sexta-feira, 25 de julho de 2008

mulher negra: poemas e reflexões

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Mulher Negra
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Mulher nua, mulher negra,

Vestida de tua cor que é vida,

de tua forma que é beleza!

Cresci à tua sombra;

a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.

E eis que, no auge do verão,

em pleno Sul, eu te descubro,

Terra prometida,

do cimo de alto desfiladeiro calcinado,

E tua beleza me atinge em pleno coração,

como o golpe certeiro de uma águia.


Fêmea nua, fêmea escura,

Fruto sazonado de carne vigorosa,

êxtase escuro de vinho negro,

boca que faz lírica a minha boca

savana de horizontes puros,

savana que freme com as carícias ardentes do vento Leste.

Tam-tam escultural,

tenso tambor que murmura sob os dedos do vencedor.

Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.


Fêmea nua, fêmea negra,

Lençol de óleo que nenhum sopro enruga,

óleo calmo nos flancos do atleta,

nos flancos dos príncipes do Mali.

Gazela de adornos celestes,

as pérolas são estrelas sobre a noite da tua pele.

Delícia do espírito,

as cintilações de ouro sobre tua pele

que ondula à sombra de tua cabeleira.

Dissipa-se minha angústia,

ante o sol dos teus olhos.


Mulher nua, fêmea negra,

Eu te canto a beleza passageira

para fixá-la eternamente,

antes que o zelo do destino

te reduza a cinzas para alimentar as raízes da vida.


Poema de Léopold Sédar Senghor: 1906 - 2001

Tradução de Guilherme de Souza Castro - Falecido professor da UFBa, foi diretor do CEAO e professor em Ifé (Nigéria).

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Mulher Negra

I

Do tempo das amas-de-leite,
das senzalas e mucambas,
Aind’há quem te desfeite,
(Do tempo das amas-de-leite)
quem deboche teus enfeites,
e te faça a vida tirana
Do tempo das amas-de-leite
das senzalas e mucambas.

II

Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor,
é lutar e sobreviver.
Ser mulher e, negra, tamb
ém ser,
é por duas sempre valer,
é desdobrar o seu valor
Ser mulher e, negra, também ser,
é sentir, em dobro, a dor.

III
É guardar dentro do peito,
o grito da liberdade,
qual o mais doce confeito.
É guardar dentro do peito,
a esperança dum mundo feito
de paz e igualdade
É guardar dentro do peito,
o grito da liberdade.

IV
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos,
e tomando a dianteira.
É ser sempre a guerreira,
e vencer, à sua maneira,
desta vida os percalços
É ser sempre a guerreira,
vencendo obstáculos,

V
Mulher negra, n
egra mulher,
fica aqui esta homenagem,
de um poetinha qualquer.
Mulher negra, negra mulher,
venha o tempo que vier,
és sinônimo de coragem.
Mulher negra, negra mulher,
fica aqui esta homenagem.

Jorge Linhaça

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A Mulher Negra

por Maria Nilza da Silva

A situação da mulher negra no Brasil de hoje manifesta um prolongamento da sua realidade vivida no período de escravidão com poucas mudanças, pois ela continua em último lugar na escala social e é aquela que mais carrega as desvantagens do sistema injusto e racista do país. Inúmeras pesquisas realizadas nos últimos anos mostram que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade, trabalha mais, porém com rendimento menor, e as poucas que conseguem romper as barreiras do preconceito e da discriminação racial e ascender socialmente têm menos possibilidade de encontrar companheiros no mercado matrimonial.


A mulher negra ao longo de sua história foi a “espinha dorsal” de sua família, que muitas vezes constitui-se dela mesma e dos filhos. Quando a mulher negra teve companheiro, especialmente na pós-abolição, significou alguém a mais para ser sustentado. O Brasil, que se favoreceu do trabalho escravo ao longo de mais de quatro séculos, colocou à margem o seu principal agente construtor, o negro, que passou a viver na miséria, sem trabalho, sem possibilidade de sobrevivência em condições dignas. Com o incentivo do governo brasileiro à imigração estrangeira e à tentativa de extirpar o negro da sociedade brasileira, houve maciça tentativa de embranquecer o Brasil
. (leia na íntegra)


(*) As fotos são do banco de imagem do Google:
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Mulheres negras: reflexões sobre identidade e resistência

por Rosângela Rosa Praxedes

Nos estudos sobre gênero uma das tendências atuais mais promissoras indica que devemos pensar o feminino não como uma essência natural, mas como sendo constituído em consonância com uma estrutura que só pode ser compreendida se for contextualizada e se forem consideradas outras categorias classificatórias comoclasse, raça e etnia.


Segundo Judith Butler (2003: 20) “...se tornou impossível separar a noção de “gênero” das intersecções políticas e culturais em que invariavelmente ela é produzida e mantida.”


Em razão disso, uma das maneiras de compreendermos a situação da mulher negra no Brasil é nos orientarmos através dos indicadores que apontam para a sua condição sócio-econômica e ocupacional.


A observação da existência de desigualdade racial no mercado de trabalho pode ser comprovada através de dados do DIEESE, entre outros órgãos de pesquisa. Como já é mais do que sabido, os efeitos do preconceito no mercado de trabalho penalizam indivíduos negros que, em consequência, recebem rendimentos inferiores aos dos brancos.


Quando estudamos a relação gênero e raça, percebemos que o homem negro ocupa um patamar abaixo do da mulher branca quanto ao rendimento salarial. Mas as mulheres negras se encontram ainda mais abaixo na pirâmide ocupacional: recebem os menores salários mesmo que em muitos casos ocupem a chefia de sua família:(leia na íntegra)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

roda do bula de cumbuca no cem

O samba já vai pedindo passagem na quinta-feira, com o ótimo grupo Bula de Cumbuca!

Venha ouvir lindos sambas na interpretação da Paulinha Sanches (voz), Paulinho Timor (voz e percussão), Edu Batata (voz e cavaquinho), Marcelo Homero( surdo e voz) e Cacá Sorriso (pandeiro).

Horário: 21:00 hs - Entrada: R$ 7,00 - quinta-feira, 17.07.2008


Clube Etílico Musical - Vila Madalena - São Paulo

lipe canindé e choro em linha de passe

Clarinete: Mario Machado
Violão 7 Cordas: Lipe Canindé
Cavaquinho: Kiko Nogueira
Percussão: Tico Macambira
Surdo: Dudu Contreras

Choros de: Pixinguinha, Waldir Azevedo, Jacob do Bandolim, Severino Araújo, K-Ximbinho, Sivuca e autorais.


Sambas de: Paulinho da Viola, Zé Kéti, Candeia, Roberto Ribeiro, Cartola, Nelson Cavaquinho, João Nogueira e autorais.


Quando: Sexta-feira, 18 de Julho – 21:30h

Onde: BAR DA MEIRINHA


End.: Rua: Fradique Coutinho, 1048 – Pinheiros.


Fone: 3815-8456 - Couvert: R$ 8,00



sexta-feira, 11 de julho de 2008

um débito colossal

Este artigo de: FÁBIO KONDER COMPARATO, li e retirei do Painel do Zéphir

A ESCRAVIDÃO de africanos e afrodescendentes no Brasil foi o crime coletivo de mais longa duração praticado nas Américas e um dos mais hediondos que a história registra.


Milhões de jovens foram capturados durante séculos na África e conduzidos com a corda no pescoço até os portos de embarque, onde eram batizados e recebiam, com ferro em brasa, a marca de seus respectivos proprietários. Essa carga humana era acumulada no porão de tumbeiros, com menos de um metro de altura.


Aqui desembarcados, os infelizes eram conduzidos a um mercado público, para serem arrematados em leilão. O preço individual de cada "peça" dependia da largura dos punhos e dos tornozelos.


Nos domínios rurais, os negros, malnutridos, trabalhavam até 16 horas por dia, sob o chicote dos feitores. O tempo de vida do escravo brasileiro no eito nunca ultrapassou 12 anos, e a mortalidade sempre superou a natalidade; de onde o incentivo constante ao tráfico negreiro. Segundo as avaliações mais conservadoras, 3,5 milhões de africanos foram trazidos como cativos ao Brasil.


O seu enquadramento no trabalho rural fazia-se pela violência contínua. Daí a busca desesperada de libertação, pela fuga ou o suicídio. As punições faziam-se em público, geralmente pelo açoite. Era freqüente aplicar a um escravo até 300 chibatadas, quando o Código Criminal do império as limitava ao máximo de 50 por dia. Mas em caso de falta grave, os patrões não hesitavam em infligir mutilações: dedos decepados, dentes quebrados, seios furados.


Tudo isso sem contar o trauma irreversível da desculturação, pois todos os cativos eram brutalmente afastados de sua língua, de seus costumes e suas tradições. Desde o embarque na África, procurava-se agrupar indivíduos de etnias diferentes, falando línguas incompreensíveis uns para os outros. Para que pudessem se comunicar entre si, tinham que aprender a língua dos patrões, gritada pelos feitores. Foi esse, aliás, o principal fator de disseminação da "última flor do Lácio" em todo o território nacional.


Outro efeito desse crime coletivo foi a geral desestruturação dos laços familiares. As jovens escravas "de dentro" serviam habitualmente para saciar o impulso sexual dos machos da casa grande, enquanto na senzala homens e mulheres viviam em alojamentos separados. O acasalamento entre escravos era tolerado para a reprodução, jamais para a constituição de uma família regular.


O resultado inevitável foi a superposição do direito de propriedade aos deveres de parentesco, mesmo sangüíneo. Há alguns anos, um pesquisador ianque encontrou, no 1º Cartório de Notas de Campinas (SP), uma escritura pública de 1869, pela qual um varão, ao se tornar maior de idade, decidiu alforriar a própria mãe, que recebera por herança de seu progenitor.


O fato é que, em 13 de maio de 1888, abolimos a escravidão tal como encerramos, quase um século depois, os horrores do regime militar: viramos simplesmente a página. Os senhores de escravos e seus descendentes não se sentiram minimamente responsáveis pelas conseqüências do crime nefando praticado durante quase quatro séculos.


Ora, essas conseqüências permanecem bem marcadas até hoje em nossos costumes, nossa mentalidade social e nas relações econômicas. Atualmente, negros e pardos representam mais de 70% dos 10% mais pobres de nossa população. No mercado de trabalho, com a mesma qualificação e escolaridade, eles recebem em média quase a metade do salário pago aos brancos, e as mulheres negras, até metade da remuneração dos trabalhadores negros. Em nossas cidades, mais de dois terços dos jovens assassinados entre 15 e 18 anos são negros.


Na USP, a maior universidade da América Latina, os alunos negros não ultrapassam 2%, e, dos 5.400 professores, menos de dez são negros. É vergonhoso que tenhamos esperado 120 anos para ensaiar a primeira medida de apoio oficial à população negra: a reserva de vagas para matrícula em estabelecimentos de ensino superior.


No entanto, tal medida representa hoje o cumprimento de um expresso dever constitucional. O artigo 3º da Constituição de 1988 declara, como objetivos fundamentais da República, "erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais", bem como "promover o bem de todos", sem preconceitos de qualquer espécie.


Mas o preconceito que tisna os brasileiros de origem africana não é neles marcado apenas fisicamente, como se fazia outrora com ferro em brasa. Ele aparece registrado como uma degradação social permanente em todos os levantamentos estatísticos.


Que as nossas classes dominantes tenham, enfim, a mínima hombridade de reconhecer que esse colossal passivo de nossa herança histórica ainda nem começou a ser pago!


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FÁBIO KONDER COMPARATO , 71, é professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP e autor, entre outras obras, de "Ética - Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno" (Companhia das Letras).


Artigo publicado na FSP, de 08/07/2008


Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0807200808.htm

terça-feira, 8 de julho de 2008

elas cantam paulinho da viola



Show com Alaíde Costa, Célia, Cida Moreira, Fabiana Cozza e Milena numa homenagem à obra de Paulinho da Viola, o “Príncipe do Samba”, no ano em que são comemorados os 40 anos do lançamento do seu primeiro disco. As cinco cantoras de diferentes estilos e gerações sempre tiveram Paulinho nos seus trabalhos ao longo das suas carreiras. Além de grandes sucessos do autor, como Sinal Fechado, Dança da Solidão, Foi um rio que passou na minha vida, Pecado Capital e Argumento, o repertório inclui até suas canções menos conhecidas, algumas das quais foram gravadas pelas cantoras. Duração: 1h30. Teatro Paulo Autran. Recomendável para maiores de 7 anos. Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. Ingressos à venda pelo sistema INGRESSOSESC, a partir de 25/06.

R$15,00[inteira]
R$ 7,50[usuário matriculado no SESC e dependentes]
R$ 3,50[trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]