quarta-feira, 26 de setembro de 2007

manifestação com estudantes xakriaba

Convidamos toda comunidade Januarense, e a quem mais interessar possa, para uma manifestação, que acontecerá na próxima quinta-feira dia 27 de setembro, onde estaremos concentrando na Praça Tiradentes a partir das 19:00 horas, sairemos em caminhada e encerrando na Praça Getúlio Vargas com um ATO PÚBLICO de apoio do Povo Xakriabá.

INDIO XAKRIABÁ É ASSASSINADO BRUTALMENTE

A violência contra os indígenas continua.

A vítima desta vez foi um Xakriabá, uma violência brutal levou a morte Avelino Nunes de Macedo de 35 anos, o Xakriabá foi abordado e agredido brutalmente por quatro rapazes. Os agressores o agrediram com socos e ponta-pés.

Este ato aconteceu na madrugada de domingo, 16 de Setembro de 2007, na comunidade de Virgínio no município de Miravânia – MG que é limitante da área Xakriabá. Três pessoas foram presas e estão na cadeia da cidade de Manga - MG, entre elas dois menores de 15 e 16 anos, e o terceiro de 18 anos.

Atualmente Avelino Nunes de Macedo fazia parte de um grupo que está reivindicando uma área de terra na região do Peruaçu, ele era viúvo e deixou um filho de 4 anos.
A polícia efetuou a prisão dos autores em flagrante, o inquérito será concluído em 10 dias.

Aconteceu no dia 20 de setembro de 2007, no Fórum da Comarca de Manga (Norte de Minas Gerais) às 10:15 hs da manhã, uma audiência onde a Juíza Drª. Lorena Teixeira Vaz Dias ouviu os dois menores que participaram do assassinato do Índio Xakriabá Avelino Nunes Macedo.

A impunidade é o combustível da violência, não podemos aceitar que barbaridades como estas caiam no esquecimento, exigimos a apuração dos fatos e a punição dos assassinos.

Comissão em defesa da luta dos Povos Excluídos/as: Povo Xakriabá - CIMI – Cáritas Diocesana de Januária – CPT – CAA/NM – CEFET – CEIVA - Unimontes – Comissão de Direitos Humanos – Pastoral da Juventude – Congregação das Irmãs da Divina Providência – Congregação das Irmãs Paroquiais de São Francisco.


Enviado pelo companheiro Heitor

evento negras memórias!

Gente boa gente, nos dias 28 e 29 de setembro de 2007, acontecerá na Universidade Zumbi dos Palmares o evento Negras Memórias. Trata-se de um evento realizado pelo Comitê de Saúde da população negra dacidade de São Paulo que integra as comemorações da semana do idoso etratará das questões do nascer, crescer e envelhecer do povo negro;trabalhando prioritariamente a questão da saúde mental com relação asmemórias negras.

No dia 28/09 o evento se iniciará as 19:00h com palestrantes eapresentações musicais.

No dia 29/09 ele se iniciará as 8:00 e irá até as 18:h. A parte damanhã será formada por oficinas com os idosos negros que tratará sobrememória das organizações negras, sexualidade e carnaval (é necessáriofazer inscrição com elisabete pinto para participar) e a tarde serãorealizadas palestras com discussões de leis que foram importantes parao povo negro como a lei do Sexagenário, do ventre livre, entre outras.

Comitê Técnico de Saúde da População Negra - Fone: 3218-4114 ramal 4266
Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares - UNIPALMARES
Rua Padre, Barra Funda. .
Dra. Elisabete email: elisabetep@prefeitura.sp.gov.br

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

exu no centro cultural sp

O documentário Dança das Cabaças - Exu no Brasil de Kiko Dinucciabrirá a V mostra de cinema & religião.

Abertura:
dia 25 - terça - 16h
Dança das Cabaças - Exu no Brasil de Kiko Dinucci
Severa Romana de Bio Souza, Sue Pavão, Rael Helyan
Memória Poética - São Francisco Xavier de Anahí Santos, Gabriela Leirias
Le Tótem Étranglée de Artur Matuck e Rudi Anker

Reprise:
dia 6/10 - sábado - 16h
Dança das Cabaças - Exu no Brasil de Kiko Dinucci
Religiões Tribais - Descrevendo as Religiões Mundiais de Hans Kung

Centro Cultural São Paulo (Vergueiro)
Rua Vergueiro, 1000 (ao lado da estação de Metrô Vergueiro), São Paulo - SP
Quer o mapa? Clique aqui
Idade recomendada: 14 anos
retirada de ingressos: uma hora antes de cada sessão
Sala Lima Barreto - entrada franca

Programação do evento: http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao_cinema.asp

blog do filme: http://dancadascabacas.blogspot.com/

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

povo negro

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por Lu Santos*


Quando ouvimos falar do negro, temos que ter muito cuidado para entender exatamente o que está sendo dito, quem está falando e por quê, pois hoje o negro virou modismo e há até quem se admita um pouco negro, seja pela questão das cotas ou porque, finalmente, os empresários descobriram e reconheceram que o negro também consome: vestuário, cosmético, etc.

Não podemos nos esquecer da realidade de nosso dia-a-dia, do menosprezo, da discriminação e dos maus tratos que inúmeros passaram, pelo qual muitos foram vitimados, e outros tantos tiveram de conhecer a fundo.

Por isso, é muito complicado falar de fatos e acontecimentos dos quais não temos total conhecimento, sendo assim, é de extrema importância que as personagens desta história sejam tratadas com respeito e consideração.

Podemos sim, falar do que sentimos, vemos e continuamos a presenciar dia após dia: negros sofrendo por serem negros; trabalhadores negros sendo assassinados; jovens negros sendo engolidos pela ilusão do consumo; nossos homens sem trabalho, sem salário; nossas mulheres sendo discriminadas triplamente; nossas lindas crianças sendo espancadas, abusadas, corrompidas.

E o povo negro lutando contra o fantasma da inferioridade incutida em nossas mentes, que corre em nossas veias, e que nos faz sentir incapazes, indignos, impróprios, com uma inquietante sensação de não pertencimento, de invisibilidade.


Levanta negro, é hora de mudar a sina e (re) construir nossa história. Pois para o negro, tudo sempre foi proibido, as coisas sempre mais difíceis e, para se conseguir algo, tem que mendigar e sempre tornar a provar que tem valor.

Primeiro foram proibidos de cultuar suas divindades e, assim, tiveram que “disfarçar” os santos e se esconder em cidades distantes e em barracões. Nas grandes cidades, foram jogados à sorte nas periferias, nas vielas, nas favelas, onde os casebres foram construídos com madeira, papelão, latão, encerado, palha, barro.

Das escolas seus filhos foram privados. Quando chegou, a educação veio deficitária, assim como o posto de saúde que não tem recurso, receita, re... médio, e... longo é o prazo das filas, interminável é o sofrimento. E ainda dividiu o pequeno espaço e a condição de miserabilidade com o branco pobre, também excluído dos grandes centros, mas que, mesmo assim, ainda possui o quesito cor a seu favor.

Tolos são aqueles que pensam que o negro se ilude com os três dias de reinado. Ele sabe o que lhe espera toda quarta-feira, pois são sempre cinzas também as segundas e terças. Mas, ele sabe, que o passista é único, assim como o requebrar das cadeiras é inconfundível. É certo que aos poucos este espetáculo vem embranquecendo, mas a luta, a garra e o suor do negro estarão sempre presentes na história de nosso país plural.

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(*) Texto escrito em março de 2004. Constante do informativo PNS especial de 8º aniversário.
Fotos: PNS/2006.

ataulfo alves: 02.05.1909 – 20.04.1969

Ataulfo Alves de Sousa era mineiro de Miraí, uma cidade- zinha distante de Belo Horizonte cerca de 500 quilômetros. Nasceu e viveu parte da infância numa fazenda do município, situado na montanhosa região da Zona da Mata. Seu pai era violeiro, sanfoneiro e repentista, e lhe ensinou a fazer versos, respondendo a seus improvisos. Mas morreu cedo – Ataulfo tinha apenas oito anos. Aí a mãe pegou os sete filhos, saiu da roça e se mudou para a sede de Miraí. E, já a partir dos dez anos, ele teve de ajudar no sustento da casa, enquanto estudava. Durante a adolescência, foi leiteiro, condutor de bois, carregador de malas na estação de trem, menino de recados, marceneiro, engraxate e lavrador. Em 1927, seguiu para o Rio de Janeiro, para trabalhar como faxineiro na casa e como entregador no consultório de um médico de sua terra. Depois, se tornou prático de farmácia.

Freqüentando as rodas de samba de Rio Comprido, bairro em que morava, não demorou a organizar um conjunto próprio. Também rapidamente, arrumou uma namorada e com ela se casou, em 1928 (chamava-se Judite, que seria a mãe de seus quatro filhos).

Ataulfo tocava violão, cavaquinho e bandolim. Era diretor de harmonia do bloco Fale Quem Quiser. E criava suas primeiras composições. Algumas delas levaram o sambista Bide (Alcebíades Barcelos, parceiro de Marçal em "Agora É Cinza", sucesso na época) a apresentá-lo na gravadora RCA Victor. Em 1933, ele era lançado como autor por Carmen Miranda ("Tempo Perdido"), seguida por Almirante ("Sexta-Feira"). Mas o sucesso só chegou dois anos depois, com "Saudade do Meu Barracão", na voz do pouco conhecido Floriano Belham, acompanhado do Bando da Lua. ¨

Fonte: http://www2.uol.com.br/ataulfoalves/

essa é a graça do samba! (do projeto nosso samba)

Faz já há algum tempo, um certo alguém em meio a um bate-papo (musical, cultural, sambístico...), perguntou-me o seguinte: "mas, e aí, Selito... qual é a graça do samba?" Bem, para mim, a resposta a tal pergunta era e é óbvia. É, também, óbvio que alguns poderão discordar de minha opinião. Mas a graça do samba é... Aliás, a Graça do samba! Pois bem: a Graça do samba é a Dona Graça, ou seja, a Graça do Projeto Nosso Samba! Ao menos para mim e os demais companheiros(as) do PNS.

É... e quem conhece sabe que quando ecoa o som do tambor; quando, segundo o Ninão, "o couro assa!", um coro (refrão) se faz ouvir em alto e bom som: "lêlê abre a roda olalá / que eu quero ver 'dona graça dançar'" ...e ela não se faz de rogada e capricha no bailado, esbanja no gingado e cai para dentro da roda (só no bamboleio).

Essa é a graça do samba! Apaixonante pastora do Movimento Cultural Projeto Nosso Samba de Osasco. Está dada a resposta ao certo alguém que um certo dia me perguntou e à todos(as) aqueles(as) que porventura não soubessem, pois agora já sabem. Assim, não mais havendo dúvidas, caro(a) leitor(a), peço-lhe o favor de disseminar essa preciosa informação. :) É sério, heim!!! Grato.

homenagem a dona clívia, madrinha do projeto nosso samba

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DONA CLÍVIA
Fábio Goulart / Selito SD / A. Neto / Marcelo benedito


Quem transforma a tristeza em alegria?
Quem anima o mais duro coração?
Seu sorriso modifica o nosso dia,
E dançando aflora nossa emoção.

Quando a viola tocar Dona Clívea cai no samba.
Quando a viola tocar Dona Clívea cai no samba.
E balança pro lado de lá, e balança pro lado de cá.
E balança pro lado de cá, e balança pro lado de lá.

Firma o batuque que a mineira (es)tá na roda.
Eta negra com história, e vitórias pra contar.
Quando criança conheceu a batucada
Rastou o pé, ficou invocada e danou a saracotear.

E balança pro lado de lá, e balança pro lado de cá.
E balança pro lado de cá, e balança pro lado de lá.

Quando a viola tocar Dona Clívea cai no samba.
Quando a viola tocar Dona Clívea cai no samba.
E balança pro lado de lá, e balança pro lado de cá.
E balança pro lado de cá, e balança pro lado de lá.

Quem já provou do feijão dessa Guerreira
Iabacê de primeira, nunca mais vai esquecer.
Ora Yê Yê Ô, Kaô Kabecilê
Capricha no amalá, no omolucum e no ipeté

E balança pro lado de lá, e balança pro lado de cá.
E balança pro lado de cá, e balança pro lado de lá.

Quando a viola tocar Dona Clívea cai no samba.
Quando a viola tocar Dona Clívea cai no samba.
E balança pro lado de lá, e balança pro lado de cá.
E balança pro lado de cá, e balança pro lado de lá.

Negra magia emana da Preta Velha
Que abençoa e aconselha todos em nosso Terreiro
Quanta energia, quanta graça ela alcança
Quando se entrega pra dança de inteir'alma e corpo inteiro

E balança pro lado de lá, e balança pro lado de cá.
E balança pro lado de cá, e balança pro lado de lá.

Glossário
Iabacê (cozinheira dos orixás)
Amalá (quiabo cozido com farinha): comida de Xangô
Omolucum (feijão fradinho e ovos) e ipeté (massa de inhame com camarão): comida de Oxum

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i encontro de gerações museu afro brasil

Gente boa gente, esta mensagem me foi passada por email e já a repassei para aqueles(as) constantes na minha lista, bem como para os amigos do orkut. Todavia, entendi como interessante e importante estar divulgando aqui nesse meu/nosso espaço.

Bem, trata-se do seguinte: o Museu Afro Brasil está convidando a quem interessar possa para participar do "1º Encontro de Gerações", organizado pelo Núcleo de Educação da instituição.

Abaixo segue o convite. Sua presença é importante!

Para confirmar sua participação, envie um e-mail para eventos@museuafrobrasil.com.br, com seu nome, nome da instituição em que você atua (se houver) e um contato telefônico.


Contato:

Alzileni Dias, Núcleo de EducaçãoMuseu Afro Brasil, 55 11 5579 8542 ramal 119, Pavilhão Pe. Manoel da Nóbrega, Pq. do Ibirapuera, Portão 10, São Paulo, SP, Brasi, Cep 04094 050.

conferência de berlim (a partilha da áfrica)


A Conferência de Berlim realizada entre 15 de Novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 teve como objectivo organizar, na forma de regras, a ocupação de África pelas potências coloniais e resultou numa divisão que não respeitou, nem a história, nem as relações étnicas e mesmo familiares dos povos do Continente.


Na conferência, que foi proposta por Portugal e organizada pelo Chanceler Otto von Bismarck da Alemanha - país anfitrião, que não tinha ainda colónias em África, mas tinha esse desejo e viu-o satisfeito, passando a administrar o “Sudoeste Africano” (atual Namíbia) e o Tanganhica - participaram ainda a Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Holanda, Dinamarca, Estados Unidos da América, Suécia, Áustria-Hungria, Império Otomano.


Os Estados Unidos possuíu colônia na África; a Libéria, só que muito tarde, mas eram uma potência em ascensão e tinham passado recentemente por uma guerra civil (1861-1865) relacionada com a abolição da escravatura naquele país; a Grã-Bretanha tinha-a abolido no seu império em 1834. A Turquia também não possuía colónias em África, mas era o centro do Império Otomano, com interesses no norte de África. Os restantes países europeus que não foram “contemplados” na partilha de África, também eram potências comerciais ou industriais, com interesses indirectos naquele continente.





Num momento desta conferência, Portugal apresentou um projecto, o famoso Mapa cor-de-rosa, que consistia ligar a Angola e Moçambique para haver uma comunicação entre as duas colónias, facilitando o comérico e o transporte de mercadorias. Mas este documento, apesar de todos concordarem com o projecto, Inglaterra, supostamente um antigo aliado dos portugueses, surpreendeu com a negação face ao projecto e fez um ultimato, conhecido como Ultimato britânico de 1890, ameaçando guerra se Portugal não acabasse com o projecto. Portugal, com medo de uma crise, não criou guerra com Inglaterra e todo o projecto foi-se abaixo.


Como resultado desta conferência, a Grã-Bretanha passou a administrar toda a África Austral, com excepção das colónias portuguesas de Angola e Moçambique e o Sudoeste Africano, toda a África Oriental, com excepção do Tanganhica e partilhou a costa ocidental e o norte com a França, a Espanha e Portugal (Guiné-Bissau e Cabo Verde); o Congo – que estava no centro da disputa, o próprio nome da Conferência em alemão é “Conferência do Congo” – continuou como “propriedade” da Companhia Internacional do Congo, cujo principal accionista era o rei Leopoldo II da Bélgica; este país passou ainda a administrar os pequenos reinos das montanhas a leste, o Ruanda e o Burundi.


Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Conferência_de_Berlim"


Categorias: Colonialismo História da África História de Portugal



sábado, 15 de setembro de 2007

adriana moreira no parque cientec neste sábado!!!

Gente boa gente, neste próximo sábado dia 15/09 às 16:00, a cantora Adriana Moreira estará se apresentando no Parque Cientec, cantando músicas do seu CD. "Direito de Sambar" entre outras.


Em seu CD "Direito de Sambar" Adriana canta Oscar da Penha, popularmente conhecido como Batatinha, figura ímpar na Música Brasileira considerado para muitos como o mais expressivo nome do samba baiano. Nascido da Bahia e com carta de cidadania adquirida no Rio de Janeiro, retornou à sua terra de origem para adquirir um novo tipo de sentimento e forma.


É dito não ser por acaso que o samba de Batatinha, tem um possível paralelo na obra de bambas como Cartola, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e outros mestres do morro e do asfalto. E ninguém melhor que Adriana Moreira poderia condensar a grande música de Batatinha. Isso você pode conferir!


O endereço é: Avenida Miguel Estéfano 4200 e, dica importante: O parque fica bem próximo do Jardim Zoológico e do Jardim Botânico. O fone para contato é: (11) 50776312 .

dá-lhe fabi!

O texto abaixo foi escrito por Nei Lopes em julho deste ano.

JÁ CLAREOU, FABI, JÁ CLAREOU!

Em um texto recém publicado em livro (O racismo explicado aos meus filhos. Rio, Agir, 2007), escrevemos a certa altura sobre a “opção étnica” por pessoas de ascendência biológica e cultural mista. Acentuamos neste texto que, por exemplo, quando uma pessoa filha de um negro com uma descendentes de europeus ou vice-versa se reivindica como afro-descendente, o que ela está ressaltando ou querendo evidenciar é a parte de sua herança etnocultural que a faz ser uma discriminada em potencial e que, por isso ela assume em sua postura contra a discriminação e o racismo.

Escrita alguns meses antes de ouvirmos o CD Quando o céu clarear de nossa querida e talentosa amiga Fabiana Cozza, essa maravilhosa afro-italiana que o intenso movimento musical de Sampa colocou em nosso caminho, essa afirmação cai como uma luva não só no conceito do disco quanto na postura de Fabiana diante da vida.Filha de negro sambista ‘gogó de ouro’ da Barra Funda, mas carregando um sobrenome com dois ‘zz’ que não deixa a menor dúvida, Fabi é isso. E, por isso, abre seu disco pedindo licença para incensar nossos ouvidos, nossa sensibilidade e nossa mente com um oloroso samba-de-roda de um dos mestres da recriação dos eternos temas do samba-de-roda baiano, Roque Ferreira. E feita essa aromática abertura, diz claramente a que veio.

Fabiana diz – e como diz! – na envolvente doçura dos já imortais Dona Ivone Lara-Délcio Carvalho, representantes da mais pura tradição lírico melódico dos terreiros do samba carioca. Depois, literalmente “arrebenta” num samba de meu ‘cumpádi’ Paulinho Pinheiro com Rubens Nogueira, que me remete ao mais vibrantemente negro das interpretações sambísticas da saudosa Elis Regina, dos tempos do Vou deitar e rolar e da Lapinha. Para, mais lá pra frente, fazer o mesmo, em Nação, me levando até à divina mulatice de Clara Nunes, numa recriação personalíssima do clássico boscoblanqueano. Aí, traz a jovem fidalguia do canto afro-mestiço de meus parceiro do Quinteto BP, uma das melhores coisas que São Paulo, em termos de arte não colonizada, produziu nos últimos tempos. E, então, depois de passar por outros sambas também da melhor qualidade, cai dentro, literalmente com força e coragem, de algo do qual há muito tempo eu desejava falar, que é a presença da tradição dos orixás na música popular.

Fissurado que sou na música tradicional afro-cubana, observo que em cada 14 faixas de cada CD que chegam lá da Ilha, direto ou por outras vias, é raríssimo que uma ou mais não sejam dedicadas às divindades africanas que vieram com nossos ancestrais escravizados, ajudando-os a resistir ao martírio e a construir as duas melhores tradições musicais do Planeta. Só que Cuba, por razões políticas e até econômicas é hoje a Meca das religiões de matriz africana, enquanto que o Brasil é esse vasto mercado neo-pop-pentecostal que nos polui olhos e ouvidos a cada girada do botão ou do controle-remoto e a cada esquina.

Então, não é que Fabi teve a fé e a ousadia de fazer um disco em que quase metade das canções menciona orixás? E até chamou músicos cubanos para participar!? Só essa coerência para mim valeria a obra e a produção. Mas por trás disso tem muito mais. Tem a força de uma cantora total e comprometida. Que duvido que daqui a pouco seja capaz de ‘dar um pulinho noutra praia’, só ‘de brincadeirinha’. Ou, cá entre nós, pra faturar uns trocados. Duvid-o-dó. Do borogodó. Porque Fabi, como artista e pessoa, é uma das criaturas mais íntegras que já conheci. E o céu para ela, com esse belíssimo disco (que muito mais que afro ou italiano é brasileiro, da silva), é claro que já clareou.

Nei LopesSeropédica, RJ, jul.2007.

terreiro grande e crsitina buarque no teatro fecap

origem da foto: http://slrevistaeletronica.com.br/imagens/arena/2007/cristinabuarque/cristina-terreirogrande1.jpg

Nesta semana, apartir de sexta feira, a rapaziada do Terreiro Grande (ex-G. R. T. P. Morro das Pedras) estará se apresentando junto com a cantora Cristina Buarque no Teatro FECAP em evento que marca o lançamento do CD "Cristina Buarque eTerreiro Grande Ao Vivo".

Abaixo, segue o texto de chamada, constante no site: https://teatrofecap.showare.com.br/

Cristina Buarque vai ao encontro do Terreiro Grande, grupo paulista que alimenta um verdadeiro culto ao samba de terreiro, garimpando sambas da antiga e buscando uma sonoridade que não se encontra com facilidade em trabalhos contemporâneos. O Terreiro Grande é a redescoberta do samba tradicional, seus compositores e sua cultura.

O resultado desse feliz encontro foi um show, e agora o CD, que trazem um grau de ousadia e vitalidade raramente visto nos palcos do país.Para abrilhantar o encontro, o lançamento do CD "Cristina Buarque eTerreiro Grande Ao Vivo" acontece na semana do primeiro aniversário do Teatro FECAP.

Data: 13, 14, 15 e 16 de Setembro 2007. Ingressos: R$10,00Duração: 90 minutos.

A compra de meia-entrada é direito pessoal e intransferível, motivo pelo qual é condicionada a apresentação da carteirinha no momento da compra.Proibida a entrada de menores de 12 anos. Não será permitida a entrada após o início do show

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

baobá (adansonia)

Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Malvales
Família: Malvaceae
Género: Adansonia

Os baobabs ou Baobás (Adansonia) são um gênero de árvore com oito espécies, nativas da ilha de Madagascar (o maior centro de diversidade, com seis espécies), do continente africano e da Austrália (com uma espécie em cada).

As espécies alcançam alturas entre de 5 a 25 m de altura (excepcionalmente 30 m), e até 7 m no diâmetro do tronco (excepcionalmente 11 m). Destacam-se pela capacidade de armazenamento de água dentro do tronco, que pode alcançar até 120.000 litros.

Os baobás desenvolvem-se em zonas sazonalmente áridas, e são árvores de folha caduca, caindo suas folhas durante a estação seca. Alguns têm a fama de terem vários milhares de anos, mas como a sua madeira não produz anéis de crescimento, isso é impossível de ser verificado: poucos botânicos dão crédito a essas reivindicações de idade extrema.

O baobá é a árvore nacional de Madagascar e o emblema nacional do Senegal.

Espécies
Adansonia digitata - Baobá Africano (África Central e do Sul)
Adansonia grandidieri - Baobá de Grandidier (Madagascar)
Adansonia gregorii (syn. A. gibbosa) - Boab ou Baobá Australiano (Noroeste da Austrália)
Adansonia madagascariensis - Baobá de Madagascar (Madagascar)
Adansonia perrieri - Baobá de Perrier (Madagascar)
Adansonia rubrostipa (syn. A. fony) - Fony Baobab (Madagascar)
Adansonia suarezensis - Baobá Suarez (Madagascar)
Adansonia za - Za Baobab (Madagascar)

História
Baobá em Nísia Floresta, Rio Grande do Norte, Brasil.


Em 1445, navegantes portugueses conduzidos por Gomes Pires chegaram à ilha de Gorée, no Senegal; eles descobriram o brasão do Infante D. Henrique gravado em árvores. O cronista Gomes de Eanes Zurara assim descreveu a árvore: Árvores muito grandes e de aparência estranha; entre elas, algumas tinham desenvolvido um cinturão de 108 palmos a seu pé (ao redor 25 metros). O tronco de um baobá não mais alto do que o tronco de uma árvore de noz; rende uma fibra forte usada para cordas e pano; queima da mesma maneira como linho. Tem um grande fruta lenhosa como abóbora cujas sementes são do tamanho de avelãs; pessoas locais comem a fruta quando verde, secam as sementes e armazenam uma grande quantidade delas. [1] Em Moçambique, esta árvore é conhecida por embondeiro. Em certas regiões do país, o tronco desta árvore é escavado por carpinteiros especializados para servir como cisterna comunitária [2]

Baobá da Praça da República, Recife, Brasil.Possível fonte de inspiração para Saint Exupéry.Foto: Paulo Camelo

O fruto, chamado malombe na língua xi-nyungwe da província de Tete, tem uma polpa branca que seca no próprio fruto e que é utilizada para a alimentação, em tempos de escassez de comida; também é referida como cura para a malária [3]

No Brasil existem poucas árvores de Baobá, que foram trazidas pelos sacerdotes africanos e foram plantadas em locais específicos para o culto das religiões africanas. Há exemplares em Natal e Nísia Floresta no Rio Grande do Norte. Em Pernambuco no Sitio de Pai Adão existe um Baobá com mais de cem anos com um tronco de mais de 10 metros de diâmetro. O baobá da Praça da República, no Recife, é a possível fonte de inspiração de Saint Exupéry, quando por ali passou, ao escrever O pequeno príncipe. No candomblé é considerada uma árvore sagrada (ossê, em iorubá e akpassatin, em fon), e nunca deve ser cortada ou arrancada. Na cidade de Nossa Senhora do Ó, Pernambuco, há um Baobá com mais de 350 anos e 15 metros de circunferência.


Baobá no Passeio Público, Rio de Janeiro, Brasil.

Usos e folclore
Em Kimberleys, na Austrália ocidental, prisioneiros foram confinados dentro de seu tronco oco. Os aborígines comem a sua fruta e usam as folhas como planta medicinal.

Na história O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint-Exupéry, o menino narra que o solo de seu pequeno asteróide era infestado de sementes de baobá. Preocupado com os possíveis danos que estas plantas pudessem causar quando adultas, após completar a sua toilete matinal, dedicava-se à toilete do asteróide, arrancando regularmente os seus pequenos brotos [4]

Outros nomes do Baobá
Ximbúio
Ximbuo
Nacuo Baobá éra utilizado por indios .Eles abriam um buraco no tronco da arvore,e depositavam os mortos na posição em que nasceram,depois fechavam o buraco com barro.e pessoas que viajavam se abrigavam contra animaisdeitavam-se nos troncos e lá dormiam.

Ligações externas

O Wikimedia Commons possui multimídia sobre Adansonia
Jardin Botanique et Pepiniere - Baobab species details
Jardin Botanique et Pepiniere - Baobab photo gallery
Madagascar info - Baobab photo gallery (Madagascan species only)
http://www.henriettesherbal.com/eclectic/kings/adansonia.html

Notas
(Crónica dos Feitos de Guiné. Lisboa, 1453.)
(ver o documentário A Guerra da Água de Licínio de Azevedo).
(ver a colecção Plantas Medicinais de Moçambique editada pelo Ministério da Saúde nos anos 1980).
(SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. Le Petit Prince. Paris: Librairie Gallimard, 1961. p. 23-24.)

terça-feira, 11 de setembro de 2007

anemia falciforme

Foi proposta a fusão deste artigo com: Doença falciforme.

Anemia falciforme é o nome dado a uma doença hereditária que causa a má formação das hemácias, que assumem forma semelhante a foices (de onde vem o nome da doença), com maior ou menor severidade de acordo com o caso, o que causa deficiencia do transporte de gases nos indivíduos que possuem a doença. É comum na África, na Europa mediterrânea, no Oriente Médio e regiões da Índia.

Origem
A presença da anemia falciforme é determinada por um quantidade elevada de plaquetas sangüíneas. Em indivíduos normais, as células de transporte de gases, hemácias, têm forma arredondada côncava e flexível, e possuem em si moléculas de hemoglobina, ou hemoglobina normal, que é responsável por fazer as ligações gasosas. Essa constituição permite que essas células consigam executar sua função mesmo através dos mais finos capilares. A formação dessa hemoglobina, determinada por um par genético, muda nos indivíduos falciformes. Neles, há a presença de ao menos um gene mutante, que leva o organismo a produzir a hemoglobina S. Essa hemoglobina apresenta, em sua cadeia, uma troca de aminoácidos (um ácido glutâmico é substituido por uma valina). Ela consegue transportar o oxigênio mas, quando o mesmo passa para os tecidos, as moléculas da sua hemoglobina se aglutinam em formas gelatinosas de polímeros, também chamadas tactóides, que acabam por distorcer as hemácias, que tornam-se duras e quebradiças devido às mudanças na sua membrana. Quando recebem novamente o oxigênio, podem ou não reganhar seu formato: após algum tempo, por não suportar bem modificações físicas, a hemoglobina pode manter a forma gelatinosa permanentemente e, conseqüentemente, a deformação que ela gera. Nessa forma, sua vida útil se extingue mais rapidamente, o que pode vir a causar anemia hemolítica (ou comum). Contudo, ao contrário da anemia comum, não há tratamento definitivo para a forma falciforme. O gene causador desse último problema tem uma relação de co-dominância com o gene normal. Assim, há indivíduos portadores de uma forma branda e de uma forma severa da mesma doença.

Sintomas
Há a presença de todos os sintomas clássicos da anemia comum, que são causados pelo défcit de hemácias (uma vez que elas têm vida útil muito curta). Desses podem-se citar fadiga, fraqueza, palidez (principalmente nas conjuntivas e palmas), icterícia, défice de concentração e vertigens. Há contudo a presença de uma gama de sintomas característicos da anemia falciforme aguda, que são causados pelo aumento da viscosidade sanguínea que é a aglomeração de hemacias doentes. Por causa disso pode haver formação de trombos (coágulos) nas mais diversas áreas do organismo, com défice do transporte sanguíneo para a área. Em regiões musculares ou conjuntivas, isso pode causar crises de dor intensa. Concomitantemente a isso, há um aumento do número de hemácias doentes, uma vez que a acidose e a deficiencia de oxigênio facilita a deformação permanente. Pode causar também hemorragia, descolamento retiniano, priapismo, acidente vascular cerebral, enfarte, calcificações em ossos com dores agudas, insuficiência renal e pulmonar, dependendo da fase de vida. Nas mãos e nos pés principalmente das crianças, pode haver inchaço causado pela obstrução de vasos naquelas áreas, também acompanhado com crises de dor. Há um aumento drástico no número de infecções.

Tratamento
Já existe tratamento eficaz quanto à doença primária que é a base do medicamento descoberto pelo médico africano Jerome Fagla Medegan o chamado VK 500 que abre os canais de circulação sanguíneas( veias e capilares) obstruidos pela "drepanocytose". Recomenda-se ainda a ingestão de ácido fólico (necessário à produção de novas hemácias), a presença de uma dieta balanceada e que o indivíduo doente evite situações que facilitem o desencadeamento de crises. São realizadas transfusões para crises hemolíticas ou aplásticas agudas e soro. Durante crises, também pode ser administrado soro para diminuir a viscosidade sangüínea. Deve-se evitar suplementos de ferro pois esse tende a se acumular no organismo, e o excesso pode desencadear outros problemas.
O tratamento com hidroxiuréia pode evitar internações e a recorrência da síndrome torácica aguda.

Recentemente, o transplante de medula óssea tem sido utilizado em casos selecionados da doença.

Relação com outras doenças do sangue
Um ponto curioso a respeito da doença é que os portadores da anemia falciforme são naturalmente resistentes a algumas doenças do sangue, de onde se destacam as dAiferentes variedades de malária. Isso ocorre pois os protozoários Plasmodium necessariamente se reproduzem no interior das hemácias humanas. Contudo, as hemácias danificadas do individuo falciforme não são adequadas a esse tipo de função, mesmo quando exposto ao vetor da doença, o mosquito Anopheles contaminado. Em indivíduos com o traço, a presença dessas doenças pode ser atenuada. Assim, em algumas áreas, esse tipo de anemia pode ser também fator de sobrevivência, uma vez que a malária é ainda uma doença mortal, principalmente em áreas carentes de tratamento médico.

amílcar cabral

Representação em selo da Alemanha Oriental (DDR)



Filho de Juvenal Lopes Cabral e de Dona Iva Pinhel Évora, aos oito anos de idade, sua família mudou-se para Cabo Verde, estabelecendo-se em Mindelo (ilha de São Vicente), que passou a ser a cidade de sua infância, onde completou o curso liceal em 1943. No ano seguinte, mudou-se para a cidade de Praia, na ilha de Santiago, e começou a trabalhar na Imprensa Nacional, mas só por um ano, pois tendo conseguido uma bolsa de estudos, no ano de 1945 ingressou no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Após graduar-se em 1950, trabalhou por dois anos na Estação Agronómica de Santarém.


Contratado pelo Ministério do Ultramar como adjunto dos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné, regressou a Bissau em 1952. Iniciou seu trabalho na granja experimental de Pessube percorrendo grande parte do país, de porta em porta, durante o Recenseamento Agrícola de 1953 adquirindo um conhecimento profundo da realidade social vigente. Suas atividades políticas, iniciadas já em Portugal, reservam-lhe a antipatia do Governador da colônia, Melo e Alvim, que o obriga a emigrar para Angola. Nesse país, une-se ao MPLA.


Em 1959, Amílcar Cabral, juntamente com Aristides Pereira, seu irmão Luís Cabral, Fernando Fortes, Júlio de Almeida e Elisée Turpin, funda o partido clandestino Partido Africano para a Independência da Guiné e do Cabo Verde (PAIGC). Quatro anos mais tarde, o PAIGC sai da clandestinidade ao estabelecer uma delegação na cidade de Conacri, capital da República de Guiné-Cronacri. Em 23 de janeiro de 1963 tem início a luta armada contra a metrópole colonialista, com o ataque ao quartel de Tite, no sul da Guiné-Bissau, a partir de bases na Guiné-Conacri.


Em 1970, Amílcar Cabral, fazendo-se acompanhar de Agostinho Neto e Marcelino dos Santos, é recebido pelo Papa Paulo VI em audiência privada. Em 21 de novembro do mesmo ano, o Governador português da Guiné-Bissau determina o início da operação "Mar Verde", com a finalidade de capturar ou mesmo eliminar os líderes do PAIGC, então aquartelados em Conacri. A operação não teve sucesso.


Em 20 de janeiro de 1973, Amílcar Cabral é assassinado em Conacri, por dois membros guineenses de seu próprio partido. Amílcar Cabral profetizara seu fim, ao afirmar: "Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios." Aristides Pereira, substituiu-o na chefia do PAIGC. Após da morte de Cabral a luta armada se intensifica e a independência de Guiné-Bissau é proclamada unilateralmente em 24 de Setembro de 1973. Seu meio-irmão, Luís de Almeida Cabral, é nomeado o primeiro presidente do país.

Factos interessantes
Na certidão de nascimento consta o nome Hamílcar, homenagem do seu pai ao célebre general cartaginês Hamilcar Barca, herói da Primeira Guerra Púnica.


Destaque no time de futebol do Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, Amilcar Cabral chegou a ser convidado para ingressar no Sport Lisboa e Benfica.


Cabral endereçou várias cartas ao governador da época sob o pseudônimo Abel Djassi.

Ver também



saúde da população negra - brasil, ano 2001

Fátima Oliveira

“O que nos faz o que somos ao nascer é o que herdamos de nossos ancestrais”

Apresentação

Saúde da População Negra - Brasil, Ano 2001 resulta de uma consultoria realizada por Fátima Oliveira para a OPAS-Brasil no rol das contribuições da OPAS à preparatória da III Conferência Mundial da ONU contra o Racismo.

O trabalho desenvolvido pela consultora consistiu em uma sistematização do estado da arte do campo Saúde da População Negra no Brasil, incluindo dados científicos, históricos e políticos, com o objetivo de obtenção de uma visão panorâmica do assunto. Saúde da População Negra – Brasil, Ano 2001 resulta, como afirma a autora, em uma “colcha de retalhos” tecida a muitas mãos, do ponto de vista da história e da elaboração teórica, pois a maioria das contribuições científicas aparecem aqui com voz própria. Isto é, houve definição à política de, na medida do possível, não reelaborar o pensamento original, ou analisar com “outras palavras” os resultados de estudos já publicados, mas de transcrever na íntegra trechos e artigos considerados publicações relevantes, objetivando conferirlhes a visibilidade que merecem, afim de que cumpram o papel político que lhes é intrínseco: ampliar a compreensão da relevância das singularidades pertinentes à saúde da população negra e da necessidade de aportar às políticas de saúde e ao cotidiano da assistência à saúde tais saberes.

Em Saúde da População Negra – Brasil, Ano 2001 encontraremos embasamentos filosóficos, científicos, históricos, políticos e éticos que possibilitam uma compreensão ampla e multidisciplinar da temática, além da proposta “Política Nacional de Saúde da População Negra: uma questão de eqüidade”, documento de subsídios para o debate da questão, também elaborado, sob os auspícios da OPAS-Brasil, por muitas pessoas ativistas e profissionais de saúde que há anos dedicam parte substancial de suas vidas à construção do campo Saúde da População Negra no Brasil.

Jacobo Finkelman
REPRESENTANTE DA OPAS/OMS NO BRASIL

Matilde Ribeiro
MINISTRA DA SECRETARIA ESPECIAL DE POLÍTICAS
DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL


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OLIVEIRA, Fátima - Saúde da População Negra: Brasil ano 2001 / Fátima Oliveira - Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2003.

ATENÇÃO: Para ter a obra na íntegra clique aqui

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

griot*

Este antigo Baobá na reserva de Bandia, Sene- gal, forma um mausoléu vivo para os remanescentes Griots locais.

Um Griot (pronuncia-se: griô) ou Jali é um poeta da região da Àfrica Central, um cantor espiritual, músico errante, considerado um repositor da tradição oral. Eles são, algumas vezes, chamados de bardos. De acordo com Paul Oliver, em seu livro "Savannah Syncopators", "Embora [o griot] saiba de cor muitas canções tradicionais, ele possui também a habilidade de extemporizar sobre eventos atuais, acasos, incidentes, mortes, cenas do cotidiano. Seu talento pode ser devastador e seu conhecimento da história local, formidável.” Embora eles sejam popularmente conhecidos como “cantors espirituais”, os griots podem também usar sua especialidade vocal para mexericos, sátira e comentários políticos.

Os Griots vivem, hoje, em muitas partes da África Ocidental, incluindo: Mali, Gambia, Guinea, e Senegal, e estão presentes entre os povos Mande (Mandinka, Malinké, Bambara, etc.), Fulbhe (Fula), Hausa, Tukulóor, Wolof, Serer, Mauritânia Arábica e muitos outros pequenos grupos. A palavra griot pode derivar do francês, uma transliteração "guiriot" da palavra "criado" do Português que significa "servente."

Nas línguas africanas, os griots são referidos por uma variedade de nomes, a saber: jeli, no norte das áreas Mande; jali, no sul das mesmas; géwal em Wolof; gawlo em Pulaar (Fula); e igiiw em Hassaniyya Arábica. Os Griots constituem uma casta endogâmica, significando que majoritariamente eles somente casam-se com outros griots, e aqueles que não são griots normalmente não executam as mesmas funções que eles.

Griots e jeliya
O termo Mandinga jeliya ("transmissão pelo sangue") é algumas vezes utilizado pelo conhecimento dos griots, como indicativo de uma classe de natureza hereditaria. Jeliya vem da palavra raíz jeli or djeli (sangue), que é também o título dado para os griots nas áreas correspondentes a formação do Império Mali. Embora a denominação "griot" seja mais comumente usada no inglês, alguns advogados griots, como Bakari Sumano preferem o termo jeli.

O Império Mali
The Império Mali (Império Malinke), em meados do século XIV, extendia-se da África Central (hoje, Chad e Niger) até a África Ocidental (hoje, Mali e Senegal). O Império foi fundado por Sundjata Keita, cuja proeza permanece sendo celebrada no Mali até os dias de hoje. No Épico de Sundjata, o Rei Naré Maghann Konaté ofereceu seu filho Sundiata, um griot, Balla Fasséké, para aconselhá-lo em seu reino. Balla Fasséké é então considerado o primeiro griot e o fundador da Linhagem Kouyaté de griots que existe até os dias de hoje.

Cada famila de griots é acompanhada de uma família de guerreiros-reis chamados jatigi. Na cultura tradicional, nenhum griot pode estar sem um jatigi, e nenhum jatigi pode estar sem um griot; os dois são inseparáveis, e um nada vale sem o outro. Todavia, um jatigi pode "emprestar" o seu griot a um outro jatigi.

São muitas as aldeias que possuem seus próprios griots que contam histórias de nascimentos, mortes, casamentos, batalhas, caçadas, coisas e centenas de de outras histórias populares.

Griots/Jeli na Sociedade Mande
O Jeli na sociedade Mande era como um historiador, um consekheiro, um árbitro, um cantor espiritual (patrono) e contador de histórias. Eram, esses músicos, essencialmente, livros de história ambulantes, preservadores das histórias antigas e das tadições por meio de suas canções. Essa sua tradição herdada foi passada através de gerações. Seu nome, "Jeli", significa "Sangue" no idioma Manika. Sobre eles é dito que possuem profundas conecções com os poderes espiritual, social e político, aos quais sua música é fortemente associada. Sobre sua fala é, também, dito que tem o poder de recriar histórias e relacionamentos.

Os Griots hoje
Bakari Sumano, dirigente da Associaçao dos Griots Bamako de 1994 a 2003, foi um advogado internacionalmente conhecido pela importancia dos griots na sociedade central-africana

Cultura Popular
No filme Malinense Guimba the Tyrant dirigido por Cheick Oumar Sissoko, o contador de histórias é preparado dentro da aldeia griot, e dentre outras coisas também pode ser um cômico.

No romance "Waiting for the Wild Beasts to Vote" do escritor marfinense Ahmadou Kourouma, foi adotada a forma de uma canção de louvor (espiritual) por Sora, the Griot, um achado para o presidente e Ditator da fictícia Republica do Golfo. No final de seu romance Alá não é obrigado a igualmente adotar o proeminentemente caráter de um griot.

Há também referências, no livro Roots (Raízes) de Alex Haley, de um Griot que lhe contou sua historia familiar por meio da tradição oral. Quando Haley traçou o caminho ao seu passado hitórico, passando da sua geração anterior, através dos tempos da escravidão, até retornar à África, ele poderia ser um griot contando a sua história e a história de seu ancestral, conhecido na sua família como "O Africano" e que foi capturado quando estava na mata procurando madeira para fazer um tambor de fala. Quando ele chegou em África para realizar as pesquisas para o seu livro, encontrou com griots que lhe contaram sua história. Foi com eles que Haley aprendeu e conheceu a identidade de seu ancestral Kunta Kinte. Desde que havia ouvido, primeiro, a história que sua avó lhe contara e que, depois, foi refrescada por sua prima mais velha, ele acreditava que eles eram griots, com suas maneiras próprias de contar sua história até que alguém a colocasse no papel. Mais tarde ele soube que sua prima morrera no mesmo momento de sua chegada na aldeia em África.

Lista de artistas Griots / grupos
Abdoulaye Diabaté (Mali)
Alpha Oulare (Guinea)
Amadu Bansang Jobarteh (Gambia)
Ba Cissoko (Guinea)
Baba Sissoko (Mali)
Badenya les Frères Coulibaly (Burkina Faso)
Balla Kouyate (Mali)
Balla Tounkara (Mali)
Dan Maraya (Nigeria)
Dembo Jobarteh (Gambia)
Dimi Mint Abba (Mauritania)
Djelimady Tounkara (Mali)
Djimo Kouyate (Senegal)
El Hadj Djeli Sory Kouyate (Guinea)
Foday Musa Suso (Gambia)
Habib Koité (Mali)
Kasse Mady Diabate (Mali)
Lamin Saho (Gambia)
Malamini Jobarteh (Gambia)
Mory Kanté (Guinea)
N'Faly Kouyate (Guinea)
National Instrumental Ensemble of Guinea (Guinea)
Papa Susso (Gambia)
Pape Kanoutè (Senegal)
Prince Diabaté (Guinea)
Salieu Suso (Gambia)
Seikou Susso (Gambia)
Sherrifo Konteh (Gambia)
Toumani Diabaté (Mali)
Vieux Diop (Senegal)
Yacouba Sissoko (Mali)
Random Ramblings (UK)

Ligações externas
Lavender, Catherine (2000). "African Griot Images." (Webpage for a course at CSI/CUNY)
Salmons, Catherine A. (2004). Balla Tounkara "Griot"

Referências
Charry, Eric S. (2000). Mande Music: Traditional and Modern Music of the Maninka and Mandinka of Western Africa. Chicago Studies in Ethnomusicology. Includes audio CD. Chicago: University of Chicago Press.

Hale, Thomas A. (1998). Griots and Griottes: Masters of Words and Music. Bloomington, Indiana: Indiana University Press.

Hoffman, Barbara G. (2001). Griots at War: Conflict, Conciliation and Caste in Mande. Bloomington, Indiana: Indiana University Press


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(*) Traduzido do inglês por Selito SD
Obs: Os possíveis erros constantes do texto deve-se aos anos de não leitura em inglês. Assim, aceitamos a colaboração do leitor(a) para eventuais correções.

griot*

This ancient Baobab tree in the Réserve de Bandia, Sénégal, forms a living mausoleum for the remains of famed local Griots.

A griot (pronounced [gɹi.ɒ] in English or French, with a silent t) or jali (djeli in French spelling) is a West African poet, praise singer, and wandering musician, considered a repository of oral tradition. As such they are sometimes also called bards. According to Paul Oliver in his book "Savannah Syncopators", "Though [the griot] has to know many traditional songs without error, he must also have the ability to extemporise on current events, chance incidents and the passing scene. His wit can be devastating and his knowledge of local history formidable." Although they are popularly known as 'praise singers', griots may also use their vocal expertise for gossip, satire, or political comment.


Griots today live in many parts of West Africa, including Mali, Gambia, Guinea, and Senegal, and are present among the Mande peoples (Mandinka, Malinké, Bambara, etc.), Fulɓe (Fula), Hausa, Tukulóor, Wolof, Serer, Mauritanian Arabs and many other smaller groups. The word may derive from the French transliteration "guiriot" of the Portuguese word "criado," which in turn means "servant."


In African languages, griots are referred to by a number of names: jeli in northern Mande areas, jali in southern Mande areas, géwal in Wolof, gawlo in Pulaar (Fula), and igiiw in Hassaniyya Arabic. Griots form an endogamous caste, meaning that most of them only marry other griots and that those who are not griots do not normally perform the same functions that they perform.


Griots and jeliya
The Manding term jeliya (meaning "transmission by blood") is sometimes used for the knowledge of griots, indicating the hereditary nature of the class. Jeliya comes from the root word jeli or djeli (blood), which is also the title given to griots in areas corresponding to the former Mali Empire. Though the usage "griot" is far more common in English, some griot advocates such as Bakari Sumano prefer the term jeli.

In the Mali Empire
The Mali Empire (Malinke Empire), at its height in the middle of the fourteenth century, extended from central Africa (today's Chad and Niger) to West Africa (today's Mali and Senegal). The Empire was founded by Sundjata Keita, whose exploits remain celebrated in Mali even today. In the Epic of Sundjata, King Naré Maghann Konaté offered his son Sundiata a griot, Balla Fasséké, to advise him in his reign. Balla Fasséké is thus considered the first griot and the founder of the Kouyaté line of griots that exists to this day.


Each family of griots accompanied a family of warrior-kings, which they called jatigi. In traditional culture, no griot can be without jatigi, and no jatigi can be without a griot; the two are inseparable, and worthless without the other. However, the jatigi can accept a "loan" of his griot to another jatigi.


Most villages also had their own griot, who told tales of births, deaths, marriages, battles, hunts, affairs, and hundreds of other folktales.

Griots/Jeli in Mande Society
The Jeli in Mande society was as a historian, advisor, arbitrator, praise singer (patronage), and storyteller. Essentially, these musicians were walking history books, preserving their ancient stories and traditions through song. Their inherited tradition was passed down through generations. Their name, "Jeli", means "Blood" in the Manika language. They were said to have deep connections to spiritual, social, or political powers as music is associated as such. Speech is also said to have power as it can recreate history and relationships.

Griots today
Bakari Sumano, head of the Association of Bamako Griots from 1994 to 2003, was an internationally-known advocate for the importance of the griot in West African society.

In popular culture
In the Malian film Guimba the Tyrant directed by Cheick Oumar Sissoko, the storytelling is done through the village griot, who also serves to provide comic relief.

In the late novels of the Ivorian writer Ahmadou Kourouma, Waiting for the Wild Beasts to Vote takes the form of a praise-song by the Sora, the Griot, Bingo to the president-Dictator of the fictitious République du Golfe. His final novel Allah is not Obliged also prominently features a griot character.


There's also references in the Alex Haley's book Roots of a Griot that passed his family history through oral tradition. When Haley traces back his history, passing from his previous generation through the slave time, back to Africa, he there should be griots telling his history and the history of his ancestor, known in the family as "The African", who was captured in the bushes when he was seeking timber to make a talking drum. When he arrived in Africa to make researches to his book, he actually found Griots telling his history. It was through them he learned the ancestor's identity, Kunta Kinte. Since he had first heard the story from his grandmother and later refreshed by his older cousin, he believed that they were griots in their own way until someone put the story to writing. He later learned that his cousin had died within the hour of his arrival at the village.

List of Griot artists / groups
Abdoulaye Diabaté (Mali)
Alpha Oulare (Guinea)
Amadu Bansang Jobarteh (Gambia)
Ba Cissoko (Guinea)
Baba Sissoko (Mali)
Badenya les Frères Coulibaly (Burkina Faso)
Balla Kouyate (Mali)
Balla Tounkara (Mali)
Dan Maraya (Nigeria)
Dembo Jobarteh (Gambia)
Dimi Mint Abba (Mauritania)
Djelimady Tounkara (Mali)
Djimo Kouyate (Senegal)
El Hadj Djeli Sory Kouyate (Guinea)
Foday Musa Suso (Gambia)
Habib Koité (Mali)
Kasse Mady Diabate (Mali)
Lamin Saho (Gambia)
Malamini Jobarteh (Gambia)
Mory Kanté (Guinea)
N'Faly Kouyate (Guinea)
National Instrumental Ensemble of Guinea (Guinea)
Papa Susso (Gambia)
Pape Kanoutè (Senegal)
Prince Diabaté (Guinea)
Salieu Suso (Gambia)
Seikou Susso (Gambia)
Sherrifo Konteh (Gambia)
Toumani Diabaté (Mali)
Vieux Diop (Senegal)
Yacouba Sissoko (Mali)
Random Ramblings (UK)

See also
List of Sub-Saharan African folk music traditions
Ahmadou Kourouma
Random Ramblings (UK)

External links
Lavender, Catherine (2000). "African Griot Images." (Webpage for a course at CSI/CUNY)
Salmons, Catherine A. (2004). Balla Tounkara "Griot"

References
Charry, Eric S. (2000). Mande Music: Traditional and Modern Music of the Maninka and Mandinka of Western Africa. Chicago Studies in Ethnomusicology. Includes audio CD. Chicago: University of Chicago Press.

Hale, Thomas A. (1998). Griots and Griottes: Masters of Words and Music. Bloomington, Indiana: Indiana University Press.

Hoffman, Barbara G. (2001). Griots at War: Conflict, Conciliation and Caste in Mande. Bloomington, Indiana: Indiana University Press.
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(*) assim que possível estarei traduzindo o texto para o português. é uma ótima oportunidade para exercitar meu inglês instrumental que há anos encontra-se em desuso (rsrs). por hora, conheça um pouco mais de áfrica, aqueles(as) já iniciados(as) no idioma do império.