terça-feira, 25 de novembro de 2008

jornalistas perseguidos na tv globo

o texto é antigo, foi publicado no Blog Fazendo Média em 12.04.2007, todavia é para ser lido e relido e, jamais, esquecido. A ele.


JORNALISTAS PERSEGUIDOS NA TV GLOBO

Embora a direção negue, está cada vez mais evidente a perseguição política aos jornalistas que não concordam com a linha editorial da emissora. Leia aqui os bastidores das demissões, das ameaças e da reunião de Ali Kamel com editores do Jornal Nacional num hotel onde a diária não sai por menos de R$ 600,00. E veja também onde o oligopólio da mídia entra nessa história

Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com

Avenida das Nações Unidas 13.301. Este é o endereço do novo distrito empresarial da Marginal Pinheiros, onde se encontra o Hotel Grand Hyatt São Paulo, um dos mais luxuosos da cidade. Se você quiser dormir ali, terá que desembolsar no mínimo 600 reais. Por noite. Em compensação, dormirá ao lado de "importantes centros empresariais, comerciais e financeiros, além dos Shoppings Morumbi, Market Place e D&D", como informa a página oficial do hotel na internet. Há outras vantagens. Por exemplo, não é preciso se hospedar na suíte diplomática (R$ 1.600,00 por noite) para desfrutar dos magníficos travesseiros "king-size e edredons de pena de ganso, não alérgicos" ou da "roupa de cama 100% algodão egípcio". Eles estão em todos os apartamentos.

Foi no Grand Hyatt que Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da TV Globo, decidiu se reunir em meados de março com editores do Jornal Nacional. O encontro-almoço foi realizado no Restaurante japonês Kinu, onde o preço do rodízio por pessoa fica em R$ 60,00. Seu folheto afirma que o "restaurante Kinu oferece um ambiente em que predominam as cores e formas do oriente. Essa atmosfera de modernidade faz um contraponto com a cozinha de Yasuo Asai, chef japonês que procura reproduzir em suas criações a autenticidade da culinária japonesa tradicional. No Kinu, o sabor do Japão está presente nos sushis e sashimis, nos pratos quentes e também no menu de sobremesas, todas sugestões acompanhadas de uma carta de saquês única no país".

Entre um sushi e outro, Kamel deixou claro que seu objetivo era desanuviar o clima. Sempre de maneira muito polida, afirmou que a TV Globo é uma empresa democrática, pluralista e que nunca iria fazer jogo partidário.

O editor de economia do Jornal Nacional em SP, Marco Aurélio Mello, estava presente. Ele havia sido um dos jornalistas a se recusar a assinar o abaixo-assinado preparado por Kamel com o objetivo de negar que a Globo havia tentado influenciar o resultado das eleições. O jornalista, assim como outros que estiveram presentes à reunião, entendeu a atitude de Kamel como uma proposta de trégua. O diretor da Globo chegou a colocar seu endereço eletrônico à disposição da equipe e incentivou que escrevessem sempre que tivessem alguma reclamação.

No dia 23 de março, Marco Aurélio tomou um susto. O chefe de jornalismo em São Paulo, Luiz Cláudio Latgé, avisou que ele estava demitido. Latgé teria dito que após uma avaliação interna de seu trabalho, concluiu-se que seu perfil não era mais compatível com a empresa. Funcionário da casa há 12 anos, Marco Aurélio Mello foi editor do Jornal Nacional durante quatro anos e do Jornal da Globo por outros três. Era ele quem ajudava a pautar Franklin Martins, que ficava em Brasília.

De acordo com um jornalista da TV Globo, que preferiu não se identificar, antes do primeiro turno das eleições presidenciais, Marco Aurélio havia comentado que tinha recebido a orientação de que deveria "pegar leve" com os indicadores econômicos que pudessem ser interpretados como pró-governo.

Estado de choque
No dia seguinte à demissão, 24 de março, Marco Aurélio foi internado às pressas no Hospital Santa Casa de Vinhedo. Segundo um parente, ele estava em "estado de choque devido à crueldade da demissão". Para piorar a situação, sua esposa estava grávida de nove meses e teria o bebê em breve. Marco teve alta no mesmo dia, com a recomendação de manter repouso absoluto, sem se exaltar e sem se submeter a qualquer condição de estresse durante dez dias.

Na segunda-feira, dia 26 de março, escrevi um correio eletrônico para o chefe de jornalismo da TV Globo em São Paulo com as seguintes perguntas: é verdade que o jornalista Marco Aurélio Mello foi demitido por "não se adequar ao perfil da empresa"? Se for verdade, qual seria o perfil da empresa? E se não for verdade, por qual motivo ele foi demitido? É verdade que o Aurélio era um dos jornalistas que não havia concordado em assinar o abaixo-assinado em defesa da cobertura das eleições? É verdade que há um clima de medo entre alguns jornalistas da TV Globo em São Paulo?

Primeiro, recebi uma resposta automática: "Estarei fora a partir deste sábado, 24, e até a próxima sexta-feira, 30, num curso da Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte. Neste período, a Cris Piasentini responde pela Redação". Em seguida, recebi uma ligação da Central Globo de Comunicação. Uma moça muito gentil perguntou se eu havia solicitado informações sobre o Marco Aurélio e eu repeti as perguntas. Ela disse que a única informação que foi passada a ela é que o jornalista foi demitido devido a mudanças operacionais e remanejamento interno da equipe. Insisti um pouco e ela acabou dizendo que a demissão teria acontecido porque a empresa abriu novas vagas. Eu disse que era estranho, porque se a empresa estava contratando, não deveria haver razão para demissões.

Cerca de uma hora depois, Luiz Cláudio Latgé respondeu genericamente às perguntas que eu havia enviado pelo correio eletrônico: "O clima é ótimo na Redação. O Aurélio não foi o único a não assinar o documento. Outros não assinaram e continuam trabalhando normalmente e contamos com eles. Na redação, o clima é positivo, diante dos novos desafios propostos a vários profissionais a quem, por seus méritos, foram confiadas novas missões na Redação".

A versão de Latgé é contestada por mais de um funcionário da TV Globo de São Paulo. Estes insistem que há um clima de medo na Redação, sobretudo entre aqueles que se recusaram a assinar o abaixo-assinado em defesa da empresa. Há quem fale em "caça às bruxas". No mesmo dia em que Marco Aurélio era internado, seu pai, também jornalista, divulgou uma carta de solidariedade em seu blogue: "Um jornalista não pode se sujeitar a coação de assinar manifesto político, com o qual não concorda, ainda que perca sua vida. Daí a minha grande dúvida, nenhum emprego por mais valioso que seja, por mais amor que a ele se tenha, como você tinha, pode ser mais valioso que a própria vida, principal direito inalienável da pessoa humana. Parabéns pela sua atitude".

Contextualizando
Tudo começou no dia 29 de setembro do ano passado. Na antevéspera das eleições presidenciais, um Boeing da Gol caiu e matou 154 pessoas. Foi o maior acidente da história da aviação brasileira. Entretanto, o Jornal Nacional não divulgou a notícia e reservou a maior parte de seu noticiário à cobertura eleitoral, sendo 8 minutos para as notícias sobre o então famoso Dossiê. O sentido das reportagens era claro: prejudicar a imagem do PT e favorecer a candidatura do PSDB.

A revista CartaCapital (18/10/2006), em reportagem assinada por Raimundo Pereira Rodrigues, registrou com detalhes a manobra do Jornal Nacional. Raimundo conta que a TV Globo foi beneficiada pelo delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno, que preparou uma cópia exclusiva do CD que continha as fotos do dinheiro que seria usado para comprar o Dossiê e negociou a exibição do material no principal telejornal da Globo.

Ali Kamel escreveu uma resposta, publicada como matéria paga em CartaCapital e divulgada pelo Observatório da Imprensa. Outros veículos eletrônicos cobriram amplamente a questão e entre 358 comentários de internautas, apenas 21 defendiam Kamel enquanto 337 o criticavam. Não satisfeito, o diretor-executivo de jornalismo da TV Globo fez circular um abaixo-assinado em defesa da cobertura da emissora entre os jornalistas da casa. Alguns se recusaram a assinar e outros solicitaram que seus nomes fossem retirados, após perceberem o uso político que poderia ser feito do documento.

Fontes dentro da emissora revelam que no dia em que o abaixo-assinado circulou na redação de São Paulo, Marco Aurélio tomou a iniciativa de ligar para o chefe de redação, Mariano Boni, pedindo que o nome dele e de outros colegas fossem retirados. Boni, ao sair da sala, teria desabafado diante de um grupo de funcionários: "Quem não estiver contente que pegue o boné e vá para a TV Record".

No dia 19 de dezembro do ano passado, Rodrigo Vianna, repórter especial da TV Globo durante doze anos, foi o primeiro a receber a notícia de que não teria seu contrato renovado. Em uma carta enviada aos colegas, Rodrigo afirmou que o clima estava insuportável. E denunciou que "Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!".

> Continua

terça-feira, 11 de novembro de 2008

hip-hop um apoio ingrato para obama

por Marcelo Buraco*
publicado em 7.11.2008 - 16h37 no portal Vermelho

Manos e minas de todas as partes do planeta, esta foi pra lavar a alma. Ou até mesmo para nos fazer acreditar que sempre se pode sonhar com as mudanças, e melhor ainda, agir para que esta aconteça.



Jay Z em show pró Obama


Você se lembra do sentimento que teve quando assistiu ao filme dos Black Panters? E quando assistiu ao filme do Malcon X? Ou o ''Faça a coisa certa'' do Spike Lee?

Ou então quando vimos em 1992 em Los Angeles o espancamento que Rodnei King sofreu de sete policiais brancos que diziam bater nele apenas porque ele era negro? E depois deste fato uma convulsão social tomou conta de toda costa leste dos Estados Unidos. E o massacre que a máquina de guerra dos EUA já fizeram a vários países mundo a fora.

E as ditaduras na América Latina financiada pelos EUA e dirigidas pela CIA? O que sente quando vê aquelas imagens da grande marcha de um milhão de negros a Washington liderados por Martin Luther King em 1963, e em meio à multidão ele faz o seu discurso intitulado ''I have dream''?

Este sonho de Luther King ainda esta muito longe de ser concretizado, não é elegendo um negro para presidente da Nação mais poderosa do mundo que se dará o fim do racismo no mundo e nem mesmo lá naquele país.

Os negros e negras norte-americanos sabem muito bem disto. O próprio Obama sabe muito bem disto. Obama conseguiu traduzir o anseio de muita gente, conseguiu atrair o sentimento dos hispânicos, dos operários e de uma classe média proletarizada e empobrecida. A grande coalizão nacional pelas mudanças.


A figura de Obama como encabeçador desta coalizão simboliza o papel destacado do principal setor que sempre lutou por mudanças na sociedade americana.

A figura de Obama como encabeçador desta coalizão simboliza o papel destacado do principal setor que sempre lutou por mudanças na sociedade americana.

A migração nos Estados Unidos teve um movimento inverso que no Brasil, enquanto aqui os migrantes vinham das regiões norte e nordeste para o sul que era industrializado, lá era do sul para o norte. Então estes migrantes das fazendas e lavouras iam trabalhar como operários e mão-de-obra barata nas grandes indústrias do norte.

Nestas regiões os negros foram isolados em bairros apelidados de guettos, sem infra-estruturas do Estado, sem condições de estudos, sofrendo com a opressão sistemática dos aparatos repressivos ao que podemos chamar de extermínio programado, sobrevivendo com os piores salários e os trabalhos mais inferiores da cadeia produtiva.

O tráfico de drogas e de armas que movimenta bilhões de dólares nos EUA, aproveita-se desta situação de miserabilidade da população negra norte-americana para ter sua reserva de mão-de-obra e assim sustentar a cadeia de produção da criminalidade.

Num país com 300 milhões de habitantes, existe um encarcerado para cada grupo de 137 pessoas. É a maior população carcerária do mundo onde mais de 90% desta população é constituída de negros, hispânicos e imigrantes.

A população branca, protestante e de classe-média percebeu que esta crise não é apenas mais uma daquelas crises cíclicas passageiras ao qual eles já até estavam acostumados e que hora soprava aqui ou ali em alguma parte do mundo sempre que Wall Stret espirrava.

O que esta população identificou em Obama foi à proposta de mudança. O fator de ele ser negro corroborou com esta identificação, pois a população negra norte-americana sempre lutou por mudanças. Ou da onde mais poderia vir proposta tão intensa e significativa de mudanças?

Daqueles um milhão de rostos que estavam no Gren Park em Chicago na noite de terça feira dia 4 de novembro, vi alguns negros e negras ilustres sendo focalizados no meio da multidão. O hino nacional norte-americano foi interpretado pela rapper Quen Lathifa, a abertura da fala foi feita por um reverendo negro, mas a maioria esmagadora das pessoas que estavam ali eram brancos, bem vestidos, com seus equipamentos eletrônicos registrando os momentos, não preocupados com o passar das horas o que demonstra que chegaram ali de veículos próprios e felizes por terem contribuído com este momento.

A população maciça dos guetos não estavam lá. Mas mesmo assim foram o núcleo desta onda mudancista norte-americana. Um jovem numa quadra de basquete num gueto de Chicago sentenciou o que era votar em Obama para eles: ''Se você é negro e não votar em Obama, você perde sua carteirinha de negro aqui no nosso meio''.

Não perderam o sentimento que os ligavam diretamente a Obama, mas entenderam que ele teria que ser o candidato de muito mais gente. Os 18% de negros daquele país sozinhos não poderiam torna-lo eleito.

Num certo dia durante o período de campanha todos os jornais do país noticiaram que os cantores de rap, todos sem exceção estavam fazendo campanha e pedindo votos para Obama. O título dos jornais diziam: ''Hip-Hop um apoio ingrato para Obama'', com isto tentavam colar em Obama o preconceito do qual padecem a grande parte dos artistas do rap nos EUA. Obama foi sabatinado pela imprensa para dizer sua opinião sobre mais de uma dezena de artistas do meio. Óbviamente teve que ser duro e critico com alguns grupos. Ao tecer suas opiniões e mostrar que conhecia sobre o meio os jornais estamparam a seguir: ''Obama ouve rap''.

Chegaram a estampar nos jornais a capa de alguns livros que tiveram sido lidos por Obama para insinuarem que seu ideário era de líder racial e até mesmo socialista. E tudo isto foi em vão para os conservadores.

As três e meia da madrugada da terça para quarta do dia 4 de novembro eu assistia ao vivo pela televisão o discurso do recém eleito presidente dos EUA, Barack Hussein Obama.

Lavei a alma quando ele contou sobre a senhora de 106 anos que foi votar num colégio em Atlanta. Lavei a alma quando ele falou que os lucros de Wall Street não podem estar acima do bem estar nas outras streets, (nas ruas). Lavei a alma quando ele falou que os EUA mostraram que não querem mais ser lembrado por sua indústria de guerra, mas sim um país onde tudo ainda é possível.

Porra velhão, onde vai dar esta história ninguém sabe ainda, o que comprova inclusive que ela não acabou, ao contrário do que alguns diziam. Mas que deu pra dar uma lavada na alma, ah isso deu.



*Marcelo Buraco, Membro-fundador da posse Negroatividade de Santo André



segunda-feira, 3 de novembro de 2008

lewis hamiltom é cam-pe-ão!!!

Lewis Hamilton, 23, é o primeiro negro a pilotar na F1 e o mais novo piloto a se sagrar campeão na categoria - a suprema do automobilismo. E isso já na segunda temporada. O incrível é que já poderia ter sido campeão já na temporada passada, a de seu début, quando ficou a um ponto do campeão. Mas, o ainda mais incrível é ter um currículo deste e ser propalado, quase que o tempo todo, por grande parte da imprensa, como: afobado; um cara que erra muito; agressivo em demasia; etc. e tal.

Para os demais pilotos o modo de pilotar de Hamilton é muito agressivo, está sempre no limite; pode pô-los em risco. Só falta dizerem, de modo mais direto, que Lewis é um inconseqüente.

Chega a ser engraçado o quanto Hamilton e a Ferrari são acusados de errar. Sim, pois só a escuderia inglesa não falha nunca, só Lewis erra. Ao mesmo tempo, do outro lado, só a escuderia italiana faz lambanças, Felipe jamais erra. A conclusão, segundo essas análises é: O inglês, mesmo dando show de incompetência, levou o título, pois sua equipe é foi infalível. Por outro lado, o brasileiro perdeu o título, apesar de jamais cometer erros, devido à total falta de competência da Ferrari.

Lembro-me bem que a agressividade de Sena era denominada arrojo. O mesmo para Schumacher e tantos outros, alguns bons. Mas porque o garoto inglês incomoda tanto à nossa gente tão acostumada a render homenagens aos europeus?

Será que é o fato de Lewis Hamilton ser negro que faz com que haja essa onda de intolerância? Penso que não, isto se deve ao fato dele ser um negro campeão! Talvez... Acontece que ele é um negro metido tal qual Tiger Woods, insuperável, ou o Cavaleiro Negro Rogério Clementino, impedido de competir nas olimpíadas, ou o tal de Barack Obama que quer ser presidente da maior potência bélica, econômica, etc. Onde já se vui?! O que as personagens citadas têm em comum? Além de serem negros? Brilharem ou quererem brilhar ocupando espaços cujas cotas são reservadas para os brancos!!! Cabe aqui uma menção a Daiane dos Santos, muitíssimo menos reconhecida/ovacionada que algumas de suas colegas ginastas, se levarmos em conta os currículos - os resultados obtidos. Mas posso estar enganado; pode ser exagero de minha parte... Não é mesmo?! (rsrs)

Ah, Massa é sim um grande piloto - provou nesta temporada - e, imagino, serão muitos e bons os duelos travados entre ele, Hamilton, Alonso, Vetel...

Fico por hora por aqui.

Saiba mais sobre Lewis Hamilton...

Lewis Carl Davidson Hamilton

Site oficial de Hamilton

O garotinho Lewis no kart (Youtube)

O garoto Lewis Hamilton (Youtube)

O adolescente Hamilton (Youtube)