segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

o conflito na faixa de gaza:os palestinos tornando-se judeus e a omissão de barack obama

Recebi este artigo por email e, por achá-lo interessante e pertinente, resolvi aqui postá-lo. Fique à vontade para comentá-lo!
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Lourenço Cardoso (1)

O presidente eleito Barack Obama tem se omitido em comentar o massacre vivido pelo povo palestino no território da Faixa de Gaza praticado pelo Estado de Israel. Assim como esperado, o governo do presidente George W. Bush apoiou os israelenses.

Porém nos chama a atenção, a atitude omissa do Srº Barack Hussein Obama que somente se restringiu em pronunciar que está preocupado com os mortos palestinos e israelenses, no entanto, não pode tomar nenhuma outra atitude, porque ainda não assumiu a presidência dos Estados Unidos.

Os judeus, um grupo étnico, que enfrentaram a tentativa de extermínio contra seu povo durante a Segunda Guerra Mundial, ao conquistarem um Estado-nação no Oriente Médio passaram a praticar crimes semelhantes aos praticados pelos alemães nazistas contra eles. Isto é, o Estado de Israel está matando mulheres, crianças, adultos, idosos, sem distinção, sempre com o apoio irrestrito do Estado norte-americano e inércia da Comunidade Internacional.

Obviamente, muitos israelenses também estão sendo mortos pelos palestinos, apesar de ser numa proporção menor. Sem dúvida, é igualmente condenável essas mortes, portanto, considero deplorável tanto o assassinato de judeus, quanto de muçulmanos, que ocorre durante anos neste infindável conflito no Oriente Médio.

Porém, o Estado norte-americano parece somente se importar com a morte dos judeus e, lamentavelmente, o novo presidente eleito indica que seguirá essa mesma linha de política internacional. Apesar de assegurar que se preocupa também com os palestinos, sua atitude, nesses dias, parece indicar que não pretende contrariar os interesses dos judeus norte-americanos e israelenses. O Sr. Barack Obama poderia ao menos mencionar se seu governo continuará apoiando o Estado de Israel incondicionalmente, assim como ocorreu na administração Bush.

Durante a campanha eleitoral, Barack Obama se autodefiniu como mestiço, ou “marrom”, estratégia política que não impediu que ele fosse classificado como negro aos olhos do seu próprio país e do cenário mundial. Isto significa que, o ilustre exsenador de Illinois, para inúmeras pessoas, pertenceria a um grupo de “minoria”; grupo “oprimido”.

Apesar de sua pertença étnica e racial, refiro-me as essas categorias como construto social, Barack Obama tem sido negligente diante do genocídio praticado por dois grupos considerados étnicos em seu próprio país, ou seja, os judeus e os muçulmanos. Isto é, o conflito no Oriente Médio pode ser considerado, com base nas teorias raciais e étnicas de língua inglesa e portuguesa, um conflito de um grupo étnico contra outro grupo étnico; “um grupo de minoria” contra “outro grupo de minoria”.

Grupo considerado de “minoria” étnica e racial, sobretudo, em sociedades racistas de territórios que vivenciaram tanto a colonização anglo-saxônica, quanto a colonização ibérica, contexto em que o Brasil e os Estados Unidos se encaixam.

Grupos que são considerados minoria nacionais, mesmo quando é controverso a constatação que os não-brancos sejam minorias, pelo menos quantitativa, em sociedades como a brasileira e, talvez, a estadunidense, assim como aduz o intelectual Stuart Hall (2).

Certa vez, acerca do conflito no Oriente Médio, José Saramago comentou o seguinte: a guerra israelenses versus palestinos lembraria a luta bíblica de Golias versus Davi. Entretanto, o Golias contemporâneo seria os judeus e o Davi os palestinos.

Por outras palavras, os poderosos tanques de guerras israelenses lutam contra as “fundas”, ou seja, as atiradeiras de pedra dos palestinos. Poucos discordam que a guerra é uma prática humana horrível, no caso do Estado de Israel, não se trata de guerra, e sim, de um ato de genocídio devido o desequilíbrio de forças bélicas entre os dois lados.

No conflito na Faixa de Gaza inúmeros “Davis” são assassinados; essas mortes são veiculadas minimamente pela televisão, para não estimular a revolta popular no mundo, cabendo aos celulares com suas máquinas fotográficas digitais tornar público pela Internet imagens de corpos mutilados e mortos, driblando as censuras.

Diante disso ousaria dizer, que os israelenses, refiro-me somente aos responsáveis pela matança, podem ser visto, nos dias de hoje, como os alemães nazistas de outros tempos, e o povo palestino como os judeus de outrora, numa triste reinvenção do episódio do holocausto.

Portanto, os judeus ao adquirirem um Estado-nacional, que se afirma com sua máquina de guerra e com apoio dos EUA, deixaram de ser um “grupo étnico”; um “grupo de minoria” passando ao patamar de “grupo superior”.

Tornaram-se brancos nazistas dando-se ao direito – simplesmente por causa de sua “atual condição ariana” –, de assassinar os palestinos. Considerados agora por eles, subespécie, assim como os próprios judeus foram considerados pelos nazistas no passado não muito distante.


(1) Lourenço Cardoso: Nasceu na capital de São Paulo, Brasil. Formado em História pela PontifíciaUniversidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Mestre em Sociologia pela Universidade de Coimbra (UC). É escritor e ativista do movimento negro. Suas principais áreas de interesse são literatura e relações raciais com foco na negritude e sobretudo na branquitude. Escreveu alguns trabalhos dentre os quais: O branco “invisível”: um estudo sobre a emergência da branquitude nas pesquisas sobre as relações raciais no Brasil (1957 - 2007) [dissertação de mestrado]; o livro de poesia “O peso do Mundo” São Paulo, Edição do Autor, 2002, as peças teatrais: “Preto”, “Assassinaram o canalha” e “Perdoe o filha da puta” (no prelo). Também participou das antologias poéticas: “Revista Oficina de Poesia” Viseu: Palimage Editora, 2006; “Revista Oficina de Poesia: 10 Anos ” Viseu: Palimage Editora, 2006; QUILOMBHOJE (org.) Cadernos Negros Volume 29. São Paulo: Autores, 2006. A pesquisadora Maria Ivete da Silva Coelho apresentou o projeto de mestrado intitulado: A representação do negro como personagem ficcional, mediante a escrita literária do escritor afro-brasileiro, Lourenço Cardoso na Universidade Federal da Paraíba em 2008.


(2) Stuart Hall (2005), A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro, 10ª. ed. Rio de Janeiro: DP&a, pp. 82 - 83.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

xangô da mangueira morre aos 85 anos

Baluarte da Verde-e-rosa sofria de mal de Parkinson e tinha infecção renal crônica, agravada pelo diabetes

Clarissa Thomé - Agencia Estado

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Xangô da Mangueira deixa 150 composições

Arquivo/AE

Xangô da Mangueira deixa 150 composições

RIO - O compositor Olivério Ferreira, o Xangô da Mangueira, morreu na noite dessa quarta-feira, aos 85 anos, no Hospital de Irajá, na zona norte da cidade. Ele tinha infecção renal crônica, agravada pelo diabetes e também sofria de mal de Parkinson. Durante o período de internação, Xangô manteve-se lúcido. Com a piora do quadro, foi transferido para o Centro de Tratamento Intensivo, onde morreu. Baluarte da Mangueira, Xangô completaria 86 anos no próximo dia 19.

Nasceu no Rio Comprido e passou a infância em Paracambi, na Baixada Fluminense. Começou a despontar como sambista na Portela, onde foi discípulo de um dos fundadores da escola, Paulo da Portela. Nos anos 40, Xangô foi para a Mangueira, onde atuou como puxador oficial dos sambas-enredo, diretor de harmonia e integrante da ala dos compositores. Xangô deixa cerca de 150 composições. Consagrou-se como o "rei do partido-alto", título que acabou por batizar seu primeiro disco. Gravou vários LPs, mas apenas dois CDs.

O primeiro foi Recordações de um Batuqueiro, de 2005. O segundo, lançado um ano depois, foi um livro-CD, patrocinado pelo Instituto de Resseguros do Brasil e Eletrobrás. Apesar de ser conhecido pelo nome do Orixá e de ter frequentado terreiros de candomblé, o mestre do partido-alto havia se convertido nos últimos anos ao budismo, levado pela mulher, Sônia, com que estava casado havia 23 anos. O corpo de Xangô será velado na Capela C do Cemitério do Caju, a partir das 8 horas. O enterro está previsto para as 16 horas.