quarta-feira, 30 de abril de 2008

apartheid: espaço negro é discriminado e vigiado na virada cultural


Preâmbulo

Gente boa gente, o conteúdo da postagem que ora preambulo chegou-me por email repassado por uma amiga. Todavia, devo dizer que pude constatar o que o artigo abaixo, assinado por Dennis de Oliveira, narra em locus.

No sábado 26.04 por volta de 01h30, estávamos em quatro pessoas (dois homens e duas mulheres) e saímos do Largo do Paissandu, após tomarmos umas cervejas com um grupo maior de amigos, rumo ao Parque D. Pedro Para curtir as Equipes de Bailes Blacks.

Realmente o local destinado à black music e hip-hop e, conseqüentemente, a um maciço contigente do povo preto pobre, foi pensado de modo a segregar confinadamente aos pertencentes a tal segmento da população. Pareceu-me, e comentei com meus companheiros, que tudo foi planejado para que se repetisse o conflito entre platéia e polícia (a exemplo de 2007), pois o modo como os policiais se portavam (muito arrogantes) e que causou alguma tensão e sentimento de muita indignação em todos que foram submetidos a tal situação, de agudo desrespeito, dava a entender que eles, talvez, quisessem mesmo que houvesse uma explosão. E diferente do ano passado, não haveria como ninguém escapar-lhes.

Cabe ressaltar que quando entramos na Praça Sitiada fomos abusivamente revistados, contra o que me insurgi. Não gostei do modo (muito agressivo) com que o policial que me revistou me pediu para abrir a mochila da qual ainda reclamou por estar "cheia de muita coisa", dando a entender que isso lhe dificultava o trabalho. Ostensivamente perguntei-lhe se estava bravo e disse que realmente tinha sim muita coisa e fitei-o como quem diz: "E daí?!" Ele, talvez me achando um chato e ou pela carapinhha grisalha liberou-me a entrada sem mais... Fosse um garoto e, penso, levaria uma tapa na orelha e seria detido por... desacato a autoridade, talvez.

Ao, enfim, passarmos pela tropa, dirigimo-nos a uma barraca para comprarmos umas cervejas e, simplesmente, não tinha uma latinha sequer para ser vendida. Aliás, bebida nenhuma e nem havia previsão de chegada e a festa nem estava no auge. Foi lamentável... E pareceu-me tudo muito proposital, essa foi a impressão no pouquíssimo tempo que lá estivemos, cerca de 1 (uma) hora, por conta do adiantado estado de cansaço que experimentávamos e mais todo esse tratamento recebido.

Lembro ainda que quando saímos havia uma enorme fila para revista e um rapaz pedia aos policiais que, ao menos, organizassem melhor o processo que estava muito atabalhoada e muito demorado, o que irritava sobremaneira as pessoas. Como já disse, talvez fosse este o objetivo das autoridades... Quem sabe?!

Bem... deixo, agora, que vocês leiam o artigo.


APARTHEID: ESPAÇO NEGRO É DISCRIMINADO E VIGIADO NA VIRADA CULTURAL

Como os mecanismos racistas apareceram na organização da Virada Cultural, na sua cobertura e mesmo nos comportamentos de pessoas que freqüentaram os espaços de música negra.

Dennis de Oliveira*


Entre tantos confetes despejados pela mídia para a Virada Cultural - principalmente pelo fato do Poder Público mobilizar sua estrutura para criar um 'simulacro' de paz no degradado centro de São Paulo, permitindo que a classe média possa passear tranquilamente nas ruas cotidianamente ocupadas por mendigos, trombadinhas, prostitutas, vendedores de crack e outros párias - não passaram despercebidas as atitudes racistas da organização do evento para quem freqüentou o espaço destinado à apresentação dos grupos de hip-hop e black music.

Dentro da filosofia de segmentação dos espaços de acordo com os ritmos apresentados, a organização da Virada Cultural 'segregou' o hip-hop e a black music para um local mais distante do centro, a Praça Cívica do Parque D. Pedro, atrás da antiga sede da prefeitura, o Palácio das Indústrias. O local é de acesso difícil e fica mais distante da maioria dos espaços centrais onde aconteceram outras apresentações.

Os freqüentadores deste espaço na Virada, além de enfrentarem a distância, ainda passaram pelo constrangimento da ação ostensiva da Polícia Militar que mobilizou o seu maior contigente para este local e ainda praticaram atos que não se verificaram em outros espaços, como uma rigorosa revista em bolsas, sacolas e no próprio corpo, tanto em homens como em mulheres. A entrada de cervejas e refrigerantes em lata foi proibida (ao contrário de outros locais, onde a venda de bebidas era livre).

O rapper Rappin' Hood afirmou: 'Estamos sitiados'. Para Thaíde, 'a localização do palco é uma forma de demonstrar o preconceito'. Estas duas declarações foram publicadas na matéria Rappers reclamam de revista da polícia e do local do palco publicada na Folha de S. Paulo de 28 de abril, na página E-5. Na mesma página, a Folha de S. Paulo dá destaque para uma ação policial que impediu a apresentação de um grupo francês de dança no largo Santa Ifigênia. Esta mesma matéria é iniciada da seguinte forma: Foco de atenção da última Virada Cultural com o show dos Racionais MC's na praça da Sé - que terminou em pancadaria entre policiais e espectadores - o hip hop ficou longe do núcleo da festa nesta edição do ano.

O que se infere desta abertura da matéria é que a discriminação deu-se por conta de uma visão construída, a partir da generalização de um fato particular, de que show de rap é um risco e, portanto, deve ser segregado e colocado sob rígida vigilância. A lembrança ao episódio do ano passado que envolveu os Racionais também é lembrada na matéria sobre o problema com o grupo francês de dança, com destaque inclusive no 'olho' (O secretário municipal de cultura disse que a ferida de 2007 ainda está aberta).

Traduzindo: o fato que ocorreu no show dos Racionais no ano passado prejudicou, em primeiro lugar (seguindo a hierarquia estabelecida pelo jornal em termos de destaque) a apresentação do grupo francês de dança e também foi responsável pelo constrangimento a que tiveram que passar os fãs de hip-hop e black music neste ano. A culpa é dos pretos pobres que impedem que se civilize a cultura e o centro de São Paulo degradado pelos párias (prostitutas, mendigos, 'crackeiros', bêbados).

No palco do samba, na Santa Ifigênia, durante a apresentação do Quinteto em Branco e Preto no domingo à tarde, um grupo de jovens, brancos e declasse média, se divertia fumando cigarros e cigarros de maconha, bebendo latas e latas de cerveja e outras bebidas alcóolicas, apresentando-se totalmente tontos e prestes a cair em cima de pessoas - atitudes que socialmente são justificadas pelo visual 'hippie' e pela permissividade de comportamentos quando estes são praticados por pessoas da classe média branca em espaços negros. Nenhuma crítica moralista nisto, mas nota-se com os fatos que o inverso não é verdadeiro. Ou será que jovens negros podem ficar alterados com bebidas e drogas na apresentação, por exemplo, de um grupo de dança francês?


(*) Professor da Escola de Comunicações e Artes daUSP, jornalista, doutor em Ciências da Comunicaçãopela ECA/USP, presidente do Celacc (Centro deEstudos Latino Americanos de Cultura e Comunicação) e membro do Neinb (Núcleo deEstudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro).

E-mail:
dennisoliveira@uol.com.br
Site: http://dennisoliveira.sites.uol.com.br/
Blog: http://dennisoliveira.zip.net/

tim maia

Tim Maia (Website), nascido Sebas-tião Rodrigues Maia (Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1942 — Niterói, 15 de março de 1998) foi um cantor e músico brasileiro. Alcançou o sucesso a partir da década de 1970 e tornou-se um dos mais influentes cantores brasileiros. Morreu vítima de uma infecção generalizada, após a tentativa de um show em condições de saúde debilitada.


Carreira

Primeiros anos

Nascido no Bairro da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, na esquina da Campos Sales com Afonso Pena, começou a compor melodias ainda criança e já surpreendia a numerosa família caçula de 18 irmãos.

Se destacou pelo pioneirismo em trazer para a MPB o estilo soul de cantar. Com a voz grave e carregada, tornou-se um dos grandes nomes da música brasileira, conquistando grande vendagem e consagrando sucessos, lembrados até hoje, e que influenciaram o sobrinho, o cantor Ed Motta.

Pai da soul music brasileira, Tim Maia começou na música tocando bateria num grupo Tijucanos do Ritimo, formado na Igreja dos Capuchinhos próxima a sua casa, passando logo para o violão. Em 1957, fundou o grupo de rock Os Sputniks, do qual participaram Roberto Carlos, Arlênio Silva, Edson Trindade e Wellington, ao contrario do que muitos pensam Erasmo Carlos nunca fez parte do grupo; Erasmo fez parte do The Snakes, grupo que acompanhava tanto Roberto quanto Tim após o fim do The Sputiniks. Em 1959, foi para os Estados Unidos, onde estudou inglês e entrou em contato com a soul music, chegando a participar de um grupo vocal, o The Ideals. No entanto 4 anos mais tarde viria a ser deportado de volta para o Brasil. Em 1969, foi chamado para gravar em dueto com Elis Regina a sua composição “These Are The Songs” no disco da cantora.

Seu primeiro trabalho solo foi um compacto pela CBS em 1968, que trazia as musicas Meu pais e Sentimento (ambas de sua auto- ria, como todas as musicas sem indicação de autor). Sua carreira no Brasil fortaleceu-se a partir de 1969, quando gravou um compacto simples pela Fermata com These are the Songs (regravada no ano seguinte por Elis Regina em duo com ele, e incluída no LP Em pleno verão, de Elis) e What You Want to Bet.

Teve altos e baixos durante a carreira, como enfrentando o descaso de amigos, após a prisão em Nova York, além de problemas financeiros e drogas.


Anos 70

Em 1970 gravou seu primeiro LP, "Tim Maia", na Polygram, por indicação da banda "Os Mutantes", que permaneceu em primeiro lugar no Rio de Janeiro por 24 semanas. Neste disco, obteve sucesso com as faixas Primavera, Azul da cor do mar, Coronel Antônio Bento (Luís Wanderley e João do Vale), Primavera (Cassiano) e Eu e você. Até Elis Regina, reconhecendo o talento de Tim, gravou uma de suas composições em inglês, "These are the songs", no disco Em pleno verão, de 1970.

Nos três anos seguintes, pela mesma gravadora, lançou os discos Tim Maia volume II, tornando-se cada vez mais famoso com canções como a dançante "Não Quero Dinheiro (Só quero amar), na era Disco; Tim Maia volume III e Tim Maia volume IV, no qual se destacaram Gostava tanto de você (Edson Trindade) e Réu confesso. Em 1975 gravou os LPs Tim Maia racional vol. 1 e vol. 2. Em 1978 gravou para a Warner Tim Maia Disco Club, com um de seus maiores sucessos, Sossego.
Foi regravado por vários artistas, como Kid Abelha,Viper, Lulu Santos e Paralamas do Sucesso e recebeu até homenagens por parte de artistas do porte de Caetano Veloso e Jorge Ben Jor (W/Brasil).


Fase racional (1975-1976)

Na década de 70 entrou em contato com a ideologia Cultura Racional, liderada por Manuel Jacinto Coelho, um "guru" da ufologia, quando lançou, (1975), os álbuns Tim Maia Racional, volumes 1 e 2 pelo selo Seroma (abreviação do próprio nome Sebastião Rodrigues Maia).
São considerados até hoje como os melhores de Tim Maia, com grandes influências de funk e soul e pelo fato de que nesta época, Tim Maia manteu-se afastado dos vícios, o que se refletiu na qualidade da voz.

Desiludido com a ideologia, percebeu que o “mestre espiritual” Manuel não correspondeu ao ideal de um mestre. O cantor, revoltado, tirou de circulação os álbuns, tendo virado item de colecionadores, devido à raridade. Deste disco existem várias pérolas, uma das quais é Imunização Racional.

Já nos anos 2000 foram descobertas novas músicas pertencentes à "fase racional", no que foi entitulado de verdadeiro "racional 3", podendo-se mencionar as faixas: "You Gotta Be Rational", "Escrituração Racional", "Brasil Racional", "Universo em Desencanto Disco", "O Grão Mestre Varonil", "Do Nada ao Tudo" e "Minha Felicidade Racional", disponibilizadas apenas na Internet.
Após o término de sua fase racional, Tim voltou a seu antigo estilo de música e vida e mais sucessos se seguiram: “Sossego” (do LP “Tim Maia Disco Club”, de 1978), “Descobridor dos Sete Mares” (faixa-título do LP de 1983, que também trouxe “Me Dê Motivo”) e “Do Leme ao Pontal” (de “Tim Maia”, 1986).


Anos 80

Lançou em 1983 o LP O Descobridor dos Sete Mares, com destaque para a canção-titulo O Descobridor dos Sete Mares (Michel e Gilson Mendonça) e para Música "Me dê Motivo" (Michael Sullivan/Paulo Massadas) um dos seus maiores Sucessos. Em 1985, gravou Um Dia de Domingo, também de Sullivan e Massadas, num dueto com Gal Costa, obtendo grande sucesso. Outro disco importante da década de 1980 foi Tim Maia (1986), que trazia o hit Do Leme ao Pontal. Artista com histórico de problemas com as gravadoras, na década de 1970 fundou seu próprio selo, primeiramente Seroma e depois Vitória Regia. Por ele, lançou em 1990 Tim Maia interpreta clássicos da bossa nova, e mais tarde Voltou a clarear e Nova era glacial.


Anos 90

Descontente com as gravadoras, Tim Maia retomou a idéia da editora Seroma e da gravadora Vitória Régia Discos, pela qual passou a fazer seus lançamentos. Regravado por artistas do pop (Paralamas do Sucesso, Marisa Monte), Tim retribuiu a homenagem gravando “Como Uma Onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta, que foi grande sucesso nos anos 90, juntamente com seu álbum ao vivo, de 1992. De Jorge Ben Jor, ganharia o apelido de “o síndico do Brasil”, na música “W Brasil”. Ao longo da década, Tim gravaria discos de bossa nova (um deles com Os Cariocas) e de versões clássicos do pop e do soul (“What a Wonderful World”).

Em 1993, dois acontecimentos reimpulsionaram a carreira: a citação feita por Jorge Ben Jor na canção W/Brasil e uma regravação que fez de Como uma onda (Lulu Santos e Nelson Motta) para um comercial de televisão, de grande sucesso e incluída no CD Tim Maia, do mesmo ano. Assim, aumentou muito a produtividade nesta década, gravando mais de um disco por ano com grande versatilidade: o repertório passou a abranger bossa nova, canções românticas,'funks e souls. Também teve muitas composições regravadas por artistas da nova geração, como Paralamas do Sucesso, Marisa Monte e Skank.

Em 1996 lançou dois CDs ao mesmo tempo: Amigo do rei, juntamente com Os Cariocas, e What a Wonderful World, com recriações de standards do soul e do pop norte-americanos dos anos de 1950 a 1970. Em 1997 lançou mais três CDs, perfazendo 32 discos em 28 anos de carreira. Nesse mesmo ano fez uma nova viagem aos Estados Unidos.


Vida pessoal

Teve graves problemas com vícios. Chegava a beber três garrafas de uísque por dia, além do uso de maconha e cocaína. Colecionou desafetos e processos trabalhistas -- de músicos contra ele e dele contra gravadoras --, além de renegar publicamente antigas amizades, ameaçar críticos e faltar a espetáculos. Exemplo disso foi o atraso de três horas para um show no clube Noites Cariocas; isto porque Tim desejou receber o cachê em espécie para cantar, e, mesmo após ter seu desejo atendido, recusou-se a pegar o bondinho por medo de altura. Passou anos sem se apresentar na Rede Globo e acusava o executivo da emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, de ser o culpado pelo boicote. Outro conhecido inimigo ele denominava ETA, “Exploradores do Talento Alheio”, formado por empresários e donos de casas de espetáculos.

Viveu nos Estados Unidos entre 1959 e 1963, até ser preso por posse de drogas, sendo em seguida deportado. No final de sua vida sofreu com problemas relacionados a obesidade, diabetes e problemas respiratórios.

Durante a gravação de um espetáculo para a TV no Teatro Municipal na cidade de Niterói, no dia 3 de março de 1998, Tim tentou cantar, mesmo sabendo de sua má condição de saúde. Não conseguiu e retirou-se sem dar explicações; terminou sendo levado para o hospital numa ambulância, vindo a falecer em 15 de Março em Niterói, após internação hospitalar devido a uma infecção generalizada. No ano seguinte, seria homenageado por vários artistas da MPB num show tributo, que se transformou em disco, especial de TV e vídeo.
Em janeiro de 2001, em uma homenagem inusitada, o guitarrista Robin Finck do Guns N' Roses tocou uma versão rocker de seu sucesso Sossego, durante a apresentação da banda no Rock In Rio III.

Entre tantas homenagens de qualidade já feitas a ele a mais recente foi no dia 14 de dezembro de 2007, a Rede Globo homenageou Tim no especial Por Toda a Minha Vida que pode ser visto no Youtube e cujos links dispomos a seguir:


Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 1

Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 2

Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 3

Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 4

Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 5

Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 6

Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 7

Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 8

Por toda aminha vida - Tim Maia - Parte 9


Para obter a listagem daobra produzida por TIM basta clicar nos links seguintes:


Para obter imagens de Tim Maia clique aqui


Ligações externas

Letras de Tim Maia.
ABC do Tim Maia Racional. Uma introdução a quem quer se iniciar num dos mais cultuados e obscuros discos da black music nacional .
http://www.objetiva.com.br/valetudo/ .


CDs Recomendados pelo http://www.mpbnett.com.br/:

Tim Maia in Concert
Tim Maia Racional
O Descobridor dos 7 Mares
Vou Pedir pra Você Voltar
Velhos Camaradas Tim Maia
Tim Maia Disco Club
Novo Millennium: Tim Maia
O Melhor de Tim Maia


Referência bibliográfica


Até Parece Que Foi Sonho - Meus 30 anos de Amizade e Trabalho com Tim Maia. Ed. Matrix.
As interpretações de Tim Maia. Ed. Irmãos Vitale.
Mota, Nelson. Vale Tudo, O som e a fúria de Tim Maia. Ed. Objetiva.


Origem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_maia

terça-feira, 29 de abril de 2008

robert johnson


Robert Leroy Johnson (8 de Maio, 1911 – 16 de Agosto, 1938) foi um cantor, guitarrista Norte-americano de Blues. Johnson é um dos músicos mais influentes do Mississippi Delta Blues e é uma importante referência para a padronização do consagrado formato de 12 compassos para o Blues.


Vida

Johnson nasceu em Hazlehurst, Mississippi. Sua data de nascimento oficialmente aceita (1911) provavelmente está errada. Registros existentes (documentos escolares, certidões de casamento e certidão de óbito) sugerem diferentes datas entre 1909 e 1912, embora nenhum contenha a data de 1911.

Robert Johnson gravou apenas 29 músicas em um total de 42 faixas, em duas sessões de gravação em San Antonio, Texas, em Novembro de 1936 e em Dallas, Texas, em Junho de 1937. Treze músicas foram gravadas duas vezes. Suas músicas continuam sendo interpretadas e adaptadas por diversos artistas, como Eric Clapton, The Rolling Stones, The Blues Brothers, Red Hot Chili Peppers e The White Stripes.

Em 1938 Johnson bebeu whisky envenenado com estricnina, supostamente preparado pelo marido ciumento de uma de suas amantes. Johnson se recuperou do envenenamento, mas contraiu pneumonia e morreu 3 dias depois, em 16 de Agosto de 1938, em Greenwood, Mississippi. Há várias versões populares para sua morte: que haveria morrido envenenado pelo whisky, que haveria morrido de sífilis e que havia sido assassinado com arma de fogo. Seu certificado de óbito cita apenas "No Doctor" (Sem Médico) como causa da morte.

Outro mito popular recorrente sugere que Johnson vendeu sua alma ao diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississippi em troca da proeza para tocar guitarra. Este mito foi difundido principalmente por Son House, e ganhou força devido às letras de algumas de suas músicas, como "Crossroads Blues".


Influência

Johnson é freqüentemente citado como "o maior cantor de blues de todos os tempos", ou mesmo como o mais importante músico do Século XX, mas muitos ouvintes se desapontam ao conhecer o seu trabalho, pois o estilo peculiar do Delta Blues e o padrão técnico das gravações de sua época estão muito distantes dos padrões estéticos e técnicos atuais.

Embora Johnson certamente não tenha inventado o blues, que já vinha sendo gravado 15 anos antes de suas gravações, seu trabalho modificou o estilo de execução, empregando mais técnica, riffs mais elaborados e maior ênfase no uso das cordas graves para criar um ritmo regular. Suas principais influências foram Son House, Leroy Carr, Kokomo Arnold e Peetie Wheatstraw. Johnson tocou com o jovem Howlin' Wolf e Sonny Boy Williamson II (que afirma ter estado presente no dia do envenenamento de Johnson e ter alertado Johnson sobre a garrafa de whisky). Johnson influenciou Elmore James e Muddy Waters, e o blues elétrico de Chicago na década de 1950 foi criado em torno do estilo de Johnson. Há uma linha direta de influência entre a obra de Johnson e o Rock and roll que se tornaria popular no pós-guerra.

Anos após sua morte, o grupo de admiradores de Johnson cresceu e inclui astros do rock como Keith Richards e Eric Clapton.

Em 1999 os The White Stripes lançaram no seu álbum de estreia homónimo uma canção de Johnson; Stop Breaking Down.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Robert_Johnson

earthlings (terráqueos)

EARTHLINGS (Terráqueos) é um documentário sobre a absoluta dependência da humanidade em animais (para companhia, comida, roupa, entretenimento, e pesquisa científica) mas também demonstra nosso completo desrespeito por estes chamados 'provedores não-humanos.'

O filme é narrado pelo indicado ao Oscar Joaquin Phoenix (Gladiador) e apresenta música pelo artista de platina renomado pela crítica Moby.


Com um estudo profundo em pet shops, fábricas de filhotes e abrigos de animais, como também em fazendas industriais, o comércio de couro e de peles, as indústrias de esportes e entretenimento, e finalmente a profissão médica e científica, EARTHLINGS usa câmeras escondidas e imagens nunca antes vistas para demonstrar as práticas cotidianas de algumas das maiores indústrias do mundo, todas as quais dependem totalmente de animais para o lucro.

Poderoso, informativo e provocador, EARTHLINGS é de longe o documentário mais compreensível já produzido na correlação entre a natureza, animais, e os interesses econômicos humanos. Existem muitos filmes valiosos de direitos dos animais, mas este transcende o cenário. EARTHLINGS grita para ser visto.

'Se eu pudesse fazer com que todos no mundo vissem um filme, eu os faria ver EARTHLINGS.' Peter Singer, autor do livro Libertação Animal.


Para ver o filme clique aqui.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

e disse o filósofo:


"Antes um bêbado lúcido que um sóbrio louco!" (Ninão)

crise agrícola gera oportunidade ao país


Publicado na Folha de São Paulo
Domingo, 27 de abril de 2008 e ententemos



Brasil deve aproveitar momento para fazer acordos longos com importadores, obter investimento e avançar na industrialização.

Crise agrícola gera oportunidade ao país Crise agrícola gera oportunidade ao país No entanto, ainda existem barreiras internas para aumentar participação no mercado de alimentos, como juros altos e impostos.

MAURO ZAFALON
DA REDAÇÃO


A crise atual no setor de alimentos abre grandes oportunidades para o Brasil. Mas o país não pode pensar só em volume, como sempre ocorreu, mas em estratégias de produção e de comercialização mundial.Seguramente o mundo não será mais o mesmo nas negociações internacionais após o forte desequilíbrio atual entre produção e consumo. E esse desequilíbrio, diferentemente do que se verificou em outras crises, não tem um peso preponderante das quebras de safras, mas de elevação de consumo. Os emergentes têm mais renda e comem mais e melhor.

Demanda por alimentos de um lado e biocombustíveis de outro levaram, aos poucos, os estoques mundiais para níveis perigosos neste momento.

Os EUA, por exemplo, líderes mundiais em produção de milho, mas que adotaram o produto como energia alternativa, chegam ao final do ano-safra 2008/9 com estoques suficientes para apenas mais 14 dias. O de soja será de apenas 34 dias.

Oferta aquecida, demanda apertada e estoques baixos foram o estopim para uma aceleração nos preços, incrementada ainda mais pelos fundos de investimentos, que também escolheram as commodities agrícolas para investir.

Com esse cenário, a menos que haja uma redução muito forte no ritmo da economia mundial, a demanda por alimentos vai continuar forte e, nos patamares atuais de produção, a reposição dos estoques demora alguns anos.

Países como Japão e China, grandes importadores de alimentos e com muito dinheiro em caixa, provavelmente vão pensar em abastecimento de produtos básicos com uma visão de mais longo prazo.


Alto custo

Aí entram as oportunidades do Brasil. O país elevou em muito a produtividade nos últimos anos, mas ainda patina no processo de produção devido a elevados custos e baixo poder financeiro dos produtores.

Governo, cooperativas e câmaras de comércio deveriam buscar acordos internacionais de longo prazo com esses países carentes em alimentos e torná-los responsáveis pela comida que consomem, do plantio à produção final.

O Japão, por exemplo, um dos grandes importadores mundiais de alimentos, empresta dinheiro a um juro próximo de 0,5% ao ano no mercado financeiro mundial. Com uma taxa semelhante, os agricultores brasileiros diminuiriam em muito os custos, elevariam a rentabilidade e estariam dispostos a investir ainda mais na agropecuária.

Os produtores brasileiros, de certa forma, já fazem vendas antecipadas às tradings, mas indiretamente acabam tendo, embutidas no produto vendido, taxas de até 8% de custos financeiros, descontados dos preços finais. Essa diferença de taxas significaria um grande ganho para o produtor.

Os contratos de produção com esses países poderiam contemplar, ainda, uma garantia de seguros de produção, um dos gargalos dos brasileiros no momento. Os contratos poderiam ser de longo prazo, de cinco a dez anos, o que garantiria abastecimento aos importadores e investimentos por aqui na produção. Quanto aos preços finais dos produtos, seriam ajustados conforme valores vigentes no mercado internacional de cada período.

Outra grande oportunidade para o Brasil neste momento é a agregação de valores. O Brasil deveria pensar em uma estratégia de longo prazo para elevar a industrialização, diminuindo as vendas externas de matérias-primas, com menor valor. Isso significa romper algumas barreiras impostas por muitos países importadores. E este é o melhor momento porque eles precisam de alimentos.


Mudanças tarifárias

Mas, para isso, o país precisa de mudanças tarifárias internas. A passagem de matérias-primas de um Estado para outro pode tornar a industrialização inviável devido à diferença de impostos interestaduais.

No caminho inverso, o adubo importado pode chegar a Mato Grosso sem pagar impostos, mas, se sair de misturadoras brasileiras, é tributado, elevando o custo.

O Brasil pode ser um dos principais fornecedores de alimentos e de biocombustíveis, principalmente por deter a maior disponibilidade de terras agricultáveis do mundo.

Com isso, o país poderia aprimorar acordos com países dependentes em alimentação ou empresas ligadas ao setor para desenvolver também a infra-estrutura, um dos gargalos para o setor de grãos.

Os investimentos feitos por esses países ou empresas garantiriam acesso a produtos de que necessitam.

v colóquio trabalho forçado africano - 120 anos da abolição

Em 2008, a abolição da escravatura no Brasil completa 120 anos. Como sesabe, o Brasil foi o último país nas Américas a extinguir a escravidão,evidenciando a importância desta instituição nas ex-colónias portuguesas.Com o objectivo de fomentar e consolidar as redes de investigação nestecampo, garantindo formas de difusão do conhecimento já produzido a esserespeito, a Secretaria de Cultura, através da Fundação Pedro Calmon, emparceria com o CEAUP, com o Programa de Pós Graduação em História da UFBA, oPrograma de Pós Graduação em História da UEFS e a Pró Reitoria de Extensãoda UNEB realizarão no período de 3 a 5 de Novembro de 2008, a primeiraedição no país do Colóquio Trabalho Forçado Africano.

O Colóquio Trabalho Forçado Africano que o Centro de Estudos Africanos daUniversidade do Porto (CEAUP) vem organizando desde 2004, visa a promoção do diálogo entre pesquisadores e a divulgação para o público em geral dasmodalidades do trabalho forçado africano, desde o século XVI até à actualidade.

A realização do V Colóquio Internacional Trabalho Forçado Africano – Brasil,120 anos de abolição também possibilitará que se reúna, pela primeira vez, arede EURESCL, acrónimo de um projecto euro-afro-americano para o estudo dotrabalho forçado africano, que engloba o CNRS francês bem como asUniversidade de Hull, Porto (CEAUP), Dakar e Toronto. Assim como nos anosanteriores, o Colóquio ainda resultará numa publicação com textos nessa áreado conhecimento.

Mais informações sobre Programa e Inscrições em:
http://www.fpc.ba.gov.br/coloquio.asp

Centro de Estudos Africanos U. P.

Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Via Panorâmica s/n

4150-564 Porto

telefax: +351226077141

e-mail: ceaup@letras.up.pt

URL: http://www.africanos.eu/

inscrições abertas para o curso de suaíli

“Introdução à Língua e Cultura Suaíli (Swahili ou Kiswahili)”

O Centro de Línguas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo comunica a todos a abertura de inscrições para o curso de “Introdução à Língua e Cultura Suaíli (Swahili ou Kiswahili)”.

O Suaíli é um idioma bantu falado em diversos países africanos. No curso serão abordados os seguintes aspectos: histórico da cultura e língua suaíli; saudações; estrutura das classes nominais; estrutura dos verbos; tempos verbais; construção dos adjetivos; construção dos possessivos; numerais; datas e horas.

O curso terá início no dia 6 de maio e término no dia 26 de junho de 2008. As aulas serão às terças e quintas-feiras das 14h às 16h.

As matrículas para ocorrerão:

de 28 de abril a 5 de maio de 2008, das 9h30 às 12h15 e das 13h45 às 17h;


na sala 263 do prédio de Letras (Av. Prof. Luciano Gualberto, nº 403, Cidade
Universitária – São Paulo-SP).


Para maiores informações, acesse nosso site www.fflch.usp.br/cl ou entre em contato pelo telefone (11) 3091 4851 ou pelo e-mail: clinguas@edu.usp.br.

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Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - USP
Av. Prof. Luciano Gualberto, 403 (Prédio de Letras) - Sala 263
Cidade Universitária – São Paulo-SP
CEP: 05508-900


sexta-feira, 25 de abril de 2008

virada cultural 2008: escolha o que curtir!

Neste final de semana, sábado e domingo, dias 26 e 27 de abril acontece a VIRADA CULTURAL 2008. O evento será constituido de centenas de atividades, shows/mostras: música, dança, teatro, cinema... e terá a duração de 24h (vinte e quatro horas) com início as 18h00 do sábado e as 18h00 dotérmino domingo.

Uma das atividades que não está na agenda oficial, mas que é de relevância e indicada é a do Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco que ocorre no domingo a partir das 16h00 na Casa de Cultura Afro-Brasileira CASA de ANGOLA, situada à Avenida Visconde de Nova Granada nº 11, no bairro Km 18 e Osasco, SP. Para informações detalhadas clique aqui.

Para saber sobre a programação da Virada Cultural 2008, clique aqui

Mais sobre a Virada Cultural 2008:

sexta-feira, 18 de abril de 2008

toni c.: por que o caso isabella comove?

Não tomei conhecimento desde o princípio do caso de Isabella, cinco anos, encontrada morta no jardim de um prédio na zona norte de São Paulo no último dia 29. Mas aos poucos fui me inteirando, tomando conhecimento. Virou uma discussão nacional, onde é impossível não se envolver emocionalmente.

Onipresente nos meios de comunicação há mais de duas semanas. Não há como tomar conhecimento e não se perguntar: Por quê? Quem?... Fui substituindo as perguntas, e entre as novas passou a surgir... “Por que o caso Isabella comove tanto o país?

Por Toni C. Leia na íntegra!

Fonte: http://www.vermelho.org.br/base.asp

segunda-feira, 14 de abril de 2008

sugestão de vídeo: vídeo "café com leite (água e azeite?)"


"Café com leite (água e azeite?)", 30 min., 2007
Direção, produção, roteiro: Guiomar Ramos
Co-produção: Tatu Filmes
Edição: Márcio Perez

"Café com leite" apresenta uma reflexão sobre o Mito da Democracia Racial no Brasil através de depoimentos dos professores da FFLCH-USP, Antonio Sérgio Guimarães, Kabengelê Munanga, a diretora do Geledés, Sueli Carneiro e o antropólogo Batista Félix. Alunos da pós-graduação da FFLCH como Márcio Macedo e Uvanderson da Silva também participam do debate.

Os cineastas Jeferson De, Noel Carvalho e a atriz Zezé Motta traçam comentários sobre a Democracia Racial. O documentário apresenta ainda trechos de filmes adaptados da obra de Jorge Amado, como "Jubiabá" e "Tenda dos Milagres", de Nelson Pereira dos Santos e "Assalto ao trem pagador" de Roberto Farias e também imagens da luta do negro no Brasil através do arquivo de Abdias do Nascimento.

O vídeo no YouTube está dividido em 6 partes, veja abaixo.
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em cartaz: parem de falar mal da rotina

Elisa Lucinda em seu novo espetáculo...

'Parem de falar mal da rotina' é um espetáculo interativo que provoca em seu público uma divertida reflexão sobre o cotidiano de cada um. Utilizando versos e conversas despojadas sobre a rotina, o espetáculo é uma espécie de espelho capaz de projetar mil possibilidades, provocando verdadeiras transformações em nossas relações sociais, de trabalho e pessoais. A partir deste novo olhar, o espectador-participante percebe que é ele o roteirista, produtor, ator e diretor da sua própria rotina: o espetáculo da sua vida.

O 'Parem de Falar Mal da Rotina' nasceu da grande lição e das inúmeras lições que a natureza nos ensina todo dia. A grande lição é a capacidade de estréia que faz tudo na natureza acontecer de forma espetacular, diariamente: o nascer do sol, os céus, a chuva, as estrelas, os ventos e as tardes. Temos essa grande lição e as outras liçõezinhas, provenientes dela. A natureza ensina a toda gente, mas, às vezes, alunos distraídos que somos, não vemos o lindo óbvio que ela nos oferece e as dicas que ela pode nos dar na condução do nosso cotidiano.

Muitos versos essa natureza ensina e ensinou a essa artista, muitas histórias seu olhar de poeta e de criança, de atriz e de mulher, observou e captou dessas lições. E é dessas folhas, dessas palhas, desse algodão, desse feno que é composto o ninho desse espetáculo.

O 'Parem de Falar Mal da Rotina' é uma costura bem-humorada, sincera e séria, sobre o fundamento da rotina e pretende, com a força teatral desses óbvios cotidianos encenados, lançar um novo olhar sobre o manejo do dia-a-dia. O espectador encontrará no palco sua mulher, seu filho, seu amigo, sua vizinha, seu humano e seu ridículo, seu cárcere e sua saída.

Em sua primeira temporada no Teatro Carlos Gomes, centenas de espectadores aplaudiram de pé todas as sessões.

Alguém do público uma vez comentou, que a autora e atriz Elisa Lucinda deveria pagar direitos autorais a ela, pois tudo que Elisa dizia no palco se referia diretamente a ela, tinha se passado na vida dela.

A maioria retorna com mãe, pai, parentes e amigos, para que mais pessoas aprendam a lição. Não há um público especifico para o 'Parem ...'. Toda a gente pode ir e curtir, não há faixa etária ideal, nem classe social.

Deselitizando a poesia, Elisa Lucinda que diz o texto poético como quem conversa com o público, emociona e diverte com suas palavras, gente de todo o tipo e de dez a cem anos. Os versos e as histórias que compõem o 'Parem de falar Mal da Rotina' são compreensões que estão em forma de acertos e erros em toda obra dessa autora-atriz, mas principalmente traduzidos pelo livro 'Euteamo e suas estréias', que foi o que melhor estruturou o conceito teórico dessas estréias do cotidiano. Sem pretender isso, talvez esse espetáculo, seja uma auto-ajuda inteligente, uma aula de cidadania através da educação emocional; pois cuidando melhor de nossa rotina, autores e protagonistas que somos dela, cuidaremos melhor de nós mesmos, dos que nos cercam e do mundo à nossa volta.

Elisa Lucinda costuma dizer que gosta de sair da leitura de um livro, de uma exposição de arte, de um espetáculo teatral ou de um filme, tocada, acrescentada, enfim, diferente de quando entrou. Esse para ela é o papel da arte. E o mesmo deseja a seu público. Portanto, apertem os cintos e boa viagem!

Origem deste texto.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

quem matou salomão ayala? quem matou odete roitman? enfim... quem matou isabella?


Pois é, gente boa gente... mais uma novela! Bem, desta vez não comentarei, mas indicarei postagem de um outro sítio que de algum modo diz sobre o que penso a respeito. A ela!




Albergaria: "Caso Isabella virou novela doentia"



"Particularmente creio que a exposição do caso é exagerada. Lógico que o crime foi cruel e os culpados devem ser encontrados e condenados, mas quantas Isabellas não perdem suas vidas diariamente sem que suas trajetórias tornem-se um entretenimento mórbido e simples pontos no Ibope? E mais uma vez pergunto: porque o brasileiro é capaz de descobrir os culpados antes da polícia, e já aponta quem foi (ou foram) capaz de cometer este crime? Esse povo, que nem votar sabe…"


Claudio Leal

A morte de Isabella Nardoni, 5 anos, deu início a uma novela midiática à procura de desfecho. Em 29 de março, a menina morreu após uma queda da janela do apartamento do pai, Alexandre, na Zona Norte de São Paulo. A polícia investiga a autoria do crime e tem como principais suspeitos o pai e a madrasta de Isabella, Anna Carolina.

Há indícios de que ela tenha sido assassinada. Esse é o enredo central. O resto, segundo o antropólogo Roberto Albergaria, é a construção de uma novela "trágica" e "doentia". Leia na íntegra.

Fonte: Terra Magazine

almoço no projeto nosso samba!!!




Salve salve Gente boa gente do samba ou simpatizante!!!

Lembramos a todos(as) que neste domingo dia 13.04.08 haverá o nosso já tradicional almoço (a a ser servido das 12h00 às 15h00) e cujo cardápio desta vez será: Feijão de Corda com Carne Seca. Os convites podem ser adquiridos com os integrantes do PNS ao preço de R$ 15,00 (quinze reais) por pessoa.

Lembramos ainda que após o almoço haverá a tradicional Roda de Samba do Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco.

O local do Evento é a Casa de Cultura Afro-Brasileira CASA de ANGOLA, Av. Visc. de Nova Granada, 11 - Bairro Km 18, Osasco - SP. Como chegar? Clique aqui para saber! Contamos com a sua presença!

Abraços e... saudações sambísticas!!!

terça-feira, 8 de abril de 2008

livros da fundação perseu abramo para download grátis - divulguem!

A Editora Perseu Abramo está dando um grande exemplo que deve ser divulgado e parabenizado. Recentemente liberou 43 obras para download na Internet. Algumas obras ainda estão em copyright, mas os autores permitem o seu uso justo, ou seja, garantem que você pode baixar seus livros legalmente para uso individual. Outros livros, como Software Livre: a luta pela liberdade do conhecimento, estão em Creative Commons.

Esta iniciativa chama-se Biblioteca Digital e pode ser acessada no site:


A Editora promete soltar em breve outras publicações na rede. Vamos divulgar e apoiar mais esta grande ação na luta pela cultura livre. Veja a lista de livros liberados:



  • Armadilha da dívida, A – Valter Pomar e Reinaldo Gonçalves ©

  • Bolsa Família – Marco Aurélio Weiissheimer ©

  • Brasil desempregado, O – Jorge Mattoso ©

  • Brasil endividado, O – Valter Pomar e Reinaldo Gonçalves ©

  • Brasil privatizado, O – Aloysio Biondi Creative Commons

  • Brasil privatizado II, O – Aloysio Biondi Creative Commons

  • Celso Furtado e o Brasil – Maria da Conceição Tavares (org.) ©

  • Classes sociais em mudança e a luta pelo socialismo – Francisco de Oliveira, José Genoino e João Pedro Stedile ©

  • Comércio internacional e desenvolvimento – Kjeld Jakobsen ©

  • Democratização do Parlamento – Zilah Wendel Abramo e Mila Frati (orgs.) ©

  • Economia socialista – Paul Singer e João Machado ©

  • Esperança equilibrista, A – Juarez Guimarães ©

  • Fórum Social Mundial – José Correa Leite Creative Commons

  • Globalização e socialismo – Paul Singer, Maria da Conceição Tavares, Emir Sader e Eduardo Jorge ©

  • Governo e cidadania – Inês Magalhães, Luiz Barreto e Vicente Trevas (orgs.) ©

  • Governos estaduais: desafios e avanços – Jorge Bittra (org.) ©

  • Hip Hop: a periferia grita – Janaina Rocha, Patrícia Casseano e Mirella Domenich ©

  • Instituições políticas no socialismo – Tarso Genro, Edmilson Rodrigues e José Dirceu ©

  • Josué de Castro e o Brasil – Vários autores ©

  • Máfia das propinas, A – José Eduardo Cardozo ©

  • Mapa do trabalho informal – Paul Singer, Marcio Pochmann, Kjeld Jakobsen e Renato Martins ©

  • Mário Pedrosa e o Brasil – José Castilho Marques Neto (org.) ©

  • Massacre na Lapa – Pedro Estevam da Rocha Pomar Creative Commons

  • Modo petista de ação parlamentar, O – Fernando Antonio Nacif, José Cavalli Júnior, Selma Rocha e Zilah Wendel Abramo ©

  • Mulher e política – Ângela Borba, Nalu Faria e Tatau Godinho (orgs.) ©

  • Negro e o socialismo, O – Octavio Ianni, Benedita da Silva, Gevanilda Gomes Santos e Luiz Alberto Silva Santos ©

  • Novos espaços democráticos – Tarso Genro, Antonio Gutiérrez Vegara, Francisco Miguel Fernández Marugán e Jaime Montalvo Correa ©

  • Olhar sobre o mundo, Um – Kjeld Jakobsen ©

  • Orçamento participativo e socialismo – Olívio Dutra e Maria Victoria Benevides ©

  • Patriotas e traidores – Mark Twain ©

  • Poder local e socialismo – Celso Daniel, Marina Silva, Miguel Rosseto © e Ladislau Dowbor Creative Commons

  • Previdência social no Brasil, A – Vários autores ©

  • Rememória – Ricardo de Azevedo e Flamarion Maués (orgs.) ©

  • Retrato do Brasil, Um – José Prata Araújo ©

  • Revolução tecnológica, internet e socialismo – Maria Rita Kehl, Bernardo Kucinski, Laymert Garcia dos Santos e Walter Pinheiro ©

  • Seca e poder – Celso Furtado ©

  • Segurança Alimentar – Marlene da Rocha (org.) ©

  • Sindicatos, cooperativas e socialismo – Fernando Haddad, Ricardo Antunes, Gilmar Mauro e Gilmar Carneiro ©

  • Socialismo e globalização financeira – Reinaldo Gonçalves, Ronald Rocha, Tania Bacelar e João Sayad ©

  • Socialismo no século XXI – Marco Aurélio Garcia, Juarez Guimarães e Valter Pomar ©

  • Software livre – Sérgio Amadeu da Silveira Creative CommonsUniversidade sitiada – Luiz Carlos de Menezes ©

omo-ayê apresenta musical afro odara

‘Odara’ comemora três anos de espetáculo em São Paulopeça do Grupo Omo-Ayê reúne teatro, dança e música afro.

“Odara – Tradição, Cultura e Costumes de Um Povo”, musical afro encenado pelo Grupo Afro Cultural Omo-Ayê, está comemorando três anos em cartaz nacidade de São Paulo. São mais de cem apresentações no palco do CaféConcerto Uranus (Rua Dr. Carvalho de Mendonça, 40 – Campos Elíseos),Centro. As apresentações acontecem todas às quintas-feiras, às 21 horas.A peça, escrita e dirigida por Márcio Telles, reúne teatro, música e dançapara falar sobre a criação do mundo, segundo a cultura Yorubá, grupoétnico africano que representa 18% da população da Nigéria, comcomunidades pequenas no Brasil.

O elenco, com 45 atores, dançarinos e percussionistas, se reveza em umtexto interativo, onde figuram Orixás, capoeira, samba de roda e batuques.A história é contada por uma negra “centenária”, vivida pela atriz LenaSilva, que vivenciou glórias e tragédias de um povo africano. A personagemfaz sua narração se misturando à platéia e convida para uma viagemmusical, com efeitos de luzes, que parte do Continente Africano e chega aoBrasil, com uma explosão contagiante de sons. A proposta do grupo tambémé a reflexão para temas como discriminação racial, inclusão étnica evalorização da cultura afro-brasileira e africana.


Serviço

Espetáculo Musical: Odara – Tradição, Cultura e Costumes de Um Povo
Texto: Marcio Telles
Direção Geral: Marcio Telles
Duração: 70 minutos
Local: Café Concerto Uranos
Endereço: Rua Dr. Carvalho de Mendonça, 40 – Campos Elíseos (Centro)
Ingressos: R$ 25,00
Desconto: 50% para reservas pelo telefone (11) 3822-2801
Informações e Reservas: 11 – 3822-2801

Informações à imprensa:
Central de Comunicação
Fone/Fax: 11. 3782-9304
Atendimento: Chris Molina – (11. 8947-3075)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

julgamento popular do borba gato

O conteúdo desta postagem chegou-me por email enviado pelo guerreiro amigo Serginho Poeta.
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Manoel Borba Gato nasceu em 1649 e foi personagem chave na fundação da Vila de Santo Amaro. Foi um "aventureiro empreendedor" que realizou expedições em busca de pedras preciosas e ouro.

Para alcançar seus objetivos promoveu o trabalho escravo de índios e negros, além de estuprar mulheres negras e índias e de se apropriar de riquezas naturais em benefício próprio e dos colonizadores do Brasil. Assassinou o Administrador Geral das Minas, mas quando encontrou ouro em Minas Gerais pagou seu perdão por ter matado o fidalgo e voltou a ocupar cargos importantes para a coroa colonizadora.

Julgar Borba Gato é um ato de quem não se conforma com o domínio continuado de uma cultura que atende apenas aos interesses de uma classe – a que se orgulha de ser herdeira dessa história 'quatrocentona' e que até hoje enfia garganta abaixo de toda uma nação valores culturais que garantem a sua continuidade no poder.


A acusação
  1. Promoção de trabalho escravo e homicídios de negros e índios;
  2. Estupro de mulheres negras e índias;
  3. Roubo de ouro e pedras precisas brasileiras.


O julgamento

No dia oficializado como "Dia do Índio", artistas, índios, convidados e a população em geral vão discutir estas questões promovendo o Julgamento Popular do Borba Gato.

Não há um veredicto pré-determinado. Um júri popular será formado no local para decidir por sua absolvição ou condenação e pena.

Venha participar desta Guerrilha Cultural, pois é por meio dos valores culturais que podemos atuar em profundidade para a valorização de índios, negros e brancos e do mameluco brasileiro sem deixar ninguém de fora.


'Toró de Parpite'

Seja parceiro de uma cultura de re-significação e transformação – venha colaborar no planejamento da ação, dia 05 de abril às 11h00 em frente a estátua.

Ação: JULGAMENTO POPULAR DO BORBA GATO
Quando:
19 de abril (sábado) às 11h00
Onde: Confluência das avenidas Santo Amaro e Adolfo Pinheiro – em frente à estátua do Borba Gato

"Nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou atrás". (ditado africano)

contato julgamentopopular@hotmail.com

martin luther king

Martin Luther King nasceu em 15 de janeiro de 1929 em Atlanta na Georgia, filho primogênito de uma família de negros norte-americanos de classe média.Seu pai era pastor batista e sua mãe era professora.

Com 19 anos de idade Luther King se tornou pastor batista e mais tarde se formou teólogo no Seminário de Crozer. Também fez pós-graduação na universidade de Boston, onde conheceu Coretta Scott, uma estudante de música com quem se casou.

Em seus estudos se dedicou aos temas de filosofia de protesto não violento, inspirando-se nas idéias do indu Mohandas K. Gandhi.

Em 1954 tornou-se pastor da igreja batista de Montgomery, Alabama. Em 1955, houve um boicote ao transporte da cidade como forma de protesto a um ato discriminatório a uma passageira negra, Luther King como presidente da Associação de Melhoramento de Montgomery, organizou o movimento, que durou um ano, King teve sua casa bombardeada. Foi assim que ele iniciou a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.

Em 1957 Luther King ajuda a fundar a Conferência da Liderança Cristã no Sul (SCLC), uma organização de igrejas e sacerdotes negros. King tornou-se o líder da organização, que tinha como objetivo acabar com as leis de segregação por meio de manifestações e boicotes pacíficos. Vai a Índia em 1959 estudar mais sobre as formas de protesto pacífico de Gandhi.

No início da década de 1960, King liderou uma série de protestos em diversas idades norte-americanas. Ele organizou manifestações para protestar contra a segregação racial em hotéis, restaurantes e outros lugares públicos. Durante uma manifestação, King foi preso, tendo sido acusado de causar desordem pública. Em 1963 liderou um movimento massivo, "A Marcha para Washington", pelos direitos civis no Alabama, organizando campanhas por eleitores negros, foi um protesto que contou com a participação de mais de 200.000 pessoas que se manifestaram em prol dos direitos civis de todos os cidadãos dos Estados Unidos. A não-violência tornou-se sua maneira de demonstrar resistência. Foi novamente preso diversas vezes. Neste mesmo ano liderou a histórica passeata em Washington onde proferiu seu famoso discurso "I have a dream" ("Eu tenho um sonho"). Em 1964 foi premiado com o Nobel da Paz.

Os movimentos continuaram, em 1965 ele liderou uma nova marcha. Uma das conseqüências dessa marcha foi a aprovação da Lei dos Direitos de Voto de 1965 que abolia o uso de exames que visavam impedir a população negra de votar.

Em 1967 King uniu-se ao Movimento pela Paz no Vietnam, o que causou um impacto negativo entre os negros. Outros líderes negros não concordaram com esta mudança de prioridades dos direitos civis para o movimento pela paz. Em 4 de abril de 1968 King foi baleado e morto em Memphis, Tenessee, por um branco que foi preso e condenado a 99 anos de prisão.

Em 1983, a terceira segunda-feira do mês de janeiro foi decretada feriado nacional em homenagem ao aniversário de Martin Luther King Jr.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

questão de coerência

O artigo desta postagem chegou-me por email repassado por uma estimada amiga que assim o preambulou:

Para contribuir, ou melhor, encerrar a discussão sobre células-tronco, nada melhor do que o artigo bem humorado e inteligente do Luiz Hildebrando. Quem quiser saber, quem é, de fato, o autor do artigo pode acessar http://www.abc.org.br/org/aca.asp?codigo=lhildebrando#biog Vale a pena!


QUESTÃO DE COERÊNCIA


"Se humanos, os embriões não deveriam ser descartados. Teriam de ser tratados até a morte - e depois dela."

Luiz Hildebrando P. da Silva*

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, num momento de irritação, surpreendido pelas câmaras da televisão, deixou transparecê-la, ao expressar com energia seu desagrado com certas atitudes de membros do Poder Judiciário, dizendo que seria melhor para todos se cada um se empenhasse em resolver os problemas que lhe dizem respeito.

Eu entendo bem o sentimento que levou o presidente a esse desabafo, porque é o mesmo que sinto ao contemplar o debate que se estende pela mídia sobre a autorização legal de utilização dos embriões humanos, congelados há mais de três anos, para fins de pesquisa científica. A decisão que se espera do Supremo Tribunal Federal é a de decidir se tais embriões podem ser úteis à humanidade, tornando-se acessíveis à experimentação científica ou se eles serão descartados para o lixo.

Entretanto, por iniciativa de alguns membros do Judiciário, inspirados por preocupações filosóficas, o problema está sendo levado para o nível filosófico e teológico de saber quando começa a vida. Ora, a origem da vida é um problema que interessa profundamente os cientistas, mas eles não foram capazes, até hoje, apesar dos progressos da biologia, de fornecer explicações convincentes. Para os cientistas, entretanto, não há qualquer dúvida de que a origem de um ser humano se define a partir do momento em que o potencial genético do zigoto, derivado da fecundação, desenvolvendo-se no ambiente condicionador favorável do útero materno, se exprime e se concretiza. Em particular quando a diferenciação embriológica do sistema nervoso permite ao cérebro expressar as funções de memória e reflexão, que são as que distinguem, fundamentalmente, o ser humano dos outros mamíferos e, em particular, dos outros primatas. Os religiosos mantém a esse respeito uma crença que afasta a necessidade de explicações. A vida é objeto de criação pelo todo-poderoso: o embrião é um ser humano desde o momento da concepção. O debate, se for aceito nesse nível, pode-se transformar em verdadeira discussão das quaestiones disputatae das faculdades de teologia no século 14, que se deram também na Academia de Ciências da França, no século 19, entre Couvier e Saint Hilaire, sobre a origem dos dinossauros.

É preciso ser consciente das conseqüências que podem advir, se o STF optar por decisões radicais. Se ele decidir que os embriões são seres humanos, criar-se-ia, uma situação excepcionalmente complexa. Eles deverão ser tratados como tal e não poderão ser usados na experimentação científica e também não poderão ser jogados no lixo. Deverão ser seguidos até o falecimento e então enterrados ou cremados com o ritual das religiões respectivas dos conceptores. Isso pode ser de interesse das agências funerárias. Poderá ser também de interesse de biólogos desempregados que criariam Unidades de Biotecnologia, para diagnosticar se um embrião está vivo ou morto, o que é delicado a definir. Será necessário descongelar o embrião (com riscos de lesão que levariam à morte, com processos de assassinato). Se, por critérios científicos, o embrião for declarado vivo, seria necessário recongelar o mesmo, o que leva com freqüência à morte do embrião.

Assim, creio que seria melhor deixar de lado as quaestiones disputatae e agir em acordo, como diria Descartes, com a “qualidade humana a mais bem distribuída na espécie - o bom senso”. Eu relembraria, a propósito, o bom senso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, no afrontamento radical entre colombianos e equatorianos, optou pela solução do apaziguamento, do reconhecimento das pretensões de uns e outros, mas propondo soluções de entendimento, no interesse da vida dos cidadão conflitantes e de todos os homens do continente.

A vida é um processo complexo e dinâmico de recomposição e associação permanente de “elementos”, que podemos chamar de vivos, com elementos químicos minerais não vivos. Átomos de enxofre e ferro que compõem nossas proteínas provêm talvez de lavas vulcânicas do Pleistosceno. Os átomos de carbono dos lipídios dos embriões congelados já circularam, nos últimos milhões de anos, por minerais de carbono como os diamantes e grafites ou nas fibras cardíacas de um imperador da Pérsia. Não estranharia que a água dos tecidos dos embriões provenham, de um lado, das lágrimas de Maria Antonieta ao contemplar, pela última vez, os jardins de Versalhes e, de outro, do cocô de um abutre que devorou restos mortais de um tataravô de um dos conceptores do embrião 3.427x . Essas verdades (ou hipóteses) são válidas para os que pensam que a vida se fez por decisão do poder supremo, como querem uns, ou por complexos processos químicos de formação de macromoléculas e interações moleculares, como querem os cientistas.

O respeito à vida não pode ser absoluto. Seria a morte da humanidade. Nós, mamíferos, somos obrigados a destruir a vida, ao ingerir, para sobreviver, plantas ou carnes animais. A partir do momento em que se adquiriu o hábito de trocar a roupa para dormir ou banhar-se, depois que a indústria têxtil produziu tecidos permitindo isso, sacrificamos milhões de piolhos, pulgas e percevejos ao lavar as roupas usadas. Ao tomar uma chuveirada e ensaboarmo-nos, matamos bilhões de bactérias que se multiplicam na pele humana, algumas fontes de doença, mas outras inofensivas ou mesmo úteis.

Ao descongelar embriões, os cientistas irão dissociar a células, analisá-las, cultivá-las e estudá-las com carinho. Decifrarão os segredos que elas encerram para permitir que as células bobas do embrião, que apenas se multiplicam, saibam na verdade evoluir para células atléticas dos músculos ou inteligentes como os neurônios do cérebro. Isso permitirá, mais tarde, corrigir defeitos e mutações nos homens vivos, compensar lesões traumáticas, melhorar enfim a vida da humanidade doente e sofredora. Respeito os que se dizem filosoficamente respeitosos da vida em geral. Mas ousaria pensar que, por coerência, se a existência do ser humano é definida na concepção, cada embrião congelado já tem sua alminha reservada. Desde que o potencial de sobrevida do embrião como ser humano está descartado, a alminha dele, na sua inocência, já deve estar no céu. Nesse caso, ela deve pensar que, lá dentro, no escuro e na solidão de um botijão de nitrogênio líquido, seu corpinho é completamente inútil e sem qualquer futuro. O fato de ser descongelado e associar-se aos pesquisadores como contribuinte das pesquisas seria um belo objetivo de vida para seu corpinho inútil.

E vou ficar por aqui, antes que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venha dizer que seria melhor eu me ocupar dos problemas que me dizem respeito.


(*)Luiz Hildebrando Pereira da Silva, geneticista e parasitologista, é membro da Academia Brasileira de Ciências e diretor do Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais de Rondônia.