quinta-feira, 30 de julho de 2009

beyond citizen kane - historia proibida da rede globo



Beyond Citizen Kane

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Muito Além do Cidadão Kane (BR)

Reino Unido

1993 ı cor / p&b ı 105 min

Direção Simon Hartog
Roteiro/Guião Simon Hartog

Género Documentário
Idioma Inglês e Português

Beyond Citizen Kane (no Brasil, Muito Além do Cidadão Kane) é um documentário televisivo britânico de Simon Hartog produzido em 1993 para o Canal 4 do Reino Unido. A obra detalha a posição dominante da Rede Globo na sociedade brasileira, debatendo a influência do grupo, seu poder e suas relações políticas. O ex-presidente e fundador da Globo Roberto Marinho foi o principal alvo das críticas do documentário, sendo comparado a Charles Foster Kane, personagem criado em 1941 por Orson Welles para Cidadão Kane, um drama de ficção baseado na trajetória de William Randolph Hearst, magnata da comunicação nos Estados Unidos. Segundo o documentário, a Globo emprega a mesma manipulação grosseira de notícias para influenciar a opinião pública como fazia Kane no filme.

Índice

[esconder]

[editar] Sinopse

O documentário acompanha o envolvimento e o apoio da Globo à ditadura militar, sua parceria ilegal com o grupo americano Time Warner (naquela época, Time-Life), algumas práticas de manipulação da emissora de Marinho (incluindo o auxílio dado à tentativa de fraude nas eleições fluminenses de 1982 para impedir a vitória de Leonel Brizola, a cobertura tendenciosa do movimento das Diretas-Já, em 1984, quando a emissora noticiou um importante comício como um evento de comemoração ao aniversário de São Paulo, e a edição, para o Jornal Nacional, do debate do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras de 1989, de modo a favorecer o candidato Fernando Collor de Mello frente a Luís Inácio Lula da Silva), além de uma controversa negociação envolvendo ações da NEC Corporation e contratos governamentais à época em que José Sarney era presidente da República.

O documentário apresenta depoimentos de destacadas personalidades brasileiras, como o cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda, os políticos Leonel Brizola e Antônio Carlos Magalhães, o publicitário Washington Olivetto, o escritor Dias Gomes, os jornalistas Walter Clark, Armando Nogueira e Gabriel Priolli e o atual presidente Luís Inácio Lula da Silva.

[editar] Controvérsia sobre direitos britânicos

O documentário foi transmitido pela primeira vez em setembro de 1993 no Canal 4 do Reino Unido. A transmissão foi adiada em cerca de um ano, pois a Rede Globo contestou, baseando-se em leis britânicas, os produtores de Muito Além do Cidadão Kane pelo uso sem permissão de pequenos fragmentos de programas da emissora para fins de "observação crítica e de revisão".

Durante este período, o diretor Simon Hartog morreu após uma longa enfermidade. O processo de edição do documentário foi assumido por seu co-produtor, John Ellis. Quando pôde ser finalmente transmitido, cópias do documentário foram disponibilizadas pelo Canal 4 ao custo de produção. Muitas dessas cópias foram enviadas ao Brasil através da comunidade brasileira residente na Grã-Bretanha.

[editar] Banimento no Brasil

A primeira exibição pública do filme no Brasil ocorreria no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), em março de 1994. Um dia antes da estréia, a Polícia Militar recebeu uma ordem judicial para apreender cartazes e a cópia do filme, ameaçando, em caso de desobediência, multar a administração do MAM-RJ. O secretário de cultura acabou sendo despedido três dias depois.

Durante os anos noventa, o filme foi mostrado ilegalmente em universidades e eventos sem anúncio público de partidos políticos. [1] Em 1995, a Globo entrou com um pedido na Justiça para tentar apreender as cópias disponíveis nos arquivos da Universidade de São Paulo (USP), mas o pedido foi negado. O filme teve acesso restrito a grupos universitários e só se tornou amplamente visto a partir do ano 2000, graças à popularização da internet.

[editar] Distribuição e fenômeno na internet

A Rede Globo tentou comprar os direitos de exibição do programa no Brasil, provavelmente para tentar impedir sua exibição. Entretanto, antes de morrer, Hartog tinha feito um acordo com organizações brasileiras para que os direitos de exibição do documentário não caíssem nas mãos da Globo, a fim de que pudesse ser amplamente conhecido tanto por organizações políticas quanto culturais. A Globo perdeu o interesse em comprar o filme quando os advogados da emissora descobriram isso, mas até hoje uma decisão judicial proíbe a exibição de Beyond Citizen Kane no Brasil.

Entretanto, muitas cópias ilegais em VHS e DVD do filme vem circulando no país desde então. O documentário está disponível na internet, por meio de redes peer-to-peer e de sítios de partilha de vídeos como o YouTube e o Google Video (onde foi visto quase 600 mil vezes).

Contrariando a crença popular, existem sim cópias legais do filme disponíveis no Brasil, embora em sua grande maioria em bibliotecas e coleções particulares.

[editar] Livro

Quando era funcionário do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) à época do lançamento do documentário, Geraldo Anhaia Mello havia promovido exibições públicas do mesmo. Quando soube, o então secretário de cultura da cidade, Ricardo Ohtake, proibiu as exibições, com a alegação de que a cópia do acervo era pirata. O pedido de proibição veio de Luiz Antônio Fleury Filho, então governador do São Paulo. Mello se encarregou de fazer cópias do documentário e, juntamente com outras pessoas, de sua dublagem e distribuição. O livro, que veio logo depois, se trata de uma transcrição em português do roteiro e das entrevistas, exceto alguns trechos de entrevistas de rua ou cenas do acervo da Globo. Os trechos não-dublados no vídeo estão presentes na transcrição.

[editar] Bibliografia

MELLO, Geraldo Anhaia - Muito além do cidadão Kane. São Paulo: Scritta Editorial, 1994. ISBN 85-85328-79-7

[editar] Referências

  1. (...) PT mostra na Câmara documentário da televisão inglesa sobre a Globo. A fita de vídeo "Brasil: Além do Cidadão Kane", documentário produzido pela televisão inglesa "Channel Four" sobre a Rede Globo, foi exibida hoje no espaço cultural da Câmara dos Deputados para uma platéia formada por políticos e jornalistas. A sessão foi promovida pelo PT e o deputado Luiz Gushiken (PT-SP), que conseguiu a fita na Inglaterra e encaminhou hoje uma cópia do programa para a Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. Com base no documentário, que denuncia as ligações da Globo com os militares, Gushiken vai encaminhar uma representação à Procuradoria-Geral da República para que a emissora do empresário Roberto Marinho seja enquadrada no artigo 220 da Constituição, por formação de monopólio e oligopólio(...) - O Estado de S. Paulo, 9 de junho de 1993

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

acha não que vai pagar!

O Ministério dos Transportes da República Tcheca desenvolve campanha de segurança no trânsito, veiculando vídeos bastante realistas sobre o mal que a imprudência dos motoristas podem ocasionar.

Nesta postagem está à disposição um vídeo da referida campanha. Entendo que nossos governantes poderiam adotar posturas semelhantes, pois, penso que faz-se necessário, por estas bandas, atitudes mais contundentes nesse sentido.



quarta-feira, 29 de julho de 2009

na mídia, a roda não existiu



O BATIDÃO DE VOLTA AO SANTA MARTA

Foi uma festa bonita. Nada menos que 500 pessoas, muitas crianças, curtiram em paz a Roda de Funk no Santa Marta, favela da zona sul carioca, no domingo, 26 de julho. E foi também uma festa importante pelo simbolismo, já que a polícia militar havia proibido, arbitrariamente, qualquer manifestação político cultural desde que ocupou o morro, em fins do ano passado. A corporação recuou após a mudança no comando do 2º Batalhão de Polícia, responsável pela região, e também pela persistência dos funkeiros. Leia na íntegra.

alforria da percepção

Gênero: Documentário

Diretor: Paulo Genestreti

Ano: 2008

Duração: 15 min

Cor: Colorido

Bitola: Mini-dv

País: Brasil


A Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos acontece na cidade de Serro - MG desde 1707 em torno da lenda de Nossa Senhora do Rosário, segundo a qual Nossa Senhora apareceu no mar, e quando foram os marujos (representando os portugueses)tentar resgatá-la, cantaram e dançaram, e ela, por sua vez, não foi com eles. Então surgiram os Caboclos (representando os índios) que tentaram retirá-la, e ela também não foi com eles. Eis que surgem os Catopes (representando os negros), que finalmente conseguem retirar a santa do mar.

Festivais

Mosca - Mostra audiovisual de Cambuquira 2007
Mostra de Cinema Brasileiro em Murcia 2008
Festival de Cinema de Maringá 2007
Mostra Internacional do Filme Etnográfico/RJ 2008


frase do dia*


[*] recebido por email enviado pela amiga Catarina

coruja (márcia derraik, simplício neto)

Gênero: Documentário
Diretor: Márcia Derralk, Simplício Neto
Elenco: Bezerra da Silva e seus compositores
Ano: 2001
Duração: 15 min
Cor: Colorido
Bitola: 35mm
País: Brasil

O filme mostra a relação de Bezerra da Silva com seus compositores, anônimos garimpados por ele "onde a coruja dorme", nos morros cariocas e na baixada fluminense. Daí surgem sambas feitos por trabalhadores, crônicas cáusticas mas bem-humoradas de gente simples que mora na favela e conta seu dia-a-dia nas músicas.



ilha das flores (jorge furtado)

Há tempos criei neste meu blog a seção cine e vídeo a qual, entretanto, quse nada postei. A partir deste momento tal situação está revertida com a postagem do documentário Ilha das Flores de Jorge Furtado que abre caminho para uma série de outros.


terça-feira, 28 de julho de 2009

o cidadão norte-americano**

Ralph Linton, antropólogo*
“O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional, antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão, cuja planta se tornou doméstica na Índia; ou de linho ou de lã de carneiro, um e outro domesticados no Oriente Próximo; ou de seda, cujo emprego foi descoberto na China. Todos esses materiais foram fiados e tecidos por processos inventados no Oriente Próximo. Ao levantar da cama faz uso dos “mocassins” que foram inventados pelos índios das florestas do Leste dos Estados Unidos e entra no quarto de banho cujos aparelhos são uma mistura de invenções européias e norte-americanas, umas e outras recentes. Tira o pijama, que é vestiário inventado na Índia e lava-se com sabão que foi inventado pelos antigos gauleses, faz a barba que é um rito masoquístico que parece provir dos sumerianos ou do antigo Egito.
Voltando ao quarto, o cidadão toma as roupas que estão sobre uma cadeira do tipo europeu meridional e veste-se. As peças de seu vestuário tem a forma das vestes de pele originais dos nômades das estepes asiáticas; seus sapatos são feitos de peles curtidas por um processo inventado no antigo Egito e cortadas segundo um padrão proveniente das civilizações clássicas do Mediterrâneo; a tira de pano de cores vivas que amarra ao pescoço é sobrevivência dos xales usados aos ombros pelos croatas do séc. XVII. Antes de ir tomar o seu breakfast, ele olha ele olha a rua através da vidraça feita de vidro inventado no Egito; e, se estiver chovendo, calça galochas de borracha descoberta pelos índios da América Central e toma um guarda-chuva inventado no sudoeste da Ásia. Seu chapéu é feito de feltro, material inventado nas estepes asiáticas.
De caminho para o breakfast, pára para comprar um jornal, pagando-o com moedas, invenção da Líbia antiga. No restaurante, toda uma série de elementos tomados de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Começa o seu breakfast, com uma laranja vinda do Mediterrâneo Oriental, melão da Pérsia, ou talvez uma fatia de melancia africana. Toma café, planta abssínia, com nata e açúcar. A domesticação do gado bovino e a idéia de aproveitar o seu leite são originárias do Oriente Próximo, ao passo que o açúcar foi feito pela primeira vez na Índia. Depois das frutas e do café vêm waffles, os quais são bolinhos fabricados segundo uma técnica escandinava, empregando como matéria prima o trigo, que se tornou planta doméstica na Ásia Menor. Rega-se com xarope de maple inventado pelos índios das florestas do leste dos Estados Unidos. Como prato adicional talvez coma o ovo de alguma espécie de ave domesticada na Indochina ou delgadas fatias de carne de um animal domesticado na Ásia Oriental, salgada e defumada por um processo desenvolvido no norte da Europa.
Acabando de comer, nosso amigo se recosta para fumar, hábito implantado pelos índios americanos e que consome uma planta originária do Brasil; fuma cachimbo, que procede dos índios da Virgínia, ou cigarro, proveniente do México. Se for fumante valente, pode ser que fume mesmo um charuto, transmitido à América do Norte pelas Antilhas, por intermédio da Espanha. Enquanto fuma, lê notícias do dia, impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. Ao inteirar-se das narrativas dos problemas estrangeiros, se for bom cidadão conservador, agradecerá a uma divindade hebraica, numa língua indo-européia, o fato de ser cem por cento americano.

[*]
[LINTON, Ralph. O homem: Uma introdução à antropologia. 3ed., São Paulo, Livraria Martins Editora, 1959. Citado em LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 16ed., Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2003, p.106-108]
[**] Texto enviado por email pelo camarada Chico Crozera.


segunda-feira, 27 de julho de 2009

minami em close up - a boca em revista


MINAMI EM CLOSE-UP - A BOCA EM REVISTA, de Thiago Mendonça (São Paulo) foi selecionado para o 20° Curta Kinoforum - Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo acontecerá de 20 a 28 de agosto de 2009.

O Festival é um ponto de encontro entre a produção latino-americana e internacional, promovendo o intercâmbio de experiências culturais, econômicas e políticas relacionadas ao curta-metragem.

A programação é composta por uma refinada seleção da mais recente produção internacional e latino-americana além da maior projeção anual da produção nacional, tendo superado a marca de 25.000 espectadores em 2008.



Programação do curta (Minami emClose Up).


Dia 21/08 - 21H00 - CineSESC


Dia 23/08 - 20H00 - Centro Cultural São Paulo


Dia 24/08 - 18H00 - Cineclube Grajaú


Dia 26/08 - 21H00 - Cinemateca - Sala BNDES



Lista de festivais e prêmios:

41o Festival de Brasília – Prêmio Melhor diretor - juri oficial 35 mm 11/2008

Festival de Campo Grande – Menção honrosa 1/2009

Festival do juri popular – menção honrosa 2/2009

Festival os melhores de 2008 – Universidade Federal Fluminense 5/2009

International Short Film Festival of Barcelona 3/2009

Camera Mundo – 2ND Independent film festival – Rotterdam 6/2009

CINEOP – Festival de Cinema de Ouro Preto – Sessão especial 6/2009

Cine Sul – Rio de Janeiro – Mostra paralela 6/2009eventos

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Thiago mendonça é Cineasta formado pela U niversidade de Brasília -UnB e Sociólogo formado pela Universidade de São Paulo - USP.
Filmografia: Minami em Close-Up, Santa Efigênia e seus Pecados, República Tiradentes (c/ Zózimo Bulbul), Nós Vivendo (c/ Adirley Queirós), entre outros.

convite para divulgação lançamento dvd "ôrí"

o que ocorre com parte do movimento negro...

Esta postagem tras em seu conteúdo dois itens conflitantes - convite da Campanha Àfrica em Nós, da SMPP X pedido de liminar para suspensão das cotas na UnB, pelo DEM - e aqui disponibilizados propositalmente juntos, modo como chegaram-me em 22.07.09 enviados por email pela indignadíssima amiga Catarina.

Sobre o porque de sua indignação diz ela:

"(...) Ontem li a notícia do pedido do DEM ao STF para suspençãos das cotas para negros na UNB e, hoje, o convite para lançamento da Campanha Àfrica em Nós, da SMPP, sem nenhum pronunciamento sobre o ocorrido ontem. Enquanto parte das entidades do movimento negro, no Estado e, sobretudo na Prefeitura de São Paulo, por meio da Coordenadoria de Assuntos da População Negra, o Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra, da Secretaria de Participação e Parceria, da PMSP (Ricardo Montoro é o secretário), se distrai, comemorando os 20 anos do Conselho Estadual da Comunidade Negra, lançando livros sobre a África, comemorando o Dia da Consciência Negra, promovendo encontros e, realizando Conferências de Igualdade Racial, o DEM, partido do Prefeito Municipal de São Paulo, Sr Gilberto Kassab, entrou no dia 21/07/09, no Supremo Tribunal Federal, com pedido de liminar para suspensão da adoção, pela Universidade de Brasília - UNB, de cotas para admissão de vestibulandos negros e pardos.


As cotas para negros foram adotadas em 2000, no Estado do Rio de Janeiro, tendo se estendido para diversas universidades federais, incluindo a UNB.

Os advogados do DEM alegam que estão sendo violados diversos preceitos fundamentias fixados pela CF de 1988, como a dignidade da pessoa humana, o preconceito de cor e a discriminação, afetando o próprio combate ao Racismo.

Ou seja, enquanto parte do movimento negro se distrai, sem protestar contra esse tipo de medida, a elite branca, incluindo o sr Demetrio Magnoli, faz campanha contra cotas na imprensa paulista e entra com ação no STF, tentando um julgamento que vire jurisprudência.

É nisso que vão dar as lutas específicas desvinculadas das lutas gerais: no atraso da inclusão social da população negra propiciadas pela adoção de cotas raciais."

Por, obviamente, partilhar tal indignação efetivo a postagem. E, leitor, sinta-se livre para manifestar-se postando comentário.




STF recebe pedido do DEM para suspender cotas para negros na UnB


O STF (Supremo Tribunal Federal) recebeu do DEM (Democratas) pedido de suspensão liminar da adoção pela UnB (Universidade de Brasília) de cotas para admissão de vestibulandos negros e pardos. A medida começou a ser praticada em 2000 no estado do Rio de Janeiro por diversas universidades federais e depois se estendeu à Universidade Federal da Bahia, sendo adotada em seguida pela UnB.

Está previsto para os dias 23 e 24 de julho o registro dos estudantes aprovados no segundo vestibular de 2009 da Universidade de Brasília, tendo sido fixadas 20% das vagas para eles. O DEM alegou na medida impetrada no STF que vão ocorrer "danos irreparáveis se a matrícula se basear em cotas raciais, a partir de critérios dissimulados, inconstitucionais e pretensiosos". Para o partido, fica caracterizada "ofensa aos estudantes preteridos" e por isso pede resposta urgente do Supremo.

Os advogados do DEM alegam que estão sendo violados diversos preceitos fundamentais fixados pela Constituição de 1988, como a dignidade da pessoa humana, o preconceito de cor e a discriminação, afetando o próprio combate ao racismo.

Para o ex-assessor de Diversidade e Apoio aos Cotistas e coordenador do Centro de Convivência Negra da UnB, professor Jaques Jesus, o obedecimento de cotas na UnB se insere num "marco na batalha pela inclusão social, como defendia um dos fundadores da UnB, o professor Darcy Ribeiro".

Para Jaques Jesus, que até agosto do ano passado era gestor do sistema de cotas na UnB, o sistema "é justificável diante da constatação de que a universidade brasileira é um espaço de formação de profissionais de maioria esmagadoramente branca, valorizando assim apenas um segmento étnico na construção do pensamento dos problemas nacionais, de maneira tal que limita a oferta de soluções para os problemas do país".

O jurista Valmir Pontes Filho, conselheiro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), por sua vez, combate a fixação de cotas em universidades, porque entende que isso estimula exatamente a discriminação. O critério deveria ser estabelecer cotas para quem for mais pobre, sem levar em conta a sua cor, defende Pontes.

Ele diz que em determinadas áreas do Nordeste existem lavradores brancos, de olhos azuis, muito pobres, descendentes dos exploradores holandeses que invadiram o Brasil na época da colonização. "Eles em nada são diferentes de pessoas que tenham outra cor de pele. A diferença está na questão econômica e social", argumenta.

O combate à discriminação racial em todos os gêneros, assinala, "começa no coração e na cabeça de cada um, e o Brasil ainda carrega o ranço do preconceito, que só com muito trabalho e convencimento será superado". O jurista reconhece que os negros foram historicamente discriminados na época da escravatura, e o país "precisa ter em mente que eles devem ser tratados como iguais e não por causa da cor da pele".

Lourenço Canuto