quinta-feira, 25 de outubro de 2007

discriminação

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Discriminar significa "fazer uma distinção". Existem diversos significados para a palavra, incluindo a discriminação estatística ou a actividade de um circuito chamado discriminador. O significado mais comum, no entanto, tem a ver com a discriminação sociológica: a discriminação social, racial, religiosa, sexual, étnica ou especista.

O direito ao trabalho vem definido na Constituição Federal como um direito social, sendo proibido qualquer tipo de discriminação que tenha por objetivo reduzir ou limitar as oportunidades de acesso e manutenção do emprego.

A Convenção 111 da Organização Internacional do Trabalho considera discriminação toda distinção, exclusão ou preferência que tenha por fim alterar a igualdade de oportunidade ou tratamento em matéria de emprego ou profissão. Exclui aquelas diferenças ou preferências fundadas em qualificações exigidas para um determinado emprego.

Há duas formas de discriminar: a primeira, visível, reprovável de imediato e a segunda, indireta, que diz respeito a prática de atos aparentemente neutros, mas que produzem efeitos diversos sobre determinados grupos.

A discriminação pode se dar por sexo, idade, cor, estado civil, ou por ser a pessoa, portadora de algum tipo de deficiência. Pode ocorrer ainda, simplesmente porque o empregado propôs uma ação reclamatória, contra um ex-patrão ou porque participou de uma greve. Discrimina-se, ainda, por doença, orientação sexual, aparência, e por uma série de outros motivos, que nada têm a ver com os requisitos necessários ao efetivo desempenho da função oferecida. O ato discriminatório pode estar consubstanciado, também, na exigência de certidões pessoais ou de exames médicos dos candidatos a emprego. O legislador pátrio considera crime o ato discriminatório, como se depreende das Leis nºs 7.853/89 (pessoa portadora de deficiência), 9.029/95 (origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, idade e sexo) e 7.716/89 (raça ou cor).

O Ministério Público do Trabalho, no desempenho de suas atribuições institucionais tem se dedicado a reprimir toda e qualquer forma de discriminação que limite o acesso ou a manutenção de postos de trabalho. Essa importante função é exercida preventiva e repressivamente, através de procedimentos investigatórios e inquéritos civis públicos, que podem acarretar tanto a assinatura de Termos de Compromisso de Ajustamento de Conduta, em que o denunciado se compromete anão mais praticar aquele ato tido como discriminatório, como a propositura de Ações Civis. Atua também perante os Tribunais, emitindo pareceres circunstanciados, ou na qualidade de custus legis, na defesa de interesse de menores e incapazes, submetidos à discriminação.

Através da Coordenadoria Nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho a Procuradoria Geral do Ministério Público do Trabalho objetiva integrar as Procuradorias Regionais, em âmbito nacional, para estabelecer ações estratégicas de atuação efetiva.

A Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região conta com núcleo específico composto por Procuradores da Codin - Coordenadoria de Defesa dos Direitos Difusos e Indisponíveis, para coibir as práticas discriminatórias. Todas as denúncias são apuradas porque um simples ato pode representar uma prática habitual. A conduta fundada no preconceito não caracteriza ofensa a direito individual apenas, mas lesão potencial a todos os que venham a se encontrar em determinada situação.


Discriminação x Preconceito

Na esfera do direito, a Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1966, em seu artigo 1º, conceitua discriminação como sendo: “Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor descendência ou origem nacional ou étnica que tenha o propósito ou o efeito de anular ou prejudicar o reconhecimento, gozo ou exercício em pé de igualdade de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública.”

Deve-se destacar que os termos discriminação e preconceito não se confundem, embora a discriminação tenha muitas vezes sua origem no simples preconceito.

Ivair Augusto Alves dos Santos afirma que o preconceito não pode ser tomado como sinônimo de discriminação, pois esta é fruto daquela, ou seja, a discriminação pode ser provocada e motivada por preconceito. Diz ainda que: Discriminação é um conceito mais amplo e dinâmico do que o preconceito. Ambos têm agentes diversos: a discriminação pode ser provocada por indivíduos e por instituições e o preconceito, só pelo indivíduo. A discriminação possibilita que o enfoque seja do agente discriminador para o objeto da discriminação. Enquanto o preconceito é avaliado sob o ponto de vista do portador, a discriminação pode ser analisada sob a ótica do receptor.

Portanto, pode-se observar que apesar de serem corriqueiramente confundidos, a discriminação e o preconceito são etimologicamente diferentes, posto que um decorre da prática do outro.

Links Externos

Discriminação no Trabalho

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Discriminação

preconceito

Preconceito é um juízo preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória que se baseia nos conhecimentos surgidos em determinado momento como se revelassem verdades sobre pessoas ou lugares determinados. Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são a social, racial e sexual.

Ver também
Preconceito racial e etnocentrismo
Preconceito sexual: sexismo, machismo e femismo
Preconceito lingüístico
Homofobia, transfobia e heterossexismo
Xenofobia
Discriminação
Chauvinismo
Preconceito social
Estereótipo
Escala de Allport

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

racismo

O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade.

Bebedores distintos para "negros" e "brancos" nos EUA, em 1939.


Antiguidade e Idade Média

Na antiguidade, entre romanos, gregos e egípcios, e outros povos, as relações eram sempre de vencedor e cativo. Estas existiam independentemente da raça, pois muitas vezes povos de mesma matriz racial guerreavam entre si e o perdedor passava a ser cativo do vencedor, neste caso o racismo se aproximava da xenofobia.

Por muito tempo o racismo permaneceu de uma forma mais xenofóbica do que racial propriamente dita, permanecendo latente até a época de expansão das nações européias.

Com o avançar das conquistas territoriais e culturais dos povos europeus, ainda na Idade Média não havia necessariamente o racismo da forma como manifestado futuramente, o que havia era o sentimento de superioridade xenofóbico de origem religiosa. Isto ocorria devido ao poder político da igreja cristã que justificava submissão de povos conquistados de forma incorporá-los à cristandade. Porém, àqueles que não se submetiam era aplicado o genocídio, que gerava sentimentos racistas por parte dos vencedores e dos submetidos.


Chegada dos conquistadores portugueses à África

Quando houve os primeiros contatos entre conquistadores portugueses e africanos, no século XV, não houve atritos de origem racial. Os negros e outros povos da África entraram em acordos comerciais com os europeus, que incluíam o comércio de escravos que, naquela época, era uma forma aceite de aumentar o número de trabalhadores numa sociedade e não uma questão racial.

No entanto, quando os europeus, no século XIX, começaram a colonizar o Continente negro, encontraram justificações para impor aos povos colonizados as suas leis e formas de viver. Uma dessas justificações foi a ideia errônea de que os negros eram uma "raça" inferior e passaram a aplicar a discriminação com base racial nas suas colônias, para assegurar determinados "direitos" aos colonos europeus. O caso mais extremo foi a instituição do apartheid na África do Sul, em que essa discriminação foi suportada por leis decretadas pelo Estado.

Renascimento

À medida em que a tecnologia foi avançando, a Europa iniciou sua caminhada em direção à conquista econômica e tecnológica sobre o planeta.

Começaram então a surgir ideologias justificando o domínio europeu sobre as demais regiões. Entre estas novas idéias, estavam aquelas doutrinas que alegavam existir na Europa uma raça superior. Segundo consta, aquela raça era destinada por Deus e pela história a comandar o mundo e dominar as raças que não eram européias, portanto, consideradas inferiores



Ameríndios e Negros

Foi durante a expansão espanhola e portuguesa na América que surgiu a idéia de se buscar uma sustentação ideológica influenciada pela religião de que os índios não eram seres humanos. Estes eram animais e portanto era justificada por Deus a sua exploração para o trabalho, desta forma eram socialmente aceitos os suplícios a que eram submetidos, estendendo-se logo esta crença para a raça negra.

No Brasil os negros foram trazidos para serem escravos nos engenhos de cana de açúcar, devido às dificuldades da escravização dos ameríndios, os primeiro habitantes brasileiros do qual se tem relato.A igreja católica era contra a predação dos ameríndios, pois queria catequiza-los, assim obteriam novos adeptos a religião católica, já que a Europa passava por uma reforma religiosa em alguns paises onde surgiam novas religiões.Em contra partida a igreja não se opunha à escravidão negra, pois a considerava uma raça inferior (tanto que chegou-se a pensar na época, que um filho de branco com um negro fosse estéril, assim como as mulas e desse pensamento surgiu a expressão mulato), acreditava-se que os negros não tinham almas e o convívio com as doenças dos brancos e de seus animais, por terem contatos há séculos com povos brancos e a domesticação dos animais utilizados por eles, e juntamente com a motivação financeira, pois o tráfico negreiro foi a maior fonte de renda do período colonial, foram usados como justificativas para a escravização negra.


O racismo como fenômeno social

O racismo, como fenômeno comportamental e social, procura afirmar que existem raças puras, e que estas são superiores às demais; desta forma, procura justificar a hegemonia política, histórica e econômica.

Do ponto de vista racial, os grupos humanos atuais em sua maioria são produto de mestiçagens. A evolução das espécies incluindo a humana e o sexo facilitaram a mistura racial durante as eras. Afirmar que existe raça pura torna ilusória qualquer definição fundada em dados étnicos e genéticos estáveis. Portanto, quando se aplica ao ser humano o conceito de pureza biológica, o que ocorre é uma confusão entre grupo biológico e grupo lingüístico ou nacional.

As raças, nós as inventamos e nós as levamos a sério por séculos, mas já sabemos o bastante para largar mão delas. Hoje em dia sabemos que somos todos parentes e todos diferentes, de acordo com o feliz slogan criado pelo geneticista francês André Longaney, e não é preciso ter feito estudos aprofundados para convencer-se disso.[1]


O racismo no Brasil

O surgimento do racismo no Brasil começou no período colonial, quando os portugueses trouxeram os primeiros africanos negros, vindos principalmente da região onde atualmente se localizam Nigéria e Angola.
Os negros foram trazidos ao Brasil para serem escravos nos engenhos de cana de açúcar, devido às dificuldades da escravização dos ameríndios, os primeiros habitantes brasileiros do qual se tem relato. A Igreja Católica era contra a predação dos ameríndios, pois queria catequizá-los, assim obteriam novos adeptos a religião católica, já que a Europa passava por uma reforma religiosa em alguns países onde surgiam novas religiões. Em contrapartida a Igreja não se opunha à escravidão negra, pois acreditava que os trazendo da África para o Brasil seria mais fácil cristianizá-los - neste sentido, o papa Nicolau V, em 1455, emitiu uma bula a favor da escravização negra por portugueses. Um mito muito divulgado é o de que a Igreja negava que negros tivessem alma, o que vai contra fatos como a canonização de santos negros como Santa Ifigênia e São Elesbão, que viveram na Antiguidade. Montesquieu, pensador iluminista, acreditava que os negros não tinham almas e que isto justificaria sua escravização. Outras motivações para a escravidão negra foram o convívio com as doenças dos brancos e de seus animais, por terem contatos à séculos com povos brancos e a domesticação dos animais utilizados por eles, e juntamente com a motivação financeira, pois o tráfico negreiro foi a maior fonte de renda do período colonial.

A abolição da escravatura brasileira foi um processo lento do qual passou por várias etapas antes sua concretização. Criaram-se leis com o intuito de retardar esse processo de abolição como a lei do ventre livre e a do sexagenário entre outras, as quais pouco favoreciam os escravos.

Quando finalmente foi decretada abolição da escravatura não se realizaram projetos de assistência ou leis para a facilitação da inclusão dos negros a sociedade, fazendo com que continuassem sendo tratados como inferiores e tendo traços de sua cultura e religião marginalizados, criando danos aos afrodescendentes até os dias atuais.


Racismo antimestiço

Uma forma de racismo menos conhecida, que consiste na crença de que a miscigenação gera indivíduos inferiores aos de "raça pura", seja a ambos, como defendia Louis Agassiz, seja a um deles, como defendia Gobineau. Uma forma atual tem ocorrido como reação ao racismo contra negros e indígenas, que consiste negar a identidade mestiça e a defesa de que as populações 'pardas' sejam tratadas como negras, indígenas ou brancas, negando sua peculiaridade.


Racismo na Internet

Valendo-se, ao mesmo tempo, da possibilidade de anonimato e do alcance a milhões de internautas, o racismo se espalha de maneira intensa pelo mundo digital. Com discursos racistas, revisionistas ou neonazistas, milhares de sites, blogs, comunidades virtuais do Orkut e MySpace, disseminam o ódio racial e a intolerância. O Ministério Público descobriu que 80% dos casos de intolerância na rede, ocorrem no Orkut.
Trata-se de um crime, assim caracterizado pela legislação brasileira. Alguns sites advogam o direito à liberdade de expressão e afirmam não se considerarem racistas, expressarem apenas opiniões. Outros sugerem maneiras de como manter o material distante das autoridades competentes. Por esta característica, muitos sites, principalmente os disponibilizados em provedores gratuitos são retirados do ar, para em seguida reaparecerem, múltiplos em três ou quatro servidores novos, inclusive em domínios estrangeiros. Um dos sites pesquisados, afirma exatamente isto: para cada site retirado do ar, assume-se o compromisso de disponibilizar, pelo menos, três novos. Isso evidencia uma rede.

Segundo o Ministério Público do estado de São Paulo, estão ativas no Orkut mais de cinquenta comunidades que pregam a violência a negros, judeus, homossexuais e nordestinos.


Origens

As origens do racismo são bastante controversas. O fenômeno ocorre em todas as etnias e em todos os países. Um exemplo típico de racismo ocorreu quando o Japão, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, atingiu um desenvolvimento econômico social equivalente aos países mais adiantados econômica e tecnologicamente do mundo. O povo japonês começou então a se comportar de forma extremamente racista em relação a outras nacionalidades, estrangeiros em terras japonesas não eram bem-vindos. Da mesma maneira que ocorreu no oriente distante, no mundo ocidental também houve fenômenos extremamente violentos ligados ao racismo. Nas Américas, em especial nos Estados Unidos da América, o racismo chega aos extremos contra os negros e contra os latinos, em especial no sul do país. Até a década de 50 acontecia nos EUA de negros serem mortos enforcados em árvores, sem julgamento, sem que os autores destes assassinatos fossem punidos. Havia mesmo uma sociedade secreta, a Ku Klux Klan, que se propunha a perseguir e "justiçar" negros.


Racismo e xenofobia

Muitas vezes o racismo e a xenofobia, embora fenômenos distintos, podem ser considerados paralelos e de mesma raiz, isto é, ocorre quando um determinado grupo social começa a hostilizar outro por motivos torpes. Esta antipatia gera um movimento onde o grupo mais poderoso e homogêneo hostiliza o grupo mais fraco, ou diferente, pois o segundo não aceita seguir as mesmas regras e princípios ditados pelo primeiro. Muitas vezes, com a justificativa da diferença física, que acaba se tornando a base do comportamento racista.


A tentativa de explicação da superioridade racial

No século XIX houve uma tentativa científica para explicar a superioridade racial através da obra do conde de Gobineau, intitulada Essai sur l'inégalité des races humaines (Ensaio sobre a desigualdade das raças humanas). Nesta obra o autor sustentou que da raça ariana nasceu a aristocracia que dominou a civilização européia e cujos descendentes eram os senhores naturais das outras raças inferiores.


O nazismo

Alemanha nazizsta: "não compres dos judeus"


Em 1899, o inglês Houston Stewart Chamberlain, chamado de O antropólogo do Kaiser, publicou na Alemanha a obra Die Grundlagen des neunzehnten Jahrhunderts (Os fundamentos do século XIX). Esta obra trouxe o mito da raça ariana novamente e identificou-a com o povo alemão.

Alfred Rosenberg também criou obras que reforçaram a teoria da superioridade racial. Estas foram aproveitadas pelo programa político do nazismo visando à unificação dos alemães utilizando a identificação dos traços raciais específicos do povo dos senhores. Como a raça alemã era bastante miscigenada, isto é, não havia uma normalidade de traços fisionômicos, criaram-se então raças inimigas, fazendo desta forma surgir um sentimento de hostilidade e aversão dirigido a pessoas e coisas estrangeiras. Desta forma, os nazistas usaram da xenofobia associada ao racismo atribuindo a indivíduos e grupos sociais atos de discriminação para amalgamar o povo alemão contra o que era diferente. A escravização dos povos da Europa oriental e a perseguição aos judeus eram as provas pretendidas pelos nazistas da superioridade da raça ariana sobre os demais grupos diferentes e raciais também.


O apartheid


Cartaz na África do Sul com indicação: "Somente para brancos"


Os trabalhos de geneticistas, antropólogos, sociólogos e outros cientistas do mundo inteiro derrubaram por terra toda e qualquer possibilidade de superioridade racial, e estes estudos culminaram com a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Embora existam esforços contra a prática do racismo, esta ainda é comum a muitos povos da Terra. Uma demonstração vergonhosa para o ser humano sobre o racismo ocorreu em pleno século XX, a partir de 1948 na África do Sul, quando o apartheid manteve a população africana sob o domínio de um povo de origem européia. Este regime político racista acabou quando por pressão mundial foram convocadas as primeiras eleições para um governo multirracial de transição, em abril de 1994



Israel

Em 1975, por pressão dos países árabes e com o apoio dos soviéticos, o sionismo foi considerado uma forma de racismo pela Resolução 3379 da Assembleia Geral das Nações Unidas. No entanto, em 1991, essa acusação foi eliminada pela Resolução 4686 da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Em 2002, o Parlamento israelense aprovou uma lei que nega aos cidadãos de origem árabe do país o direito de conviver com seus cônjuges caso contraiam matrimônio com palestinos, pois a estes será recusada a permissão de residência no país. A lei foi questionada na justiça por diversas entidades de direitos humanos e em 15 de maio de 2006 foi confirmada pela Suprema Corte de Israel.[2]


Genética

Embora existam classificações raciais propostas pelas mais diversas correntes científicas, pode-se dizer que a taxonomia referencia uma oscilação de cinco a duas centenas de raças humanas espalhadas pelo planeta[3], além de micro-raças regionais, locais ou geográficas que ocorrem devido ao isolamento de grupos de indivíduos que cruzam entre si.

Portanto, a separação racial torna-se completamente irracional em função das composições raciais, das miscigenações, recomposições e padronizações em nível de espécie que houve desde o início da caminhada da humanidade sobre o planeta.

De acordo com Guido Barbujani, um dos maiores geneticistas contemporâneos,

"a palavra raça não identifica nenhuma realidade biológica reconhecível no DNA de nossa espécie, e que portanto não há nada de inevitável ou genético nas identidades étnicas e culturais, tais como as conhecemos hoje em dia. Sobre isso, a ciência tem idéias bem claras" in A invenção das raças[4]

A genética demonstra que a variabilidade humana quanto às combinações raciais pode ser imensa. Mas as diferentes adaptações ocorridas a nível racial não alteraram sua estrutura quanto espécie.

Desta forma, a unidade fundamental da espécie humana a nível de macro análise permanece imutável, e assim provavelmente permanecerá apesar das diferenças raciais num nível de microanálise.

Todas as raças provêm de um só tronco, o Homo sapiens, portanto o patrimônio hereditário dos humanos é comum. E isto por si só não justifica o racismo, pois as raças não são nem superiores, nem inferiores, são apenas diferentes.

O racismo pode ser pensado como uma “adoção de uma visão equivocada da biologia humana ”, expressa pelo conceito de ‘raça’, que estabeleceu uma justificativa para a subordinação permanente de outros indivíduos e povos, temporariamente sujeitos pelas armas, pela conquista, pela destituição material e cultural, ou seja, pela pobreza ”, como conceitua Antonio Sérgio Alfredo Guimarães.

Atualmente ramos do conhecimento científico como a Antropologia, História ou Etnologia preferem o uso do conceito de Etnia para descreverem a composição de povos e grupos identitários ou culturais.

Preconceito contra a mulher no mercado de trabalho

É evidente a distinção entre mulheres e homens no mercado de trabalho, principalmente em relação a mulher negra. Esse preconceito tem suas raízes na escravidão, que, apesar de ter sido abolida há décadas, ainda tem influência nas relações sociais, no modo de pensar e de ver o outro e a si mesmo. O preconceito contra a mulher sempre foi tão incumbido na sociedade, que gerou nelas mesmas uma visão auto-depreciativa de sua posição nas relações sociais e como tal no mercado de trabalho.

Com a criação do movimento feminista e depois de muitas lutas, as mulheres conquistaram alguns direitos e de certa forma algumas barreiras sociais foram quebradas. Porém, a atual situação das mulheres não sofreu muitas alterações.

No mercado de trabalho as mulheres ainda ocupam cargos inferiores em relação aos homens, isto se comprova através de estudos recentes, revelando que para elas alcançarem os mesmos cargos que os homens, em empregos formais, necessitam de uma vantagem de cinco anos de escolaridade. Esses dados agravam-se quando relacionados à mulheres negras, que necessitam de oito a onze anos de estudo a mais em relação aos homens.


O mecanismo de propagação do racismo sob o ponto de vista filosófico

O racismo é um preconceito contra um “grupo racial”, geralmente diferente daquele a que pertence o sujeito, e, como tal, é uma atitude subjectiva gerada por uma seqüência de mecanismos sociais.

Um grupo social dominante, seja em aspectos econômicos ou numéricos, sente a necessidade de se distanciar de outro grupo que, por razões históricas, possui tradições ou comportamentos diferentes. A partir daí, esse grupo dominante constrói um mito sobre o outro grupo, que pode ser relacionado à crença de superioridade ou de iniqüidade.

Nesse contexto, a falta de análise crítica, a aceitação cega do mito gerado dentro do próprio grupo e a necessidade de continuar ligado ao seu próprio grupo levam à propagação do mito ao longo das gerações. O mito torna-se, a partir de então, parte do “status quo”, fator responsável pela difusão de valores morais como o "certo" e o "errado", o "aceito" e o "não-aceito", o "bom" e o "ruim", entre outros. Esses valores são aceites sem uma análise onto-axiológica do seu fundamento, propagando-se por influência da coerção social e se sustentando pelo pensamento conformista de que "sempre foi assim".

Finalmente, o mecanismo subliminar da aceitação permite mascarar o prejuízo em que se baseia a discriminação, fornecendo bases axiológicas para a sustentação de um algo maior, de posturas mais radicais, como as atitudes violentas e mesmo criminosas contra membros do outro grupo.
Convém ressaltar que o racismo nem sempre ocorre de forma explícita. Além disso, existem casos em que a prática do racismo é sustentada pelo aval dos objetos de preconceito na medida que também se satiriza racialmente e/ou consente a prática racista, de uma forma geral.


Perspectiva jurídica (Portugal)

De acordo com o novo Código Penal em vigor desde 15 de Setembro de 2007, qualquer forma de discriminação com base na raça, etnia ou local de origem é crime. Da mesma forma são criminalizados grupos ou organizações que se dediquem a essa discriminação assim como as pessoas que incitem a mesma em documentos impressos ou na Internet.

Esta lei aplica-se igualmente a outras formas de discriminação como religiosa ou orientação sexual.


Ver também

Bugre
Homofobia
Feminismo
Anti-semitismo
Discriminação



Referência

Barbujani, Guido. Invenção das raças, A. São Paulo: Contexto, 2007. ISBN 978-85-7244-364-7
Israel nega direito de reunificação de famílias (ansa.it)
Cavalli-Sforza, Luigi Luca. Genes, Povos e Línguas. SP: Cia das Letras, 2003. ISBN 85-359-0324-0 pág. 47.
Barbujani, Guido. A invenção das raças. São Paulo: Editora Contexto, . ISBN 978-85-7244-364-7


Ligações externas

Disque Racismo (Permite denúncias sobre racismo, possui dados sobre preconceito e links para entidades semelhantes).

Origem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Racismo

a cor do racismo

Pb. Paulo Cristiano

O que teria levado Hitler a declarar: “... o extermínio dos judeus será minha prioridade ao assumir o poder...”?

Qual a razão de nações inteiras optarem pelo uso de escravos africanos?

Por que um movimento optaria por lemas como “Brasil para brasileiros sem a presença de estrangeiros”?

O racismo é antigo, tão antigo quanto o pecado do homem. Você já parou para pensar quantas barbaridades não se cometeram em nome do preconceito racial?!

O que é Racismo?

Em toscas palavras, o racismo assim pode ser conceituado: é o ato de colocar uma pessoa em situação de inferioridade, subjugada, por causa de sua cor de pele ou etnia, em detrimento de outra que, por causa de sua situação racial, se autodenomina de “raça superior”. Leia o texto na íntegra.

políticas de direita e branquidade: a presença ausente da raça nas reformas educacionais

Michael W. Apple
Universidade de Winsconsin, Madison, USA

Tradução: Maria Isabel Edelweiss Bujes

* Uma versão anterior deste ensaio foi apresentada no simpósio Racismo e eformano Reino Unido: Mercado, Seleção e Desigualdade? da American Educational Research Association, San Diego, abril de 1998. Uma versão abreviada deste artigo será ublicada em Race, Ethnicity and Education.


Na excepcional análise que fizeram sobre a formade operar dos discursos raciais nos Estados Unidos, Omi e Winant argumentam que raça não é apenas "algo a mais" (algo que é adicionado) mas é parte constitutiva de muitas de nossas experiências cotidianas mais corriqueiras.

Nos Estados Unidos, a raça está presente em cada instituição, em cada relação, em cada indivíduo. Isto não ocorre apenas em razão do modo pelo qual a sociedade é organizada – espacial e culturalmente e em termos de estratificação etc. – mas também em razão de nossas percepções e compreensões acerca da experiência pessoal. Assim, quando vemos o videoteipe de Rodney King sendo surrado, quando comparamos o preço de propriedades em diversos bairros, quando avaliamos um cliente potencial, um vizinho ou um professor, quando fazemos parte de uma fila de desempregados numa agência governamental, ou quando levamos a efeito milhares de outras tarefas usuais, somos compelidos a pensar racialmente, a usar as categorias e os sistemas de significado relativos a raça nos quais fomos socializados. A despeito de exortações, tanto sinceras quanto hipócritas, não é possível nem mesmo desejável que nos tornemos "cegos em relação à cor" (color-blind). (Omi & Winant, 1994, p. 158-159)

Não é possível desconhecer as questões relativas à cor; como dizem os autores "opor-se à raça requer que nós a notemos e não que a ignoremos". Apenas atentando para a raça é que podemos desafiá-la, "por reduzir de forma absurda a experiência humana a uma essência atribuída a todos sem nenhum respeito ao contexto histórico e social". Ao nos defrontarmos diretamente com a raça, "podemos desafiar o Estado, as instituições da sociedade civil e a nós mesmos como indivíduos a combater o legado de desigualdade e injustiça herdado do passado" e continuamente reproduzido no presente (Omi & Winant, 1994, p. 159). Leia o texto na íntegra.

(*) Nota da tradutora: Como já o fez Tomaz Tadeu da Silva, ao revisar tradução de texto deste mesmo autor intitulado "Consumindo o outro – branquidade, educação e batatas fritas baratas", em M. C. V. Costa (org.) Escola básica na virada do século: cultura, política e currículo, Porto Alegre, FACED/UFRGS, 1995, utilizo neste texto a palavra branquidade para traduzir o termo whiteness, como a "qualidade ou condição de ser branco", conforme a versão eletrônica do dicionário Merriam Webster, em inglês. Para uma discussão das dificuldades que isto implica ver Nota do Revisor, à p. 10, na referida obra.

as situações de racismo e branquitude representadas na telenovela “da cor do pecado” [1]

Luciene Cecilia Barbosa[2]
Doutoranda em Ciências da Comunicação – ECA/USP


Resumo: Este trabalho pretende analisar as situações de racismo e branquitude representadas na telenovela “Da Cor do Pecado”. Ouve-se falar muito do comportamento e da reação das vítimas do racismo, no entanto, paira um silêncio ao redor do racista. “Da Cor do Pecado” nos proporciona elementos para fazermos inúmeras leituras sobre relações raciais, mas nos limitaremos a analisar os comportamentos das personagens Bárbara (Giovanna Antonelli) e Afonso Lambertini (Lima Duarte). O objetivo deste trabalho é, a partir da ficção, indicar a importância de enfocar também o comportamento do branco nas relações raciais, pois, na maioria dos estudos, o enfoque tem sido somente o negro. Vivemos numa sociedade multirracial, e a superação de comportamentos pautados pelo racismo e pela branquitude só será possível por meio de uma tomada de consciência de ambos os envolvidos - os discriminados e os discriminadores. Leia o texto na íntegra.

Palavras-Chave: Ficção; Realidade; Branquitude; Racismo; Relações Raciais.

[1] Trabalho apresentado ao NP 14 - Ficcção Seriada, do IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa da Intercom.

[2] Mestre e Doutoranda em Ciências da Comunicação – ECA/USP. Professora e Pesquisadora sobre questões raciais em Teledramaturgia. E-mail:
lucecil@ig.com.br

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

hélio bagunça





















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Foi, sim, Sambista do maior quilate;
Nobre linhagem, bastião* da cultura.
Foi o passista maior desta parte;
Da malandragem, lendária figura.

Mestre, a dança legou-nos qual arte;
Sobrou na ginga – jogo de cintura.
Andou andanças, se fez baluarte;
Driblou mandingas e mostrou bravura.

Lutou mil lutas por paixão profunda;
Venceu disputas pela Barra Funda
Cuja Camisa** ostentou suada.

Hélio, nascido, Romão, e, de Paula
E que da vida – missão – nos deu aula,
Se foi Bagunça, mas... organizada!

...........................................Selito SD
.........................................................
[*] Bastião - trincheira; muro que serve de anteparo ao ângulo saliente de uma fortaleza; baluarte।
[**] ACSESM Camisa Verde e Branco, a Gloriosa da Barra Funda.

o samba é nosso espírito, nossa alma... é nossa cultura!

Baluarte: Hélio Romão de Paula - O Hélio Bagunça!
(1935-2007)

Foto: Edson (Unegro) / 2004

Salve, salve gente boa gente do samba! Chegamos a mais uma celebração de mais um ano de luta, desta feita o 9º (nono), do Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco. E não tem sido fácil! Mas o que importa é que seguimos firmes fazendo aquilo que cremos ser, nada mais que, nossa obrigação, a saber: zelar pelo que é nosso. E nosso é o samba que é nossa cultura, nossa identidade, que marca nossos costumes, enfim, substancia a nossa vida, o nosso viver, posto que é o nosso espírito – a nossa alma – que zela por nós que por ela zelamos.


Verde, amarelo, azul e branco, são as cores que estampam o pavilhão! – Foto: Jucélia Pereira / 2003

Alma – é isto o que o samba é. E assim como, por exemplo, os maracatus, candomblés, jongos, congados, carimbós, capoeiras, etc. também o samba é muito mais que musicalidade, mais que música que comumente é compreendida de modo equivocado e superficial, esvaída da essência que lhe é dada pelo conjunto dos outros elementos (valores) que constituem a cultura. Deste modo, o samba, queda reduzido de cultura a gênero musical meramente. Ora, a música (a musicalidade) é apenas um dos elementos constituintes do conjunto de valores denominado cultura, aos quais permeia e por eles é permeada.

O que queremos dizer com isto? Muito simples! Alma e cultura são sinônimos. A propósito, vamos a algumas definições conceituais:

Segundo o dicionário - cultura é: ato, efeito de cultivar, desenvolvimento intelectual, saber; utilização industrial de certos produtos naturais; estudo, elegância; esmero; conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores morais e materiais, característicos de uma sociedade; civilização (http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx);

Para a Filosofia - cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura);

Para as Ciências Sociais, cultura - (latu sensu) é o aspecto da vida social que se relaciona com a produção do saber, arte, folclore, mitologia, costumes, etc., bem como à sua perpetuação pela transmissão de uma geração à outra (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura);

Já para a Sociologia - o conceito de cultura tem um sentido diferente do senso comum. Sintetizando: simboliza tudo o que é apreendido e partilhado pelos indivíduos de um determinado grupo e que confere uma identidade dentro do seu grupo de pertença. Na sociologia não existem culturas superiores, nem culturas inferiores pois a cultura é relativa, designando-se em sociologia por relativismo cultural, isto é, a cultura do Brasil não é igual à cultura portuguesa, por exemplo: diferem na maneira de se vestir, na maneira de agir, têm crenças, valores e normas diferentes... isto é, têm padrões culturais distintos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura);

E, para a Antropologia - cultura é entendida como a totalidade de padrões apreendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sob a etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria “o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, moral, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Portanto, corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, à partir de uma vivência e tradição comuns, se apresentam como a identidade desse povo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Cultura).

Bem, de forma sintetizada, estas são algumas definições de cultura segundo algumas áreas do conhecimento. Com isso, mais o que apreendemos da nossa própria história de vida e da história dos nossos em pertença, podemos dizer e afirmar que todos os povos, todas as pessoas, possuem cultura. Logo, todo indivíduo é possuidor de cultura, pois pertence a um grupo de indivíduos; e a vida em grupo demanda regras e normas de conduta que pautam todas as ações/relações e zelam por uma boa e saudável convivência.

A fim de melhor expressarmos o que foi dito: o grupo de indivíduos constituído pelo Projeto Nosso Samba possue uma identidade que é nossa, particular, e que nos difere de outros grupos de indivíduos como, por exemplo: a Comunidade Samba da Vela, o Projeto Cultural Samba Autêntico, o Projeto Samba de Terreiro de Mauá, o Projeto Samba de Todos os Tempos, o Terra Brasileira, o Terreiro Grande e outros mais, cada qual com sua identidade, com sua particularidade. E é justamente o conjunto de elementos característicos e próprios de cada grupo que o diferencia dos demais e, conseqüentemente, faz aproximarem-se os indivíduos que lhe são internos, dando-lhes uma identidade própria e singular. Tais elementos implicam os costumes, o jeito de ser, os hábitos, os valores adotados e que marcam e são marcados pelo dia-a-dia, pelo cotidiano. É óbvio que muitos grupos possuem características comuns que os aproximam constituindo, então, um grupo maior marcado por uma universalidade dada pelas tais características gerais - é o caso dos exemplos utilizados, todos do samba.

Mudando de escala, não é demais lembrarmos que, p. e., os grupos humanos originários de África e seus descendentes pelo mundo, são bastante diferentes entre si, porém iguais quando comparados com outros grupos humanos de origem: européia, asiática, ameríndia e da oceanía e seus respectivos descendentes pelo mundo e que também são internamente diferentes entre si e, todavia, iguais quando comparados com cada um dos demais grupos humanos.

A essas diferenças e igualdades correspondem diversificadas e semelhantes visões de mundo, todas válidas. Não há uma que seja naturalmente hegemônica, o que há é uma construção ideológica de uma hegemonia que impõe a cosmovisão ocidental judaico-cristã a tudo e a todos, aplicando a coisas bastante distintas uma solução única guiada por uma forma de interpretação única – uma fábula.

M. C. Projeto Nosso Samba em apresentação no SESC Piracicaba – Foto: Regyna Santtos / 2003

Assim, no intuito de desvelar a tal fábula, o Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco chega aos 9 (nove) anos de idade celebrando a continuidade da incansável luta de resistência, afirmação e manutenção da cultura, da identidade do povo Afro-Brasileiro, travada cotidianamente desde a chegada do primeiro contingente de africanos escravizados na Terra Brasilis. Foram e são muitos guerreiros, muitas guerreiras que compuseram e compõem as diversas frentes representadas pelos maracatus, candombes, candomblés, catimbós, capoeiras, umbandas, congados, tambores de mina e ainda muitos outros dentre os quais os sambas espalhados por todos os cantos do Brasil.

Nós da frente formada pelo Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco, uma das muitas constituídas pelo samba, fazemos questão de manter a nossa bandeira, que é a do samba, hasteada o tempo todo e não ocasionalmente. Como já foi dito, o samba é nossa cultura, logo, é nossa alma e - sem alma não há vida – sem ela não vivemos.

Devemos nos reverenciar a nós mesmos... e aos nossos: nossa linhagem – Foto: Edson (Unegro) / 2004

São muitas as referências; muitos os exemplos nos quais nos miramos e dos quais destacamos, um, aqui e agora: Hélio Romão de Paula, o Seu Hélio, o Tio Hélio, o Hélio Bagunça! Figura reta, impar, exemplar. Foi um batalhador, brigou muito pelas coisas da nossa gente boa gente preta. O baluarte nos deixou neste ano de 2007, partiu para tornar-se um ancestral. Mas nos deixou reforçada a idéia de que cultura é alma e que, portanto, é algo que não se vende; do qual não se desprende e cujo sentido só é mensurado e, realmente, importa a ninguém mais do que o seu portador. Afinal por que motivo alguém desejaria a alma de outro?

A memória de Hélio Bagunça é aqui evocada com um propósito: o de reforçar a importância de se conhecer nossa própria história e a de nossa gente, pois é daí que nos vem a substância que nos torna plenos – inteiros. Só podemos nos fortalecer a partir de nós mesmos e dos nossos. Não adianta querermos buscar a essência dos/nos outros, por mais que de alguma forma nos sejam referência. Acontece que as referências até podem, mas, em hipótese nenhuma devem nos chegar mediadas pela cultura industrializada: a cultura tornada coisa vendável – mercadoria. Temos que nos libertar.

Para ser bem explícito, somos, a exemplo de muitos companheiros (as), paulistas, de nascimento ou não, vivemos em São Paulo, não somos cariocas (ou fluminenses). Devemos sim conhecer e reverenciar aos irmãos de samba de todos os cantos, aos mestres, os números baixos (os anciãos – a velha guarda) onde quer que estejam e de onde quer que eles sejam; mas, principalmente, devemos nos reverenciar a nós mesmos e aos nossos.

O estandarte e o Baluarte Hélio Bagunça (Homenagem em vida) – Foto: Jucélia Pereira / 2003

Para tanto, insisto, devemos buscar conhecer a nossa história própria, a história daqueles (as) que nos cercam, vivem ou viveram em nosso entorno mais imediato: o nosso entorno da vida - o entorno da nossa vida. É preciso que conheçamos; faz-se necessário que saibamos mais de nós mesmos e dos nossos para que possamos dar continuidade ‘a nossa linhagem. Temos a responsabilidade de melhor conhecer a nós mesmos para seguirmos, darmos seguimento, garantirmos o nosso futuro que será vivido e vivenciado pelas gerações futuras as quais receberão de nós, para que ponham suas marcas, o legado que recebemos com a marca de nossos antecessores e no qual temos agora que colocar a, nossa, marca, pois, só assim seguiremos mais e mais fortalecidos – fortes. Somos nós, não somos os outros; somos os nossos, não somos os dos outros. Caminharemos muito mais e melhor a partir de nossa própria história. Não se trata de negar e nem desrespeitar a história do outro.

Esta é a mensagem do Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco neste ano da celebração de seus nove anos de existência guerrilheira. Saudações Sambísticas!¨

.......................................................................................................................Selito SD

terça-feira, 2 de outubro de 2007

celebração do 9º aniversário do projeto nosso samba de osasco

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Salve, salve Gente boa gente do samba, no samba e simpatizante!

Venho, em nome do Movimento Cultural PROJETO NOSSO SAMBA de Osasco, convidá-lo(a) para a Festa de celebração dos 9(nove) anos de luta do PNS. O Evento começará as 15h00min. do domingo dia 07 (sete) de outubro des te 2007.

Na ocasiâo prestaremos um singelo tributo ao Baluarte Hélio Romão de Paula - O Hélio Bagunça - que nos deixou, partiu para outra dimensão, em maio deste ano.

Enfatizamos que haverá atividade especial voltada para os erês crianças com sessão de vídeo: filme (desenho animado) Kiriku e a Feiticeira (uma lenda africana) e pipoca, doces e balas pra todos os erês, curumins.

Sua presença é importante!

Abraços,

Selito SD.

Local: Casa de Cultura Afro-Brasileira CASA de ANGOLA, Avenida Viscon de Nova Granada nº 11, bairro Km 18, Osasco.

horário: 15h00

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