terça-feira, 15 de janeiro de 2008

e disse o filósofo:


"O pior cego é aquele que não quer ver pelo buraco da cerca!" (Ninão)

ideologia: histórico do termo

O termo ideologia aparece pela primeira vez na Fran- ça, após a Revolução Francesa (1789), no início do século XIX, em 1801, no livro de Destutt de Tracy, E/éments dldéologie (Elementos de Ideologia). Juntamente com o médico Cabanis, com De Gerando e Volney, Destutt de Tracy pretendia elaborar uma ciência da gênese das idéias, tratando-as como fenômenos naturais que exprimem a relação do corpo humano, enquanto organismo vivo, com o meio ambiente. Elabora uma teoria sobre as faculdades sensíveis, responsáveis pela formação de todas as nossas idéias: querer (vontade), julgar (razão), sentir (percepção) e recordar (memória).

Esse grupo de pensadores, conhecidos como os ideólogos franceses, era antiteológico, antimetafísico e antimonárquico. Ou seja, eram críticos a toda explicação sobre uma origem invisível e espiritual das idéias humanas e inimigos do poder absoluto dos reis. Eram materialistas, isto é, admitiam apenas causas naturais físicas (ou materiais) para as idéias e as ações humanas e só aceitavam conhecimentos científicos baseados na observação dos fatos e na experimentação. Pertenciam ao partido liberal e esperavam que o progresso das ciências experimentais, baseadas exclusiva­mente na observação, na análise e síntese dos dados observa­dos, pudesse levar a uma nova pedagogia e a uma nova moral.

Contra a educação religiosa e metafísica, que sempre esteve a serviço do poder político de um monarca, De Tracy propõe o ensino das ciências físicas e químicas para "formar um bom espírito", isto é, uma inteligência capaz de observar, decompor e recompor os fatos, sem perder-se em vazias especulações abstraías nem em explicações teológicas. A monarquia era vista por ele como maqui­nação entre o poder político e o poder religioso, uma vez que se dizia que o rei recebia o poder diretamente de Deus (um poder espiritual absoluto e invisível) e por isso podia exigir obediência total dos súditos, tendo o poder de vida e morte sobre eles. Cabanis pretende construir ciências morais dotadas de tanta certeza quanto as naturais, capazes de trazer a felicidade coletiva e de acabar com os dogmas, desde que a moralidade não seja separada da fisiologia do corpo humano. Ou seja, a moral não é o campo de escolhas voluntárias nascidas no espírito de cada um, mas o campo de ações nascidas de necessidades, interesses e desejos que podem ser cientificamente conhecidos e controlados pêlos próprios homens. Nos Elementos de Ideologia, na parte dedicada ao estudo da vontade, De Tracy procura analisar os efeitos de nossas ações voluntárias e escreve, então, sobre economia, na medida em que os efeitos de nossas ações voluntárias concernem à nossa aptidão para prover nossas necessidades materiais. Procura saber como atuam, sobre o indivíduo e sobre a massa, o trabalho e as diferentes formas da sociedade, isto é, a família, a corporação etc. Suas considerações, na verdade, são glosas das análises do economista francês Say a respeito da troca, da produção, da indústria, da distribuição do consumo e das riquezas.

No livro "Influências do moral sobre o físico", Cabanis procura determinar a influência do cérebro sobre o resto do organismo, no quadro puramente fisiológico. O ideólogo francês partilha do otimismo naturalista e materialista do século XVIII, acreditando que a Natureza tem, em si, as condições necessárias e suficientes para o progresso, e que só graças a ela nossas inclinações e nossa inteligência adquirem uma direção e um sentido.

Os ideólogos foram partidários de Napoleão e apoiaram o golpe de 18 Brumário (quando Napoleão toma o poder, instituindo o período conhecido como Consulado), pois o julgavam um liberal continuador dos ideais da Revolução Francesa. Enquanto Cônsul, Napoleão nomeou vários dos ideólogos senadores ou tribunos. Todavia, logo se decepcionaram com Bonaparte, vendo nele o restaurador do Antigo Regime, isto é, da monarquia que tanto haviam criticado. Opõem-se às leis referentes à segurança do Estado e são por isso excluídos do Tribunado, e sua Academia é fechada. Os decretos napoleônicos para a fundação da nova Universidade Francesa dão plenos poderes aos inimigos dos ideólogos, que passam, então, para o partido da oposição.

O sentido pejorativo dos termos "ideologia" e "ideólogos" veio de uma declaração de Napoleão, que, num discurso ao Conselho de Estado em 1812, declarou: "Todas as desgraças que afligem nossa bela França devem ser atribuídas à ideologia, essa tenebrosa metafísica que, buscando com sutilezas as causas primeiras, quer fundar sobre suas bases a legislação dos povos, em vez de adaptar as leis ao conhecimento do coração humano e às lições da história". Com isso, Bonaparte invertia a imagem que os ideólogos tinham de si mesmos: eles, que se consideravam materialistas, realistas e antimetafísicos, foram perversamente chamados de "tenebrosos metafísicos", ignorantes do realismo político que adapta as leis ao coração humano e às lições da história.

O curioso, como veremos adiante, é que se a acusação de Bonaparte é infundada com relação aos ideólogos franceses, não o seria se se dirigisse aos ideólogos alemães, criticados por Marx. Ou seja, Marx conservará o significado napoleônico do termo: o ideólogo é aquele que inverte as relações entre as idéias e o real. Assim, a ideologia, que inicialmente designava uma ciência natural da aquisição, pelo homem, das idéias calcadas sobre o próprio real, passa a designar, daí por diante, um sistema de idéias conde­nadas a desconhecer sua relação real com a realidade.

O termo ideologia voltou a ser empregado com um sentido próximo ao do grupo dos ideólogos franceses pelo filósofo Auguste Comte em seu Cours de Philosophie Positive (Curso de Filosofia Positiva). O termo, agora, possui dois significados: por um lado, a ideologia continua sendo aquela atividade filosófico-científica que estuda a formação das idéias a partir da observação das relações entre o corpo humano e o meio ambiente, tomando como ponto de partida as sensações; por outro lado, ideologia passa a significar também o conjunto de idéias de uma época, tanto como "opinião geral" quanto no sentido de elaboração teórica dos pensadores dessa época.

Como se sabe, o positivismo de Auguste Comte elabora uma explicação da transformação do espírito humano considerando essa transformação um progresso ou uma evolução durante a qual a humanidade passa por três fases sucessivas: a fase fetichista ou teológica, na qual os homens explicam a realidade através de ações divinas; a fase metafísica, na qual os homens explicam a realidade por meio de princípios gerais e abstratos; e a fase positiva ou científica, na qual os homens observam efetivamente a realidade, analisam os fatos, encontram as leis gerais e necessárias dos fenômenos naturais e humanos e elaboram uma ciência da sociedade, a física social ou sociologia, que serve de fundamento positivo ou científico para a ação individual (moral) e para a ação coletiva (política). Ë a etapa final do progresso humano.

Assim, cada fase do espírito humano leva-o a criar um conjunto de idéias para explicar a totalidade dos fenômenos naturais e humanos - essas explicações constituem a ideologia de cada fase. Nessa medida, ideologia é sinônimo de teoria, esta sendo entendida como a organização sistemática de todos os conheci­mentos científicos, desde a formação das idéias mais gerais, na matemática, até as menos gerais, na sociologia, e as mais particulares, na moral. Como teoria, a ideologia é produzida pêlos sábios, que recolhem as opiniões correntes, organizam e sistematizam tais opiniões e, sobretudo, na última etapa do progresso (na fase positivista ou científica), corrigem-nas, eliminando todo elemento religioso ou metafísico que porventura nelas exista.

Sendo o conhecimento da formação das idéias, tanto do ponto de vista psicológico quanto do ponto de vista social, sendo o conhecimento científico das leis necessárias do real e sendo o corretivo das idéias comuns de uma sociedade, a ideologia, enquanto teoria, passa a ter um papel de comando sobre a prática dos homens, que devem se submeter aos critérios e mandamentos do teórico ou do cientista antes de agir.

O lema positivista por excelência é: "saber para prever, prever para prover". Em outras palavras, o conhecimento teórico tem como finalidade a previsão científica dos acontecimentos para fornecer à prática um conjunto de regras e de normas, graças às quais a ação possa dominar, manipular e controlar a realidade natural e social.
A concepção positivista da ideologia como conjunto de conhecimentos teóricos possui três conseqüências principais:

1) define a teoria de tal modo que a reduz à simples organização sistemática e hierárquica de idéias, sem jamais fazer da teoria a tentativa de explicação e de interpretação dos fenômenos naturais e humanos a partir de sua origem real. Para o positivista, indagar sobre a origem é especulação metafísica e teológica de fases atrasadas da humanidade, pois o sábio positivista deve lidar apenas com os fatos dados à sua observação;

2) estabelece entre a teoria e a prática uma relação autoritária de mando e de obediência, isto é, a teoria manda porque possui as idéias, e a prática obedece porque é ignorante. Os teóricos comandam e os demais se submetem;

3) concebe a prática como simples instrumento ou como mera técnica que aplica automaticamente regras, normas e princípios vindos da teoria. A prática não é ação propriamente dita, pois não inventa, não cria, não introduz situações novas que suscitem o esforço do pensamento para compreendê-las.

Essa concepção da prática como aplicação de idéias que a comandam de fora leva à suposição de uma harmonia entre teoria e ação. Assim sendo, quando as ações humanas - individuais e sociais - contradisserem as idéias, serão tidas como desordem, caos, anormalidade e perigo para a sociedade, pois o grande lema do positivismo é: "Ordem e Progresso". Só há "progresso", diz Comte, onde houver "ordem", e só há "ordem" onde a prática estiver subordinada à teoria, isto é, ao conhecimento científico da realidade.

Se examinarmos o significado final dessas conseqüências, perceberemos que nelas se acha implícita a afirmação de que o poder pertence a quem possui o saber. Por esse motivo, o positivismo declara que uma sociedade ordenada e progressista deve ser dirigida pêlos que possuem o espírito científico, de sorte que a política é um direito dos sábios, e sua aplicação, uma tarefa de técnicos ou administradores competentes. Em uma palavra, o positivismo anuncia, no século XIX, o advento da tecnocracia, que se efetiva no século XX. Veremos, com o marxismo, como a concepção positivista de ideologia é, ela própria, ideológica.


***


Vamos reencontrar o termo "ideológico" no capítulo II do livro do sociólogo francês Émile Durkheim, As Regras do Método Sociológico.

Como se sabe, Durkheim tem a intenção de criara sociologia como ciência, isto é, como conhecimento racional, objetivo, observacional e necessário da sociedade. Para tanto, diz ele, é preciso tratar o fato social como uma coisa, exatamente como o cientista da Natureza trata os fenômenos naturais. Isso significa que a condição para uma sociologia científica é tomar os fatos sociais como desprovidos de interioridade, isto é, de significações e interpretações subjetivas, de modo a permitir que o sociólogo encare uma realidade da qual participa como se não fizesse parte dela. Em outras palavras, a regra fundamental da objetividade científica é a separação entre sujeito do conhecimento e objeto do conhecimento, separação que garante a objetividade porque garante a neutralidade do cientista, que pode, assim, tratar relações sociais (relações entre seres humanos) como coisas diretamente observáveis e transparentes para o olhar do sociólogo. Assim sendo, Durkheim chamará de ideologia todo conhecimento da sociedade que não respeite tais critérios de objetividade.

Para o sociólogo cientista, o ideológico é um resto, uma sobra de idéias antigas, pré-científicas. Durkheim as considera preconceitos e pré-noções inteiramente subjetivas, individuais, "noções vulgares" ou fantasmas que o pensador acolhe porque fazem parte de toda a tradição social em que está inserido.

Um sociólogo não científico, segundo Durkheim, assume uma atitude ideológica. Por que ideológica? Por três motivos: em primeiro lugar, porque é subjetiva e tradicional, revelando que o pensador não tomou distância em relação à sociedade que vai estudar; em segundo lugar, porque, formando toda a bagagem de idéias prévias do cientista suas pré-noções ou pré-conceitos, a ciência acaba indo das idéias aos fatos, quando deve ir dos fatos às idéias; e, em terceiro lugar, porque na falta de conceitos precisos o dentista usa palavras vazias e as substitui aos verdadeiros fatos que deveria observar. A ciência é substituída pela invenção pessoal e por seus caprichos, ou, como diz Durkheim, a arte ocupa o lugar da ciência (entendendo-se por arte a engenhosidade, e não, evidentemente, as "belas-artes").

Para Durkheim, o grande princípio metodológico que permite tratar o fato social como coisa e liberar o cientista da ideologia é: "Tomar sempre para objeto da investigação um grupo de fenômenos previamente isolados e definidos por características exteriores que lhes sejam comuns e incluir na mesma investigação todos os que correspondem a essa definição". Assim, o fato social, convertido em coisa científica, nada mais é do que um dado previamente isolado, classificado e relacionado com outros por meio da semelhança ou constância das características externas. Esse objeto imóvel, dado, acabado, é conhecido quando classificado, comparado e submetido a leis de freqüência e de constância. Veremos adiante que essa concepção imobilizada e exteriorizada do objeto social é um positivismo ideológico, desde que compreendamos, afinal, o que é ideologia.

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Excerto do livro de Marilena Chauí: O Que é Ideologia (pp. 25-33). Editora Brasiliense, 2006, Coleção Primeiros Passos, 13, 8ª reimpressão da 2ª edição de 2001.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

afeni shakur*

(*) postarei traduçaã do texto em breve


Afeni Shakur (nascida em 10 de janeiro de 1947) é mãe dp rapista norteamericano Tupac Shakur, e foi membro importante do and was an important member of the Partido Panteras Negras.

Shakur nasceu Alice Faye Williams em Lumberton, Carolina do Norte, filha de Rosa Belle e Walter Williams, Jr.[1] Ela liderou uma série de episódios durante oShe led a series of chapters during the "bota abaixo" do Partido Panteras Negras. Sua inteligência e habilidade capacitaram-na a editar e escrever artigos para o Panther Post com tal astúcia estratégica que levou o FBI a acreditar que o Partido Panteras Negras ainda era algop muito incipiente quando, de fato, ele se multiplicava muito rapidamente.

Enquanto estava grávida de seu filho, Afeni Shakur foi aprisionada a fim de fornecer informações que pudessem levar a apreensão de membros lideres do "Panther 21". Enquanto esteve na prisão, Afeni Shakur obteve permissão da corte para receber um ovo cozido por dia por que a comida ali fornecida não era apropriada para uma gestante, uma futura mãe.[2]

Ela própria defendeu-se na corte durante julgamento por conspiração a bomba e foi absolvida de 156 acusações contra si e outros membros Partido dos Panteras Negras. Nenehuma evidência foi encontrada para dar suporte às acusações. Depois do nascimento de seu filho ela casou-se com Mutulu Shakur (que tornou-se padrasto de seu filho) e converteu-se ao Islamismo.

Desde a morte de seu filho, Afeni Shakur passou a se preocupar com o material inédito deixado por ele. Conseguiu, para trabalhá-los os melhores produtores o que permitiu a venda de milhões de albúns de Tupac. O sucesso na venda de albúns de Tupac aumentando o seu legado é amplamente creditado à habilidade de Afeni. Um ano após a morte de Tupac, Afeni fundou a Georgia-based Tupac Amaru Shakur Foundation, que fornece programas de arte para jovens. Também lançou uma grife de roupas, Makaveli Branded; tudo voltado para a filantropia da Tupac Amaru Shakur Foundation.


Injunction

Shakur foi relatada na Corte Federal em 20 de Julho de 2007 to file an injunction to prevent Death Row Records from selling any unreleased material from 2Pac after the company failed to prove that the unreleased songs were not part of its bankruptcy settlement. The courts are going to decide over the next month if it will allow Death Row Records to release an album with 2Pac’s unreleased tracks to pay off its major debts.

Sidenote

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Tupac once said that because of his mother's ties with the Black Panthers, the FBI was always after him and his family.

Tupac is quoted saying, "My Mama used to tell me if you can't find something to live for, you best find something to die for" on the album Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z..
She was named after Alice Faye, the actress.[3]
On July 7th 2007 Afeni's guest house burned down.


External links

Tupac Legacy, biography of Tupac Shakur
QD3 broadband player featuring Tupac clips (QD3, QDIII or Quincy Jones III, producer of Tupac incl. "To Live & Die In LA", "Lost Souls", "Letter To The President", "Teardrops & Closed Caskets", "Soon As I Get Home", "Thug Nature" and the Thug Angel DVD etc.)
Retrieved from "http://en.wikipedia.org/wiki/Afeni_Shakur"

Categories: Articles with trivia sections from July 2007 1947 births Black Panther Party members

ideologia

Ideologia é um termo usado no senso comum contendo o sentido de "conjunto de idéias, pensamentos, doutrinas e visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas". A ideologia, segundo Karl Marx, pode ser considerado um instrumento de dominação que age através do convencimento (e não da força), de forma prescritiva, alienando a consciência humana e mascarando a realidade.

A origem do termo ocorreu com Destutt de Tracy, que criou a palavra e lhe deu o primeiro de seus significados: ciência das idéias. Posteriormente, esta palavra ganharia um sentido pejorativo quando Napoleão chamou De Tracy e seus seguidores de "ideólogos" no sentido de "deformadores da realidade". No entanto, os pensadores da antiguidade clássica e da Idade Média já entendiam ideologia como o conjunto de idéias e opiniões de uma sociedade.

Karl Marx, pensador alemão, desenvolveu uma teoria a respeito da ideologia, na qual concebe a mesma como uma consciência falsa, proveniente da divisão do trabalho manual e intelectual. Nessa divisão, surgem os ideólogos ou intelectuais que passam através de idéias impostas a dominar através das relações de produção e das classes que esses criam na sociedade. Contudo a ideologia (falsa consciência) gera inverte ou camufla a realidade, para os ideais ou vontades da classe dominante. (Fonte: Marx, Karl e Engels, Friedrich. A Ideologia Alemã (Feuerbach). São Paulo: Hucitec, 2002.)

Depois de Marx, vários outros pensadores abordaram a temática da ideologia. Muitos mantiveram a concepção original de Marx (Karl Korsch, Georg Lukács), outros passaram a abordar ideologia como sendo sinônimo de "visão de mundo", inclusive alguns pensadores que se diziam marxistas, tal como Lênin. Alguns explicam isto graças ao fato do livro A Ideologia Alemã, de Marx, onde ele expõe sua teoria da ideologia, só tenha sido publicado em 1926, dois anos depois da morte de Lênin. Vários pensadores desenvolveram análises sobre o conceito de ideologia, tal como Karl Mannheim, Louis Althusser, Paul Ricoeur, Nildo Viana.


Discurso

O discurso tem uma dimensão ideológica que relaciona as marcas deixadas no texto com as suas condições de produção, e que se insere na formação ideológica . A dimensão ideológica do discurso pode tanto transformar quanto reproduzir as relações de dominação.

Para Marx, essa dominação se dá pelas relações de produção que se estabelecem e as classes que estas criam numa sociedade. Por isso, a ideologia cria uma “falsa consciência” sobre a realidade que visa a reforçar e perpetuar essa dominação. Já para Gramsci, a ideologia não é enganosa ou negativa em si, constituindo qualquer ideário de um grupo de indivíduos. Mas, para Althusser, que recupera a ótica marxista, a ideologia é materializada nas práticas das instituições — e o discurso, como prática social, seria então “ideologia materializada”.


Bibliografia

Chauí, M. O Que é Ideologia. São Paulo: Brasiliense.
Eagleton, Terry. Ideologia. São Paulo: Ed. da Unesp, 1997.
Karl Marx e Engels, Friedrich. A Ideologia Alemã (Feuerbach). São Paulo: Hucitec, 2002.
Mannheim, K. Ideologia e Utopia. Rio de Janeiro: Guanabara.
Viana, Nildo. Introdução à Sociologia. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
Thompson, John B. Ideologia e cultura moderna. Petrópolis: Vozes, 1995.

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Origem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ideologia

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

stokely carmichael

Stokely Standiford Churchill Carmichael ( Port of Spain, 29 de junho de 1941 – Conacri, 15 de novembro de 1998 ) foi um ativista negro do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos nos anos 60 e 70 do século passado.

Stokely nasceu em Trinidad e Tobago e em 1952 sua família mudou-se para o bairro do Bronx, em Nova Iorque, onde tomou contato com a realidade da vida e dos direitos do negro na escola secundária.

Ele se tornou proeminente na vida política e social norte-americana como líder do SNCC, movimento estudantil que pregava a não-violência na luta contra o racismo e pelos direitos iguais e mais tarde como “Primeiro-Ministro Honorário” do partido político formado por negros atuantes e combativos contra a discriminação e conhecido como Panteras Negras.
Inicialmente um integralista, dedicado a lutar pela criação um sistema de vida americano que integrasse brancos e negros numa mesma sociedade de cidadãos iguais perante às leis e com oportunidades iguais, na mesma linha ideológica de Martin Luther King, com o tempo passou a fazer parte de movimentos nacionalistas negros e pan-africanistas.

Em 1967 Carmichael deixou a direção do SNCC e se tornou um grande crítico da Guerra do Vietnam, num período em que fez várias viagens e palestras pelo mundo, aprimorando seus conhecimentos e visitando países hostis aos EUA como a China, Cuba, Vietnam do Norte e Guiné, na África.

Entretanto, em 1969 Carmichael começou a se distanciar das idéias radicais dos Panteras Negras e ele e sua mulher, a cantora sul-africana Miriam Makeba, se mudaram para a Guiné, onde se tornou assessor do Presidente Ahmed Sékou Touré.

Nos anos 70 continuou suas viagens, escrevendo e discursando em apoio a movimentos mundiais de esquerda e escreveu um livro, Stokely Speaks: Black Power Back to Pan-Africanism, onde expõe uma explícita visão socialista do mundo que o acompanharia pelo resto da vida.

Escolhendo se estabelecer definitivamente na Guiné, em 1978 Stokely trocou seu nome para Kwame Ture, em homenagem aos líderes africanos Nkrumah e Touré e morreu de câncer de próstata naquele país em novembro de 1998, aos 57 anos de idade.

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angela davis

Angela Yvonne Davis (Birmingham, 26 de janeiro de 1944) é uma professora e filósofa socialista afro-americana, que alcançou notorie- dade mundial nos anos 70 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras, por sua militância pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos e por ser personagem de um dos mais polêmicos e famosos julga- mentos criminais da recente história americana.

Angela nasceu no estado do Alabama, um dos mais racistas do sul dos Estados Unidos e desde cedo conviveu com humilhações de cunho racial em sua cidade. Leitora voraz quando criança, aos 14 anos participou de um intercâmbio colegial que oferecia bolsas de estudo para estudantes negros sulistas em escolas integradas do norte do país, o que a levou a estudar no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde travou conhecimento com o comunismo e o socialismo teórico, sendo recrutada para uma organização comunista de jovens estudantes.

Nos anos 60, Angela tornou-se militante do partido e participante ativa dos movimentos negros e feministas que sacudiam a sociedade americana da época, primeiro como filiada da SNCC de Stokely Carmichael e depois de movimentos e organizações políticas como o Black Power e os Panteras Negras.


Notoriedade e Prisão

Em 18 de agosto de 1970, Angela Davis tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI, ao ser acusada de conspiração, seqüestro e homicídio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco.

Durante o verão daquele ano, Angela estava envolvida nos esforços dos Panteras Negras para conquistar a apoio da sociedade a três militantes presos, George Jackson, Fleeta Drumgo e John Clutchette, conhecidos como os “Irmãos Soledad”, por terem sido aprisionados na Prisão de Soledad, em Monterey.

No dia 7 de agosto, Jonathan Jackson, o irmão de dezessete anos de George, em companhia de dois outros rapazes, interrompeu de armas na mão um julgamento num tribunal na tentativa de ajudar a fuga do réu do caso que estava sendo julgado, o amigo James McClain, acusado de ter esfaqueado um policial. Jonathan e seus amigos se levantaram do meio da assistência na sala do júri e renderam todos no recinto, conduzindo o juiz, o promotor e vários jurados para uma van estacionada do lado de fora. Ao entrar na van, Jackson gritou que queria os “Irmãos Soledad soltos até o meio dia e meia em troca da vida dos reféns”.

No tiroteio que se seguiu com a perseguição policial ao grupo, Jonathan e um amigo foram mortos pela polícia, não sem antes matarem o juiz Harold Haley com um tiro na garganta e o promotor raptado ficou paralítico com um tiro da polícia. As investigações que se seguiram identificaram a arma de Jonathan como registrada em nome de Angela Davis.

Com sua prisão decretada pelo estado da Califórnia e o FBI em seu encalço, Ângela fugiu do estado e desapareceu por dois meses, sendo alvo de uma das maiores caçadas humanas do país na época, acompanhada dia a dia pela mídia, até ser presa em Nova Iorque em outubro. O julgamento de dezoito meses que se seguiu, colocou uma mulher negra, jovem, bonita, culta e politizada, assessorada por uma equipe brilhante de advogados, no centro das atenções da imprensa americana num paralelo que só seria igualado décadas depois pelo julgamento de O. J. Simpson. Nos longos debates na corte, não apenas o caso criminal envolvido veio à tona, mas uma grande discussão sobre a condição negra na sociedade americana foi travada. Manifestações diárias por sua libertação e absolvição aconteciam do lado de fora do tribunal e por todo o país, transmitidos ao vivo pela televisão.

Dezoito meses após o início do julgamento, Angela foi inocentada de todas as acusações e libertada. John Lennon e Yoko Ono lançaram a música Angela em sua homenagem e os Rolling Stones gravaram Sweet Black Angel, cuja letra falava de seus problemas legais e pedia sua libertação.


Celebridade e liberdade

Finalmente livre, Angela foi temporariamente para Cuba, seguindo os passos de seus amigos,os ativistas radicais Huey Newton e Stokely Carmichael. Sua recepção na ilha pelos negros cubanos num comício de massa foi tão entusiástico que ela mal pôde discursar. De acordo com Carlos Moore, um escritor bastante crítico das relações raciais na Cuba comunista, sua visita ao país causou grande impacto entre a população negra num tempo em que expressões de identidade racial eram bem raras em Cuba. Suas credenciais revolucionárias permitiram aos nativos se identificarem de público com seus pensamentos, sem medo de serem taxados de contra-revolucionários pelo governo cubano.

Em 1975, fatos polêmicos também aconteceram, entretanto, como o discurso crítico feito contra Angela pelo dissidente russo Aleksandr Solzhenitsyn em Nova York, que lhe acusava de hipocrisia em sua simpatia pela União Soviética, ao não falar sobre as condições dos prisioneiros políticos em regimes comunistas e por ignorar uma carta de presos políticos tchecos perseguidos pelo Estado lhe pedindo ajuda, como celebridade comunista que era agora, para denunciar as condições em que eram submetidos na cadeia, sabendo-se, como ela, inocentes. A resposta de Angela, “eles merecem o que tiveram, que continuem na prisão”, foi bastante explorada pela imprensa na época.


Posteridade

Angela Davis candidatou-se a vice-presidente dos Estados Unidos em 1980 e 1984 como companheira de chapa de Gus Hall, presidente do Parido Comunista americano, tendo votação irrisória. Continuou sua carreira de ativista política e escreveu diversos livros, principalmente sobre as condições carcerárias no país.

Se considera uma abolicionista, não uma reformista prisional. Em suas palestras sempre se refere ao sistema carcerário americano como um complexo industrial de prisões; aponta como um das soluções para o problema a extinção do cumprimento de penas em presídios e como fator determinante da maioria de prisioneiros americanos serem de negros e latinos a questão da raça e classe social.

Nos últimos anos continua a fazer discursos e palestras principalmente em ambientes universitários e se mantém como uma figura proeminente na luta pela abolição da pena de morte na Califórnia. Em 1977-1978 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz

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Categorias: Políticos dos Estados Unidos da América /Revolucionários dos Estados Unidos da América

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Angela_Davis"

bobby seale

Robert "Bobby" George Seale (Dallas, 22 de outubro de 1936) é uma ex-ativista político do Movimento dos Direitos Civis nos Estados Unidos e co-fundador do Partido Político de Autodefesa Panteras Negras em 1966, na Califórnia.

Seale se juntou à Associação Afro-Americana, uma organização ligada ao meio estudantil e atuante na luta pela igualdade racial ainda na escola, e esse contato o inspirou a fundar os Panteras Negras alguns anos depois, junto com seu colega Huey Newton. Organização política radical criada para lutar pelos direitos dos negros “por quaisquer meios”, Seale se tornou seu presidente e passou a ser, por anos, vigiado diariamente pelo FBI.

Ele foi um dos Oito de Chicago processados por conspiração e incitação de tumultos durante a batalha campal acontecida entre a polícia e manifestantes durante a Convenção do Partido Democrata de Chicago, em 1968. Suas explosões de raiva e interrupções em altos brados durante o julgamento se tornaram famosos e lhe causaram uma condenação de quatro anos de prisão por obstrução de procedimentos legais no tribunal e lhe custou um julgamento em separado dos outros sete indiciados, entre eles o advogado Tom Hayden, mais tarde senador e marido da atriz Jane Fonda.

Ficou famosa a audiência em que após as dezenas de interrupções de Seale o juiz ordenou que ele fosse amarrado e amordaçado, o que foi descrito e se tornou célebre numa música de Graham Nash, integrante do grupo Crosby, Stills, Nash & Young.

Seale foi novamente julgado em 1970 com outros companheiros pelo assassinato de um jovem ex-Pantera Negra, suspeito de ser informante do governo, nos Julgamentos dos Panteras Negras de New Haven, onde foi absolvido por um júri dividido. Estes julgamentos foram considerados por vozes moderadas da política, da imprensa e da sociedade, como carregados de repressão política e foram acompanhados por enormes demonstrações de protesto em New Haven, Connecticut em maio de 1970, coincidindo com as manifestações estudantis nos Estados Unidos que estouraram no mesmo mês daquele ano.

Com a adaptação lenta, constante e natural da sociedade americana às novas leis anti-raciais e de direitos iguais para todos durante aa décadas de 70 e 80, conseguidos através da legislação e não de manifestações violentas, os Panteras Negras foram perdendo a razão de existir como grupo e caindo na obscuridade até sua extinção, levando com ele seus mais aguerridos ativistas, como Bobby Seale.

Candidato a prefeito de Oakland em 1974, ele ficou na segunda colocação e a partir daí dedicou-se ao apoio a organizações pacíficas voltadas para a luta contra a injustiça racial nos EUA.

Em 2002, depois de décadas no anonimato, ele voltou a ser notícia com a fundação da ONG Reach!, ligada ao desenvolvimento de programas educacionais para jovens negros americanos.

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Categorias: Políticos dos Estados Unidos da América /Revolucionários dos Estados Unidos da América

Ver também: Black Panther Party Historical Photo Tour / http://www.bobbyseale.com/

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Bobby_Seale"

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

huey newton

Huey Percy Newton (Oakland, 17 de fevereiro de 1942 – Oakland, 22 de agosto de 1989) foi um revolucionário norte-americano, co-fundador e líder inspirador dos Panteras Negras, uma organização política negra voltada para a luta pela igualdade racial nos Estados Unidos, fundada em 1966 na Califórnia.

Ainda estudante secundário em sua cidade natal, Newton se envolveu com a política, filiando-se à Organização Afro-Americana e foi uma figura principal em conseguir que o primeiro curso sobre história negra americana fosse incluído nocurrículo de sua escola, a Okland City College.

Leitor de Che Guevara, Mao Zedong e Malcolm X entre outros pensadores de esquerda, Huey juntou-se ao colega Bobby Seale na fundação e organização do Partido Político de Legítima Defesa Panteras Negras em outubro de 1966, no qual ele assumiu as funções de “ministro da defesa” e Seale tornou-se o presidente.

A primeira iniciativa de Huey e Seale foi acabar com o abuso de poder cometido pela polícia branca contra os cidadãos da comunidade negra de Oakland. Estudante de Direito no colégio, Newton conhecia o Código Penal da Califórnia e seus artigos relativos ao uso de armas de fogo, e começou a persuadir os cidadãos negros da cidade a exercerem seu direito legal de portarem armas em público. Membros dos Panteras Negras carregando rifles e revólveres passaram a patrulhar locais onde a polícia era acusada de cometer crimes de motivação racial contra a comunidade negra, de maneira a acabar com estes abusos de arma na mão, sendo fortemente apoiados pela comunidade negra. Além das patrulhas armadas, Newton cuidou do lado social, criando um programa de alimentação matinal diário para as crianças negras pobres da região antes delas irem para a escola.

Na madrugada de 28 de outubro de 1967, Newton foi parado em sua patrulha pelos bairros negros de Oakland pelo policial John Frey, que tentava desarmar e desencorajar a utilização dessas patrulhas. Com a chegada de seu parceiro de ronda Herbert Heanes, tiros foram disparados no local, com os três envolvidos caídos feridos no chão. Frey foi atingido por quatro tiros e morreu logo depois, enquanto Huey e o outro policial foram feridos. Levado ao hospital, versões testemunhais afirmaram que ele foi espancado no leito até ficar inconsciente por diversos policiais, mesmo ferido à bala.

Levado à julgamento pela morte de Frey, Huey Newton foi condenado por crime doloso, ‘sem intenção e realizado no calor de uma discussão’, e condenado a uma pena entre dois e quinze anos de cadeia. Em maio de 1970, foi libertado após a corte de apelação da Califórnia ter ordenado outro julgamento, seguido da retirada das acusações contra ele pela promotoria do Estado da Califórnia.

Formado em Direito pela Universidade da Califórnia em 1974, Newton foi acusado neste mesmo ano do assassinato de uma prostituta de dezessete anos, Kathleen Smith. Caçado pelo FBI – que durante os anos de apogeu dos Panteras foi sempre o grande inimigo da organização – ele fugiu para Cuba, onde passou três anos em exílio. Voltou aos EUA em 1977 para enfrentar as acusações, segundo ele porque o clima político no país havia mudado e ele agora acreditava ser possível ter um julgamento justo. Como as provas da acusação contra ele eram apenas circunstanciais, Huey foi absolvido do assassinato da adolescente.

Em 22 de agosto de 1989, Huey Newton foi assassinado a tiros em Oakland. A versão policial é de que ele teria sido morto por um traficante de drogas da área, com quem se envolvera durante os anos 80. Ele foi transformado em ícone da cultura negra americana e de rappers mais combativos, que o homenageiam em diversas músicas e consideram sua morte o resultado de uma conspiração das autoridades contra seu ativismo, como Tupac Shakur e Dead Prez.

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Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Huey_Newton"

Ver também: http://www.historylearningsite.co.uk/huey_newton.htm

tupac shakur

Tupac Amaru Shakur, também conhecido por 2Pac, Makaveli, ou simplesmente 'Pac, (Nova Iorque, 16 de junho de 1971 — Las Vegas, 13 de setembro de 1996) foi um rapper, ator, poeta e ativista social. Ele entrou para o Guinness Book como o maior vendedor de CD de gangsta rap, com mais de 75 milhões de álbuns por todo o mundo, incluindo 50 milhões somente nos Estados Unidos. Seu nome de nascimento era Parish Lesane Crooks, porém sua mãe alterou logo após o nascimento, mudando a certidão de nascimento. Tupac Amaru significa "Serpente Resplandecente" em quechua, e é uma homenagem ao líder revolucionário Tupac Amaru II. Shakur é a palavra árabe que significa "grato a Deus". Suas músicas tratavam da violência, desigualdade racial e às vezes de disputas com outros cantores de rap. Muitos fãs, críticos e membros da indústria fonográfica o nomeiam como o maior rapper de todos os tempos.




História

A mãe de Tupac, Afeni Shakur, fazia parte do famoso grupo político "Panteras Negras". Um movimento que lutava contra o preconceito aos Afro-Americanos. Afeni estava grávida de Tupac quando foi presa.

Seu padrasto, Mutulu Shakur, foi sentenciado a 60 anos de cadeia por roubar um carro e matar a vítima. Isso teve um grande impacto na vida de Tupac que cresceu sem uma figura paterna ao seu lado. Nas ruas, os únicos modelos em que Tupac podia se espelhar eram os traficantes e cafetões.

Tupac se mudou para Baltimore ainda garoto. Ele descreve essa época como os melhores momentos de sua vida. Pac se destacava nas aulas de teatro e já demonstrava um talento acima da média. Mesmo muito novo, Tupac falava com muita desenvoltura sobre assuntos raciais. Seus professores o consideravam um aluno muito interessado. Era um ávido leitor, devorando desde livros sobre religiões orientais até enciclopédias inteiras. Tupac compôs sua primeira música em Baltimore atrás do apelido "MC New York". A música falava sobre armas e era inspirada no assassinato de um amigo seu.

De Baltimore, a então viciada em Crack, Afeni Shakur, se mudou com a família para Marin City, California, Lado Oeste. Foi nessa época que Tupac começou a vender drogas. Os traficantes e cafetões diziam a Tupac, que caso precisasse de algum dinheiro para financiar seus interesses na música o ajudariam. "Eles eram como meus patrocinadores", diz. Foi nessa época que Tupac fundou um grupo chamado "Strictly Dope" junto com o amigo DJ Dize (Dizz-ee). As músicas gravadas nessa época viriam a tona apenas em 2001, sob o nome de “Tupac Shakur: The Lost Tapes”. Suas performances na vizinhança fizeram com que Tupac assinasse com a Digital Underground de Shock G.

Em 1990, Shakur trabalhava como roadie e dançarino na Digital Underground. Suas primeiras letras eram notáveis e revelavam a tendência para sua personalidade violenta. Em uma música que fez parte da trilha sonora do filme "Nothing But Trouble", chamada "Same Song", Tupac conheceu o sucesso pela primeira vez.


Carreira e Problemas

Em 1991, Tupac lança seu primeiro álbum, "2Pacalypse Now", que vendeu mais de um milhão de cópias. Enquanto Tupac falava de problemas comuns entre os jovens pobres como gravidez na adolescência e violência também falava sobre os policiais de forma violenta, o que fez com que os críticos prestassem atenção em seu álbum, especialmente depois de um jovem ter matado um policial alegando que foi inspirado em uma das músicas de "2Pacalypse Now".

O vice presidente dos Estados Unidos, Dan Quayle, denunciou o álbum publicamente, dizendo que não havia espaço na sociedade para algo do tipo. O álbum não gerou nenhum single que ocupasse o primeiro lugar nas paradas.

Seu segundo álbum, "Strictly 4 My N.I.G.G.A.Z." foi produzido por Stretch e the Live Squad e gerou dois hits que ocuparam a primeira posição nas paradas: A emotiva Keep Ya Head Up e a festiva I Get Around.

No começo de 1993, Tupac funda o grupo Thug Life com alguns amigos, incluindo, Big Syke, Macadoshis, seu irmão Mopreme e Rated R. O grupo lança o primeiro álbum, intitulado, "Thug Life: Volume 1" pela Interscope em 1994. Apesar do conteúdo Hardcore do álbum foi um sucesso de vendas. O grupo se desfêz assim que Tupac saiu da prisão.

Em Dezembro de 1993, Tupac foi acusado de abusar sexualmente de uma mulher em um hotel. Segundo Tupac, a mulher que ele havia conhecido em uma boate, teria feito sexo oral nele em plena pista de dança e teria ido com ele para um hotel por livre e espontânea vontade. O rapper disse que tudo não passou de uma armação.

Em Fevereiro de 1995, Tupac foi sentenciado a quatro anos e meio de prisão por estupro, embora tivesse negado veementemente.

Pouco depois de ter sua sentença anunciada, Tupac havia levado cinco tiros em um assalto ocorrido em um estúdio de Nova York.Tupac deu informações em detalhes sobre o ocorrido em uma entrevista para a Vibe.

Tupac começou a cumprir sua pena no presídio de Clinton no final de Fevereiro. Pouco depois seu multi-platinado "Me Against the World" é lançado. Tupac entra para estória como o único artista a ter um álbum em primeiro nas paradas estando preso. "Para mim esse sempre será meu álbum favorito", diz Tupac em uma entrevista.

Enquanto os guardas o provocavam na cadeia dizendo que Tupac não era mais o mesmo, ele ria e dizia "Atualmente meu álbum é número um no País inteiro e apenas bateu Bruce Springsteen no topo da Billboard". Na cadeia, se casou com sua namorada Keisha Morris, união que foi desfeita pouco tempo depois.

Após quase onze meses na prisão, Tupac foi liberado, logo após ter feito um acordo com Suge Knight, o cabeça da "Death Row Records". Suge pagou uma fiança de 1.4 milhões de dólares. Em troca, Tupac deveria lançar três álbuns pela sua gravadora.

Imediatamente após sair da prisão, Tupac começou a trabalhar no novo álbum. Em Fevereiro de 1996, ele lança seu quarto álbum, "All Eyez on Me", o primeiro álbum duplo da estória do Rap. All Eyez on Me vendeu mais de nove milhões de cópias e é considerado por muitos como o melhor álbum do gênero. Em meio a todo sucesso, Tupac foi assassinado em 1996, enquanto saía de uma luta de seu amigo Mike Tyson. Foi morto por Oscar Monchito, em 1996 a tiros na cidade americana de Las Vegas, num crime que não foi esclarecido. Ele havia recebido cinco balas, duas na cabeça, duas na virilha e uma na mão[1]. Ficou em coma durante sete dias e morreu em 13 de Setembro às 16h03.


Carreira Postuma

Logo após sua morte, a Death Row lança o álbum "The Don Killuminati", com o pseudônimo de "Makaveli". A capa traz um Tupac crucificado com uma corôa de espinhos na cabeça e um mapa das principais gangues do País.Em Janeiro de 1997, a Gramercy pictures lança "Gridlock'd", um filme no qual Tupac interpreta um viciado em drogas e que foi bem aceito pelos críticos recebendo elogios. Seu último filme, "Gang Related" foi lançado em 1997.

Antes de morrer, Tupac deixou centenas de músicas gravadas na época de Death Row.A maioria delas foi lançada em álbuns póstumos como "Better Dayz", "Until the End of Time", no fracassado "Loyal to the game", produzido por Eminem e em seu último álbum póstumo Pac's Life.


Referências

Rap Artist Tupac Shakur Shot in Robbery (inglês). The New York Times. Página visitada em 8 de dezembro de 2007.


Ligações externas

Página oficial (em inglês)
Página oficial no Brasil


O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: 2pac.

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Tupac_Shakur"

panteras negras

Partido negro revolucionário estadunidense, fundado em 1966 em Oakland - Califórnia, por Huey Newton e Bobby Seale, originalmente chamado Partido Pantera Negra para Auto-defesa.

A finalidade original do partido era patrulhar guetos negros para proteger os residentes dos atos de brutalidade da polícia. Os Panteras tornaram-se eventualmente um grupo revolucionário marxista que defendia o armamento de todos os negros, a isenção dos negros no pagamento de impostos e de todas as sanções da chamada "América Branca", a libertação de todos os negros da cadeia, e o pagamento de compensação aos negros por séculos de exploração branca. Sua ala mais radical defendia a luta armada. Em seu pico, nos anos de 1960, o número de membros dos Panteras Negras excedeu 2 mil e a organização coordenou sedes nas principais cidades.

Os conflitos entre os Panteras Negras e a polícia nos anos de 60 e nos anos de 70 conduziram a vários tiroteios na Califórnia, em Nova Iorque e em Chicago, um desses resultando na prisão de Huey Newton pelo assassinato de um policial. Na medida que alguns membros do partido eram culpados de atos criminais, o grupo foi sujeitado a uma grande hostilização da polícia que algumas vezes se deu na forma de ataques violentos, despertando investigações no Congresso sobre as atividades da polícia com relação aos Panteras. Nos meados dos anos de 70, tendo perdido muitos de seus membros e diminuído a simpatia de muitos líderes negros estadunidenses, levaram a uma mudança dos métodos do partido, que mudaram da violência para uma concentração na política convencional e em um fornecimento de serviços sociais nas comunidades negras. O partido estava efetivamente desfeito em meados dos anos de 1980.

Ver também
Racismo
Mumia Abu-Jamal
Marxismo
Stokely Carmichael
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Origem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Panteras_Negras

o preto velho de poços de caldas

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Texto de Luís Nassif publicado no site: La Insignia. Brasil, dezembro de 2007.

Tive um colega de nome Ildefonso. Achava meio pomposo mas nunca perguntei de quem sua mãe havia tirado o nome. Desde o início do século, aliás, Poços de Caldas era uma cidade de nomes enjoados, conforme anotou o professor Antônio Cândido em um de seus livros. Como havia uma clientela internacional bastante intelectualizada atrás dos supostos poderes miraculosos das águas de lá, tinha motorista de táxis de nome Platão, professores de nome Leibniz e assim por diante.

Muito tempo depois vim a saber que era em homenagem ao seu Defonso, Ildefonso de Souza, primeiro dentista de Poços, falecido em 6 de setembro de 1932.

Acho que toda cidade tem a obrigação de honrar a memória do seu primeiro dentista. Mas estou para ver história mais interessante que a do seu Defonso. Nem se fale do seu modo de tratar os clientes, extremamente fidalgo no trato pessoal, e mais para analista de Bagé quando pegava o marmanjo de jeito na cadeira, suando frio. Ou de seu prestígio político, como chefe e adversário principal do grande prefeito Francisco Escobar. Ou de sua casa, bem em frente à Igreja Matriz, nos tempos em que a rua Assis Figueiredo era chamada de Paraná, onde dona Zefa, sua mulher, exercitava as prendas de quituteira de primeira. As pessoas iam à missa das 6 e depois entravam livremente na casa do seu Defonso para tomar café, incluindo todos os bispos e padres que iam visitar Poços.

Pesava a seu favor, também, o fato de ter sido considerado o decano dos dentistas brasileiros, quando faleceu, e de ter uma clientela internacional, que ia a Poços especialmente para se tratar com ele. E também seu espirito pioneiro, que o fez ter o primeiro rádio de Poços, e ficar no quintal de casa acompanhando o vôo dos urubus, e prevendo que em breve o homem voaria.

Era de assinar todos os jornais e revistas da época, e enviou aos Estados Unidos dois de seus filhos que seguiram a profissão de cirurgiões-dentista -Salomão e Ossian de Souza que, décadas depois, tornaram-se dois dos nomes mais prestigiados da profissão em São Paulo. Os meninos foram aos Estados Unidos e logo depois dispensados, porque os mestres diziam nada ter para ensinar-lhes.

Seu Defonso, que por obra de um coice na boca ficou com uma fenda nos lábios que o fazia falar assobiado, que nem preto velho de umbanda, não perdoava o cliente que entrava no consultório querendo um dente de ouro: "Chê tá ficando louco. Onde que chá che viu isso. Cheu dente vale mais do que ouro".

A alusão ao preto velho não foi coincidência. Seu Defonso era negro, e não apenas isso. Nasceu escravo, em 16 de agosto de 1850 -21 antes da Lei do ventre Livre, portanto-- em Santo Antônio do Machado, conhecido por Machadinho, perto de Machado, no sul de Minas. Há informações de que escrava era também sua esposa dona Zefa, filha de uma escrava com o dono de uma fazenda em Capivari.

Até os 40 anos, seu Defonso era apenas exímio carpinteiro, depois marceneiro. Para se aprimorar na profissão de marceneiro, seguiu a pé para o Rio de Janeiro, atrás de ensinamentos de grandes artesãos alemães que lá trabalhavam. Foi dispensado por não ter o que aprender mais com eles. Amigo de um de seus netos, o professor Antônio Cândido guardou a informação de que conseguiu, com seus recursos, não apenas a própria alforria como a de dona Zefa.

Foi aos 40 anos que seu Defonso iniciou seus estudos primários. Depois, decidiu ser protético. Mais tarde, dentista prático. Estudou, praticou, tornou-se o melhor. Para calar a boca dos críticos, em 16 de abril de 1902, doze anos após ter se alfabetizado, prestou exame de habilitação na Faculdade de Farmácia e Odontologia de São Paulo, e tornou-se o dentista da região até pouco antes de sua morte.

Na primeira metade do século, Poços criou fama na área. Havia outro dentista que chegou a desenvolver técnicas reconhecidas internacionalmente, de utilização de pequenos choques como anestésico. Esse dentista trouxe como protético, do Rio, um mulato magrinho e maneiro de nome Assis Valente, um dos futuros maiores compositores brasileiros do século, mas isso lá pelos anos 30, quando seu Defonso já havia morrido.

Em Poços, foi vereador, chefe político acatado, convivendo de igual para igual com todas as famílias influentes da região. Quando Ildefonso de Souza morreu em 1932, a revista "Odontologia Moderna", de propriedade do "Ao Boticão Universal" -cujo slogan era "o nosso passado é a garantia do que afirmamos"- dedicou-lhe necrológio respeitoso, tratando-o como um dos líderes da classe.

Só vim a saber do seu Defonso há alguns anos, quando me reuni aqui em São Paulo com algumas senhoras poçoscaldenses da época que me contaram sobre ele. Os livros dos historiadores locais falam de passagem de seu prestígio político, mas nada mencionam de sua origem. E não lembro de ter ouvido uma palavra sobre ele do "Chico Rei" de Poços, o movimento negro liderado há anos pela Tita.

Aí fico pensando cá com meus botões que a condição de negro bem sucedido ainda não goza de muito prestígio nem entre brancos nem entre negros. Para os brancos, pesa a pele negra. Para os negros, a suposta alma branca. Se eu fosse do "Chico Rei", tratava de substituir a estátua do Zumbi pela do seu Defonso. Mas acho que não vão apreciar muito a minha sugestão.
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Origem: http://www.lainsignia.org/2007/diciembre/cul_002.htm

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

sistema de cotas

por: Pierre Souto Maior Coutinho de Amorim (Procurador Federal em Pernambuco).

em: 3/10/2003 - Brasil - Ministério Público Federal

O sistema de cotas é a forma pela qual o Estado se propõe a compensar os integrantes da raça negra, mediante a reserva de vagas em concursos públicos, para provimento de cargos e empregos públicos e, ainda, para o preenchimento do corpo discente das faculdades públicas. Notória é a forma brutalizada e genocida do processo de libertação dos escravos no Brasil, aliás, a mais tardia alforria do mundo. As classes dominantes brasileiras sempre souberam manipular a mão-de-obra necessária à manutenção de suas riquezas, utilizando-se de métodos por vezes cruéis. Em verdade, os escravos africanos, de tão massacrados no Brasil, opunham sua resistência pelo método que mais demonstrava seu desamparo: a fuga. Logo que foi publicada a "Lei Áurea", os negros, ávidos por liberdade e respeito, precipitaram-se pelas estradas, sem paradeiro, sem destino. Como afirma Darcy Ribeiro (1) "... os escravos abandonam as fazendas em que labutavam, ganham as estradas à procura de terrenos baldios em que pudessem acampar,..., plantando milho e mandioca para comer. Caíram, então, em tal condição de miserabilidade que a população negra reduziu-se substancialmente".

Essa miserabilidade da massa negra, jogada ao léu, produz efeitos até hoje em nossa pirâmide social. Dessa forma, os negros são maioria nas favelas, nas prisões, nos índices de analfabetismo, etc. São, todavia, minoria nas faculdades, nos índices de maior longevidade, na composição dos órgãos públicos, etc. Negou-se aos negros, afirma Darcy Ribeiro (1) "... a posse de qualquer pedaço de terra para viver e cultivar, de escolas em que pudessem educar seus filhos, e de qualquer ordem de assistência". Delimitado está o panorama social que deve prevalecer na análise do presente tema. Pode-se afirmar que os negros foram "recrutados" para servir de mão-de-obra barata e, depois, enxotados para a marginalidade social. Temos como principais argumentos a favor da implantação do sistema de reserva de vagas nos concursos públicos e nos vestibulares das faculdades públicas, o débito estatal em relação à forma de recolocação social dos negros na fase de pós-libertação, o princípio da igualdade, em sua acepção material, e a possibilidade da instituição de políticas compensatórias, albergadas pela Constituição da República. Diz-se que o Estado brasileiro foi extremamente injusto com os recém-libertos. A situação dos ex-escravos foi tratada de forma unilateral pelo Estado, sem a colaboração das vítimas da escravidão. Além disso, os ex-donos de escravos receberam apoio do Estado para a recuperação de sua mão-de-obra barata, havendo uma intensa "importação" de europeus desiludidos em busca de uma redenção qualquer. Afirma-se que o principio da igualdade deve ser interpretado em sua acepção material, ou seja, que a verdadeira igualdade é tratar desigualmente os desiguais. Como afirmou Rui Barbosa (6): "A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam.

Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade". Ao pretender, o Estado, realizar seu fim de reduzir as desigualdades sociais, somente o fará com a adoção de políticas afirmativas que encontrem eco nas camadas mais oprimidas da população. Alinha-se como defesa do sistema de cotas, a assertiva de que a própria Constituição da República está a demonstrar a substancialidade do princípio da igualdade, como, por exemplo, no caso da reserva de vagas, em expressão percentual, dos cargos e empregos públicos para os deficientes físicos, determinada pelo art. 37, inciso VIII, da Constituição da República, sendo legítima, portanto, em face do contexto histórico, a compensação social também em benefício dos negros. Todavia, argumenta-se em sentido contrário à implementação do sistema de cotas, a impossibilidade de definição idônea dos integrantes da raça negra, o óbice constitucional do princípio da igualdade e a assertiva de que há política compensatória (ação afirmativa) apenas de forma expressa na Constituição da República. No que respeita à definição da raça negra, teme-se pelo critério voluntário, utilizado pelo IBGE, pois poderia qualquer pessoa de pele mais escura afirmar-se negro em busca das facilidades deferidas.

Em geral os movimentos de defesa da raça negra refutam tal argumento, afirmando que o preconceito racial afasta o risco de auto-afirmações raciais falsas, aceitam, apenas, o critério voluntário, pois apenas este resgataria a identidade cultural do negro. Como principal óbice constitucional temos o princípio da igualdade, que impediria qualquer forma de privilégios entre os indivíduos. Tal princípio seria, como toda lei é, abstrato e basilar para a garantia dos direitos fundamentais. A igualdade entre os homens seria incompatível com reserva de vagas, pois esta importa em tratar desigualmente os iguais, posto que todos são homens. Como exemplo para a afirmativa de que a ação compensatória é admitida pela CF/88 apenas de forma expressa, cita-se a reserva de vagas para deficientes físicos.

O argumento consiste em dizer que a regra é a igualdade plena (abstrata), sendo exceção a outorga de "privilégios". Sendo exceção, somente admite-se por disposição expressa na CF/88. Para os deficientes físicos há a previsão constitucional (art. 37, inciso VIII), não assim em relação à cota racial. Submetida a questão a uma análise percuciente, vemos que o princípio da igualdade não representa sério obstáculo ao sistema de cotas. Tal princípio é relativizado em diversos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais. O argumento de que nenhum direito garantido pela CF/88 é absoluto, há de ser mais uma vez lembrado, com a relativização do próprio direito à vida mediante a pena de morte (2). Ainda mais razão assiste ao entendimento da concreção do princípio igualitário, quando se leva em conta o fim estatal de amenizar as abismais diferenças sociais entre os indivíduos, não podendo o Estado contentar-se em declarar direitos e igualdades e nada fazer concretamente para atingir seu precípuo fim. O argumento de que o princípio da igualdade jurídica entre os homens pode ser relativizado, porém apenas de maneira expressa na CF/88, também não procede. Além da disposição expressa de reserva de vagas para os deficientes físicos, temos outros exemplos de ações afirmativas baseadas no próprio princípio da igualdade. É o caso das reservas de vagas para concorrência a cargos eletivos, com limites no mínimo e máximo de candidatos de cada sexo, disciplinada pelo art. 10, § 3º, da lei nº 9.504\97.

À obviedade tal dispositivo só foi implementado devido à opressão imposta às mulheres, que resultou no alijamento das mesmas do processo de disputa e exercício do poder. Ademais, como explicita Fábio Konder Comparato (3), ao comentar sobre o mito da democracia racial no Brasil, "nas raras vezes em que se invocou a Constituição contra as leis, o objetivo não era defender a vida ou a liberdade, mas sim, o patrimônio. Assim é que promulgada a Lei do Ventre Livre, em 1871, o maior jurisconsulto do império, Augusto Teixeira de Freitas, entendeu-a inconstitucional por violar a garantia da propriedade e por desrespeitar os direitos adquiridos". Não é de se estranhar que, ainda hoje, juristas plantonistas prontamente declarem a inconstitucionalidade do sistema de cotas, ressaltando o desrespeito de tal sistema aos direitos dos demais concidadãos. Aliás, o próprio Fábio Konder Comparato (3), no arremate do artigo acima, afirma que "seria imperdoável erro político imaginar que essa situação de bloqueio mental e de insensibilidade ética já foi superada", e ainda diz "... o fato é que o espírito conservador continua o mesmo, sólido e incontrastável, em sua visão imobilista do mundo". O óbice que parece ser mais sério dos opostos ao sistema de cotas é o que pertine ao critério de definição da raça negra. Como já dito, os movimentos de defesa dos negros não admitem o critério científico, biológico ou antropológico, de definição de raças. Entendem que a auto-afirmação racial, sistema voluntário, é o que melhor garante a preservação da cultura negra. Aqui, no entanto, há uma confusão de conceitos que atrapalha a correta disposição do problema. Com efeito, o traço cultural pouco ou nada tem a ver com o conceito de raça, posto que uma mesma raça pode albergar diferentes culturas. Pedrinho A. Guareschi (4) assevera que "etnia é a identidade que liga essa experiência a uma história cultural comum (ser italiano, alemão, brasileiro).

Raça é a identidade que liga essa experiência a ancestrais biológicos comuns". Vemos, pois, que etnia é mais consentâneo com traço cultural, que meramente a raça a que se pertence. Pinto Ferreira (5) dispõe que "a raça é formada pelo conjunto de homens que se assemelham somente por seus caracteres físicos, isto é, anatômicos e fisiológicos ou somáticos. É pesquisada pela antropologia física ou raciologia". Sobre etnia o ilustre pensador diz: "Já etnia é conceito novo, introduzido pela ciência, e significa o grupo social aparentado por caracteres somáticos, lingüísticos e culturais". Precisamente o que ocorreu no Brasil foi a escravização de indivíduos da raça negra pertencentes a diversas culturas. Sendo assim, apenas o critério racial poderá ser utilizado na aplicação do sistema de cotas, posto que os diversos traços culturais trazidos pela raça negra estão atomizados e integrados a outros traços culturais dos europeus e indígenas. Há no Brasil uma constante fusão cultural que impede a utilização do critério da etnia para a prática da reserva de vagas. Apesar de também haver uma "fusão racial", a mestiçagem, a ciência dispõe de meios seguros para a definição correta da ascendência racial do indivíduo. Não é critério seguro a auto-afirmação, pois tal critério leva em conta muita vez a predominância da cor da pele, o que em um país tropical e de formação racial mestiça compromete a seriedade de tal método. Enfim, apenas o critério científico pode ser utilizado para a resolução do impasse na definição dos componentes da raça negra.

O raciocínio asseverando que o preconceito racial da sociedade inibe a auto-afirmação racial falsa, utilizado pelos movimentos de defesa dos negros, é tão inconsistente quanto o argumento utilizado pelos opositores do sistema de cotas, de ser o mesmo uma marca indelével, uma cruz a onerar eternamente os beneficiados da reserva de vagas, pois estes seriam "apontados" pelos demais membros da comunidade. Ora, é óbvio que as vantagens concretas oferecidas pelo sistema de cotas, o emprego público e a vaga na faculdade, tanto podem incentivar a auto-afirmação racial falsa, quanto podem amenizar bastante a suposta carga discriminatória suportada por seus beneficiários. Em conclusão, podemos afirmar que o sistema de cotas em benefício dos integrantes da raça negra é justo, pelo aspecto histórico, e é constitucional, podendo ser imediatamente implantado (superada a controvérsia sobre o critério de definição racial), porém, não é o principal ponto de cisão social no Brasil. O abismo mais gritante na sociedade brasileira é o que afasta os abastados dos miseráveis, separação esta que exige dos poderes públicos uma resposta não meramente compensatória, mas sim estrutural e voltada para o futuro da nação.


Bibliografia

RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: evolução e o sentido do Brasil. Companhia de Letras, 1995.

BARROS, Maria Magdala Sette. Violabilidade das comunicações. Boletim dos Procuradores da República, ano IV, nº 42 de 2001.

COMPARATO, Fábio Konder. Ordem sem progresso, Folha de São Paulo, publicado no dia 05\12\1995.

GUARESCHI, Pedrinho A. Sociologia da Prática Social. Editora Vozes, 1992.

FERREIRA, Luiz Pinto. Espaciologia Social, 2ª edição, Editora da Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco, 2000.

BARBOSA, Rui. Oração aos Moços. Editora Dicopel.


Outras obras consultadas

BARBOSA SOBRINHO, Osório Silva, A Constituição Federal vista pelo S.T.F. , 2ª Edição, SP. Editora Juarez de Oliveira, 2000.

ROOS, Alf. Direito e Justiça - Tradução: Edson Bini, Bauru, SP. EDIPRO, 2000.

SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo - 19ª edição, editores Malheiros, 2000.

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Origem: http://www.lpp-uerj.net/olped/mob_exibir_noticias.asp?codnoticias=2215

negro


Mulher africana.

Os termos negro ou negróide são utilizados na classificação de grupos humanos adotada em antropologia, correspondendo a uma raça. A noção de raças humanas, do ponto de vista da biologia, possui atualmente defensores que lutam a favor de colocar essa teoria à parte, lutando para que a noção de raça seja hoje utilizada como um sinônimo de fenótipo humano. O termo negro designa uma pessoa com a pigmentação da pele entre castanha escura (marrom) a negra.

Negro ou preto?
A palavra "preto" aparece no século X e designa uma pessoa de pele escura, mais particularmente originária da África subsariana. A palavra "negro" passa a ser adotada no século XV com a escravização de africanos por portugueses. Os espanhóis, porém, foram os primeiros europeus a usar "negros" como escravos na América. Por conseguinte, um dos primitivos sentidos da palavra negro era "escravo". Por este motivo, a palavra é considerada ofensiva em diversos países africanos e da Diáspora, como no Senegal e nos Estados Unidos, onde é empregada a palavra black que literalmente corresponde à palavra preto.

Os portugueses são o segundo povo europeu a traficar escravos negros para as Américas. Estes adotam a palavra negro designando primeiro, na sua língua, todos os escravos (por conseguinte também os escravos índios, chamados de "negros da terra"). Pouco a pouco, os portugueses designarão cada vez mais apenas os pretos por esta palavra, os índios serão tratados de "selvagens" até 1970 na imprensa brasileira.

Certos sociólogos brasileiros, como Clóvis Moura, consideram o termo "negro" o mais adequado para classificar a etnia à qual a pessoa pertence. Argumentam ainda que existe uma grande resistência da sociedade brasileira na utilização do termo citado, em razão deste ser considerado, erroneamente, uma palavra preconceituosa. Para estes sociólogos, a palavra "negro" não possui conotação pejorativa, e que o receio em utilizar o termo dito correto se deve ao fato da sociedade brasileira, ao contrário do que pensa o senso comum, possuir uma forte carga racista em relação ao negro, oculta pelo mito da democracia racial.

Em Angola é utilizada com o mesmo sentido, e com idêntica gama e subjectividade de conotações. Um indivíduo de etnia negra, pode dizer-se orgulhoso de ser negro e sentir-se ofendido por ser chamado de preto. É usada com muita frequência a palavra em gíria bumbo com idêntico significado. Esta, da mesma forma, pode ser tomada como ofensiva ou ser perfeitamente inócua e usada entre amigos.

Atualmente, no Brasil, parte do Movimento Negro considera que pretos são somente os negros de fenótipo não-miscigenado, enquanto os negros são a soma de pretos e os pardos de ascendência negra (excluindo os caboclos, por exemplo) [1].

Preconceito
O histórico de preconceito contra os negros é grande e decorre principalmente de sua condição de escravos, quando foram trazidos a países da América como o Brasil, os Estados Unidos e alguns países do Caribe. Durante o regime do apartheid, os negros eram postos à margem na África do Sul, não podendo ser considerados cidadãos de pleno direito. Algo semelhante acontecia também nos Estados Unidos, onde ainda hoje a miscigenação não é oficialmente tomada em consideração. Embora os negros já sejam considerados cidadãos comuns nesses países, ainda hoje vivem em condições de vida relativamente menos favorecidas do que as pessoas em geral. Hoje a palavra negro tem um sentido racista em numerosas línguas europeias (ingleses, franceses, alemão, holandeses) devido à escravidão e a colonização.

Segundo estudos realizados pelo sociólogo David Willians, do Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade de Michigan, os Estados Unidos, para cada dólar pago a um branco, um negro recebe o equivalente a 40% desse valor. De acordo com os Indicadores Sócio-econômicos do Censo norte-americano sobre a década de 90, 7% da população branca vivia na pobreza, contra 32,4% da negra.

Em escala menor, existe também discriminação de negros na Europa, devido à recente migração de africanos para países como a França e a Itália.



No Brasil

Robinho, jogador de futebol brasileiro.


De acordo com o PNAD de 2005, verificou-se que 6,3% da população brasileira se declara negra, enquanto 43,2% se declaram como "pardos")[1] (como os mulatos, caboclos e cafuzos - pessoas com ancestralidade mesclada entre africanos, europeus e indígenas, exceto os caboclos, cuja identidade não está ligada a ancestralidade preta). Devido ao alto grau de miscigenação da população brasileira, há pouca precisão em identificar quem realmente pode ser chamado de "negro", prevalecendo o critério da auto-declaração. Para fins políticos do movimento negro, entretanto, consideram-se "negros" todos aqueles que têm alguma ancestralidade africana, mesmo que sejam, também, descendentes de europeus ou de índios.

A região brasileira com o maior número proporcional de negros na população é a Região Nordeste, sendo o Estado da Bahia aquele com a maior proporção de negros na população, com 14,4% de pretos e 64,4% de pardos. O Estado de Santa Catarina é o que tem a mais baixa proporção de negros e pardos no Brasil, que, somados, são 11,7% da população.

Observa-se que os negros vivem numa condição de vida bem menos favorecida em relação à daqueles que se declaram de etnia "branca" (européia). Isto é ocasionado especialmente pelo fator histórico da escravidão, que, ao ser abolida, não deu qualquer tipo de proteção especial aos negros, que permaneceram na pobreza.

Ainda assim, muitos argumentam que ainda há forte preconceito dentro da sociedade brasileira, o que seria uma forma a mais de dificultar a inserção do negro na sociedade. O último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), "A Hora da Igualdade no Trabalho", divulgado no dia 12 de maio, mostra que, apesar de avanços em alguns indicadores sociais, a situação de desemprego persiste na população negra brasileira: a renda mensal de um trabalhador negro é 50% inferior a do branco.



Negros em outros países

África
Todos os países da África Subsaariana têm população majoritariamente negra. Alguns países como a Namíbia e a África do Sul apresentam uma diversidade étnica maior, devido à colonização por europeus vindos principalmente da Alemanha, Reino Unido e Países Baixos. Na África do Sul, apesar de serem maioria étnica, tiveram vários direitos suprimidos pelos africâneres (sul-africanos de origem européia), que dominavam politicamente - movimento conhecido como apartheid. Na região do Maghreb os negros são minoria, frente à maioria branca de origem semítica.

América
Existe uma grande população negra concentrada nos Estados Unidos. O censo estadunidense considera como "negros" todos os indivíduos com alguma ascendência africana, mesmo que tenha também ascendência européia, asiática ou indígena. No Caribe, a maioria da população é negra, ou mestiça com negros (no caso de Cuba), sendo a República Dominicana uma exceção. Outros países com importantes minorias de negros, além do Brasil, são a Colômbia e o Uruguai.

Europa
Nas últimas décadas, a população negra na Europa tem crescido consideravelmente, especialmente em países como a França, Países Baixos e o Reino Unido. Isso ocorre em função da migração de povos africanos e caribenhos colonizados por franceses, neerlandeses e britânicos, em geral buscando melhores condições de vida. Outros países como a Suécia, a Itália e a Alemanha também têm recebido ondas imigratórias negras.

Ásia e Oceania
Os povos de origem dravídica, nativos do sul da Índia, são negros. Entretanto, têm o fenótipo distinto dos negros africanos, com alguns traços que os fazem se parecer mais com os demais asiáticos. O mesmo ocorre com os povos melanésios e os aborígines australianos, que ora são classificados como "negros", ora classificados num grupo étnico à parte conhecido como Australóides.

Ver também

O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Negro.

Movimento Negro

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Negro"