quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

chiquinha gonzaga ( rio, 17.outubro.1847 — rio, 28.fevereiro.1935)





Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1935) foi uma compositora e pianista brasileira.

Foi a primeira chorona, primeira pianista de choro e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. No Passeio Público, há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha.


Biografia

Filha de um general do Exército Imperial e de uma mãe humilde e mulata, Chiquinha Gonzaga foi educada numa família de pretensões aristocráticas (seu padrinho era o Duque de Caxias). Fez seus estudos normais com o Cônego Trindade e musicais com o Maestro Lobo. Desde cedo freqüentava rodas de lundu, umbigada e outras músicas populares típicas dos escravizados.

Aos 16 anos, por imposição da família, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Imperial. Não suportando a reclusão do navio onde o marido servia e as ordens para que não se envolvesse com a música, Chiquinha separou-se.

Após a separação, envolveu-se com o engenheiro João Batista e passou a viver como musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Deu aulas de piano e obteve grande sucesso, tornando-se também compositora de polcas, valsas, tangos e cançonetas. Ao mesmo tempo, uniu-se a um grupo de músicos de choro, que incluía ainda o compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, apresentando-se em festas.



A necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular valeu a Chiquinha Gonzaga a glória de se tornar a primeira compositora popular do Brasil. O sucesso começou em 1877, com a polca Atraente. Em 1897, tornou-se conhecida sua versão estilizada do "Corta-Jaca", sob a forma de tango, intitulada Gaúcho. Dois anos depois, compôs a marcha Ó Abre Alas, a primeira música escrita para o carnaval de que se tem notícia, para o cordão Rosa de Ouro, do bairro carioca do Andaraí.

A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, resolveu lançar-se no teatro de variedades e revista. Estreou compondo a trilha da opereta de costumes "A Corte na Roça", de 1885. Em 1911, estréia seu maior sucesso no teatro: a opereta Forrobodó, que chegou a 1500 apresentações seguidas após a estréia - até hoje o maior desempenho de uma peça deste gênero no Brasil. Em 1934, aos 87 anos, escreveu a partitura da opereta "Maria". Foi criadora da célebre partitura da opereta "A Jurity", de Viriato Correia.

Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas mil composições.

Chiquinha participou ainda, ativamente, da campanha abolicionista e foi fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.


Representações na cultura

Chiquinha Gonzaga já foi retratada como personagem no cinema e na televisão, dirigida por Jayme Monjardim e interpretada por Regina Duarte e Gabriela Duarte, na minissérie Chiquinha Gonzaga (1999), na TV Globo, e por Bete Mendes, no filme "Brasília 18%" (2006), dirigido por Nelson Pereira dos Santos.

Incrível, mas em nenhuma das representações Chiquinha é interpretada por uma mulher afro-descendente. Por que será?!


Bibliografia

DINIZ, Edinha. Chiquinha Gonzaga: uma história de vida (11a. ed.). Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2005. 352p., il. ISBN 8501647136.


Ver também

- Choro
- Joaquim Calado
- Viriato Figueira
- Chiquinha Gonzaga 2


Ligações externas

- O Wikisource tem material relacionado a este artigo: Chiquinha Gonzaga.
- Página oficial de Chiquinha Gonzaga.
- Chiquinha Gonzaga e o forrobodó - Dissertação de Mestrado. Stival, Silvana Beeck.
- Revista Veja - A nação das cantoras.





sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

sobre os cartões corporativos

Decerto que sou, sim, um, dentre aqueles(as) que estão mui indgnados, principalmente, com o a postura da Secretária (Ministra) Matilde Ribeiro no episódio dos Cartões Corporativos. Tratou-se de uma tremenda pataquada, no dizer popular dos mais antigos, ou seja, uma tremenda lambança, no dizer popular contemporâneo.

Todavia, a nossa democrática imprensa [será que ela é democrata (pefelista)?] insiste em tratar coisas parecidas de modo diferenciado, ou melhor, com pesos e medidas diferentes, a depender de quem sejam os envolvidos. Senão, como explicar sua atitude evidenciada nos artigos cujos preambulos postamos abaixo. A eles!


Faça o que eu digo, não o que eu faço

Escrito por Luiz Antonio Magalhães
11-Fev-2008

O assunto da semana continua sendo o uso de cartões corporativos na administração pública. Depois do estardalhaço feito pela grande imprensa, cada vez mais udenista, sobre os gastos dos ministros e altos funcionários do governo federal, a opinião pública ficou sabendo que também os governos estaduais utilizam esta modalidade para realizar compras e sacar dinheiro na boca do caixa. A partir de um requerimento da liderança do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, apareceu o montante gasto pela gestão tucana do impoluto governador José Serra (PSDB): para surpresa de muita gente, o valor supera os gastos federais (R$ 108 milhões nos cartões "bandeira-Serra" contra R$ 75 milhões nos cartões "bandeira-Lula"). Leia-o na íntegra



Cartão corporativo e "mídia esgoto"

Altamiro Borges

O jornalista Luis Nassif, numa série imperdível no seu blog sobre os podres da revista Veja, cunhou a expressão "jornalismo esgoto". Ela se encaixa perfeitamente na nova ofensiva patrocinada pela mídia hegemônica para fustigar o governo Lula. Agora o mote são os chamados cartões corporativos usados pelo presidente, ministros e outros servidores para efetuar gastos cotidianos. O terrorismo midiático já decapitou a ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, e chamuscou criminosamente a imagem dos ministros Orlando Silva, dos Esportes, e Altemir Gregolin, da Pesca. Mas o alvo é bem maior. Leia-o na íntegra.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Conflitos na História do Brasil - Império

São disponibilizados aqui alguns links para o acesso a textos breves sobre algumas das insurgências ocorridas no Brasil, protagonizadas, várias delas, por gente do povo.

Primeiro Reinado

Guerra da Independência - 1822-1823: A chamada Guerra da Independência estendeu-se de 1822 a 1823, no contexto do processo de Independência do Brasil, entre 1808 e 1825, quando esta foi formalmente reconhecida por Portugal e pelo Reino Unido.

Após a proclamação da independência, às margens do riacho Ipiranga, na então província de São Paulo, a 7 de Setembro de 1822, as lutas para afirmá-la foram mais encarniçadas nas regiões onde, por razões estratégicas, se registrava maior concentração de tropas do Exército português, a saber, nas então Províncias Cisplatina, da Bahia, do Piauí, do Maranhão e do Grão-Pará.

Recorde-se que a maior parte da oficialidade era de origem portuguesa, enquanto que o grosso da tropa, no Brasil, era brasileira ou luso-descendente.

Independência da Bahia - 1821-1823: A Independência da Bahia foi um movimento que iniciou-se ainda em 1821 e teve seu desfecho ao 2 de julho de 1823, motivado pelo sentimento federalista emancipador de seu povo, e que terminou pela inserção na formação da unidade nacional brasileira, durante a Guerra da independência do Brasil.

Confederação do Equador - 1824: A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista e republicano, ou mais certamente autonomista, ocorrido em 1824 no Nordeste do Brasil. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçadas na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.

Guerra contra as Províncias Unidas -1825-1828: A guerra da Cisplatina ou campanha da Cisplatina (espanhol: Guerra del Brasil) foi um conflito ocorrido entre o Império do Brasil e a Províncias Unidas do Rio da Prata, no período de 1825 a 1828, pela posse da Província Cisplatina, a região da atual República Oriental do Uruguai. Na historiografia argentina é denominada como Guerra del Brasil (espanhol: Guerra do Brasil).

Revolta dos Mercenários - 1828: A Revolta dos Mercenários constitui-se numa sublevação militar ocorrida no Brasil, sob o governo de D. Pedro I (1822-1831). Episódio pouco conhecido na História do Brasil, inscreve-se no contexto da guerra contra as Províncias Unidas do Rio da Prata (1825-1828), da qual resultou a independência da República Oriental do Uruguai (27 de Agosto de 1828).


Período Regencial

Federação do Guanais - 1832: A Federação do Guanais foi uma revolução nativista ocorrida na Bahia, no ano de 1832. Existia na Bahia um sólido desejo autonomista e republicano, presentes ainda no século XVIII (...).

Revolta dos Malês - 1835: A chamada Revolta dos Malês registrou-se de 25 a 27 de Janeiro de 1835 na cidade de Salvador, capital da então Província da Bahia, no Brasil. Consistiu numa sublevação de caráter racial, de escravos africanos das etnias hauçá e nagô, de religião islâmica, organizados em torno de propostas radicais para libertação dos demais escravos africanos. O termo "malê" deriva do iorubá "imale", designando o muçulmano. Foi rápida e duramente reprimida pelos poderes constituídos.

Cabanagem - 1835-1840: A Cabanagem (1835-1840) foi uma revolta de cunho social ocorrida na então Província do Grão-Pará, no Brasil. Entre as causas dessa revolta citam-se a extrema miséria do povo paraense e a irrelevância política à qual a província foi relegada após a independência do Brasil. A denominação Cabanagem remete ao tipo de habitação da população ribeirinha mais pobre, formada principalmente por mestiços, escravos libertos e índios. A elite fazendeira do Grão-Pará, embora morasse muito melhor, ressentia-se da falta de participação nas decisões do governo central, dominado pelas províncias do Sudeste e do Nordeste.

Farroupilha - 1835-1845: Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha são os nomes pelos quais ficou conhecida uma revolução ou guerra regional de caráter republicano contra o governo imperial do Brasil, a então província de São Pedro do Rio Grande do Sul, e que resultou na declaração de independência da província como estado republicano, dando origem à República Rio-Grandense. Foi de 1835 a 1845: é o conflito armado mais duradouro que ocorreu no continente americano.

Sabinada - 1837-1838: A Sabinada foi uma revolta autonomista que ocorreu entre 6 de Setembro de 1837 e 16 de Março de 1838, na então Província da Bahia.

Balaiada - 1838-1841: A Balaiada foi uma revolta de fundo social, ocorrida entre 1838 e 1841 no interior da então Província do Maranhão, no Brasil. Foi feita por pobres da região, escravos, fugitivos e prisioneiros. O motivo era a disputa pelo controle do poder local. A definitiva pacificação só foi conseguida com a anistia concedida pelo imperador aos revoltosos sobreviventes.


Segundo Reinado

Revoltas Liberais - 1842: A "Revolução Liberal de 1842" foi um dos movimentos sediciosos que agitaram o Brasil durante o Império.

Revolta Praieira - 1848-1850: A Revolta Praieira, também denominada como Insurreição Praieira, Revolução Praieira ou simplesmente Praieira, foi um movimento de caráter liberal e separatista que eclodiu na então Província de Pernambuco, no Brasil, entre 1848 e 1850.

Questão Christie - 1863: A Questão Christie, em termos de Relações Internacionais do Brasil, constitui-se num contencioso entre o governo deste país e o do Reino Unido. Teve lugar de 1862 a 1865. Esta questão diplomática foi fruto de um conjunto de incidentes envolvendo ambas as nações, culminando, pela atuação inábil do embaixador britânico creditado no Brasil – William Dougal Christie - no rompimento das relações diplomáticas por iniciativa do Brasil (1863).

Guerra contra Oribe e Rosas - 1851-1852: A chamada Guerra contra Oribe e Rosas, ocorrida no meado do século XIX (1851-1852), integra o conjunto das Questões Platinas, na História das Relações Internacionais do Brasil.

Guerra contra Aguirre - 1864: A chamada Guerra contra Aguirre, ocorrida em 1864, integra o conjunto das Questões Platinas, na História das Relações Internacionais do Brasil. O conflito se inscreveu na defesa dos interesses do Império do Brasil naquela região, diante do rompimento das relações diplomáticas entre a Argentina e o Uruguai, naquele ano.

Guerra do Paraguai - 1864-1870: A Guerra do Paraguai foi o maior e mais sangrento conflito armado internacional ocorrido no continente americano. Estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança (Guerra de la Triple Alianza) na Argentina e Uruguai e de Grande Guerra, no Paraguai. O conflito iniciou-se quando, temeroso de que a instabilidade política no Uruguai fosse prejudicar a estabilidade no recém-pacificado Rio Grande do Sul, o governo de Dom Pedro II, após um ultimato, resolveu interferir na política interna uruguaia. A reação militar paraguaia que se seguiu gerou então o desencadeamento da guerra. (...)

Muitas são as correntes historiográficas que, repelidas pela quantidade de mortes na Guerra do Paraguai e pelos gigantescos reflexos negativos naquele país causados pelo conflito, adotam uma posição revisionista e extremamente crítica do Brasil na disputa. O verbete em espanhol da Wikipedia é um exemplo claro disso. Segundo esta visão, o Brasil teria sido pouco mais que um fantoche do império britânico. [2.2]

Revolta dos Muckers - 1874: A chamada Revolta dos Muckers foi um conflito regional (entre imigrantes alemães) que se verificou, ao final do século XIX, na atual cidade de Sapiranga, na então Província do Rio Grande do Sul, no Brasil.

Revolta do Quebra-Quilos - 1874-1875: A revolta do Quebra-Quilos, em fins de 1874 a meados de 1875, por sua conotação popular, preocupou as autoridades provinciais de forma mais incisiva. Afinal, vilas inteiras do Nordeste rebelaram-se contra a implantação de um novo sistema métrico, saqueando feiras e destruindo pesos e medidas do comércio. Tratou-se, na verdade de uma insurgência contra a decretação abusiva de impostos e recrutamento militar.