão do Samba impulsiona novos sambistas, como Douglas Germano, Adriana Moreira e Marquinho Dikuã
THIAGO MENDONÇA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
A tarde chuvosa de anteontem não impediu a descontração do encontro, que começou com atraso devido aos alagamentos. Na mesa do bar estavam representantes de algumas das comunidades de samba de São Paulo, movimento que tomou conta das periferias.
Presentes Selito SD, do Projeto Nosso Samba de Osasco, T.Kaçula, da Rua do Samba Paulista, Babalu, do Samba da Laje, Marquinhos Dikuã, do Samba de Todos os Tempos, Marquinhos Jaca, da Vai-Vai, e Caio Prado, ex-Projeto Nosso Samba. Adriana Moreira, uma das belas vozes desta geração de sambistas, avisa que ela e Douglas Germano não conseguirão vir por conta da chuva. Entre sambas e risadas, eles contam a história do novo samba paulista.
Nos anos 90, surgiram os primeiros sinais de saturação do pagode comercial. Ao mesmo tempo, as escolas de samba vinham deixando de agregar compositores para se tornarem um triste pastiche dos desfiles cariocas. Não havia mais espaços para os compositores. Alguns anunciaram a morte do samba, mas ele sobreviveu tímida e desorganizadamente nos quintais e botecos da periferia paulistana.
Em 1997, surgiu o Mutirão do Samba, um encontro de sambistas, visando o culto ao samba de raiz, a formação de novos talentos e a exibição de novos sambas. Douglas, um dos fundadores, via ali um estímulo à criação. "O Mutirão nasceu com a vontade de registrar nossa própria história. Neste grupo de 32 pessoas havia compositores, percussionistas de escola de samba e de botequim, instrumentistas, cantores."
Surgia algo novo em São Paulo. "Uma roda com composições próprias, que era ao mesmo tempo um encontro e um espaço de formação", lembra Adriana. O mutirão durou três anos e dali saiu toda uma nova geração de compositores e músicos, alguns com trabalhos autorais, como Adriana, Douglas e Kiko Dinucci.
A experiência do Mutirão serviu como inspiração para a formação de uma série de novas experiências. Projeto Nosso Samba, Samba da Vela, Samba Autêntico, Samba da Laje, Samba de Todos os Tempos, entre dezenas de comunidades. "Surgiu uma série desses núcleos, a partir do samba tradicional", conta Selito. "Ninguém aguentava mais aquela mesmice dos anos 90", diz Kaçula. "A vulgarização das letras a repetição das fórmulas de sucesso."
As comunidades são um culto às batucadas, uma retomada do samba a partir da tradição, que gerou uma nova sonoridade paulistana.
O movimento desencadeou também a busca de um samba com sotaque próprio, livre do samba do Rio. Caio Prado identifica a ideia de morte do samba com o culto excessivo ao passado do samba carioca. "Queríamos um samba com ideias nossas, literatura nossa, que falasse do nosso cotidiano."
O novo samba paulistano procura ser a crônica de seu tempo e espaço. Como observa Marquinhos Jaca, "tem gente que usa roupa de bamba da antiga, agindo como se vivesse em 1954. Nosso samba tem que retratar nossa realidade".
Marquinho Dikuã acredita que as comunidades possam abrir uma nova possibilidade para sua geração de sambistas. Está em curso um boom de independente de discos de samba. "Hoje há em São Paulo 30, 40 comunidades de samba que reúnem por ano 300 a 400 mil pessoas. Temos público." Caio coloca um porém: "A gente conseguiu se reunir para produzir, mas essa produção não consegue ser escoada. A pergunta é como quebrar a barreira e cair nas graças do povo."
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1012200912.htm
Fonte: Folha de S. Paulo
Origem: http://www.exkola.com.br/scripts/noticia.php?id=26100882
acusado de racismo, antônio carlos é rejeitado por vascaínos
Gazeta Esportiva.Em rede social na internet, torcedores se manifestaram de forma contrária à vinda do técnico para o clube
RIO DE JANEIRO - Parte dos torcedores do Vasco reagiu mal à confirmação do interesse pelo técnico Antônio Carlos Zago, do São Caetano, dada pelo presidente Roberto Dinamite no início da semana. Em comunidade da rede social Orkut, os cruzmaltinos revelaram sua desaprovação, chamando o treinador de "Racista".
A inscrição "Racista, Não!" aparece ao lado da foto do ex-jogador na capa da comunidade 'Vasco da Gama', que tem mais de 370 mil membros. A acusação faz menção ao episódio com o volante Jeovânio, do Grêmio, em março de 2006, pelo Campeonato Gaúcho.
Então zagueiro do Juventude, Antônio Carlos desferiu uma cotovelada, foi expulso e deixou o gramado esfregando a pele com os dedos, em referência à cor da pele do rival. Pelo caso, o ex-jogador chegou a ser suspenso por 60 dias. Por isso, a torcida não vê com bons olhos a possível chegada do treinador ao Vasco, clube historicamente ligado à luta contra o racismo.
Em 1904, o Vasco elegeu o primeiro presidente de origens negras da história dos clubes esportivos no Rio de Janeiro, com o mulato Cândido José de Araújo. E foi com o elenco recheado de negros e operários, vindos dos subúrbios cariocas, que o time conquistou seu primeiro título, em 1923, em seu ano de estreia na elite carioca. Por isso, passou a sofrer resistência na temporada seguinte.
Assim, em 1924, a recém criada Associação Metropolitana dos Esportes Atléticos (Amea), que passou a organizar as competições no Rio de Janeiro, recusou a inscrição do Vasco. Na 'contraproposta' feita pela entidade estava a exclusão de 12 atletas cruzmaltinos, negros e operários. O presidente do clube, José Augusto Prestes, anunciou a desistência da filiação por meia de carta.
A polêmica chamou a atenção para a discriminação racial e social vigente no futebol carioca e brasileiro. Depois de passar a temporada atuando em campeonatos menores, o Vasco acabou admitido pela Amea. O lastro permanece até hoje. A torcida não quer um treinador com passado ligado a acusações de racismo.
Origem: http://esporte.ig.com.br/
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
união das escolas de samba de são paulo
A União das Escolas de Samba Paulistanas (UESP) é a entidade organizadora do carnaval da cidade de São Paulo, Brasil.
Foi criada em 10 de setembro de 1973 quando as escolas de samba paulistanas obtiveram o seu reconhecimento público, pois naquela época a entidade auxiliava as agremiações a regularizar seus estatutos, profissionalizando os desfiles.
Em todos esses anos de existência, a UESP tem organizando apresentações carnavalescas em dezenas de bairros da cidade de São Paulo, bem como no Polo Esportivo e Cultural Grande Otelo - o Sambódromo. Atualmente a UESP conta com sessenta e oito (68) filiadas, entre Escolas de Samba de divisões inferiores e Blocos Carnavalescos.
É responsável pelos desfiles oficiais de domingo, segunda e terça-feira de Carnaval, no Sambódromo, e em diversos bairros da Cidade de São Paulo, onde são realizados, outros eventos carnavalescos, que atrai um público de cerca de um milhão de pessoas.
A UESP desenvolve projetos em conjunto com suas filiadas, visando à construção e o fortalecimento das comunidades.
Presidentes
- 1973 a 1975 - Renato Correa Castro
- 1975 a 1977 - Álvaro Casado
- 1977 a 1979 - Geraldo Filme
- 1979 a 1983 - Osmar César de Carvalho
- 1983 a 1985 - Seu Nenê
- 1985 a 1990 - Eduardo de Oliveira
- 1990 a 1993 - Valdevino Batista da Silva
- 1993 a 1997 - Róbson de Oliveira
- 1997 a 2009 - Edléia dos Santos
- 2010 a -Kaxitu Ricardo Campos




