terça-feira, 26 de agosto de 2008

fofão, uma guerreira; uma mulher de ouro!





QUEM É FOFÃO (PERFIL)

Por que Fofão: Bem... quando pequena, nas categorias de base, ela tinha as bochechas iguais às do Fofão do Balão Mágico!
Nome completo: Hélia Rogerio de Souza Pinto
Nome de solteira: Hélia Rogerio de Souza
Data de nascimento: 10.03.1970
Local de nascimento: São Paulo (SP)
Altura: 1,73 m
Peso: 63 kg
Posição: Leantadora
Clube atual: Despar Perugia (ITA)

MULHER NEGRA

II

Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor, é lutar e sobreviver.
Ser mulher e, negra, tamb
ém ser,
é por duas sempre valer, é desdobrar o seu valor.
Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor.

IV

É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos, e tomando a dianteira.
É ser sempre a guerreira,
e vencer, à sua maneira, desta vida os percalços.
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos.

(Trechos de Mulher Negra de Jorge Linhaça)




Saiba mais sobre a Fofão, clique aqui!


meninas-mulheres, negras de ouro

FABIANA

Ao lado de Fofão, Mari, Sassá, Valeskinha e Walewska, Fabiana foi uma das seis atletas a se manter na seleção após Atenas-2004


Data de nascimento: 24/01/1985
Local de nascimento: Belo Horizonte (MG)
Residência: Rio de Janeiro (RJ)
Peso e altura: 76 kg / 1,93 m
Posição: Meio-de-rede
Participação em Pequim: Campeã


Fabiana era uma das seis remanescentes de Atenas-2004 no grupo que foi a Pequim em 2008. Reserva na Grécia, a central foi titular na China e não decepcionou, ajudando o time a conquistar a inédita medalha de ouro com uma campanha invicta.

Apesar de ter estreado precocemente na seleção brasileira, Fabiana já se tornou uma das jogadoras mais experientes do grupo, mesmo tendo apenas 23 anos.

No Pan de Santo Domingo, em 2003, o Brasil competiu com uma equipe juvenil que acabara de ser campeã mundial da categoria. Um ano depois, Fabiana disputou pela primeira vez os Jogos Olímpicos, como caçula da equipe, aos 19 anos. Tanto no Pan quanto na Olimpíada a posição do Brasil foi a mesma: com dois decepcionantes quarto lugares.

A estréia da meio-de-rede no time principal do Brasil aconteceu em 2002, pouco mais de dois anos após ter começado a jogar com as cores do Minas, time de Belo Horizonte, sua cidade natal. O contato com o vôlei aumentou a partir dos 14 anos, e a mineira já mostrou talento.

A atleta foi uma das sobreviventes da reformulação forçada realizada pelo ex-técnico da seleção Marco Aurélio Motta. Com a chegada de Zé Roberto, em 2003, Fabiana seguiu nas duas seleções - adulta e juvenil. Nesta última categoria, ela foi campeã o Mundial da Tailândia e eleita a melhor atacante da competição. No adulto, conquistou o título do Grand Prix em 2003.

O bom desempenho nestes dois torneios fez com que a meio-de-rede conquistasse a confiança do treinador e assim Fabiana foi integrada ao grupo vice-campeão da Copa do Mundo daquele ano, no Japão.

Após a Olimpíada, Fabiana ganhou espaço e se tornou titular da seleção. No Mundial de 2006, se machucou na primeira fase, mas voltou a atuar nas últimas partidas, ajudando o Brasil a ganhar a medalha de prata.

Considerada umas das melhores centrais do mundo, Fabiana ganhou o respeito também do técnico Bernardinho, que a dirige no Rexona desde 2006. O treinador deu a ela a função da capitã da equipe, com a qual conquistou títulos nas últimas temporadas.

Fora das quadras, Fabiana já demonstrou o gosto por crianças. Se não jogasse vôlei, a meio-de-rede gostaria de exercer a profissão de psicóloga voltada para o público infantil.

Fonte: http://olimpiadas.uol.com.br/2008/atletas-brasileiros/volei/fabiana.jhtm





FOFÃO

"Toda contusão traz um pouco de medo. Não foi algo de risco, mas senti uma pancada muito forte, passou muita coisa pela cabeça"


Data de nascimento: 10/03/1970
Local de nascimento: São Paulo (SP)
Residência: São Caetano (SP)
Peso e altur: 62 kg / 1,73 m
Posição: Levantadora
Participação em Pequim: Campeã


Hélia Souza, mais conhecida como Fofão, chegou às Olimpíadas como a jogadora mais experiente da seleção brasileira em Pequim. Como levantadora titular da equipe, ela fez a sua despedida da equipe em grande estilo, com o inédito ouro olímpico conquistado sobre os Estados Unidos.

Antes de virar uma jogadora de vôlei, Fofão tentou a sorte no basquete, mas sem o mesmo sucesso. A atleta começou a carreira como atacante, mas em um treino do São Caetano precisou substituir a levantadora da equipe. Desde então, nunca mais trocou de posição. Já na época, passou a receber aulas de Zé Roberto. Foi ele quem lhe deu o apelido de Fofão, uma alusão ao personagem bochechudo da televisão que fez sucesso na década de 80.

No Brasil, Fofão atuou nas principais equipes: São Caetano, Minas, Osasco e Rexona. Em 2004, mudou-se para a Europa para defender o Despar Perugia, da Itália, país onde ficou até este ano.

Na seleção, a estréia da levantadora foi justamente em 1991, no ano do Pan de Havana. Fofão, entretanto, passou boa parte deste início de trajetória com as cores do Brasil na reserva de Fernanda Venturini. Foi assim que ela ganhou a medalha em Havana, a prata no Mundial de 1994, o bronze na Olimpíada de Atenas-1996.

Mas quando foi chamada para substituir Fernanda, que deixou as quadras em 1998, Fofão correspondeu à altura. No Grand Prix de 1998, Fofão conquistou o título com a seleção e também individual. Como titular, ela foi uma das principais responsáveis pelo bronze na Olimpíada de Sydney-2000, mesmo disputando praticamente toda a competição com um problema no tendão de Aquiles. Com a volta de Fernanda Venturini à seleção em 2003, Fofão retornou para a reserva. Do banco, viu o time ganhar o Grand Prix de 2004 e fracassar na Olimpíada de Atenas, que marcou definitivamente a saída de sua antecessora.

Depois de um ano de descanso, Fofão retornou à seleção. Agora titular incontestável, ganhou as edições de 2006 e de 2008 do Grand Prix e foi capitã da equipe no Mundial do Japão. Mesmo com uma lesão na panturrilha direita, ajudou a seleção a conquistar a medalha de bronze.

Na preparação para as Olimpíadas de Pequim, a paulistana tomou um susto. Durante um amistoso, sofreu uma forte pancada no joelho, mas teve tempo para se recuperar e compor a delegação. “Acredito que toda contusão traz um pouco de medo. Não foi algo de risco, mas no momento senti uma pancada muito forte, então passou muita coisa pela minha cabeça", contou. Aos 38 anos, os Jogos na China serão os últimos da jogadora, que, independente do resultado, provou sua importância. Agora, ela volta a atuar no Brasil, pelo São Caetano.

Fonte: http://olimpiadas.uol.com.br/2008/atletas-brasileiros/volei/fofao.jhtm





SASSÁ

"Guardo com muito carinho o título de 2001 do Campeonato Mundial Juvenil, que conquistei exatamente no dia do meu aniversário."

Data de nascimento: 09/09/1982
Local de nascimento: Barbacena (MG)
Residência: Osasco (SP)
Peso e altura: 76 kg / 1,79 m
Posição: Ponta
Participação em Pequim: Campeã


Atacante de grande qualidade técnica e dona de um excelente saque, Sassá foi acionada em alguns momentos chaves nas Olimpíadas de Pequim. Ela contribuiu para a conquista do primeiro ouro olímpico da seleção feminina. O time do técnico José Roberto Guimarães chegou ao título após a vitória de 3 sets a 1 sobre os Estados Unidos.


Sassá começou a jogar vôlei em sua cidade natal, Barbacena, no interior de Minas Gerais. Como profissional, estreou na temporada 2000/2001 da Superliga. Com apenas 18 anos a atacante já era titular no Vasco, tendo conquistado o título estadual e o vice da Superliga. O bom desempenho fez com que ela se transferisse para o Rexona, clube que defendeu até 2007 e pelo qual ganhou três títulos nacionais.

Na seleção, Sassá foi uma das jogadoras que se deram bem com a crise de 2002. Ela ganhou uma vaga no time de Marco Aurélio Motta após as saídas de Érika, Walewska, Raquel, Fofão, Elisângela e Virna.

Com Motta, naquele ano, Sassá conseguiu o quarto lugar no Grand Prix e o sétimo no Campeonato Mundial. A chegada de José Roberto Guimarães, em 2003, fez com que ela saísse da seleção. Mas, após uma excelente temporada no Rexona, a atacante recebeu uma nova chance, garantindo vaga na Olimpíada de Atenas.

Sassá fez sua estréia em Olimpíadas como reserva. Acionada apenas em trechos das partidas em Atenas, ela foi uma das jogadoras importantes da semifinal contra a Rússia, atuando durante o terceiro e quarto sets no lugar de Virna. Não evitou, porém, que o Brasil sofresse uma vitória de virada, por 3 a 2, e fosse eliminado. Na decisão do bronze, atuou durante boa parte do jogo, mas outra vez amargou a derrota, desta vez para Cuba.

Na reformulação que a seleção passou após o quarto lugar na Grécia, Sassá garantiu vaga na equipe titular do Brasil. Em 2006, sagrou-se vice-campeã mundial. Assim como grande parte do elenco que vai a Pequim, Sassá acumula dois grandes fracassos com a seleção brasileira, a prata no Pan-Americano do Rio, em final perdida para a rival Cuba, e o tropeço na decisão frente à Rússia no Mundial de 2006.

Depois de conquistar o tricampeonato na Superliga, com as cores do carioca Rexona-Ades, Sassá voltará a atuar em São Paulo. A jogadora foi apresentada no rival Osasco em junho, e será o grande reforço da equipe paulista para a temporada.

Fonte: http://olimpiadas.uol.com.br/2008/atletas-brasileiros/volei/sassa.jhtm





VALESKINHA

"Minha mãe (Aída dos Santos) me ensinou o vôlei. Eu ficava batendo bola na parede e não perturbava enquanto ela estava dando aula"

Data de nascimento: 23/04/1976
Local de nascimento: Niterói (RJ)
Residência: Novara (ITA)
Peso e altura: 63 kg / 1,80 m
Posição: Ponteira
Participação em Pequim: Campeã


Após passar um longo período afastada da seleção, Valeskinha, que esteve no grupo nos Jogos de Atenas, não poderia ter retornado em momento melhor: foi campeã com a equipe nas Olimpíadas de Pequim, mesmo tendo participado pouco das oito partidas na campanha invicta.

Para a competição na China, o técnico José Roberto Guimarães resolveu dar uma chance à veterana de 32 anos, que não jogava na seleção desde o Grand Prix de 2006. Este ano, ela participou da preparação para as Olimpíadas, conquistou o Grand Prix, em junho, e carimbou seu passaporte.

"A Valeskinha mudou recentemente, e ficou mais versátil, além da grande experiência dela, que já foi capitã de times e até da seleção", elogiou o treinador. "Acho que é uma jogadora importante, dispensa comentários em termos de seriedade e concentração".

O esporte está no sangue de Valeskinha. A mãe da jogadora, Aída dos Santos, foi uma das principais atletas da história do país. O melhor resultado feminino brasileiro em Olimpíadas até Atlanta-1996 foi conseguido por Aída: o quarto lugar no salto em altura nos Jogos de Tóquio-1964.

Por isso, desde cedo Valeskinha conviveu com o esporte. Depois de testar algumas modalidades, ela decidiu, em 1988, se especializar no vôlei. "Achei que seria mais fácil, mas me enganei", diz a jogadora.

A carreira começou no Botafogo, mas foi no Rexona que Valeskinha se destacou, ganhando suas duas primeiras Superligas (1997 e 1999). Em 2000/2001, venceu o torneio pela terceira vez, então atuando no Flamengo. Depois disso, foi contratada pelo Osasco, onde conquistou mais dois títulos (2002/2003 e 2003/2004). Atualmente, ela compõe o elenco do clube italiano Novara.

Valeskinha é uma jogadora completa. Apesar da baixa estatura, tem um dos melhores bloqueios do mundo, o que lhe rendeu o prêmio neste fundamento na Copa do Mundo de 2003, quando a seleção brasileira garantiu o vice-campeonato e a vaga para Atenas.

Fonte: http://olimpiadas.uol.com.br/2008/atletas-brasileiros/volei/valeskinha.jhtm




WALEWSKA

"Claro que não era o nosso objetivo final, a gente queria conquistar o ouro", após a derrota para Cuba, na final do Pan do Rio de Janeiro."


Data de nascimento: 01/10/1979
Local de nascimaneto: Belo Horizonte (MG)
Residência: Moscou (RUS)
Peso e altura: 81 kg / 1,90 m
Posição: Meio-de-rede
Participação em Pequim: Campeã

Dona do uniforme número um do Brasil, Walewska também é uma das líderes da seleção. Junto com as companheiras, ela deu ao Brasil a sua primeira medalha de ouro no vôlei feminino. Na final, as brasileiras derrotaram as norte-americanas por 3 sets a 1.

Titular da equipe, a meio-de-rede foi convocada pela primeira vez em 1998 pelo então técnico Bernardinho. No ano seguinte, ganhou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg. Em 2000, foi bronze na Olimpíada de Sydney.

Em 2002, a mineira de Belo Horizonte abandonou a seleção por não concordar com os métodos de trabalho do técnico Marco Aurélio Motta, na época em que uma série de jogadoras também decidiu deixar a equipe. Só ganhou nova chance quando José Roberto Guimarães assumiu, já em 2003. Com o novo treinador, esteve na campanha que deu ao Brasil o segundo lugar na Copa do Mundo e a vaga na Olimpíada de Atenas.

Antes dos Jogos na Grécia, a meio-de-rede sofreu uma tendinite e foi poupada em grande parte da campanha do Grand Prix daquela temporada. Na Olimpíada, não conseguiu repetir o pódio de Sydney-2000. Amargou com a equipe a eliminação pela Rússia, nas semifinais, e a derrota para Cuba, na disputa do bronze.

Após o fracasso em Atenas, Walewska foi uma das que sobreviveu à reformulação implementada pelo técnico José Roberto Guimarães. Como titular, foi campeã do Grand Prix e vice do Mundial, ambos em 2006.

Em um grupo repleto de jogadoras mais novas, Wal, como é chamada, assume a liderança também fora das quadras. Ela é considerada a atleta mais vaidosa da equipe, junto a Paula Pequeno, e ajuda as outras meninas a se manterem bonitas.

Walewska começou a carreira nas categorias de base do Minas, mas começou a brilhar de fato quando passou a defender as cores do Rexona, trabalhando com o técnico Bernardinho. Em 2004, após a Olimpíada de Atenas, se transferiu para o Perugia, depois passou pelo Murcia, da Espanha, e recentemente acertou sua transferência para o vôlei russo.

Fonte: http://olimpiadas.uol.com.br/2008/atletas-brasileiros/volei/walewska.jhtm


Time vitorioso: meninas de ouro!


Fonte: http://olimpiadas.uol.com.br/2008/atletas-brasileiros/volei/

um ano de sacolão das artes

.
para uma melhor visualização clique sobrea imagem
.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ketleyn quadros - 1ª medalha olímpica individual feminina

.

Ketleyn Quadros - vitória histórica!!!

.
Pois é, gente boa gente, a primeira medalha olímpica individual conquistada por uma esportista brasileira foi ganha nesta manhã de segunda-feira (noite em Pequim), 11.08.2008, pela jovem judoca do Minas Tenis Clube Ketleyn Quadros de 20 anos, após alicar um wazari na australiana Maria Pakli já na prorrogação da luta. Um grande feito... Parabéns Ketleyn!!!
.
saiba mais e mais...
.

o que foi feito do nosso bom e velho pãozinho?!

O que foi feito no noso bom e velho pãozinho francês é a pergunta que não quer calar. Duvido que haja algué na faixa etária dos trinta para mais que não estranhe os pães que hoje consumimos! Definitivamente não se faz masis pães como antigamente. Atualmente eles são pequeninos demais, pesados e indigeríveis... ou enormes e super levinhos e literalmente se desmancham (somem) em contato com a boca! O preço, esse sim, não importa o tamanho do produto tornou-se exorbitante. Ah, e os pães levinhos perderão o cataz pois agora vende-se tal produto por peso.

É, Gente boa gente, não é fácil não! E nestes tempos onde tudo é desenvolvido dentro de magníficos laboratórios científicos: de frangos a búfalos, passando por perus, avestruzes e javalis; sem falar na piscicultura, decerto nem é preciso falar da produção de vegetais, não é mesmo?

Bem, mas voltanto ao nosso bom e velho pãozinho, leiam o artigo abaixo e digam se não é maravilhoso. A ele!


Poli estuda novos processos em panificação


Saulo Yassuda / USP Online
saulo.fujii@usp.br

O trabalho, desenvolvido no Laboratório de Engenharia de Alimentos da Poli, é coordenado pela professora Carmen Cecília Tadini. A pesquisa foi iniciada em 1999, quando a docente foi procurada por uma empresa que desejava uma formulação para pão pré-assado congelado com qualidade equivalente à do pãozinho vendido nas padarias. A corporação também desejava, para aumentar ainda mais o potencial lucrativo do pão, uma massa que pudesse ser congelada crua sem perder o poder de fermentar.

Segundo Carmen, o pão pré-assado congelado, que já se encontra em supermercados, é lucrativo porque evita o desperdício. “Não se tem pão velho”, afirma. Além disso, por poder ser armazenado, essa “modalidade” do produto evita que seu preço suba em épocas em que o trigo está fora de safra. (leia na íntegra)

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

degradação do judiciário

.
Dalmo A. Dallari
.
Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.
.
Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.

Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.

Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente - pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga -, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.

É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha inadequada.

É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em "inventar" soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, "inventaram" uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.

Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio judiciário".

Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no "Informe", veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado "Manicômio Judiciário" e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que "não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo".

E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na "indústria de liminares".

A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista "Época" (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público - do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários - para que seus subordinados lá fizessem cursos.

Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na "reputação ilibada", exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo. A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a argüição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou "ação entre amigos". É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

Dalmo de Abreu Dallari, 70, advogado, é professor da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios do município de São Paulo (administração Luiza Erundina).
.
Origem: Vi o mundo
.