sexta-feira, 30 de outubro de 2009

i seminário de história da áfrica e diáspora africana

samba da vela, monarco e mauro diniz...

Gente boa gente, amanhã tem Show de Graça e de ótima qualidade. Senão, vejamos!

O Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso está com uma programação sambística de peso neste sábado 31/10. O Projeto O SAMBA PEDE PASSAGEM receberá SAMBA DA VELA + MONARCO (PORTELA) +MAURO DINIZ, formando uma grande roda de samba.


Local: Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso -Anfiteatro
Endereço: Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641 – Vila Nova Cachoeirinha – Tel.: 3984-2466
Data:31/10-- Sábado
Horário: 18hs
Grátis

Quem quiser acessar a programação do Centro Cultural , ai vai o link:




marighela

Se estivesse vivo, o líder comunista Carlos Marighella completaria 90 anos no dia 5 de dezembro. Morto durante o regime militar, a história encarrega-se, aos poucos, de desmistificar a imagem daquele que já foi considerado o "inimigo público número 1". Por Vinícius Pinheiro

Fotos: Acervo Iconografia, Arquivo Nacional e Arquivos do Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco.


4 de novembro de 1969, passava um pouco das oito da noite:





Marighela, dentro de um fusca (à direita) tinha um encontro marcado com freis dominicanos à altura do número 806 da Alameda Casa Branca. Mas o delegado Fleury o esperava lá. Foi morto com quatro tiros.

Marighela figurava nos cartazes dos oito terroristas mais procurados, sob o título de “assassinos”.

atro de novembro de 1969, São Paulo. Em uma operação que envolveu um total de 29 homens, a equipe do DOPS chefiada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury mataria Carlos Marighella, o líder comunista mais procurado do Brasil, em uma emboscada na Alameda Casa Branca. As ordens eram claras: Marighella não deveria ser preso. Na disputa pelo mérito de ter eliminado o fundador e comandante da Ação Libertadora Nacional (ALN), uma investigadora foi morta e um delegado foi ferido.

Se estivesse vivo, Carlos Marighella completaria 90 anos no dia 5 de dezembro. Desde a volta do exílio em Cuba, em 1979, Clara Charf, viúva do líder comunista, empenha-se em resgatar a memória e desconstruir a imagem do "inimigo público número 1" criada em torno da figura de Marighella. "Ele acreditava que nada poderia ser transformado sem luta e é isso que estamos fazendo. Mesmo quem discordava dos métodos utilizados por ele reconhece a sua coerência e coragem durante toda a vida", diz.

Na opinião de Clara, a realidade atual poderia ser outra se Marighella não tivesse sido assassinado em 1969. "Ele utilizou todas as formas de luta de acordo com cada situação que enfrentou e nos dias de hoje não seria diferente." Durante os 58 anos de vida, passou por todas as experiências pelas quais um revolucionário poderia viver e, afirma, jamais cruzaria os braços.

Para o cientista político Alcindo Gonçalves, a opção da luta armada contra o regime militar seguida por Marighella e pelas dissidências do Partido Comunista não foi acertada. "Todas as experiências duraram pouco tempo e não tiveram apoio popular expressivo", disse. A ditadura começou a ceder, segundo ele, quando formou-se um amplo arco de forças políticas contra o sistema, o que revelou ser o melhor caminho. "Apesar disso, a importância dele no processo de defesa das causas populares é única, não apenas durante a ditadura como em toda a vida, e sua imagem precisa ser lembrada por isso."

Segundo Vladimir Sacchetta, um dos autores da fotobiografia "A Imagem e o Gesto" (Editora Fundação Perceu Abramo), se estivesse vivo Marighella certamente continuaria militando na esquerda e apoiando movimentos sociais, como o MST. É importante, segundo Sacchetta, diferenciar a luta armada da época do regime militar do terrorismo atual. "Marighella seria terminantemente contra os atentados ao World Trade Center e terroristas como Bin Laden", afirma.

Filho mais velho de uma família humilde – seu pai era imigrante italiano e sua mãe descendente de escravos africanos – Marighella, nasceu num sobrado da Baixa do Sapateiro, em Salvador. Dos tempos de escola, ficou conhecido pelos constantes questionamentos e por uma prova de física respondida em versos. O poema/prova nota 10 ficou exposto em um mural como exemplo de imaginação criadora.

Ingressou no Partido Comunista no início dos anos 30, via juventude comunista. Em 1932 seria preso pela primeira vez, nas manifestações dos estudantes baianos em apoio ao movimento constitucionalista. Quatro anos depois, já no Rio de Janeiro, onde militava pelo PCB, seria preso novamente e duramente torturado.

Origem: http://www.emilianojose.com.br/marighela/marighela_estadao.htm

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

carlos marighella

Carlos Marighella (Salvador, 5 de dezembro de 1911São Paulo, 4 de novembro de 1969) foi um político e guerrilheiro brasileiro, um dos principais organizadores da luta armada para a criação de um estado socialista no Brasil e contra o regime militar a partir de 1964[1].

Biografia

Um dos sete filhos do operário Augusto Marighella, imigrante italiano da região da Emília, terra de destacados líderes italianos, e da baiana Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos africanos trazidos do Sudão (negros haussás), nasceu na capital baiana, residindo na Rua do Desterro 9, Baixa do Sapateiro, onde concluiu o seu curso primário e o secundário e, em 1934 abandonou o curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Bahia para ingressar no Partido Comunista do Brasil (PCB). Torna-se então, militante profissional do partido e se muda para o Rio de Janeiro, trabalhando na reorganização do PCB.

Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro.

Em 1º de maio de 1936, durante a Ditadura Vargas, foi preso por subversão e torturado pela polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano. Foi solto pela “macedada” (nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação). Ao sair da prisão entra para a clandestinidade, até ser recapturado, em 1939. Novamente é torturado e fica na prisão até 1945, quando é beneficiado com a anistia pelo processo de redemocratização do país.

Elege-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946, mas perde o mandato em 1948, em virtude da nova proscrição do partido. Volta para a clandestinidade e ocupa diversos cargos na direção partidária. Condidado pelo Comitê Central, passou os anos de 1953 e 1954 na China, a fim de conhecer de perto a recente revolução chinesa. Em maio de 1964, após o golpe militar, é baleado e preso por agentes do Dops dentro de um cinema, no Rio. Libertado em 1965 por decisão judicial, no ano seguinte opta pela luta armada contra a ditadura, escrevendo A crise brasileira. Em dezembro de 1966, renuncia à Comissão Executiva Nacional do PCB. Em agosto de 1967, participa da I Conferência da OLAS (Organização Latino-Americana de Solidariedade, realizada em Havana, Cuba, a despeito da orientação contrária do PCB. Aproveitando a estada em Havana, redige Algumas questões sobre a guerrilha no Brail, dedicado à memória do Comandante Che Guevara e tornado público pelo Jornal do Brasil em 05 de setembro de 1968. É expulso do partido em 1967 e em fevereiro de 1968 funda o grupo armado Ação Libertadora Nacional. Em setembro de 1969, a ALN participa do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em uma ação conjunta com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). [2]

Com o recrudescimento do regime militar, os órgãos de repressão concentram esforços em sua captura. Na noite de 4 de novembro de 1969 Marighella foi surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista. Ele foi morto a tiros por agentes do DOPS, em uma ação coordenada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury. A ALN continuou em atividade até o ano de 1974. O sucessor de Marighella no comando da ALN foi Joaquim Camara Ferreira, que também foi morto por Fleury no ano seguinte. Os militantes mais atuantes em São Paulo eram Yuri Xavier Ferreira e Ana Maria Nacinovic, que continuaram fazendo panfletagem contra a ditadura até meados de 1972, quando também foram mortos numa emboscada no bairro da Mooca, ao saírem do restaurente Varela. Dezoito de seus militantes foram mortos e cinco foram considerados desaparecidos. O último lider da ALN foi Carlos Eugenio Sarmento da Paz, sobreviveu auto-exilando-se na França, e voltando ao Brasil após a anistia.

Em 1996, o Ministério da Justiça reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de Marighella; em 7 de março de 2008 foi decidido que sua companheira Clara Charf deveria receber pensão vitalícia do governo brasileiro [3].

Morte

Em uma emboscada preparada contra Marighella, foram detidos Tito e seus amigos de convento (exceto Frei Oswaldo). Frei Fernando foi obrigado sob tortura a combinar um encontro com Marighella. Eles tinham um código que auxiliou na emboscada: "Aqui é o Ernesto, vou à gráfica hoje". O encontro foi marcado na Alameda Casa Branca, uma rua próxima ao centro da cidade de São Paulo.

No dia do encontro, havia uma caminhonete com policiais e um automóvel, com supostos namorados (onde Fleury disfarçou-se), além do fusca com Fernando e Ivo.

Ao chegar na Alameda, às 20h00, se aproximou do carro com os freis e foi alvejado por vários tiros. Depois de morto, os freis foram retirados do fusca e seu corpo foi colocado no automóvel, em uma posição estranha, extremamente desconfortável se estivesse vivo.

Além de Marighella, outras três pessoas foram atingidas durante o tiroteio:

  • Estela Borges Morato, investigadora do DOPS que simulou namorar Fleury, que foi morta na confusão que se sucedeu.
  • Friederich Adolf Rohmann, protético, que foi morto na confusão que se sucedeu.
  • Rubens Tucunduva, delegado envolvido na emboscada, que ficou ferido.

Escritos

Poesia

Marighella mostrou desde cedo pendor para a poesia. No curso de engenharia, divertia professores e colegas fazendo provas em verso. Também foi com versos que atacou o interventor baiano Juracy Magalhães, o que lhe valeu sua primeira prisão e tortura em 1932.

Sua obra poética está reunida no livro Rondó da Liberdade. Seus poemas, de caráter nitidamente político, apresentam por vezes um notável lirismo.

Algumas questões sobre a guerrilha no Brasil

A crise brasileira

Trabalho teórico no qual analisa a conjuntura nacional a partir da estrutura de classes do Brasil e critica o PCB por resguardar-se de qualquer atividade consequente, acomodado na ilusão de um processo eleitoral limpo, e, ao mesmo tempo, refratário ao divórcio da burguesia.


Minimanual do Guerrilheiro Urbano

O Minimanual do Guerrilheiro Urbano foi escrito em 1969, para servir de orientação aos movimentos revolucionários e libertários. Circulou em versões mimeografadas e fotocopiadas, algumas diferentes entre si, sem que se possa apontar qual é a original. Nos anos 80, a CIA – Central Inteligence Agency, dos Estados Unidos, fez traduções em inglês e espanhol para distribuir entre os serviços de inteligência do mundo inteiro e para servir como material didático na Escola das Américas, por ela mantida, no Panamá.

Outros escritos políticos

Alguns escritos políticos de Marighella, embora redigidos por ele em português, ganharam primeiro uma edição em outra língua, devido à censura imposta a obras do gênero pelo regime militar brasileiro. É o caso de Pela Libertação do Brasil, que, em 1970, ganhou uma versão na França financiada por intelectuais marxistas.

Estão disponíveis em português: Alguns Aspectos da Renda da Terra no Brasil (1958), Algumas Questões Sobre as Guerrilhas no Brasil (1967) e Chamamento ao Povo Brasileiro (1968).

Bibliografia

  • NÓVOA, Cristiane; NÓVOA, Jorge. Carlos Marighela: o homem por trás do mito. São Paulo, Editora UNESP, 1999. 560 p.
  • TEIXEIRA, Edson. Carlos: a face oculta de Marighela. Vassouras, 1991. Dissertação (Mestrado em História). Universidade Severino Sombra.
  • BETTO, Frei. Batismo de Sangue : Guerrilha e Morte de Carlos Marighella . 14ª ed. rev. e ampliada. Rio de Janeiro, Rocco, 2006. 447 p.ISBN 85-325-2061-8

Filmografia

Referências

  1. GASPARI, Elio - A Ditadura Escancarada, p. 193 e 194.
  2. BETTO, Frei. Batismo de Sangue : Guerrilha e Morte de Carlos Marighella . 14ª ed. rev. e ampliada. Rio de Janeiro, Rocco, 2006. 447 p. ISBN 85-325-2061-8
  3. Companheira de Carlos Marighella recebe indenização do governo

Ligações externas

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

dolores duran



Dolores Duran, nome artístico de Adiléia Silva da Rocha, (Rio de Janeiro, 7 de junho de 1930 — Rio de Janeiro, 23 de outubro de 1959) foi uma cantora e compositora brasileira.

Adiléia Silva da Rocha era filha de um sargento da Marinha. Começou a cantar muito cedo e conquistou o primeiro prêmio aos dez anos de idade, no programa Calouros em Desfile, de Ary Barroso. As apresentações no programa tornaram-se frequentes, fixando-a na carreira artística. Quando Adiléia tinha 12 anos o pai faleceu e, a partir de então, teve que sustentar a família, cantando em programas de calouros e trabalhando no rádio como atriz.

A partir dos 16 anos adotou o nome artístico Dolores Duran. Autodidata, cantava em inglês, francês, italiano e espanhol, a ponto de Ella Fitzgerald lhe dizer que foi na voz dela que ouviu a melhor interpretação que já havia ouvido de My Funny Valentine, um clássico da música norte-americana.

No final da década de 1940, Dolores estreou na Rádio Nacional, tendo sido contratada para se apresentar ao lado de nomes como Chico Anysio e Ângela Maria. Em 1951, teve um relacionamento amoroso com João Donato, mas que não perdurou devido à oposição da família do rapaz, então com 17 anos, enquanto Dolores tinha 21.

A estréia de Dolores em disco foi em 1952, gravando dois sambas para o Carnaval do ano seguinte: Que bom será (Alice Chaves, Salvador Miceli e Paulo Marquez) e Já não interessa (Domício Costa e Roberto Faissal). Em 1953, gravou Outono (Billy Blanco), e Lama (Paulo Marquez e Alice Chaves). Dois anos depois, vieram as músicas Canção da volta (Antonio Maria e Ismael Neto), Bom querer bem (Fernando Lobo), Praça Mauá (Billy Blanco) e Carioca (Antonio Maria e Ismael Neto).

Em 1955, casou-se com o radioator e músico Macedo Neto. No mesmo ano, foi vítima de um infarto, tendo passado trinta dias internada em um hospital. Dolores resolveu não seguir as restrições que os médicos lhe determinaram, agravando os problemas cardíacos que trazia desde a infância, problemas que só se agravaram com o tempo, pois abusava do cigarro (fumava mais de três carteiras por dia) e da bebida, principalmente a vodca e o whisky. Com isso, a depressão passou a marcar sua vida.

Em 1956, fez sucesso com a música Filha de Chico Brito, composta por Chico Anysio. No ano seguinte, um jovem compositor apresentou a Dolores uma composição dele e de Vinícius de Moraes. Tratava-se de Antônio Carlos Jobim em início da carreira. Em três minutos, Dolores pegou um lápis e compôs a letra da música "Por Causa de Você". Vinícius ficou encantado com a letra e gentilmente cedeu o espaço a Dolores. Foi revelado, a partir daí, o talento de Dolores para a composição e grandes sucessos se sucederam, como Estrada do Sol, Idéias Erradas, Minha Toada e A Noite do Meu Bem, entre outros.

Dolores passou por uma gravidez tubária (gravidez de alto risco que acarreta esterilidade materna e perda do feto), interrompendo o sonho de ser mãe. Em 1958, desquitou-se de Macedo Neto e passou meses na Europa com o conjunto musical. De volta ao Brasil adotou uma menina negra (o autor do texto deve achar que Dolores era branca, por isso, talvez, o estranhamento e o destaque para a cor da criança adotada... Grifo meu, Selito SD), Maria Fernanda Virgínia da Rocha Macedo, que foi registrada por Macedo Neto, mesmo estando ele separado de Dolores e a menina não ter com ele qualquer parentesco. A mãe biológica de Maria Fernanda Virgínia havia falecido após o parto. O pai, por sua vez, foi uma das vítimas da pior tragédia em trens suburbanos do Rio de Janeiro.

A partir daí, durante os dois últimos anos de vida, compôs algumas das mais marcantes músicas da MPB, como Castigo, A Noite do Meu Bem, Olha o Tempo Passando e Estrada do Sol, entre tantas outras.

Em 23 de outubro de 1959, aos 29 anos, chegou em casa às 7:00 da manhã. Brincou e beijou muito a filha, já com 3 anos, na banheira. Em seguida, passou os últimos cuidados à empregada Rita: "Não me acorde. Estou cansada. Vou dormir até morrer", disse brincando. Ao chegar no quarto para dormir, caiu no chão, em um infarto fulminante. Quando empregada chegou ao quarto, tinha uma corda de violão arrebentada, foi onde Dolores segurou ao cair no chão.

A morte prematura de Dolores Duran rompeu uma trajetória vivida intensa e sensivelmente. A amiga Marisa Gata Mansa levou os últimos versos de Dolores para Ribamar musicá-los. Carlos Lyra fez o mesmo sobre os versos inéditos.

Samba-canção

Dolores Duran foi um grande expoente, como cantora e compositora, do gênero samba-canção, surgido na década de 1930. Além dela, destacam-se nesse gênero Maysa Matarazzo, Nora Ney e Ângela Maria. O gênero samba-canção, pode ser comparado ao bolero pela exaltação do amor-romântico ou pelo sofrimento por um amor não realizado. O samba-canção antecedeu o movimento da bossa nova, surgido ao final da década de 50. Mas este último, um amálgama do jazz norte-americano com o samba do Rio de Janeiro, representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações, que substituíram o drama pessoal e as melodias melancólicas.

Ver também

Ligações externas

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

fela kuti




Nome completo: Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kut

Fela Anikulapo Ransome Kuti (Abeokuta, 19381997) foi um multi-instrumentista nigeriano, músico e compositor, pioneiro da música afrobeat, ativista político e dos direitos humanos.

Biografia

Fela Kuti nasceu em Abeokuta, no estado de Ogun, na Nigéria em uma familía de classe média. Sua mãe, Funmilayo Ransome-Kuti, a primeira mulher nigeriana a dirigir um automóvel, foi uma feminista atuante no movimento anticolonial, e seu pai, Reverendo Israel Oludotun Ransome-Kuti, um pastor protestante e diretor de escola, foi o primeiro presidente da União Nigeriana de Professores. Seus irmãos Dr. Beko Ransome-Kuti e Olikoye Ransome-Kuti, ambos médicos, são conhecidos na Nigéria.

Ele mudou-se para Londres em 1958 com a intenção de estudar Medicina, mas acabou decidindo estudar música no Trinity College of Music. Lá, ele formou a banda Koola Lobitos, tocando um estilo de música que chamaria posteriormente de afrobeat. O estilo era uma mistura do jazz americano com o rock psicodélico e o highlife da África Ocidental. Em 1961, Fela casou-se com sua primeira esposa, Remilekum (Remi) Taylor com quem ele teria três filhos (Femi, Yeni e Sola). Em 1963 Fela voltou para a Nigéria, reformou o Koola Lobitos e trabalhou como produtor de rádio para a Empresa Nigeriana de Transmissão . Em 1969 Fela levou a banda para os Estados Unidos. Lá, Fela descobriu o movimento Black Power através de Sandra Smith (hoje Isidore), uma partidária do Panteras Negras, que influenciaria fortemente sua música e suas visões politícas e renomou a banda para "Nigeria '70". Logo, o Serviço de Naturalização e Imigração foi informado por um empresário que Fela e sua banda estavam nos EUA sem licença de trabalho. A banda então realizou uma rápida sessão de gravação em Los Angeles, que mais tarde viria a ser lançado como "The '69 Los Angeles Sessions".

Fela e sua banda, renomeada para "Africa '70" retornaram para a Nigéria. Ele então formou a República Kalakuta, uma comuna, um estúdio de gravação e uma casa para muitos conectados à banda a qual mais tarde ele declarou independente do Estado da Nigéria. Fela montou uma boate no Empire Hotel, chamado de Afro-Spot e depois Afrika Shrine, onde ele cantava regularmente. Fela também mudou o seu nome do meio para "Anikulapo" (que significa "aquele que carrega a morte no bolso"), declarando que o seu nome do meio original, Ransome, era um nome de escravo. As gravações continuaram e a música se tornou mais motivada politicamente. A música de Fela se tornou bastante popular entre os cidadãos nigerianos e africanos em geral. De fato, ele decidiu cantar em um Pidgin baseado no inglês de forma que sua música pudesse ser apreciada por indivíduos de toda a África, onde as línguas faladas locais são muito diversas e numerosas. À medida que a música de Fela tinha se tornado popular na Nigéria e em todo lugar, ela também era bastante impopular entre o governo no poder e ataques à República Kalakuta eram freqüentes. Em 1974, a polícia chegou com um mandado de busca e um cigarro de cannabis, o qual tinha a intenção de ocultar em posse de Fela. Ele se deu conta disso e engoliu o cigarro. Em resposta, a polícia o levou em custódia e esperou para examinar suas fezes. Fela conseguiu a ajuda de seus companheiros presos e entregou à polícia as fezes de outra pessoa, Fela foi assim liberado. Ele então relatou o incidente em seu lançamento Expensive Shit.

Em 1977 Fela e a Afrika 70 lançaram o sucesso Zombie, um ataque mordaz aos soldados nigerianos, usando a metáfora "zumbi" para descrever os métodos das forças armadas nigerianas. O álbum foi um sucesso esmagador entre o público e enfureceu o governo, dando início a um cruel ataque à República Kalakuta, durante o qual mil soldados atacaram a comuna. Fela foi severamente espancado, e sua mãe idosa foi arremessada de uma janela, causando ferimentos fatais. A República Kalakuta foi incendiada e o estúdio, instrumentos e gravações originais de Fela foram destruídos. Fela afirmou que teria sido morto se não fosse pela intervenção de um oficial comandante quando estava sendo espancado. A resposta de Fela ao ataque foi enviar o caixão de sua mãe para o quartel principal em Lagos e escrever duas canções, "Coffin for Head of State" e "Unknown Soldier", referindo-se ao inquérito oficial que afirmou que a comuna foi destruída por um soldado desconhecido.

Fela e sua banda foram então morar no Crossroads Hotel, visto que a Shrine tinha sido destruída junto com sua comuna. Em 1978 Fela casou-se com vinte e sete mulheres, muitas das quais eram suas dançarinas e vocalistas, para marcar o aniversário do ataque na República Kalakuta. O ano foi marcado também por dois notórios espetáculos, o primeiro em Acra no qual ocorreram tumultos durante a música "Zombie" que levaram Fela a ser proibido de entrar em Gana. O segundo foi no Berlin Jazz Festival após o qual a maioria dos músicos de Fela o abandonou, devido a rumores de que Fela estava planejando utilizar a totalidade dos lucros para financiar sua campanha presidencial.

Apesar dos maciços retrocessos, Fela estava determinado a voltar. Ele formou seu próprio partido político, que chamou de Movimento do Povo . Em 1979 ele se candidatou a presidente nas primeiras eleições da Nigéria após mais de uma década mas sua candidatura foi recusada. À essa época, Fela criou uma nova banda chamada "Egypt 80" e continuou a gravar álbuns e viajar pelo país. Ele ainda enfureceu as autoridades políticas colocando os nomes do vice-presidente da ITT Moshood Abiola e do então General Olusegun Obasanjo ao final de um discurso político de 25 minutos sucesso de vendas intitulado "International Thief Thief".

Em 1984 ele foi novamente atacado pelo governo militar, que o prendeu sob uma dúbia acusação de lavagem de dinheiro. Seu caso foi acompanhado por vários grupos de direitos humanos e, após vinte meses, ele foi libertado pelo General Ibrahim Babangida. Ao ser liberto ele divorciou-se de suas doze esposas restantes, dizendo "Casamento traz ciúmes e egoísmo". Mais uma vez, Fela continuou a lançar álbuns com a Egypt 80, fez algumas turnês de sucesso no Estados Unidos e na Europa e também continuou politicamente ativo. Em 1986 Fela se apresentou no Giants Stadium em Nova Jérsei como parte do show "Conspiração da Esperança" da Anistia Internacional, junto com Bono, Carlos Santana e The Neville Brothers. Em 1989 Fela & Egypt 80 lançou o álbum antiapartheid "Beasts of No Nation" que exibe em sua capa o Presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e o primeiro-ministro da África do Sul P.W. Botha com caninos pingando sangue.

Sua produção de álbuns reduziu na década de 90 e ele enfim parou de lançar mais álbuns. A luta contra a corrupção militar na Nigéria esstava causando estragos, principalmente durante a ascensão do ditador Sani Abacha. Também estavam se espalhando rumores de que ele estava sofrendo de uma doença da qual se recusava a tratar. Em 3 de Agosto de 1997 Olikoye Ransome-Kuti, um já proeminente ativista contra a AIDS e anterior Ministro da Saúde, surpreendeu a nação anunciando a morte de seu irmão mais novo um dia antes de Sarcoma de Kaposi causado por AIDS. (O irmão mais novo deles, Beki, estava preso no momento pelas mãos de Abacha por atividade política). Mais de um milhão de pessoas compareceram ao funeral de Fela no local do antigo recinto da Shrine. Uma nova Africa Shrine foi aberta depois da morte de Fela em uma diferente seção de Lagos sob a supervisão do seu filho Femi Kuti.

Música

O estilo musical de Fela Kuti é chamado Afrobeat, o que essencialmente é uma fusão de jazz, funk e cantos tradicionais africanos. Possui percussão de estilo africano, vocais e estrutura musical que passa por jazz e seções de metais funky. O "endless groove" também é usado, com um ritmo básico com baterias, muted guitar e baixo que são repetidos durante a música. Essa é uma técnica comum na África e em estilos musicais influenciados por ela, como o funk e o hip-hop. Alguns elementos presentes nas músicas de Fela são chamados de call-and-response (chamada e resposta) com o coro e alguns simples mas significativos rifes. A música de Fela quase sempre tem mais do que dez minutos, alguns atingindo a marca de vinte ou trinta minutos. Essa é uma das muitas razões que sua música nunca atingiu um grau de popularidade substancial fora da África. Sua música era mais tocada em línguas nigerianas, além de algumas músicas tocadas em ((Yoruba)). Os principais instrumentos de Fela, era o saxofone e o teclado, mas ele também tocava trompete, guitarra e ocasionalmente solos de bateria. Fela se recusava a tocar músicas novamente após já tê-la gravado, o que por sua vez retardos sua popularidade fora d África. Fela era conhecido por sua performance, e seus concertos eram tidos como bárbaros e selvagens. Ele referência sua atuação como um jogo espiritual underground.

Discografia


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Thelonious Monk



Thelonious Sphere Monk (Rocky Mount, 10 de outubro de 1917 — Weehawken, Nova Jérsei, 17 de fevereiro de 1982) foi um pianista e compositor de jazz estadunidense.

Considerado um dos mais importantes músicos do Jazz, Monk tinha um estilo único de improvisação e compôs vários temas que hoje são considerados standards, como "Epistrophy", "'Round Midnight", "Blue Monk", "Straight No Chaser" e "Well, You Needn't". Apesar de ser lembrado como um dos fundadores do bebop, seu estilo, com o passar do tempo, evoluiu para algo único, próprio: composições com harmonias dissonantes e guinadas melódicas combinadas a linhas de percussão desenvolvidas com abruptos ataques ao piano e uso de silêncios e hesitações.


Biografia

Infância e adolescência

Filho de Thelonious e Barbara Monk, Thelonious Sphere Monk nasceu no dia 10 de outubro de 1917, em Rocky Mount, Carolina do Norte, EUA. Sua irmã, Marian, nasceu dois anos antes. Um irmão, Thomas, nasceu alguns anos depois. Em 1922, sua família se mudou para Manhattan, Nova Iorque. Monk começou a tocar piano aos nove anos de idade. Apesar de ter tido aulas formais e ter espiado as lições de piano de sua irmã, Thelonious Monk era, essencialmente, um auto didata. Monk frequentou a prestigiosa Stuyvesant High School, mas não chegou a se formar. Fez apresentações de cunho religioso, com o órgão de uma igreja e, no fim de sua adolescência, começou a trabalhar com jazz.

Início da carreira musical

Acredita-se que Monk trabalhou em gravações de Jerry Newman feitas em 1941 a partir de apresentações no Minton's Playhouse, lendário club de Manhattan onde ele trabalhava como pianista. O estilo de Monk era descrito como um "hard-swing" "viciado" em "frases" rápidas ao estilo de Art Tatum. Monk dizia ser influenciado por Duke Ellington, James P. Johnson, e outros pianistas à frente de seu tempo. Sua técnica desenvolveu-se muito no Minton's, quando participava de competições que reuniam os grandes solistas de jazz da época. A cena musical desenvolvida no Minton's foi essencial para a criação do bebop e aproximou Monk de outros grandes nomes desse estilo, como Dizzy Gillespie, Charlie Christian, Kenny Clarke, Charlie Parker e, mais tarde, Miles Davis.

Primeiras gravações

Em 1944, fez sua primeira gravação de estúdio com o quarteto de Coleman Hawkins. Hawkins foi um dos primeiros músicos a confiar no talento de Monk, tendo Monk retribuído o "favor" anos depois ao convidar Hawkins para uma sessão em 1957 com John Coltrane. Suas primeiras gravações como bandleader saíram pela Blue Note em 1947 (mais tarde, essas gravações sairiam na antologia Genius of Modern Music, Vol. 1) e mostrariam sua capacidade de improvisação e composição de melodias. Nesse mesmo ano, Monk se casou com Nellie Smith e, dois anos depois, nasceu quem mais tarde tornar-se-ia conhecido como o baterista de jazz [[[T. S. Monk]].

Em agosto de 1951, a Polícia de Nova Iorque revistou um carro estacionado onde estavam Monk e seu amigo Bud Powell. Os policiais encontraram no carro narcóticos diversos pertencentes a Powell. Monk recusou-se a testemunhar contra seu amigo, o que levou a Polícia a confiscar seu New York City Cabaret Card, documento então necessário para trabalhar em casas noturnas, bares e cafés. Sem sua importantíssima licença, Monk estava impedido de trabalhar, o que abalou sua capacidade performática por alguns anos. Monk passou a maior parte dos anos 50 compondo, gravando e apresentando-se em teatros e sessões de jazz fora da cidade.

Após um período de sessões irregulares pela Blue Note entre 1947 e 1952, Monk assina contrato com a Prestige Records para os próximos dois anos. Pela Prestige lança trabalhos sem reconhecimento, mas muito importantes, incluindo sessões com o saxofonista Sonny Rollins e o baterista Art Blakey. Em 1953, nasce sua filha, Barbara Monk. Em 1954, Monk participou das sesões Christmas Eve, das retiraram-se os álbuns Bags' Groove e Miles Davis and the Modern Jazz Giants, ambos de Miles Davis. Davis achava que o estilo idiossincrático de acompanhamento de Monk dificultava improvisos e lhe pediu para sair do trabalho. Isto quase os levou às vias de fato. Em sua autobiografia, entretanto, Davis diz que a raiva e atensão entre ele e Monk nunca foram coisas sérias e não passam de "boatos" e "maus-entendidos".

Ainda em 1954, Monk fez sua primeira viagem à Europa, apresentando-se e gravando em Paris. Em Paris, conheceu a baronesa Pannonica de Koenigswarter, membro da tradicional família inglesa de Rothschild e patrocinadora de vários jazzistas nova-iorquinos. Ela seria uma amiga muito próxima pelo resto da vida de Monk.

Contrato com a Riverside Records

Durante o período da assinatura do contrato com a Riverside, Monk era bem-visto pela crítica e por outros músicos, mas suas vendas não eram boas e sua música era considerada "difícil" para o público-massa. De fato, a Riverside comprou, com aprovação de Monk, seu contrato Prestige por meros US$ 108,24. A virada veio de um compromisso firmado entre Monk e a empresa, no qual ficou acertado que seriam gravados dois álbums de standards do jazz (ainda assim, com a interpretação de Monk).

Monk e as obras de Ellington

Sua estréia pela Riverside foi uma "temida" gravação com o inovador baixista Oscar Pettiford e construída em volta de versões de Monk para músicas de Duke Ellington. O LP resultante, Thelonious Monk Plays Duke Ellington, foi preparado para levar Monk a um público maior e, assim, pavimentar o caminho para a aceitação de seu estilo único. De acordo com o produtor Orrin Keepnews, Monk não se sentia confortável com as melodias de Ellington e gastou muito tempo lendo a partitura e tocando as melodias em diferentes escalas no piano, parecia que não conhecia a música de Ellington. Dada a grande história de Monk como instrumentista, imaginou-se então que a aparente ignorância do material era, na verdade, seu típico humor perverso combinado a uma não-declarada relutância em provar sua competência tocando músicas de outros compositores (ainda aí, alguns duvidavam da competência técnica de Monk, dizendo que ele "não consegia tocar").

Liberdade musical e auge de carreira

Finalmente, no álbum de 1956 Brilliant Corners, Monk foi autorizado a fazer sua música em sua totalidade. A complexa música-título (que trazia o lendário saxofonista tenor Sonny Rollins) foi tão difícil de executar que a versão final foi feita à partir de três takes diferentes. O álbum, entretanto, é lembrado como o primeiro sucesso de Monk e também sua obra-prima.

Depois de recuperar seu Cabaret Card, Monk relançou sua carreira em Nova Iorque marcando presença durante seis meses no Five Spot Café, em Nova Iorque. Essas apresentações históricas começaram em junho de 1957, com Monk liderando um quarteto formado por John Coltrane no sax tenor, Wilbur Ware no baixo e Shadow Wilson na bateria. Infelizmente, quase nada da música deste grupo foi documentada, aparentemente por razões burocráticas (Coltrane tinha contrato com a Prestige Records). Uma sessão de estúdio foi feita pela Riverside, mas sendo lançada somente depois pela Jazzland; uma fita amadora de uma apresentação foi descoberta nos anos 90 e lançada pela Blue Note. Em 29 de novembro daquele ano, o quarteto apresentou-se no Carnegie Hall e o show foi gravado em hi-fi pela Voz da América. A fita do concerto, dada como perdida, foi redescoberta na coleção da Biblioteca do Congresso em janeiro de 2005. Em 1958, Johnny Griffin tomou o lugar de Coltrane como saxofonista tenor na banda de Monk.

Fama, queda e morte

Monk agora assinava com a Columbia Records, uma major, e teve uma grande presença na mídia, muito maior que antes. Monk, agora um jazz-star, tinha um grupo fixo, que era formado pelo saxofonista tenor Charlie Rouse, Larry Gales (baixo) e Ben Riley (bateria). Gravou um alguns de álbum muito bem-recebidos, em particular, Monk's Dream (1962) e Underground (1968). No fim de 1963, Monk apresentou-se no Lincoln Center. Fazia turnês pelo Japão e pela Europa. Seu sucesso era tamanho que. em 28 de fevereiro de 1964, Monk apareceu na capa da revista Time[1]. Seu período na Columbia depois disso seria marcado pela baixa produção. Somente seu último trabalho pela Columbia, Underground, continha um bom número de novas peças. Lançou pela Columbia Records vários discos ao vivo, todos eles somente com músicas antigas, nenhuma inédita. A Columbia, tendo em vista a baixa produão de Monk, não renovou seu contrato. Seu quarteto desfez-se e Monk desapareceu no meio dos anos '70, fazendo poquíssimas apresentações em sua última década de vida. Sua última gravação de estúdio foi feita perto do fim de sua turnê com "The Giants of Jazz", que incluia Dizzy Gillespie, Sonny Stitt, Art Blakey, Kai Winding e Al McKibbon.

Com sinais de depressão e péssimo estado de saúde, Monk, então, passou seus últimos seis anos de vida na casa de sua velha patrocinadora, a Baronesa Nica de Koenigswarter, que cuidara também de Charlie Parker durante sua última doença. Monk não tocou piano nesse período, apesar de haver um em seu quarto, e falou com pouquíssimas pessoas. Monk sofreu um AVC e morreu em 17 de fevereiro de 1982. Seu corpo foi enterrado no Ferncliff Cemetery, Hartsdale, Nova Iorque. Desde sua morte, sua música vem sendo descoberta por um público maior e é sempre posto ao lado de grandes nomes do jazz, como Miles Davis, John Coltrane e Bill Evans.

Thelonious Monk, o excêntrico

Monk sempre é descrito como um homem excêntrico, peculiar. Era conhecido pelo seu característico estilo hipster (na verdade, ele Dizzy Gillespie são imagens emblemáticas da cultura hipster dos anos '40 e '50) e por ter desenvolvido um estilo único, muito sincopado e percusivo para tocar piano. O baixista Al McKibbon, que conheceu Monk vinte anos antes de sua morte e tocou em sua última turnê, de 1971, disse: "Naquela turnê, Monk disse duas palavras. Digo, literalmente duas palavras. Não dizia 'bom dia', 'boa noite' ou 'que horas são?'. Nada. O porquê eu não sei. Depois da turnê, ele disse qua razão pela qual ele não se comunicava ou tocava era porque Art Blakey éramos muito feios."[2]

Outro lado de Monk, porém, é revelado na biografia de autoria de Lewis Porter John Coltrane: His Life and Music; Coltrane diz: "Monk é o exato oposto de Miles [Davis]: fala de música o tempo inteiro e deseja tanto que você entenda isto que, se você lhe perguntar algo, ele gastará horas e horas para lhe explicar"[3]. O documentário Thelonious Monk: Straight, No Chaser (1989), produzido por Clint Eastwood e dirigido por Charlotte Zwerin, atribui seu estranho comportamento a doenças mentais. No filme, o filho de Monk, T. S. Monk, diz que, às vezes, seu pai não o reconhecia e afirma que Monk foi internado em várias ocasiões em função de uma doença mental nunca especificada que somente se agravou no fim dos anos '60. Não há notícias de diagnósticos oficiais, mas Monk várias vezes ficava muito animado por dias e, aos poucos, parava de falar e recolhia-se. Médicos recomendaram eletroconvulsoterapia, mas sua família não permitiu; antipsicóticos e sal de Lítio foram prescritos então[4][5]. Outros culpam o comportamento de Monk pelo uso inadvertido de drogas: Monk pode ter consumido LSD e peiote com Timothy Leary. Outros clínicos sustentam que Monk foi mal-diagnosticado e lhe foram dados medicamentos que causaram-lhe sérios danos cerebrais.[4]

Legado

Monk é um dos fundadores e principais músicos do bebop. Seu famoso estilo (o "Melodious Thunk, segundo sua esposa[6].), apesar de único, é referência no jazz da segunda metade do século XX. Uma vez perguntado sobre quem era sua maior influência, declarou: "Bem, eu próprio, naturalmente."

Seu estilo experimental antecipava muito do que, mais tarde, na década de 1960, foi o free jazz. Monk influenciou muitos músicos jazz dos anos 1960, como John Coltrane, Ornette Colema, Sonny Rollins e Eric Dolphy. Apesar de ele próprio ser referência, Monk opôs-se ao avant-garde jazz, chamando-o de incoerente e ilógico, simplesmente "um monte de notas". Monk compôs ao longo de sua vida apenas 71 temas (Duke Ellington, por exemplo, compôs de cerca de 2000). Ainda assim, é considerado um dos poucos grandes compositores do jazz. Muitas de suas obras são referências pela sua brilhante, única e, muitas vezes, bizarra forma de linguagem em relação ao jazz clássico (o chamado "padrão").

Em 1993 foi agraciado, postumamente, com o Grammy Lifetime Achievement Award.[7] Em 2006, Monk foi laureado com o Pulitzer Prize Special Citation.[8]

Discografia

Blue Note (1948-1952)

  • Genius of Modern Music: Volume 1 (gravações de 1947)
  • Milt Jackson: Wizard of the Vibes (gravações de 1948)
  • Genius of Modern Music: Volume 2 (gravações de 1951 e 1952)

Prestige (1952-1954)

  • Thelonious Monk Trio (1952)
  • Monk (gravado entre 1953 e 1954, lançado em 1956)
  • Thelonious Monk and Sonny Rollins (gravado entre 1953 e 1954, lançado em 1957)

Riverside (1955-1961)

  • Thelonious Monk plays the Music of Duke Ellington (1955)
  • The Unique Thelonious Monk (1955)
  • Brilliant Corners (1957, com Sonny Rollins e Clark Terry) - Parte do Grammy Hall of Fame desde 1999.[9]
  • Thelonious Himself (1957)
  • Thelonious Monk with John Coltrane (gravado em 1957, lançado em 1961) - Parte do Grammy Hall of Fame desde 2007.[10]
  • Art Blakey's Jazz Messengers with Thelonious Monk (excepcionalmente pela Atlantic Records, 1957)
  • Monk's Music (1957)
  • Mulligan Meets Monk (1957, com Gerry Mulligan)
  • Thelonious Monk Quartet with John Coltrane at Carnegie Hall]] (1957, lançado pela Blue Note em 2005)
  • The Complete 1957 Riverside Recordings (com John Coltrane, coletânea de 2006 com gravações de 1957)
  • Thelonious in Action and Misterioso (1958, ao vivo no Five Spot com Johnny Griffin)
  • Thelonious Monk Quartet Live at the Five Spot: Discovery! (com John Coltrane, gravado em 1958, lançado pela Blue Note em 1990)
  • The Thelonious Monk Orchestra at Town Hall (1959, marcando a entrada de Charlie Rouse no grupo)
  • 5 by Monk by 5 (1959)
  • Thelonious Alone in San Francisco (1959)
  • Thelonious Monk And The Jazz Giants (1959)
  • Thelonious Monk at the Blackhawk (1960, com Charlie Rouse)
  • Monk in France (1961)
  • Thelonious Monk in Italy (recorded 1961)

Columbia (1962-1968)

  • Monk's Dream (1962)
  • Criss Cross (1962)
  • Monk in Tokyo (1963)
  • Miles & Monk at Newport (1963, com participação não-creditada de Miles Davis)
  • Big Band and Quartet in Concert (1963)
  • It's Monk's Time (1964)
  • Monk (Columbia album) (1964)
  • Solo Monk (1964)
  • Live at the It Club (1964)
  • Live at the Jazz Workshop (1964)
  • Straight, No Chaser (1966)
  • Underground (1967)
  • Monk's Blues (1968)
  • Monk Alone (coletânea lançada em 1998 com todas a gravações pela Columbia, 1962-1968)

Por outras gravadoras

  • April in Paris (1981 LP duplo com gravações feitas em Paris, 1961)
  • Monk's Classic Recordings (1983)
  • Blues Five Spot (1984, gravações diversas 1958-61, com vários saxofonistas e Thad Jones na corneta)
  • The London Collection (1988, em três volumes)
  • Live at Monterey Jazz Festival '63 (gravado em 1963, lançado em 2 volumes em 1996 e 1997)

Ver Também

Referências

  1. Gabbard, Krin. "The Loneliest Monk". Time. 1964-02-28. (página da notícia visitada em 2009-01-10)
  2. Voce, Steve. "Obituary: Al McKibbon". The Independent. Findarticles.com. 2005-08-01. (página da notícia visitada em 2007-11-12)
  3. Porter, Lewis. John Coltrane: His Life and Music. pp. 109.
  4. 4,0 4,1 Gabbard, Krin (Autumn, 1999). "Evidence: Monk as Documentary Subject". Black Music Research Journal 19 (2): 207–225. Center for Black Music Research - Columbia College Chicago. DOI:10.2307/779343.
  5. Spence, Sean A (1998-10-24). "Thelonious Monk: His Life and Music". British Medical Journal 317 (7166): 1162A. BMJ Publishing Group. DOI:10.2307/779343. PMID 9784478.
  6. Gourse, Leslie. Straight, No Chaser: The Life And Genius Of Thelonious Monk. pp. 340.
  7. GRAMMY.com - Lifetime Achievement Award. Past Recipient. National Academy of Recording Arts and Sciences. Página visitada em 2007-11-12.
  8. The Pulitzer Prizes. 2006 Special Award. Columbia University. Página visitada em 2007-11-12. "A posthumous Special Citation to American composer Thelonious Monk for a body of distinguished and innovative musical composition that has had a significant and enduring impact on the evolution of jazz."
  9. GRAMMY.com. Página visitada em 2009-01-13.
  10. GRAMMY.com. Página visitada em 2009-01-10.

Ligações Externas