quinta-feira, 24 de setembro de 2009

natural mystic live

grupo folias no sacolão das artes, neste sábado



moviola na casa de francisca na quinta


Quinta tem show do MOVIOLA na Casa de Francisca.
A dupla Cuca & Kiko experimentou fazer o cartaz (abaixo) com novos modelos (segundo a dupla, um pouco mais bonitos que ela), Rodrigo e o Silveirinha que trabalham na casa. A idéia é que desse jeito o público resolva aparecer.




sônia santos e grande otelo


Quem é?
Autoria: Custódio Mesquita - Joraci Camargo

Quem é que muda os botõezinhos da camisa
quem é que diz um adeusinho no portão
e de manhã não faz barulho quando pisa
e quando pedes qualquer coisa não diz não.

Quem é que sempre dá um laço na gravata,
quem é que arruma teus papéis na escrivaninha
quem é que faz o teu bifinho com batatas
e esfrega tanto as lindas mãos lá na cozinha.

E no entretanto é só você que não me liga
e ainda descobre sempre em mim cada defeito
pois é talvez porque eu sou muito sua amiga
e nunca estás por isso mesmo satisfeito.

Quem é que reza por você lá no oratório
quem é que espera por você sempre chorando
quem é que sabe que não paras no escritório
e acredita que estivestes trabalhando.

Quem é que trata dos botões da tua roupa
quem é que mais economiza luz e gás
quem é que sopra no jantar a tua sopa
quem é que diz no telefone que não estás.

E no entretanto você pensa em me deixar
leva dizendo que eu sou qual não sei o que
e no entretanto você vai me abandonar
mas é porque eu sou louquinha por você.

Quem é que paga a costureira o ano inteiro
quem é que aluga um automóvel todo mês
quem é que paga seu chatô, sua empregada
quem é que gasta os cobres todos de uma vez.

Quem é que vive esbodegado, amofinado
e que trabalha noite e dia sem parar
quem é que só para o seu luxo extravagante
anda sem ter um niquelzinho prá gastar.

E no entretanto é só você que não me liga
todas as outras tão querendo o meu amor
se eu fosse um pouco mais pão duro menos trouxa
você me dava com certeza mais valor.

Quem é que finge que não vê o seu namoro
quem é que dorme se você quer passear
quem é que espera por você sempre sorrindo
e cochilando fica às vezes sem jantar.

E no entretanto aturo tudo tão quietinho
fico calado sem dizer nada a ninguém
você precisa dar valor ao meu carinho
precisa ver que finalmente eu sou alguém

E no entretanto você pensa em me deixar
leva dizendo que eu sou qual não sei o que
e no entretanto você vai me abandonar
mas é porque eu sou louquinha por você.

Ai, como ela é boa ...

elizeth cardoso e elza soares, simplesmente divino!




Não Me Diga Adeus
Composição: L. Soberano/ Paquito

Não, não me diga adeus
Pense nos sofrimentos meus

Se alguém lhe dá conselhos
Pra você me abandonar
Não devemos nos separar

Não vá me deixar, por favor
Que a saudade é cruel
Quando existe amor

Não, não me diga adeus
Pense nos sofrimentos meus

elza canta lupicínio... fantástico!



Cadeira Vazia

Composição: Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua

Já que cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, estou contente
Mas me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração
Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar, podes comer meu pão.


Nervos de Aço
Composição: Lupicínio Rodrigues

Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Ao lado de um tipo qualquer
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser
Há pessoas de nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhes venha qualquer reação
Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, é despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

sabotage - um bom lugar



Um Bom Lugar
Composição: Sabotage

Sou Sabotage, um bom lugar
Se constrói com humildade é bom lembrar
Aqui é o mano sabotage
Vou seguir sem pilantragem, vou honrar, provar.
No Brooklin to sempre ali
Pois vou seguir, com Deus enfim.

Não sei qual que é, se me vê dão ré
Trinta cara a pé do piolho vem descendo lá na onde ferve
Diz que black enlouquece breck
Só de arma pesada, inferno em massa
Vem violentando a minha quebrada basta
Eu registrei vim cobrar sangue bom
Boa idéia quem tem, não vai tirar a ninguém
Meditei, mandando um som com os irmãos da Fundão
Volta ao Canão se os homens vim
Disfarça o grandão
Rap é o som
E mora lá no morro, só louco
A união não tem fim
Vai moscar, se envolve Jão
Já viu seus pivetes, dizer que rap
Quer curtir ouvir te fortalece
Nunca esquece, quem conclui é o mestre, basta
Que longe vou, bem como tolo poupo, pra conseguir forte dor
Tem que depor e não voltar sujou,
Bem vindo ao inferno, aqui é raro, eu falo sério
Pecados anti-cristos e mortal patifaria ai meu
Vai batalhar tenta a sorte, seje forte
Só o destino aqui resolve
Qual é cabulinho só saudades
Fez da vida por aqui de mente erguida
Sem mentira com malicia me passou lição de vida


Um bom lugar
Se constrói com humildade é bom lembrar
Aqui é o mano sabotage
Vou seguir sem pilantragem, vou honrar, provar.

No Brooklin to sempre ali
Pois vou seguir, com Deus enfim.
três cara simples
Gostavam mais de ouvir e aprender
Até que, fatalidades com certeza e é o seguinte
Sempre assim, maquiavelick, maldade se percebe aqui
Cuidado é falsidade estopim
Dois mil graus
É ser sobrevivente
E nunca ser fã de canalha
A luta nunca vale experiente
É Santo Amaro a Pirituba o pobre sofre, mas vive
A chave é ter sempre resposta
Àquele que infringe a lei na blitz
Pobre tratado como um cafajeste
Nem sempre, polícia aqui respeita alguém
Em casa invade, a soco ou fala baixo ou você sabe
Maldade, uma mentira deles dez verdades
Momentos oculares é respeito
Estilo um cofre
Só leva os fortes
Filhos do vento um super homem
Pra cada vez tem um largado atrás do poste
Onde fama é capaz de denunciar um irmão pros homem
Fuja se jogue, o vaps não se envolve
Anda só, na sul respeito é lei ta bem melhor
Tipo madeira, estilingue
Exige uma forquilha
Rap é militia, um integrante da família
Com uma idéia fixa
Que atinge a maioria, que ainda acredita
No plano B, periferia
Hoje quem pratica
Ta ligado que é o que liga
Por que vira, vira,vira

Se liga na fita danados otários estão maquinados no morro pelo que falaram podem atirar, depois prestarem também um socorro, abre o olho o cara piolho é sempre um mano dos nossos o inimigo tem Astra, barca, Blazer e também tem moto é zona sul canão meu bairro pilotei não deixei rastro, comentário forjaram dois Ipanemas no bafo, mas no bairro eu pego meu fino na fé vinha vindo na fé vou seguir deus que me livre na mira dos tiras my nigga não fico não brinco nem mosco medo, só vejo destroço do pobre que acorda com ódio longe do céu não pode ser réu
quem vem das ruas, não joga fácil se o trinity nasceu aqui viveu no brooklin quero ver mais eu quero todos ver os manos sim

É mas se for pra trocar idéia com os mano até é melhor pra mim ousasca considerado aceita um jasc em santo Antônio ali se colar ali Anderson franja na linha de frente foi bom fumar um do bom do atlético casa cheia bate cabeça faz presença e diferença e representa o que é feliz vários mano tudo de fé irmão do xis é o que diz que os mano pou e as mina pá vamu agitar vagabundo do segundo do ar vem pá trincar só o pó rolou também um dance tipo preto louco assim queda uma de horror me dá um cigarro por favor mas que calor o suor desce a gente esquece o que sucede os truta tudo da hora naum demora dão uma mola e curte o rap compromete vários manos que dançando break roda no meio da gente entende é atraente isso é lição pra mim como inspiração importante sim naum é qualquer que segue em frente e dança um bom break RZO é nossa sigla representa tudo que eu vejo o grafite na parede já defende algum direito daquele jeito assim que é tem que por fé naum de ré bota fé no que é naum nos mané eu vejo a correria todo dia quem acredita naum é de hoje na são bento eu me lembro eu assistia naum resistia voltava rimando no busão igual computador tututututu


Um bom lugar
Se constrói com humildade é bom lembrar
Aqui é o mano sabotage
Vou seguir sem pilantragem, vou honrar, provar.

No Broocklin to sempre ali
Pois vou seguir, com deus enfim.
Sobreviver no inferno
A obsessão é alternativa
Eu quero o lado certo
Brooklin, Sul, paz eu quero, prospero
Eu vejo um fim pro abandono
Deixa rolando, ninguém aqui nasceu com dono
Então mas por enquanto, eu vejo muita mãe chorando
Alguns parando, trampando ou se recuperando
Do eterno sono
Tipo Rafinha e o Adriano
Milagre em dobro
O livramento vem pros manos
Tem que ter fé aqui sim, tem que insistir
Humilde, só assim para progredir enfim
Quero juntar assim com os manos
E protestar o preconceito daquele jeito
Eu sei que vou traçar os planos
Cantar pras minas e os manos
Eu não me escondo
Eu me emociono
Me levantando como deve ser
Lá vem polícia
Sai da pista, hasta la vista baby
Andar de monte a chave a cara é ter Deus em mente
Longe daquela e dois pente
Há quem não precise
Entende, Sonic, Ciclone
Ágil, Ulisses e resistente
brooklin, Sul, Canão
sobrevivente
age, age, age
Sou sabotage

Um bom lugar
Lugar, lugar, lugar, lugar
Um bom lugar, ha, ha
Ha, ha,
Um bom lugar, lugar
Ha, ha, ha

bezerra da silva critica a elite brasileira. arquivo showlivre.com

originais do samba - arquivo - trama/radiola 20/04/09

lama, de douglas germano, por adriana moreira

violência sexual: quando gritar não é suficiente

De crime contra os costumes, o estupro passou a crime contra a dignidade sexual

Mônica Manir e Bruna Rodrigues, O Estado de S. Paulo
Sábado, 29 de agosto de 2009, 15:00 | Online

SÃO PAULO - "Será justo, então, o réu Fernando Cortez, primário, trabalhador, sofrer pena enorme e ter a vida estragada por causa de um fato sem consequências, oriundo de uma falsa virgem? Afinal de contas, esta vítima, amorosa com outros rapazes, vai continuar a sê-lo. Com Cortez, assediou-o até se entregar. E o que em retribuição lhe fez Cortez? Uma cortesia..."

A gentileza de Fernando Cortez indignou a jurista Silvia Pimentel. Tanto que, ao lado das pesquisadoras Valéria Pandjiarjian e Ana Lúcia Schritzmeyer, ela decidiu escanear outras cortesias do gênero pelas cinco regiões do Brasil. Diante de 50 decisões de tribunais de Justiça, as três compilaram tudo em livro e confirmaram o seguinte: o crime de estupro era o único do mundo em que a vítima é acusada e considerada culpada da violência praticada contra ela.


Isso foi em 1997. Silvia diz hoje ter vontade de fazer outra pesquisa, mas é bem possível que a essência do problema dispense atualização. Por sua experiência como vice-presidente do Cedaw, Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, organismo da ONU, o estupro continua entre o crime e a cortesia pelos hemisférios afora. Aqui, a lei nº 12.015, do último 7 de agosto, tenta apertar o cinto em torno da violência sexual, acomodando o atentado violento ao pudor sob a premissa do estupro no Código Penal. De crimes autônomos, tornaram-se um só. É por causa dessa mudança que o médico Roger Abdelmassih foi acusado de 56 estupros contra pacientes, e não de 53 atentados ao pudor e 3 estupros.


Uma das criadoras do Conselho Estadual da Condição Feminina, do Estado de São Paulo, fundadora do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem), professora de filosofia do direito da PUC-SP, Silvia se diz uma aprendiz contumaz. A lição mais recente veio da última reunião do Cedaw, em Nova York, da qual é recém-chegada. Ali confirmou que o estupro ainda é estratégia poderosíssima em conflitos armados: "O inimigo acaba com a autoestima da outra parte, as mulheres estupradas perdem a autoestima, seus maridos também, seus pais idem". No âmbito doméstico, ele continua abafado pelas conivências familiares. No meio jurídico, se não for por cortesia, por vezes vigora pelo padrão. "In dubio pro stereotypo", diz Silvia, em frase de sua autoria, que ela aos poucos destrincha na entrevista a seguir.



A lei 12.015 é uma conquista das mulheres na medida em que suprime o atentado violento ao pudor e o inclui no artigo que trata do estupro?

É uma conquista, em primeiro lugar, porque os crimes sexuais deixaram de ser crimes contra os costumes. Até este mês, estupro, atentado violento ao pudor, posse sexual mediante fraude e assédio estavam sob essa rubrica no Código Penal. A minha hipótese é a de que isso acontecia porque o estupro, em especial, é visto como um ato disfuncional da sociedade ofensivo aos seus bons costumes. Daí a veemência e repúdio ao delito em si, havendo o uso de expressões contundentes e desqualificadoras em relação ao estuprador. Contudo, ainda se expressa desrespeito também à parte ofendida, levantando dúvidas quanto às suas declarações e à sua própria moralidade.


O fato de unificar a expressão 'atentado violento ao pudor' com o estupro fará diferença quanto ao tratamento da vítima?

Acho que essa unificação responde de imediato a uma crítica quanto à linguagem. No ideário popular, a violência sexual máxima é o estupro. E ele designa mais do que a conjunção carnal com a penetração vaginal. Entendemos também como estupro a penetração anal, por exemplo. Ofende tanto quanto. Nos Estados Unidos, ambos são rape. Na Inglaterra, também.


Por que fazemos diferença aqui?

O direito brasileiro definia assim porque está ligado de uma maneira muito forte à ideologia patriarcal. A legislação penal que vigorou entre nós nos primeiros anos do Brasil foram as ordenações filipinas, e essas expressões todas derivam delas. A ideia de pudor, por exemplo, está intimamente ligada a recato, honestidade, virgindade, defloramento. Antes, cabia ao marido pedir a anulação do casamento caso sua mulher tivesse sido deflorada por outro homem. A questão da virgindade era o ponto alto. O estupro, visto apenas como penetração vaginal, é aquele que de fato compromete essa noção familiar porque a vítima pode perder a virgindade e ainda correr o risco de ficar grávida. Mas a nossa sociedade se transforma, e o direito existe para acompanhá-la. Hoje a palavra "estupro" designa mais do que designava. No artigo 213 da mesma lei, por exemplo, estupro significava "constranger a mulher". Agora é "constranger alguém", pode ser de ambos os sexos.


Nesse mesmo artigo, estende-se também como estupro 'praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso'. De que ato libidinoso se trata aqui?

Se você quer saber se eu acho essa linguagem boa, eu vou dizer que não. Não acho. Primeiro, precisamos ler duas ou três vezes para entender quem é esse "ele". Depois, "ato libidinoso" é muito amplo. No direito, muitas vezes existe indeterminação numa norma legal. Onde está a definição de ato libidinoso? Não está. Já deve existir uma definição por parte dos penalistas para isso, mas não é uma definição legal. Por não estar definida, paira certa vaguedad. Não gosto de traduzir para o português essa vagueza, é estranho demais. Os juristas argentinos, aliás, há muito tempo trabalham bem com esse conceito. De qualquer forma, a linguagem jurídica tem sempre de ser muito comunicativa.


Alguns homens já dizem que um beijo roubado pode torná-lo um criminoso...

Um beijo roubado não vai torná-lo criminoso da noite para o dia, isso não deve ser encarado como estupro. Agora, não podemos nos esquecer do assédio sexual. Nesse sentido, meu projeto vai mais no sentido educativo do que o atual, propondo políticas internas nas empresas para uma atenção maior para o tema. Acho mais rico que trabalhem a questão do que punam. A ideia que temos é de que assédio sexual não é crime, mas é. Para caracterizar assédio sexual ele precisa ser de um superior, e muitos chefes têm esse tipo de procedimento. Eles se valem da relação de poder que têm no ambiente para obter isto ou aquilo em troca de benesses. Não é nada fácil comprovar um assédio sexual. É mais fácil comprovar o estupro, que deixa evidências para o IML.


Antes da lei, podia-se somar as penas de estupro com a de atentado ao pudor. Ou seja, chegaríamos a 20 anos de reclusão máxima, e não a 10. A pena foi, de certa forma, atenuada. Seria uma falha da unificação?

Em termos de Direito Penal, não me preocupo tanto com a quantidade da pena, e sim com uma tipificação clara, com uma penalização razoável e uma punição efetiva. E não estou dizendo, com isso, que os colegas que criticaram esse ponto estejam juridicamente incorretos. Ocorre que, muitas vezes, quando se estabelecia a soma das penas de estupro e atentado violento ao pudor, a pena ficava tão imensa que descaracterizava até o crime.


A senhora mencionou, no início da entrevista, que se levantam dúvidas quanto às declarações da parte ofendida. Isso ainda acontece com frequência?

Existem pesquisas, como a minha, que mostram que a palavra da mulher, especialmente a da mulher adulta, não é levada a sério. Muitos ainda dizem que ela quis ser estuprada ou se insinuou além da conta. Com as crianças, há uma boa vontade por parte dos operadores do direito. Ainda assim, se a boa vontade fosse tão grande, não teríamos uma prostituição de menores do tamanho da que existe no nosso país. Essa prostituição significa estupro reiterado pelos homens que mantêm relações sexuais com menores.


Em relação aos demais poderes, o Judiciário ainda é o mais resistente a essas reivindicações de gênero?

O Judiciário tem sido tradicionalmente apontado como poder conservador. Ao mesmo tempo, é ele, principalmente por meio das suas instâncias primeiras, que está trazendo luz a uma série de temas polêmicos. Um exemplo é a união civil homoafetiva. Esse projeto de lei, apresentado por Marta Suplicy há tantos anos, não consegue ser aprovado no Legislativo. Ao mesmo tempo, em nove Estados brasileiros e no Distrito Federal, temos decisões judiciais reconhecendo a união, de fato, de um par homossexual como aspecto de relação familiar.


Vem também da desconfiança quanto ao Judiciário a dificuldade de denunciar?

Existe essa dificuldade em todas as regiões do mundo, dos países mais modernos aos menos desenvolvidos. A violência sexual é algo muito íntimo, muito privado. Não raro a mulher evita contar sobre essa violência até mesmo para o marido. Ela se envergonha. Por quê? Porque está no inconsciente que, quando o estupro acontece, a mulher deu causa. Vou dar um exemplo. Uma aluna minha foi estuprada na Praça da Sé por volta das 18h30 num dia da semana. No seguinte, ela foi à faculdade. Estava mal, com a cabeça encostada na parede. No final da aula, ela e uma colega vieram até mim. A colega disse que ela queria contar do estupro. A menina estava tão chocada que nem retirou a calça jeans para ir ao banheiro desde a noite anterior. Ainda assim, não quis denunciar o caso na delegacia da mulher nem contar para os pais. O máximo que consegui foi orientá-la na parte médica. Pois a menina tinha um namorado. Três meses depois o menino terminou o relacionamento. Ela disse que ele passou a olhá-la de forma diferente depois que soube do estupro. Ela estava se sentindo culpada de alguma maneira. Ou seja: gritou, mas não gritou o suficiente. Impediu, mas não como devia.


O estupro é um crime que envolve muita reincidência?

Li muito a respeito, e em diferentes perspectivas, mas existe pouco estudo e conhecimento a respeito da reincidência. Agora, é fato que essas relações sexuais se dão muitas vezes com pessoas das próprias relações, como amigos e parentes. Isso torna a situação ainda mais difícil porque implica estabilidade de um relacionamento social que transcende o relacionamento com aquele tio ou aquele pai. A família inteira se envolve. É altamente provável que as mães saibam quando os pais reiteradamente têm relações com suas filhas. Dizer que não sabiam? Você acredita nisso? Eu, desde que tenho filho, tenho sonho leve. A gente fica atenta. Até porque isso se dá na própria casa, que em geral não é do tamanho de um Palácio de Versailles. Para manter o status quo, há interesses os mais óbvios, como os econômicos e financeiros, até dependência emocional e psicológica. Conheço casos de mães que praticamente negociavam a filha de 2 anos com o marido/amante/namorado para não perder o parceiro.


A senhora acha que a mudança da lei pode provocar protestos em torno do estigma de ser chamado de estuprador? Quem praticava atentados violentos ao pudor não recebia essa denominação...

Eu acho que a notícia de que alguém teria praticado mais de 50 atos hoje categorizados como estupros determina uma decisão diferente. Pode-se, pelo menos, mudar essa naturalização da violência sexual. Ser chamado de estuprador é, sim, muito forte, tanto que, quando o acusado chega à prisão, ele recebe uma sanção dos próprios presidiários no sentido do que os presos entendem por estupro. Veja o disparate, o nonsense da situação. Esses mesmos homens que estupram um estuprador que vai para a cadeia talvez tenham tido relações nunca sabidas com as próprias filhas. Onde está a lógica? O pai que tem relações incestuosas entende que tem o direito de fazê-lo. As meninas seriam suas coisinhas. Por que os homens têm essa compreensão e, na cadeia, se julgam no dever ético de punir o estuprador? Acham que os outros estupradores estariam colocando em risco suas próprias filhas e mulher, que são propriedade deles. Se o outro estupra minha propriedade (filhas e mulher), ele está invadindo/usurpando a propriedade alheia.


Pode ser que o agressor ache que não estuprou.

Em 1996 estive no Peru, onde um jovem sociólogo havia entrevistado presos estupradores. Dali saiu um livro. Enfim, seus entrevistados eram presos condenados por estupro, todos na cadeia. O autor dizia que o mais chocante para ele foi olhar nos olhos desses homens e perceber que eles não tinham a mínima noção da ofensa que faziam. Diziam: "Mas eu nunca machuquei a minha filha". Alguns não machucam mesmo, isso se dá pela sedução. Freud veio mostrar que existe o complexo de Édipo e o complexo de Electra. Nossa condição humana, o instinto do seres humanos, nos leva à atração. Agora, somos seres humanos, não somos animais irracionais. Devemos articular as nossas ações, que são razão e não-razão. Daí a importância de vivermos numa sociedade que tenha claro, como valor social e jurídico, o não-incesto. Qual é a primeira ação tipificada como crime na sociedade? O incesto. As pessoas têm que se organizar internamente, saber que uma sociedade civilizada repudia não só o incesto, mas qualquer violência sexual contra as mulheres, sejam elas pequenininhas, adolescentes, mulheres maduras ou idosas.


São muitos os casos de violência sexual contra mulheres idosas?

Em dados numéricos, não. Mas existe sim. Algumas pesquisas mostram que o estuprador compulsivo violenta a primeira mulher que aparece. Claro que as bonitas estão mais vulneráveis, e as crianças mais ainda, isso em todas as sociedades. Na ONU, venho falando muito nesse tema e vejo que minhas palavras causam mal-estar porque as pessoas não querem dar nome às coisas. A primeira coisa que devemos fazer quando descobrimos um problema é nomeá-lo.


A violência sexual permeia todas as camadas sociais?

Várias colegas minhas da área de psicologia e alguns de pesquisas dizem que é provável que os dados mostrando alta incidência de estupro nas camadas menos favorecidas têm relação com a menor intimidade delas. Nas camadas sociais mais altas, as questões vão para os divãs dos psicólogos e psiquiatras. Muitas mulheres de classe média alta podem não ter contado o que viveram aos maridos, mas certamente o fizeram aos seus terapeutas. O importante é lembrar que a divisão entre o mundo privado e o público sempre existiu, mas essa divisão foi questionada em termos históricos pelas mulheres feministas. Elas perceberam que o historicamente privado não pode continuar a sê-lo porque as maiores violências que acontecem contra as mulheres se dão dentro de casa. E em todas as camadas sociais.


Uma maior educação pode diminuir a incidência desse crime?

Não existe nenhuma pesquisa sobre isso. Na minha percepção, a educação precisa ter um papel nisso tudo, que é o de contribuir para o domínio sobre os próprios instintos.


Há dados a respeito de violência sexual praticada por médicos?

Eu desconheço. Talvez procurando no Conselho Federal de Medicina... O que posso dizer é que nunca vi ninguém fazer intervenção cirúrgica sem ter um assistente. Mas muitas pessoas não querem perder o emprego. Ao mesmo tempo, a mulher dizer que um médico tentou uma violência sexual contra ela é muito difícil. O parceiro sempre pode ter dúvida. Não é que o cara seja louco, mas isso está consoante com a maneira de se interpretar o fenômeno que mencionamos anteriormente. Além de se sentir culpada por causa do marido, ela se percebe muito coitada, fica fragilizada, machucada no âmago.


O estupro é a forma mais intensa de submissão?

Sim, é a forma mais intensa de submissão, uma arma muito usada na guerra, inclusive. O inimigo acaba com a autoestima da outra parte. As mulheres estupradas perdem a autoestima, seus maridos também, seus pais idem. Veja você o caso congolês. Há um filme chamado Rape in Congo, que foi passado para nós na última reunião da ONU. É uma grita geral porque os homens estão sendo estuprados. É óbvio que estou de acordo com que a gente grite por eles, mas por que não gritam igualmente pelas mulheres estupradas? Lembra-se das comfort women, famosas na 2ª Guerra Mundial? Justificou o ódio de uma grande região da Ásia em relação aos japoneses, que tomavam as meninas dos povos conquistados e as levavam aos locais onde estavam os guerreiros para que servissem de prostitutas. Têm sido feitos livros e pesquisas para que essas mulheres contem suas histórias.


Além do Congo, que outro caso recente de violência sexual foi ouvido pela ONU?

Foi um caso que envolve liberianos num campo de refugiados no Arizona (EUA). Uma menina liberiana de 9 anos foi estuprada por liberianos. Quando a família soube do fato, pôs a menina pra fora de casa. A Libéria tem uma presidente mulher. Ela se manifestou publicamente fazendo o seguinte: passou uma mensagem à família da menina dizendo que ela não poderia ter feito isso, mas passou outra ao governo do Estado americano no sentido de que deem a esses rapazes estupradores a possibilidade de se reinserirem culturalmente na sociedade. Como recebemos a Libéria exatamente agora, levantei o tema. Foi lembrado pela delegação deles que deveríamos considerar que o país ficou 14 anos em guerra civil e que ambas as facções ou grupos que brigavam entre si, partidos políticos que sejam, estupravam as mulheres da outra facção. O que estou verificando pouco a pouco é que o estupro em conflitos armados é um dos problemas mais universais e um dos que mais precisam ser trabalhados.


E como o Comitê Cedaw lida com esses casos?

Bom, nós lidamos diretamente com todos os países que ratificaram a Comissão da Mulher. Eles são obrigados a nos entregar relatórios de cumprimento dos 16 artigos de substância sobre os direitos femininos, dizendo o que fizeram e o que deixaram de fazer e apontando os obstáculos. Nós analisamos esses relatórios e encaminhamos perguntas a eles. Depois chamamos os representantes desses países e mantemos um dia inteiro de diálogo construtivo. Nesse trabalho na ONU, aprendi muito escutando grupos de ONGs que trouxeram mulheres violentadas. Vi que o curative rape ainda vigora em algumas regiões do mundo, em diferentes versões. Numa delas, meninas que chegam à puberdade e ainda não definiram sua sexualidade são violentadas para que optem pela heterossexualidade. Já em alguns grupos étnicos do Laos, as meninas são disponibilizadas para o estupro coletivo e até agradecem por isso. Se não forem estupradas, não viverão além de 35 anos. Acho que nenhuma sobrou para contar história diferente. Já na região da Mauritânia as meninas, quando fazem 9 anos, são amarradas a uma cadeira durante o dia. Em volta são colocados 18 litros de leite, uma quantidade enorme de cereais, isto e aquilo, para que engordem até 120, 130 quilos. Quando atingem esse peso, estariam no ponto para serem dadas aos seus esposos. Qual é a crença? Quanto maior forem, maior será o tamanho do lugar que ocuparão no coração do marido. O que cada vez mais aprendo dessas situações horrorosas a que as mulheres são submetidas é que há sempre uma justificativa comum: a sublimação é boa para a sociedade.




segunda-feira, 21 de setembro de 2009

mãe hilda morre aos 86 anos com problemas cardíacos

Origem: Redação do Jornal da Mídia - Sábado, 19/09/2009 - 11:51

Salvador - A mãe de santo Hilda, 86 anos, morreu na manhã deste sábado (19) no Hospital Unimed, em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador, onde estava internada desde o dia 8 de setembro com problemas cardíacos. Mãe Hilda comandou durante mais de 50 anos o terreiro de candomblé Ilê Axê Jitolu, no bairro da Liberdade. O horário e local do sepultamento ainda não foi divulgado pela família.

Hilda Dias dos Santos, a mãe Hilda Jitolu, nasceu em Cosme de Farias, no bairro de Brotas. Aos treze anos, mudou-se para o Curuzu (bairro da Liberdade), onde cresceu, casou-se com Waldemar Benvindo dos Santos e teve seis filhos: Antônio Carlos, Dete Lima, Vivaldo Benvindo, Hildemária Georgina, Hildelice Benta e Hildelita.

No carnaval de 2004, o bloco Ilê Aiyê homenageou mãe Hilda, com o tema “Mãe Hilda Jitolu: guardiã da fé e da tradição africana”, em comemoração aos 30 anos do Ilê.

mãe hilda

Origem: http://detelima.com.br/

Mãe hilda


Hilda Dias dos Santos
nasceu no dia 06 de janeiro de 1923, na cidade de Salvador. Casou-se com Valdemar Benvindo dos Santos, no dia 06 de setembro de 1950, tendo 5 filhos.

O primeiro deles, Antônio Carlos dos Santos Vovô, Presidente fundador do Bloco Ilê Aiyê - o primeiro Bloco Afro do Brasil - é também Ogan de Obaluaiye da Casa: o Ilê Axé Jitolu.

A segunda filha Hildete Santos Lima - fundadora e Secretária do Ilê Aiyê - é também Ekédi de Oxum da Casa.

O terceiro filho Vivaldo Benvindo dos Santos - fundador e Diretor do Ilê Aiyê - é também Ogan da Casa, confirmado, e filho de Logum Ede.

A quarta filha é Hildemária Georgina dos Santos, filha de Oxóssi e a quinta é Hildelice Benta dos Santos - Professora da Escola Mãe Hilda - e Yaô de Oxalá.

O esposo de Mãe Hilda foi alfaiate e fiscal da Prefeitura. Nasceu a 22 de março de 1908 e faleceu no dia 13 de maio de 1988.

O Pai de Santo da Iyalorixá Hilda Jitolu era da nação Jejê Marin, chamava-se Cassiano Manoel Lima, sua Digina era do Jejê Marin, cujo terreiro era localizado na Caixa D’água.

A Iyalorixá Constância da Rocha Pires, Mãe Tança, nascida em 19 de setembro de 1881, filha de Nanan, cuja Digina era Ajauci, continuou os trabalhos das obrigações de Hilda Jitolu. O nome Jitolu foi dado a Mãe Hilda no dia 24 de dezembro de 1942.

Cassiano Manoel Lima faleceu em 14 de dezembro de 1944, dois anos depois de ter feito as obrigações religiosas da sua filha Jitolu.

Mãe Tança faleceu em 02 de outubro de 1978.

O Terreiro Ilê Axé Jitolu foi fundado no dia 06 de janeiro de 1952.

A primeira Festa do Ano é de Oxalá, realizada no mês de janeiro. Em seguida vem a festa para Obaluaiye, realizada no dia 16 de agosto. Depois, no mês de setembro, acontece a Festa do Caboclo Tupyassu

A ação social da Iyalorixá Mãe Hilda Jitolu se desenvolve em vários domínios de produção político-cultural. Foi, e é decisiva, a sua contribuição para a linha filosófica de trabalho do Ilê Aiyê. Nacionalmente, Mãe Hilda, criou uma Escola de Alfabetização, em 1988, que leva seu nome, abrindo as portas do Terreiro para que os filhos das filhas de Santo e os da comunidade pudessem estudar e assim, terem um rumo na vida, ela também incentivou a criação do Memorial Zumbi dos Palmares, em Alagoas. E, a partir de 1995, o Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê começa a atuar além das instâncias educativas do Bloco, nas escolas públicas do bairro da Liberdade - sempre a partir dos ensinamentos de Mãe Hilda:

“ Preservar e expandir os valores da cultura africana no Brasil “.



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

deuses de angola e congo: ponto de situação

A lista de divindades ou entidades espirituais superiores do complexo panteão angolano-congolês aqui apresentada não comporta a totalidade das mesmas entidades, servindo essencialmente para explicitar uma ideia diferente que nos cabe mais diretamente, enquanto APCAB e Casa Yorùbá de Portugal. Como já foi aqui falado, o panteão do Candomblé Bantu que hoje é reconhecido, cultuado e analizado não corresponde ao antigo panteão do qual algumas divindades foram aqui apresentadas (ver seção Inkices). O que se passa é que o atual panteão do Candomblé Bantu não é mais do que uma adaptação cultural bantu do panteão Yorùbá. Ficou claro, que as divindades originais pouco têm a ver com o panteão Yorùbá e com o panteão atual do Candomblé Angola e Congo. As especificidades de cada deidade foram dissolvidas pelo devir histórico e pela força cultural Yorùbá no Brasil. É por isso que hoje, o Candomblé Angola e Congo não é mais do que uma visão bantu fragmentada da identidade religiosa dos Candomblés de matriz Kétu, estando cada vez mais a perder-se inclusive os nomes bantu das divindades e a assimilar-se as referências Yorùbá, permanecendo a identidade angolano-congolesa viva nas músicas, toques e ritos iniciáticos, no melhor dos casos. Olhando o atual panteão bantu compreendemos o alcançe da assimilação: Leia na íntegra.

candomblé


Candomblé, culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá e México. Na Europa: Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.

A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.

Embora confinado originalmente à população de negros escravizados, proibido pela igreja católica, e criminalizado mesmo por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos, e expandiu consideravelmente desde o fim da escravatura em 1888. Estabeleceu-se com seguidores de várias classes sociais e dezenas de milhares de templos. Em levantamentos recentes, aproximadamente 3 milhões de brasileiros (1,5% da população total) declararam o candomblé como sua religião. [1] Na cidade de Salvador existem 2.230 terreiros registrados na Federação Baiana de Cultos Afro-brasileiros e catalogado pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA, (Universidade Federal da Bahia) Mapeamento dos Terreiros de Candomblé de Salvador. Entretanto, na cultura brasileira as religiões não são vistas como mutuamente exclusivas, e muitos povos de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente[2]. Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e uma parte do folclore brasileiro. Leia na íntegra.

candomblé bantu


Nkisi Kaviungo

A palavra Bantu compreende Angola e Congo, é uma das maiores nações do Candomblé, uma religião Afro-Brasileira. Desenvolveu-se entre escravos que falavam Quimbundo e Quicongo. Leia na íntegra.

candomblé ketu ou nagô

Candomblé Ketu (pronuncia-se queto) é a maior e a mais popular "nação" do Candomblé, uma das Religiões afro-brasileiras.

No início do século XIX, as etnias africanas eram separadas por confrarias da Igreja Católica na região de Salvador, Bahia. Dentre os escravos pertencentes ao grupo dos Nagôs estavam os Yoruba (Iorubá). Suas crenças e rituais são parecidos com os de outras nações do Candomblé em termos gerais, mas diferentes em quase todos os detalhes.

Teve inicio em Salvador, Bahia, de acordo com as lendas contadas pelos mais velhos, algumas princesas vindas de Oyó e Ketu na condição de escravas, fundaram um terreiro num engenho de cana. Posteriormente, passaram a reunir-se num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Jeje-Nagô pretextando a construção e manutenção da primitiva Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, atual Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha que, segundo historiadores, efetivamente conta com cerca de três séculos de existência.[1]

No Brasil Colônia e depois, já com o país independente mas ainda escravocrata, proliferaram irmandades. "Para cada categoria ocupacional, raça, nação - sim, porque os escravos africanos e seus descendentes procediam de diferentes locais com diferentes culturas - havia uma. Dos ricos, dos pobres, dos músicos, dos pretos, dos brancos, etc. Quase nenhuma de mulheres, e elas, nas irmandades dos homens, entraram sempre como dependentes para assegurarem benefícios corporativos advindos com a morte do esposo. Para que uma irmandade funcionasse, diz o historiador João José Reis, precisava encontrar uma igreja que a acolhesse e ter aprovados os seus estatutos por uma autoridade eclesiástica". Leia na íntegra.

candomblé jeje


Candomblé Jeje, é o candomblé que cultua os Voduns do Reino de Dahomey levados para o Brasil pelos africanos escravizados em várias regiões da África Ocidental e África Central. Essas divindades são da rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Os vários grupos étnicos - como fon, ewe, fanti, ashanti, mina - ao chegarem no Brasil, eram chamados djedje (do yoruba ajeji, 'estrangeiro, estranho', designação que os yoruba, no Daomé atribuíam aos povos vizinhos,[1] Introduziram o seu culto em Salvador, Cachoeira e São Felix, na Bahia, em São Luís, no Maranhão, e, posteriormente, em vários outros estados do Brasil. Leia na íntegra.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

globo x record: uma guerra privada com armas públicas

Ainda que pareça que os ânimos tenham se arrefecido, achei por bem inserir esta postagem. Pode até ser que a maioria tenha do episódio a percepção contida no texto, mas sempre há os ingênuos e que acreditam haver santo de algum dos lados...


"A Globo, por sua vez, ataca o sistema nervoso da segunda maior emissora, os incontáveis problemas da Igreja Universal do Reino de Deus."
Por Rodolfo Viana

Não há mocinhos em nenhum dos lados da recente briga entre a TV Globo e a Rede Record de Televisão. Também não há mentiras nos ataques de uma contra a outra: os Marinho sempre tiveram uma relação espúria com o poder e a Record, uma interação promíscua com a Igreja Universal do Reino de Deus. Mas o problema central nessa guerra é que estão guerreando com armas alheias. Estão guerreando com armas públicas.

É ingenuidade de pouco eco crer que não existem interesses econômicos e ideológicos guiando os grandes grupos de comunicação do país. A comunicação de massa tem papel estratégico na organização social e criação de valores e a informação também sofre diversos tipos de manipulações, das mais explícitas – edições de texto/imagens, escolha das fontes, qualificações – às mais sutis – o que é silenciado, o “tom” sobre o informado, as relações de uma notícias com outra, a ordem de apresentação.

É por isso que a luta pela democratização da comunicação não se restringe à criação de normas de conduta ao jornalismo hoje praticado, buscando a isenção e objetividade. Essa luta tem de visar a possibilidade de multiplicação de vozes, a multiplicação do que é informado e como é informado, permitindo ao cidadão obter mais dados sobre uma determinada realidade para que, com eles, forme seu juízo. Com o monopólio ou oligopólio da informação, restringem-se as versões da realidade, orientando visões de mundo. Leia na íntegra.


quinta-feira, 10 de setembro de 2009

juçara marçal + kiko dinucci + projeto axial

Sabadão!

Juçara Marçal + Kiko Dinucci + Projeto Axial
Teatro da Vila
$ pague o quanto puder (ou quiser) $

www.myspace.com/jucaramarcal
www.myspace.com/projectaxial

e disse o martinho...

De Martinho da Vila em 06/09/2009, em entrevista sobre o sistema de cotas para negros nas universidades para o Canal Uerj, que será exibido no dia 15 pela NET:

- Sou favorável, já valeu para identificar os racistas enrustidos. Todos mostraram as suas caras.

Site oficial: http://www.martinhodavila.com.br/

o dia em que túlio descobriu a áfrica - estréia da peça

afrocantos: tambores e cantos tradicionais africanos


Coro Luther King em ''Afrocantos''

Cantos africanos e afro-brasileiros acompanhados de tambores originais africanos e de percussão brasileira. Um encontro de culturas, religiões e tradições com o pano de fundo musical da ''Missa Luba'', composição dos anos 60, originária do Congo, que se baseia nas partes cantadas da missa cristã em latim como tapete para a percussão dos mágicos tambores da Guiné - o Djembe, o Dumdum e seus companheiros. A Missa Luba é a primeira obra musical verdadeiramente sincrética do ''ritual'' africano, exemplo típico de criação coletiva, baseada em cantos tradicionais congoleses. Para este concerto, a Rede Cultural Luther King, apresenta uma versão da Missa Luba que agrega as três principais religiões da África e da América: cristã, muçulmana e a tradicional animista, acrescida de cantos rituais do Kenya, Áfrrica do Sul, e pérolas do repertório afro-brasileiro.




A Missa Luba e cantos tradicionais africanos

Domingo - 13 de setembro de 2009

11h00




Local: Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Portão 2 (Administração), Vila Mariana.
Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia-entrada).

Solista: Mouna Amari (Tunísia)
Com Ivan Vilela e sua viola caipira
Djembedon - Tambores Africanos
Participação especial Fabiana Cozza
Regência: Martinho Lutero Galati
Participação Especial de Mouna Amari - cantora, compositora e alaudista muçulmana residente na Tunísia - uma das mais importantes instrumentistas de LUD: o pai de todos os instrumentistas de cordas dedilhadas do ocidente. Participam também Ivan Vilela e sua Viola caipira, Fabiana Cozza - jovem cantora, revelação do cenário musical, com importante trabalho na interpretação de todos os gêneros afro-brasileiros, Douglas Felis - Derbak, um grupo de percussionistas africanos e brasileiros, o Djembedon, e o Coro Luther King com 80 vozes.



Agenda

Acesso à página do site da Casa das Áfricas com programação de palestras, cursos e mostras.


Acesse também
www.lutherking.art.br
www.auditorioibirapuera.com.br


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

seminário internacional de diálogos políticos sobre o ensino de história da áfrica e estudos africanos

Objetivo: Atender as demandas sociais, acadêmicas e de políticas educacionais, advindas da implementação da lei 10639/03, que institui a obrigatoriedade do ensino de História da África e do negro no Brasil. Para tanto, o evento organizado pela UNIFESP campus Guarulhos, convida planejadores das políticas publicas, acadêmicos do Brasil e da África e representantes da UNESCO para fazerem proposições, avaliações e encaminhamentos que visam o fomento da formação de professores, de pesquisadores e de produção didática em torno da temática dos estudos africanos.


EVENTO GRATUITO

Data: 28 e 29.09.2009

Local:
Centro Cultural e Teatro Adamastor Av.Monteiro Lobato nº734 - Guarulhos/SP.

Organização: Sephis / UFBA- Unifesp - Unicamp Prefeitura Municipal de Guarulhos.

Maiores informações: http://proex.epm.br/eventos09/africa/index.html


mais um caso de "bala achada!"

A única denominação que a bala que matou Ana Cristina de Macedo não pode obter é a de "perdida". Há inclusive uma testemunha, cuja manifestação a imprensa insiste em desconsiderar, que afirma ter visto o momento em que a garota foi atingida.

Segundo Iraildo Carlos da Silva, a garota voltava da escola quando se viu no meio da perseguição. Ela ainda tentou se esconder atrás de um carro, mas acabou sendo baleada na cabeça. O garçom viu o momento em que ela foi atingida. “Ela [a jovem atingida] com medo do barulho ficou atrás de um carro. Bem provável que eles confundiram com alguns dos carros e atiraram na criança”.

No entanto, a imprensa continua insistindo no termo "bala perdida". Por que?


Vídeo 1



Vídeo 2


Matérias sobre o epsódio:

1. Guarda suspeito de atirar em adolescente tinha sido expulso da PM. ...ABSURDO! Prefeitura contrata guarda civil sem pesquisar antecedentes?;

2. Moradores da maior favela de SP protestam contra assassinato de jovem;

3. Guardas-civis envolvidos em tiroteio que causou morte de garota serão afastados;

4. Guarda-civil de São Caetano do Sul está em situação regular, diz prefeitura;

5. Da ponte pra cá;

6. O Estado e o poder paralelo, quem é quem?