sexta-feira, 31 de agosto de 2007

stephen bantu (steve) biko

Steve Bantu Biko (18.12.1946 - 12.09.1977) foi um conheci-do ativista do movimento anti-apartheid na África do Sul, durante a década de 1960.

Insatisfeito com a União Nacional de Estudantes Sul-africanos (National Union of South African Students((en))), da qual era membro, participou da fundação, em 1968, da Organização dos Estudantes Sul-africanos (South African Students' Organisation). Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People's Convention).

Em março de 1973, no ápice do regime de segregação racial (Apartheid), foi "banido" , o que significava que Biko estava proibido de comunicar-se com mais de uma pessoa por vez e, portanto, de realizar discursos. Também foi proibida a citação a qualquer de suas declarações anteriores, tivessem sido feitas em discursos ou mesmo em simples conversas pessoais.

Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro e sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a "prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro".

Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria caducado (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.

Referências nas artes
O grupo Steel Pulse lançou a canção "Biko's kindred lament" em seu álbum de 1979, "Tribute to the martyrs".
Em 1980 Peter Gabriel lançou "Biko", uma canção de protesto pela morte de Biko.
Em 1987 Richard Attenborough dirigiu o filme Cry Freedom, um drama biográfico sobre Biko. A música de Peter Gabriel foi incluída na trilha sonora.
Em Star Trek: The Next Generation há uma espaçonave chamada USS Biko.
O álbum Midnight Marauders, do grupo A Tribe Called Quest, contém a canção "Steve Biko (Stir It Up)."
O filme :Um grito de liberdade(Cry Freedom)de 1987, dirigido pelo diretor inglês Richard Attenborough, mostra um pouco sobre a história de biko e o processo do Apartheid.

Citação
"Um dia nós estaremos em condições de dar à África do Sul o maior dos presentes - uma face mais humana (In time, we shall be in a position to bestow on South Africa the greatest possible gift - a more human face.)

Links externos
Página por Nelson Mandela sobre o vigésimo aniversário de morte de Biko
Página memorial para Steven Biko
Biografia de Biko do site About.com
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Origem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Steve_biko

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

nkisi

África
Na mitologia dos povos de língua Kimbundo, originários do Norte de Angola, O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Inkices (do kimbundu Nkisi ou (plural) Minkisi receptáculos), divindades da mitologia Bantu. Esse deus corresponde à Olorun e os Orishas da mitologia Yoruba e do Candomblé Ketu.

Brasil
Os principais Nkisis no Brasil são:
Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila: - Intermediário entre os seres humanos e o outros Nkisis (cf. Exú Orixá). Na sua manifestação feminina, é chamado Vangira.
Nkosi, Roxi Mukumbe: - Nkisi de guerra e Senhor das estradas de terra. Mukumbe, Biolê, Buré qualidades ou caminhos desse Nkisi.
Ngunzu: - Engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.
Kabila: - O caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta.
Mutalambô, Lambaranguange: - Caçador, vive em florestas e montanhas, Nkisi de comida abundante.
Gongobira ou Gongobila: - Caçador jovem e pescador.
Mutakalambô: - Tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores.
Katendê: - Senhor das Jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais.
Nzazi, Loango: - São o próprio raio, entrega justiça aos seres humanos.
Kaviungo ou Kavungo, Kafungê ou Kafunjê, Kingongo: - Nkisi da varíola, das doenças de pele, da saúde e da morte.
Nsumbu - Senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Kongo.
Hongolo ou Angorô (masculino) e Angoroméa (feminino): - Auxilia na comunicação entre os seres humanos e as divindades (representado por uma cobra).
Kindembu ou Nkisi Tempo: - Rei de Angola. Senhor do tempo e estações. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca.
Kaiangu: - Têm o domínio sobre o fogo.
Matamba, Bamburussenda, Nunvurucemavula: - Qualidades ou caminhos de Kaiangu. guerreira, comanda os mortos (Nvumbe).
Kisimbi, Samba_Nkisi: - A grande mãe; Nkisi de lagos e rios.
Ndanda Lunda: - Senhora da fertilidade, e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi.
Kaitumbá, Mikaiá, Kokueto: - Nkisi do Oceano, do Mar (Kalunga Grande)
Nzumbarandá: - A mais velha das Nkisi, conectada para morte.
Nvunji: - O mais jovem do Nkisi, Senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude e toma conta dos filhos recolhidos.
Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Nkasuté Lembá, Gangaiobanda: - Conectado à criação do mundo.

O Deus supremo e Criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele estão os Jinkisi/Minkisi, divindades da Mitologia_Bantu. Essas divindades se assemelham a Olorun e Orishas da Mitologia Yoruba, e Olorum e Orixá do Candomblé Ketu.

Cuba
Palo, ou Las Reglas de Congo

Haiti

Veja também
Candomblé Ketu
Candomblé Jeje

Páginas externas
Ritos de Angola (em Português)
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vodun

Vodun ou Vodoun (ortografia Beninense; Vodun / Vodum no Brasil; Vodou, Vaudou ou outras ortografias foneticamente equivalentes no Haiti; Vodu ou Vudu em português, porém no Brasil escrito dessa forma tem sentido pejorativo), aplica-se aos ramos de uma tradição religiosa teísta-animista baseada nos ancestrais, que tem as suas raízes primárias entre os povos Fon-Ewe da África Ocidental, no país hoje chamado Benin, anteriormente Reino do Daomé, onde o vodun é hoje em dia a religião nacional de mais de 7 milhões de pessoas. Além da tradição fon, ou do Daomé, que permaneceu na África, existem tradições relacionadas que lançaram raízes no Novo Mundo durante a época do tráfico transatlântico

África
Vodun beninense ou africano-ocidental é similar ao Vodun jeje e ao Vodu Haitiano em sua ênfase nos antepassados, porém cada família dos espíritos tem seu próprio clero especializado que é frequentemente hereditário. Os espíritos incluem Mami Wata, que são divindades das águas; Legba, que é viril e os jovens em contraste com a forma de homem velho em Haiti; Gu, governa o ferro e ferraria; Sakpata, que governa doenças; e muitos outros espíritos distintos em sua própria maneira da África ocidental.

Para além do Benin, o vodun africano e as práticas que dele descendem podem ser encontrados na República Dominicana, Porto Rico, Cuba, Brasil, Haiti, Estados Unidos, Gana e Togo. A palavra vodun é a palavra Fon-Ewe para espírito.

Brasil
A tradição Fon dos antigos escravos deu origem à tradição conhecida como Vodun jeje.

Mawu é o Ser Supremo dos povos Ewe e Fon, que criou a terra e os seres vivos e engendrou os voduns, divindades que a (Mawu é do gênero feminino) secundariam no comando do Universo. Ela é associada a Lissá, que é masculino, e também co-responsável pela Criação, e os voduns são filhos e descendentes de ambos. A divindade dupla Mawu-Lissá é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai Espírito Vital).

Loko, É o primogênito dos voduns. Representado pela árvore sagrada Ficus idolatrica ou Ficus doliaria (gameleira branca).
Gu, Vodun dos metais, guerra, fogo, e tecnologia.
Heviossô, Vodun que comanda os raios e relâmpagos.
Sakpatá, Vodun da varíola.
Dan, Vodun da riqueza, representado pela serpente do arco-íris.
Agué, Vodun da caça e protetor das florestas.
Agbê, Vodun dono dos mares.
Ayizan, Vodun feminino dona da crosta terrestre e dos mercados.
Agassu, Vodun que representa a linhagem real do Reino do Daomé.
Aguê, Vodun que representa a terra firme.
Legba, O caçula de Mawu e Lissá, e representa as entradas e saídas e a sexualidade.
Fa , Vodun da adivinhação e do destino.

Os voduns na África são agrupados em "famílias" chefiadas por um vodun principal, ora representando um elemento ou fenômeno da natureza, ora da cultura. Existem basicamente 4 famílias principais:

Os Ji-vodun , ou "voduns do alto", chefiados por Sô (forma basilar de Heviossô).
Os Ayi-vodun , que são os voduns da terra, chefiados por Sakpatá.
Os Tô-vodun , que são voduns próprios de uma determinada localidade (variados).
Os Henu-vodun , que são voduns cultuados por certos clãs que se consideram seus descendentes (variados).

No Brasil os voduns são cultuados nos terreiros de Candomblé, sobretudo nos da Nação Jêje, onde ainda se conserva alguma lembrança da divisão por famílias.

A iniciação ao culto dos voduns é complexa é longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro hunkpame, que podem chegar a durar um ano, onde os neófitos são submetido a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.

Cuba
A tradição Fon mais ou menos "pura" de Cuba é conhecida como La Regla Arará.
Ver também: Lukumi, Regla de Ocha e Santeria.

Estados Unidos
É importante notar que a palavra Voodoo é a mais comum e conhecida usada na cultura popular americana, e é vista como ofensiva pelas comunidades praticantes da Afro-Diaspora. Entretanto, as soletrações diferentes deste termo podem ser explicadas como segue:
A palavra Voodoo é usada para descrever a tradição Creole de New Orleans, Vodou é usado para descrever a Tradição Vodou Haitiana,

Haiti
Vodu haitiano, chamado de Sèvis Gine ou "serviço africano" no Haiti, tem também fortes elementos dos povos Ibo, Congo da África Central, e o Yoruba da Nigéria, embora muitos povos diferentes ou "nações" da África têm representação na liturgia do Sèvis Gine, assim como os índios Taíno, os povos originais das ilhas agora conhecidas como Hispaniola. Formas crioulas de Haiti de Vodu existem no Haiti (onde é nativo), na República Dominicana, em partes de Cuba, e nos Estados Unidos, e em outros lugares em que os imigrantes de Haiti dispersaram durante os anos. É similar a outras religiões da diáspora africana, tais como Lukumi ou Regla de Ocha (conhecida também como Santería) em Cuba, Candomblé e Umbanda no Brasil, todas essas religiões que evoluíram entre descendentes de africanos transplantados nas Américas.

História
A maioria dos africanos que foram trazidos como escravos para o Haiti eram da costa da Guiné da África ocidental, e seus descendentes são os primeiros praticantes de Vodu (aqueles africanos trazidos ao sul dos E. U. eram primeiramente do reino de Congo). A sobrevivência do sistema da crenças no novo mundo é notável, embora as tradições mudem com o tempo. Uma das maiores diferenças, entretanto, entre o Vodu africano e o Haitiano é que os africanos transplantados do Haiti foram obrigados a disfarçar o seu lwa, ou espíritos, como santos católicos romanos, um processo chamado sincretismo.

A maioria dos peritos especula que isto foi feito em uma tentativa de esconder a sua "religião pagã" de seus senhores, que os tinham proibido de praticar. Dizer que o Vodu haitiano é simplesmente uma mistura das religiões africanas ocidentais com um verniz de Catolicismo romano não estaria inteiramente correto.

Isto estaria ignorando numerosas influências indígenas Taíno, assim como o processo evolutivo a que Vodu se submeteu ao longo da história do Haiti. Também estaria ignorando a grande influência do paganismo europeu no Catolicismo romano e o panteão dos seu próprios santos. Vodu, como conhecemos no Haiti e na diáspora Haitiana hoje, é o resultado das pressões de muitas culturas e etnicidades diferentes dos povos que foram desarraigados da África e importados a Hispanola durante o comércio africano de escravos. Sob a escravidão, a cultura e a religião africanas foram suprimidas, as linhagens foram fragmentadas, e as pessoas tiveram que ocultar seu conhecimento religioso e a partir desta fragmentação tornou-se unificada culturalmente.

Além do mais, para combinar os espíritos de muitas e diferentes nações africanas e indígenas, as partes da liturgia católica romana foram incorporadas para substituir rezas ou elementos perdidos; além disso, as imagens de santos católicos são usadas para representar os vários espíritos ou "misteh" ("mistérios ", o termo preferido em Haiti), e muitos santos mesmos são honrados no Vodu em seu próprio direito. Este sincretismo permite que o Vodu abranja o africano, Indígena, e os antepassados europeus em uma maneira inteira e completa. É verdadeiramente "Religião de Kreyòl".

A cerimônia mais importante historicamente do Vodu na história do Haiti era a cerimônia Bwa Kayiman ou Bois Caïman de agosto 1791, que começou a Revolução Haitiana, em que o espírito de Ezili Dantor possuía um clérigo e recebia um porco preto como oferenda, e todos as pessoas presentes comprometeram-se com a luta pela liberdade. Esta cerimônia resultou finalmente na libertação dos povos do Haiti da dominação colonial francesa em 1804, e o estabelecimento da primeira república de povos negros na história do mundo.

Este Vodu Haitiano cresceu nos Estados Unidos de forma significativa a partir do final dos anos 1960 e começo dos anos 1970 com as levas de imigrantes haitianos fugindo do regime opressivo de Duvalier, estabelecendo-se em Miami, Nova Iorque, Chicago, e outras cidades.

Crenças
No vodu haitiano acredita-se, de acordo com tradição africana difundida, que há um Deus que é o criador de tudo, chamado de "Bondje" (do francês "bon Dieu" ou "bom deus", distinguido do deus dos brancos em um discurso dramático pelo houngan Boukman em Bwa Kayiman, mas é considerado frequentemente o mesmo Deus da Igreja Católica de maneira informal. Bondje é distante de sua criação, e assim é que são os espíritos ou os "mistérios", "santos", ou "anjos" que o voduísta invoca para a ajudá-lo, assim como os antepassados.

O voduísta adora o deus, e serve aos espíritos, que são tratados com honra e respeito como se fossem membros mais velhos de uma casa. Diz-se que são vinte e uma nações ou "nanchons" dos espíritos, também chamadas às vezes "lwa-yo". Algumas das nações mais importantes do lwa são o Rada, o Nago, e o Kongo. Os espíritos vêm também nas "famílias" que compartilham de um sobrenome, como Ogou, ou Ezili, ou Azaka ou Ghede. Por exemplo, "Ezili" é uma família, Ezili Dantor e Ezili Freda são dois espíritos individuais nessa família. A família de Ogou é de soldados, o Ezili governa as esferas femininas da vida, o Azaka governa a agricultura, o Ghede governa a esfera da morte e da fertilidade.

No Vodu dominicano, há também uma família de Água Doce ou "das águas doces", que abrange todos os espíritos dos índios. Há literalmente centenas de lwas. Os lwas mais conhecidos são Danbala Wedo, Papa Legba Atibon, e Agwe Tawoyo. No Vodu haitiano os espíritos são divididos de acordo com sua natureza em basicamente duas categorias, se são quentes ou frios. Os espíritos frios entram sob a categoria Rada, e os espíritos quentes entram sob a categoria Petro. Os espíritos de Rada são familiares e vêm na maior parte da África, e os espíritos de Petro são na maior parte nativos do Haiti e requerem mais atenção ao detalhe do que o Rada, mas ambos podem ser perigosos se irritados ou contrariados. Nenhum é "bom" ou "mau" com relação ao outro. Diz-se que todos possuem espíritos, e cada pessoa é considerada como tendo um relacionamento especial com um espírito particular, que é dito "possuir sua cabeça", porém uma pessoa pode ter um lwa, que possui sua cabeça, ou "met tet", que pode ou não ser o espírito mais ativo na vida de alguém de acordo com os haitianos.

Ao servir os espíritos, o voduísta busca conseguir a harmonia com sua própria natureza individual e o mundo em torno dele, manifestado como fonte de poder pessoal relacionado à vida. Parte desta harmonia é preservar o relacionamento social dentro do contexto da família e da comunidade. Uma casa ou uma sociedade de Vodu é organizada pela metáfora de uma família extensa, e os noviços são os "filhos" de seus iniciadores, com o sentido da hierarquia e da obrigação mútua que implica.

A maioria de voduístas não-iniciada, é vista como "bosal"; não é uma exigência ser um iniciado a fim de servir aos espíritos. Há um clero no Vodu haitiano, cuja responsabilidade é preservar os rituais e as canções e manter o relacionamento entre os espíritos e a comunidade como um todo (embora isto seja responsabilidade de toda a comunidade também). Encarregados de conduzir o culto a todos os espíritos de sua linhagem, os sacerdotes são conhecidos como "Houngans" e sacerdotisas como "Manbos". Abaixo dos houngans e das manbos estão os hounsis, que são os noviços que atuam como assistentes durante cerimônias e que são dedicados a seus próprios mistérios pessoais. Ninguém serve a qualquer lwa somente ao que se "têm" de acordo com o próprio destino ou natureza. Os espíritos que uma pessoa "tem" pode ser revelado em uma cerimônia, em uma leitura, ou nos sonhos.

Entretanto, todo voduista serve também aos espíritos de seus próprios antepassados de sangue, e este aspecto importante da prática do Vodu é frequentemente subestimado pelos comentadores que não compreendem seu significado. O culto do antepassado é de fato a base da religião Vodu, e muitos lwas como Agassou (um antigo rei do Daomé) por exemplo, são de facto, ancestrais que foram elevados à divindade.

Liturgia e prática
Após um dia ou dois de preparação de altares, preparando ritualmente e cozinhando galinha e os outros alimentos, etc., um ritual de Vodu haitiano começa com uma série de preces e de cantigas católicas em francês, e então uma litania em Kreyol e no "langaj africano" que abrange todos os santos e lwas europeus e africanos honrados pela casa, e depois em uma série dos invocações para todos os espíritos principais da casa. Isto é chamado o "Priyè Gine" ou o prece africana.

Após mais canções introdutórias, começando com saudar o espírito dos tambores nomeado Hounto, as cantigas para todos os espíritos individuais são entoadas, começando com a família de Legba com todos os espíritos de Rada, a seguir há uma ruptura e a parte Petro do ritual começa, terminando com as cantigas para a família de Ghede. Ao serem entoadas as cantigas os espíritos virão visitar os presentes através da possessão dos indivíduos, falando e agindo com eles. Cada espírito é saudado e cumprimentado pelos noviços presentes e dará consultas, conselhos e curas àqueles que solicitarem por sua ajuda. Muitas horas mais tarde nas primeiras horas da manhã, a última canção é entoada, despede-se os convidados, e todos os hounsis, houngans e manbos esgotados podem ir dormir.

Individualmente, um voduista ou um "sevité"/"serviteur" pode ter um ou mais altares preparados para seus antepassados e o espírito, ou os espíritos, a que serve com retratos ou estátuas dos espíritos, de perfumes, de alimentos, e de outras coisas preferidas por seus espíritos. O altar mais básico é apenas uma vela branca e um copo de água e talvez flor. No dia de um espírito particular, acende-se uma vela e reza-se o Pai Nosso e Ave Maria, sauda Papa Legba e pede-lhe para abrir a porta, e então sauda-se e fala ao espírito particular como um membro mais velho da família. Os antepassados são chamados diretamente, sem mediação de Papa Legba, já que são "do sangue".

Valores e ética
Os valores culturais que Vodou engloba centram em torno das idéias da honra e do respeito - ao deus, aos espíritos, à família e à sociedade, e a si mesmo. Há uma idéia plural de apropriado e de impróprio, no sentido de que o que é apropriado a alguém com Danbala Wedo como sua cabeça pode ser diferente de alguém com Ogou Feray como sua cabeça, porque, por exemplo, um espírito está muito frio e outro está muito quente. A frieza geral é avaliada, assim como a habilidade e inclinação de proteger-se e aos seus se necessário.

O amor e a sustentação dentro da família da sociedade de Vodu parecem ser a consideração mais importante. A generosidade em dar à comunidade e aos pobres é também um valor importante. As dádivas vêm através da comunidade e há a idéia que deve-se ser disposto a retribuir por sua vez. Desde que Vodu tem tal orientação da comunidade, não há "solitários" em Vodou, somente as pessoas separadas geograficamente de seus antepassados e casa. Uma pessoa sem um relacionamento de algum tipo com pessoas idosas não estará praticando Vodu como se compreende em Haiti e entre Haitianos.

A religião de Vodu Haitiano é antes uma tradição extática do que baseada na fertilidade e não discrimina homens gays e mulheres lésbicas, ou outras pessoas de maneira alguma. De fato, há hounfos,ou templos no Haiti cujo o clero é inteiramente de gays e lésbicas, etc. No Vodu Haitiano a orientação sexual ou identidade de gênero e da expressão de um praticantes são de nenhum interesse em um ambiente ritual. Vê-se apenas como uma maneira em que o deus fez uma pessoa. Os espíritos ajudam a cada pessoa simplesmente ser a pessoa que são.

Ortodoxia e diversidade
Existe uma diversidade da prática em Vodu através do Haiti e da diáspora Haitiana. Por exemplo, no norte de Haiti o sèvis tèt ("lavagem de cabeça") ou o kanzwe pode ser a única iniciação, como na República Dominicana e em Cuba, enquanto que em Porto Príncipe e no sul praticam os ritos kanzo com três classes da iniciação – kanzo senltimo é a modalidade mais familiar da prática fora de Haiti. Algumas linhagens combinam ambos, como relata a Manbo Katherine Dunham de sua experiência pessoal em seu livro Island Possessed.

Ainda que a tendência geral de Vodu seja muito com suas raizes africanas, não há nenhuma forma definitiva, só o que é certo em uma casa ou em uma linhagem particular. Os pequenos detalhes do serviço e dos espíritos servidos variarão da casa a casa, e a informação nos livros ou na Internet pode conseqüentemente parecer contraditória.

Não há nenhuma autoridade central ou "papa" no Vodu Haitiano já que "cada manbo e houngan são a cabeça de sua própria casa", como diz um provérbio popular em Haiti. Uma outra consideração nos termos da diversidade de Haiti é muitos seitas além do Sevi Gine em Haiti tal como o Makaya, Rara, e outras sociedades secretas, cada uma com seu próprio panteão distinto de espíritos.

Sobrevivências no sul dos E. U. A.
Um provérbio comum é que o Haiti é 80% católico romano e cfaff No sul dos Estados Unidos influenciou também o sistema de mágica popular e religião popular conhecido como hoodoo, que deriva primeiramente de práticascuHongo]] e de Angola da África central. As melhores sobrevivências da religião possivelmente influenciada pelo Haiti no sul dos E. U., entretanto, sdas dentro das igrejas espirituais Africano-Americanas de Nova Orleans, uma seita cristã fundada por Mãe Leafy Anderson em meados do século XX que incorpora a iconografica católica, adoração extática derivada de formas pentecostais e espiritualismo. Uma característica das igrejas espirituais de Nova Orleans é honrar o espírito americano nativo chamado falcão preto.

Mitos e Falsas concepções
O Vodu veio ser associado na mente popular com os fenômenos como "zombies" e "bonecas do vodu". Enquanto há uma evidência etnobotânica que se relaciona à criação do "zombi", é um fenômeno menor dentro da cultura rural do Haiti e não uma parte da religião de Vodu em si. Tais coisas caem sob os auspícios do "bokor" ou do feiticeiro antes que do sacerdote do Lwa Gine. A prática de furar com agulhas "em bonecas vodu" foi usada como um método de amaldiçoar um indivíduo por alguns seguidores do que veio a ser chamado "Nova Orleans Voodoo", que é um variante local do voodoo.

Esta prática não é original ao "vodu" de Nova Orleans entretanto e tem tanta base em dispositivos mágicos Europeu-baseados tais como a "poppet" quanto o nkisi ou o bocio de África ocidental e central.
As bonecas de "vodu" não são uma característica da religião haitiana, embora as bonecas feitas para turistas possam ser encontradas no Iron Market em Port-au-Prince, capital do Haiti. A prática tornou-se associada ao Vodu na mente popular através dos [filmes de horror].

Jamaica
Obeah é uma forma de religião ou culto de ancestrais africanos praticado na Jamaica, Voduns.

Ligações externas
A Condição Vodu - Coletânea de textos sobre teoria e prática do vodu
em inglês
Open Directory Project Vodou, Vodun, Voodoo category
Animisme au Bénin
The Vodun Phenomenon in Benin
Voduns in Cuba
The Cult of Vodon
Voduns in America
Origins of Voodoo


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Foto 1: Bandeira Vodu
Foto 2: Cerimônia Vodou, Jacmel, Haiti
Origem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vodun

orixá

Na Mitologia Yoruba, Olorun é o Deus supremo do povo Yoruba, que criou as divindades chamadas (português Orixá; alemão Orisha; espanhol Oricha; Yoruba Òrìsà) para representar todos os seus domínios aqui na terra, mas não são considerados deuses.

Exu, Orixá guardião dos templos, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
Ogum, Orixá do ferro, guerra, e tecnologia.
Oxóssi, Orixá da caça e da fartura.
Logunedé, Orixá jovem da caça e da pesca
Xangô, Orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
Xapanã (Obaluaiyê/Omolu), Orixá das doenças epidérmicas e pragas.
Oxumarê, Orixá da chuva e do arco-íris.
Ossaim, Orixá das ervas medicinais e seus segredos curativos.
Oyá ou Iansã, Orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestade, e do Rio Niger
Oxum, Orixá feminino dos rios, do ouro e amor.
Iemanjá ou Yemanjá, Orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de todos os Orixás de origem yorubana.
Nanã, Orixá feminino dos pântanos e da morte, mãe de Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê, Ossaim e Yewá, orixás de origem daomeana.
Yewá, Orixá feminino do Rio Yewa, senhora da vidência, a virgem caçadora.
Obá, Orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô juntamente com Oxum e Iansã.
Axabó, Orixá feminino da família de Xangô
Ibeji, Orixás gêmeos
Iroko, Orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna.
Onilé, Orixá relacionado ao culto da terra.
OrixaNlá (Oxalá) ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos
Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, Orixá da Adivinhação e do destino.
Odudua, Orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
Oranian, Orixá filho mais novo de Odudua.
Baiani, Orixá também chamado Dadá Ajaká.
Olokun, Orixá divindade do mar.
Olossa, Orixá divindade das lagoas.
Oxalufon, Orixá velho e sábio.
Oxaguian, Orixá jovem e guerreiro.
Orixá Oko, Orixá da agricultura.

África
Na África cada Orisha estava ligado a uma cidade ou a um país inteiro. Tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.
Sàngó em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondô, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inixá, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbô.
A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.

Brasil
No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.

O Culto de Ifá só inicia Babalawos, não entram em transe.
O Culto aos Egungun só inicia Babaojés, não entram em transe.
O Candomblé Ketu inicia Iaôs, entram em transe com Orixá.
O Candomblé Jeje inicia Iaôs, entram em transe com Vodun.
O Candomblé Bantu inicia Iaôs, entram em transe com Nkisi.

Em cada templo religioso são cultuados todos os Orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os Orixás.

Alguns Orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses Orixás.

A Iyalorixá é a responsável pela iniciação dos Iaôs e pelo culto de todo e qualquer Orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.

Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros os Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses Orixás que são cultuados em locais separados dos outros.

Cuba
Santeria

Haiti

Ver também
Tabela Orixas-Voduns-Nkisis
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terça-feira, 28 de agosto de 2007

afonso henriques de lima barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro, 13 de Maio de 1881 - Rio de Janeiro, 1º de Novembro de 1922) foi um jornalista e escritor brasileiro.

Era filho de João Henrique de Lima Barreto (mulato nascido escravo) e de Amália Augusta (filha de escrava agregada da família Pereira Carvalho). Seu pai foi tipógrafo. Aprendeu a profissão no Imperial Instituto Artístico, que imprimia o famoso periódico A Semana Ilustrada. Sua mãe foi educada com esmero, sendo professora da 1º á 4º séries. Ela morreu cedo e Manoel Joaquim trabalhou muito para sustentar os quatro filhos do casal, como tipógrafo. Manoel Joaquim era monarquista, ligado ao Visconde de Ouro Preto, padrinho do futuro escritor. Talvez as lembranças saudosistas do fim do período imperial no Brasil, bem como suas remotas lembranças da Abolição da Escravatura na infância viriam a exercer influência sobre a visão crítica de Lima Barreto sobre o regime republicano.

Lima Barreto, mulato e portanto vítima do racismo num Brasil que mal acabara de abolir oficialmente a escravatura, teve oportunidade de boa instrução escolar. Seus primeiros estudos foram realizados na cidade do Rio de Janeiro. Logo depois transferiu-se para a única instituição pública de ensino secundário da época, o conceituado Colégio Pedro II, cujos estudantes eram oriundos basicamente da elite econômica. No ano de 1895 foi admitido no curso da Escola Politécnica, no Rio de Janeiro porém foi obrigado a abandoná-lo em 1904 para assumir o sustento dos irmãos, porquanto seu pai enlouquecera. Tendo sido repetidamente reprovado por não se interessar muito pelas matérias - passsava as tardes na Biblioteca Nacional -, deixou de graduar-se em Mecânica. Data dessa época sua entrada no Ministério da Guerra como amanuense, por concurso. O cargo, somado às muitas colaborações em diversos órgãos da imprensa escrita, garantia-lhe algum sustento financeiro. Não obstante, o escritor, que só veio a ser reconhecido fundamental para a Literatura Brasileira após seu precoce falecimento, cada vez mais deixava-se consumir pelo alcoolismo e por estados emocionais caracterizados por crises de profunda depressão e morbidez.

Lima Barreto começou a sua colaboração na imprensa desde estudante, em 1902, colaborando no A Quinzena Alegre, depois no Tagarela, O Diabo, e na Revista da Época. Em jornais de maior circulação, comessou em 1905, escrevendo no Correio da Manhã,uma série de reportagens, sobre a demolição do Morro do Castelo. Daí em diante, colabora em vários jornais e revistas, Fon-Fon, Floreal, Gazeta da Tarde, Jornal do Commercio, Correio da Noite, A Noite, (onde publica em folhetins, Numa e a Ninfa), Careta, A.B.C, um novo A Lanterna (vespertino), Brás Cubas (semanário), Hoje, Revista Souza Cruz e O Mundo Literário.

Em 1911 editou com amigos a revista Florestal, que conseguiu sobreviver apenas até a segunda edição, mas despertou a atenção de alguns poucos críticos. 1909 foi o ano de sua estréia como escritor de ficção, publicando, em Portugal, o romance Recordações do Escrivão Isaías Caminha. A narrativa de Lima Barrreto nesse primeiro livro, pincelada com indisfarçáveis traços autobiográficos, mostra uma contundente crítica à sociedade brasileira, por ele considerada preconceituosa e profundamente hipócrita, até mesmo os bastidores da imprensa opinativa é alvo de sua narrativa mordaz, inspirados na redação do Cartas da Tarde. Em 1914 começou a publicação, em formato de folhetins no Jornal do Dia, de sua mais importante obra, Triste Fim de Policarpo Quaresma, que um ano mais tarde foi editado em brochura e considerado pela crítica especializada como basilar na escola Pré-Modernista.

Entre os leitores, as duas obras anteriormente citadas alcançaram algum êxito, o que não impediu que o autor sofresse severas críticas de outros escritores da época. Baseavam-se elas no fato de Lima fugir, conscientemente, do padrão empolado de escrever que à época vigorava. Chamavam-no "relaxado" por não usar o português castiço e utilizar uma linguagem mais coloquial, muito própria de quem militava na imprensa. Incomodava também o fato de seus personagens não seguirem o "molde" vigente, que impunha limites à criação e exaltava determinadas características psicológicas. Não à toa viu frustradas suas tentativas de ingressar na Academia Brasileira de Letras. A respeito de seus impiedosos e inimigos críticos, Lima acusava-os de fazerem da literatura não uma arte e sim algo mecânico, uma espécie de "continuação do exame de português jurídico".

Simpático ao Anarquismo passou a militar na imprensa socialista.
Sua vida foi atribulada pelo alcoolismo e por internações psiquiátricas, ocorridas durante suas crises severas de depressão - à época era um dos sintomas pertencentes ao diagnóstico de "neurastenia", constante de sua ficha médica - vindo a falecer aos 41 anos de idade.

As obras
Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares.

Em sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boêmios e os arruinados.
Foi severamente criticado pelos seus contemporâneos parnasianos por seu estilo despojado, fluente e coloquial, que acabou influenciando os escritores modernistas.
Lima Barreto queria que a sua literatura fosse militante. Escrever tinha finalidade de criticar o mundo circundante para despertar alternativas renovadoras dos costumes e de práticas que, na sociedade, privilegiavam pessoas e grupos. Para ele, o escritor tinha uma função social.

Obras
1905 - O Subterrâneo do Morro do Castelo
1909 - Recordações do Escrivão Isaías Caminha
1915 - Triste Fim de Policarpo Quaresma
1919 - Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá
1920 - Cemitério dos Vivos
1920 - Histórias e Sonhos
1923 - Os Bruzundangas
1948 - Clara dos Anjos (póstumo)
1952 - Outras Histórias e Contos Argelinos
1953 - Coisas do reino de Jambom
1997 - O homem que sabia javanês e outros contos

Curiosidade
Foi homenageado, no Carnaval carioca de 1982, pela Escola de Samba GRES Unidos da Tijuca, com o samba-enredo "Lima Barreto, mulato pobre mas livre".

Ver também
BARRETO, Lima, Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001.
BARBOSA, Francisco de Assis. A vida de Lima Barreto. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 2002.
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Origem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Henriques_de_Lima_Barreto

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

joão de camargo

João de Camargo é o nome de um religioso brasileiro, também considerado santo popular, milagreiro e preto-velho, que nasceu no dia 16 de maio de 1858, na fazenda dos Camargo Barros, bairro dos Cocaes em Sarapuí, e viveu em Sorocaba, no Estado de São Paulo, onde criou a Igreja do Bom Jesus do Bonfim das Águas Vermelhas.

Nascido escravo, herdou o sobrenome de seu antigo dono. Após a Lei Áurea, foi liberto e mudou-se para Sorocaba, onde foi cozinheiro, militar, trabalhador de lavoura e de olarias.

Saiu da cidade por duas vezes, onde numa dessas vezes, conheceu Escolástica do Espírito Santo, que veio a ser sua esposa, porém ambos viveram juntos por apenas cinco anos, logo se separando.

Desde jovem recebeu muitas influências religiosas, das religiões africanas, através de sua mãe, e do Cristianismo, através de sua sinhazinha Ana Teresa de Camargo, e do padre João Soares do Amaral. Através dessas diversas influências, sua fé tornou-se uma espécie de sincretismo entre várias religiões.

Nhô João, como mais tarde viria a ser chamado, segundo seus devotos, já praticava curas desde 1897, porém durante a vida, teve muitos problemas com o alcoolismo, o que lhe impediriam de assumir plenamente sua missão. Em 1906, teria tido uma visão que lhe curou do vício na bebida, fazendo-lhe dedicar-se completamente ao projeto de criar a sua igreja, no distante bairro das Águas Vermelhas. Processado por curandeirismo em 1913, Nhô João decidiu, para proteger a nova religião, registrá-la oficialmente como Associação Espírita e Beneficente Capela do Senhor do Bonfim, reconhecida como pessoa jurídica em fevereiro de 1921.

Também foi o fundador, em 1915, do Grupo Musical São Luís, que animava cordões carnavalescos de Sorocaba.

João de Camargo faleceu no dia 18 de setembro de 1942 em Sorocaba.

Sobre sua vida, foram escritas inúmeras biografias por famosos escritores brasileiros. Em 2003, foi homenageado no enredo da escola de samba paulistana Império de Casa Verde. O desfile contou com a participação do ator Paulo Betti, que é devoto de Nhô João e produziu o filme* Cafundó, sobre sua vida.

Referências Externas: [1] [2] [3]
(*) Treiler do filme:

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quinta-feira, 23 de agosto de 2007

seu carlão do peruche e a festa de pirapora

Era agosto. Da Barra Funda, a gente pegava o trem e ia até a esta- çãozinha de Barueri. Dali, cada qual como podia, faltava chão pela estrada dos Romeiros: uns de cavalo, outros de carro-de-boi, os mais humildes, a pé mesmo. Era época santa, época do Santo, Bom Jesus. Pirapora. O que se havia prometido, devia de ser cumprido, o que devia ser conseguido, havia de ser prometido. O Santo faz milagres. O Santo cura.

Mamãe, católica, me pegava num braço, rumo à missa. Papai, fagueiro, pegava no outro, ao barracão. O coração generoso de mamãe não vencia o braço forte de papai. Só depois de velho conheci a Igreja. Nasceu, jogou, caiu sentado é Padre, caiu de pé é Sambista. Assim as linhas tortas escrevem o nosso destino. E é preciso cair de pé para sobreviver. Tiririca faca de ponta, capoeira tem que pegá.

Lá dentro, gente dormia, gente cozinhava, a raça jongava. Mulheres de um lado, homens do outro. O chefe do samba punha a mão no bumbo, sinal de silêncio, atenção, o ponto é lançado: eu vi jogo de mão, eu vi jogo de pé, eu vi bola virá, eu não vi como é. Um mistério, quem não sabe não desata, deixa cantá. E o mistério tomava conta. Zé Soldado, Pai João, Zé Mundão, Isidoro, desafios de bamba, criança espreitava, a noite corria na areia. Enquanto nós bebe pinga essa samba não arreia.

Só assim pra aprender as mumunhas do samba e da arte da sobrevivência. Dos bailes nos porões do Bixiga, dançando com a cabeça curvada, até a minha primeira escola, a Lavapés, encarando os bambas mais sinistros para fazer valer a palavra da Nossa Madrinha Eunice, sapateei, perneei, saracoteei, naquele tempo as coisas eram na mão. Assim se faz um bamba, cidadão-samba.

Da Barrela pra tirar as manchas da roupa, do domínio público pra tirar os hômi da área, do samba pra tirar a lua pro escuro do beco, da lata de graxa pra tirar o samba que a lua ilumina, de todos os esforços do mundo pra tirar a escola da quadra pra avenida. Alegrias ladinas, áfricas memórias.

Tempos idos, saudade e devoção me chamam à Pirapora. Não há mais barracão, mas o samba ainda pulsa nos requebros lúcidos de uma senhora louca, enquanto houverem moinhos, haverão quixotes. Meu olhar se perde, os olhos marejam. De repente um aperto no braço. É uma senhora: menino, tu não é filho de Zeca e Maria ? Desde então, percebi que o tempo não passa.

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Texto de Marcelo Benedito Abruzzini (Movimento Cultural Projeto Mosso Samba de Osasco)

toniquinho batuqueiro

A vida de Toniquinho Batuqueiro, nascido a 25 de fevereiro de 1929 em Pau Queimado - Piracicaba, compõe um verdadeiro quadro da história do samba paulistano.

Instalando-se a princípio no Parque Peruche, na capital, local de importante fixação de negros vindos das chamadas zonas batuqueiras do oeste paulista (onde ocorre o "Batuque de umbigada" ou "Tambu" pelos seus dançadores, e também o "Samba Rural Paulista" assim denominado por Mário de Andrade) circulou por todos os pontos de samba e tiririca (espécie de capoeira de sotaque paulista) na cidade, como a Vila Maria, a Vila Santa Maria, Casa Verde, Largo da Banana, Largo das Perdizes, área sul da Sé.Ainda no tempo do bonde, veio trabalhar como engraxate na Praça da Sé onde conviveu com bambas como Geraldo Filme, Synval e Germano Mathias.

O ponto, naquele tempo, era bom para engraxates, como dizia Toniquinho, pois todos os bondes vinham para a Praça da Sé trazendo o povo com o pé todo cheio de lama, já que eram poucas as ruas asfaltadas naquele São Paulo antigo.

Todo final de expediente terminava em batucada na lata de graxa e em uma ou outra roda de tiririca, sempre com muita atenção contra a rigorosa perseguição policial. Após uma estada no Rio, onde morou na Lapa trabalhando como entregador de pão, retorna à São Paulo, onde participa da formação da Unidos do Peruche e da Unidos da Vila Maria. Nesse período instala-se em Osasco, na grande São Paulo, na qual desenvolveu alguns projetos como a desativada Praça do Samba, espaço para o cultivo de velhos e apresentação de novos talentos.

A vivência musical de Toniquinho, mesclando informações do Tambu vivido na infância com influências das marchinhas do carnaval carioca e paulista, todas remexidas no caudilho musical negro que eram as Festas de Bom Jesus do Pirapora, fizeram de Toniquinho um dos maiores ritmistas do país, talento reconhecido por nomes como Mestre Fuleiro do Império Serrano, e também por sua profunda vivência como juri de bateria nos diversos concursos carnavalescos pelo país.

Sua convivência com Plínio Marcos também se destaca, personalidade que ainda lhe inspira profunda devoção. Nos anos de chumbo da ditadura, Toniquinho, Geraldo e Zeca da Casa Verde gravam o antológico "Plínio Marcos em Prosa e Samba", hoje objeto de colecionadores, onde contam e cantam suas histórias. Esse mesmo grupo participa de várias peças teatrais criadas pelo Plínio, compondo ou interpretando a si mesmos, como na peça Barrela, que mostra o cotidiano de uma típica cela de prisão.

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O texto é de Marcelo Benedito Abruzzini (Mov. Cultural Projeto Mosso Samba de Osasco)

hélio romão de paula ou, simplesmente, hélio bagunça

Foi em 1951, menino ainda, que Hélio Romão de Paula fez contato com o samba pela primeira vez. Escondido da mãe – “Eu não sabia qual era a opinião dela sobre festas desse tipo e achei melhor não perguntar”, lembra ele, com um sorriso ainda maroto, mais de 50 anos depois – fez uma fantasia com as cores do grupo e foi dançar no salão do Campos Elíseos, antigo cordão carnavalesco da Barra Funda, já desaparecido. Ele se recusa a dizer, ainda hoje, qual era, afinal, a opinião da mãe sobre o carnaval, o que faz supor que não fosse muito favorável. Qualquer que fosse ela, porém, Hélio nunca mais se afastou das rodas de samba das quais se tornou personagem histórico com o apelido de “Bagunça”. Hélio Bagunça.

Bagunceiro o garoto Hélio certamente era. Tanto assim que dois anos depois daquele encontro inicial com o carnaval, ele já fazia outra traquinagem, participando do pequeno grupo de sambistas que, agrupados em torno de Inocêncio “Mulata” Tobias, recriou o antigo Grupo Carnavalesco Barra Funda, fechado desde 1939, agora com o nome de Cordão Carnavalesco Camisa Verde e Branco. Não era brincadeira para qualquer menino. Para impedir que estranhos invadissem as alas, atrapalhando os passistas, os cordões saíam protegidos por uma corda sustentada por jogadores de capoeira e “tiririca” que repeliam os penetras. Hélio sempre sambou perto das cordas.

E o sucesso era tão grande que já no ano seguinte à refundação, o cordão ganharia o carnaval comemorativo do IV Centenário da cidade de São Paulo.Hélio também estava presente quando, em meados dos anos 60, o Camisa Verde foi obrigado a ir desfilar na Bela Vista, território do arquirival Vai-Vai. Na época, os organizadores do carnaval costumavam marcar o desfile dos três maiores cordões da cidade – Camisa Verde, Fio de Ouro e Vai-Vai – para dias diferentes e ninguém podia prever o que aconteceria quando eles se encontravam. Mas mesmo assim, lá se foram Hélio e seus companheiros, arrastando alas, carros alegóricos e instrumentos da bateria para o Bexiga. O resultado? - Foi um “fusuê” – ele define com uma gargalhada.

Hélio lembra com saudade e bom humor daqueles tempos heróicos do samba paulista. E com especial carinho de “seu” Inocêncio – somente os muito íntimos, ou valentes, para chamá-lo de “Mulata” – e, principalmente de sua mulher, a “Tia Sinhá”, espécie de anjo-da-guarda da garotada do cordão. "Ela estava sempre ali, tratando de assuntos bons e ruins, cuidando dos grandes e também dos moleques", lembra Hélio Bagunça. "Parece até que ela adivinhava. Várias vezes nós estávamos com uma fome danada e, de surpresa, ela fazia um jantarzinho para nós". Ou então se juntava às outras mulheres do cordão para, comandadas por uma cozinheira conhecida como “Dona Dulce”, preparar um angu à baiana para ajudar a fazer caixa e pagar o tecido das fantasias. O sucesso era tão grande que até artistas, como Jair Rodrigues, e jogadores de futebol famosos apareciam para provar da ótima comida.

No Camisa Verde, Hélio conviveu com os grandes bambas da época, como Walter Gomes de Oliveira, o “Pato N’Água”, valente e o melhor diretor de bateria da época, que foi do Vai-Vai e do Camisa Verde. Naqueles tempos, diretor de bateria que se prezasse controlava todos os músicos ao som de um apito. “Pato N’Água”, querido pelas mulheres e respeitado pelos homens, não apenas dirigia a orquestra, determinando breques para os solos de instrumentos como fazia questão de “chamar” um breque total, quando tocava o Hino Nacional com o apito.

Memória viva do samba paulistano, Hélio já não faz mais bagunça. Nos últimos anos ele acostumou-se a desfilar pelo Pólo – ele não gosta de chamar o Pólo Cultural e Esportivo Grande Otelo de sambódromo – ostentando o título de Cidadão Samba do Carnaval Paulistano. Se sua mãe soubesse qual seria o resultado daquela primeira travessura, certamente não ficaria zangada.

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Texto de: Letícia Delamare

chica da silva - francisca da silva de oliveira

A verdadeira história de Chica da Silva traça o perfil de uma mulher de personalidade e líder feminina, algo difícil em uma época marcada pela discriminação, primeiramente por ser mulher, e principalmente negra em um país escravocrata.

Chica era uma das poucas escravas que sabia ler e escrever. Supõe-se que seja filha de um senhor com uma escrava. Foi libertada a pedido do contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. Dificilmente continuaria escrava, pois morava na Vila do Príncipe, com o presidente do Senado da Câmara, com o qual já se encontrava junto antes do contratador.

Tinha o poder de dominar os poderosos com toda a sua astúcia, era considerada uma autêntica mineira. Era conhecida como Chica que manda, pois todos os favores pedidos ao contratador teriam que passar pelo seu crivo.

Viveu e morreu no Arraial do Tijuco, atual distrito de Diamantina (MG). E a autenticidade de Chica também marcou a sua história, não apenas pelo seu poder de conquista e de mando que exercia sobre seus amantes, mas soube aproveitar as oportunidades em benefício dos seus desejos e excentricidades, por exemplo: castelo em estilo medieval em sua Chácara da Palha; ia à igreja coberta de diamante e acompanhada por doze mucamas ricamente vestidas; usava cabeleira anelada cobrindo sua cabeça raspada; tinha um pequeno navio para navegar no mar que mandou construir; era considerada uma patrocinadora da arte, afinal o único teatro permitido era de sua propriedade; banda de música à sua disposição; duas capelas; jardim de plantas exóticas importadas, cascatas artificiais, fontes, tanques para pescaria, etc.

Logo após sua alforria já era proprietária de um sobrado e alguns escravos, demonstrando que procurava inserir-se no mundo livre do arraial, incorporando seus costumes e adquirindo os necessários para se fazer respeitada. Chica seguia atentamente todos os hábitos das senhoras da elite mineira.

Seus desejos eram uma ordem. Os melhores lugares nos templos eram reservados para ela. A nobreza do Arraial do Tijuco e até mesmo os visitantes curvavam-se e beijavam a sua mão.

Chica era uma mãe muito zelosa e presente e reforçou os seus cuidados quando seu marido voltou a Portugal, para prestar contas à coroa. Teve treze filhos, 9 mulheres e 4 homens, educou suas filhas no Recolhimento de Macaúbas, melhor educandário da região, reservado apenas para moças ricas; também teve um filho seminarista que mais tarde tornou-se padre. Uma das coisas que mais a incomodava era o preconceito sofrido por suas filhas, que não poderiam ocupar cargos de importância na comunidade e nem usar véu branco. Afirmavam que não tinham sangue puro. Com isso, Chica as tirou do convento, encaminhando-as para outros lugares que achava conveniente.

O mito se popularizou em nossos dias. Chica é conhecida como uma mulher imoral que usava da sua sensualidade para conseguir as regalias que queria. Isto nada mais é do que o resultado de um dos estereótipos do papel da mulher negra na sociedade colonial, sendo este construído pelos próprios historiadores, a partir do século XIX. Chica apareceu como personagem histórica pela primeira vez nos textos de Diamantina, publicados pelo jornal O Jequitinhonha. Depois reunidos nos livros Memórias do Diamantina, onde mais uma vez sua imagem foi deturpada.
Sua trajetória foi de luta para tentar diminuir o estigma que a cor e a escravidão lhe impuseram.

Faleceu no dia 15 de fevereiro de 1796, no Arraial do Tijuco. Foi enterrada na Igreja de São Francisco de Assis, irmandade reservada para elite branca do arraial. O cortejo foi acompanhado até à sepultura por todas as irmandades a que pertencia. De acordo com suas disposições testamentárias, foram rezadas 40 missas para sua alma na igreja das Mercês, que reunia os pardos e mulatos.

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Fonte: O olhar da Mulher Negra : o resgate de Chica da Silva
Publicação Fundação Cultural Palmares 2000

Foto: http://fotos.sapo.pt/hsf/pic/0004yczw/

brandina

Atuante no movimento abolicionista de Santos, na segunda metade do século passado, Brandina era proprietária de uma pensão na antiga rua setentrional, hoje Praça da República.

Embora de origem humilde, usava o ganho do seu trabalho para dar comida, fumo e remédio aos negros que se refugiavam na Baixada Santista, colaborando ativamente com os cabos abolicionistas e com Santos Garrafão, que organizou um dos grandes quilombos de Santos: o Quilombo de Santos Garrafão.

A personalidade forte e destemida, além da qualidade de protetora tornou Brandina uma das figuras mais queridas entre os negros quilombolas da Baixada Santista.

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Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

hitler, um produto norte-americano

O textos a seguir, postados por sugestão de meu cama- rada Andrei, versam brevemente sobre a eugenia e sua origem; sobre a (pseudo) ciência ligada política e ideologicamente à intolerância étnica/racial e foram escritos por conta do livro: A Guerra Contra os Fracos de Edwin Black.



O lado escuro da América (Revista Veja - 21/01/2004)
por Jerônimo Teixeira

Livro mostra como cientistas dos Estados Unidos foram pioneiros nas práticas de "limpeza racial"


Em 1934, quando Hitler completava um ano no poder, um médico americano protestava em um jornal da Virgínia: "Os alemães estão nos vencendo em nosso próprio jogo". O nome do jogo era eugenia, e suas regras eram simples: "incapazes" e membros de raças "inferiores" deveriam ser impedidos de se reproduzir, em prol dos melhores espécimes humanos, previsivelmente de olhos claros e cabelos louros. O placar a favor dos alemães era mantido pelas cifras de esterilização. O obscuro médico que elogiou os nazistas estava certo sobre a vitória deles: o programa de esterilização na Alemanha vitimava em média 5.000 pessoas por mês. Mas ele também estava certo em afirmar que aquele era um jogo dos americanos. Em A Guerra contra os Fracos (tradução de Tuca Magalhães; A Girafa; 860 páginas; 68 reais), o jornalista Edwin Black demonstra que os Estados Unidos foram pioneiros no racismo científico que conduziria ao holocausto europeu. Black é conhecido por IBM e o Holocausto, no qual revelava que a IBM prestou serviços de processamento de dados fundamentais para os levantamentos raciais do nazismo. A Guerra contra os Fracos é uma empreitada histórica mais alentada. Black coordenou uma equipe de mais de cinqüenta pesquisadores, que devassaram arquivos e bibliotecas na Europa e nos Estados Unidos, reunindo mais de 50.000 documentos. O resultado final é um painel surpreendente da pseudociência racista no século XX.

A palavra "eugenia" foi cunhada pelo cientista inglês Francis Galton no fim do século XIX. Primo de Charles Darwin, Galton acreditava que o talento era hereditário. Sua utopia era a implementação de uma eugenia positiva, que encorajasse os mais talentosos a cruzar entre si. Os americanos desenvolveriam essas idéias em outro sentido. Investiram na eugenia negativa, cujo objetivo era impedir a reprodução dos supostamente inferiores. O papa da eugenia americana foi o biólogo Charles Davenport. Fruto de uma rígida educação puritana, ele traduziria seus preconceitos em linguagem científica, erguendo a raça nórdica como padrão de qualidade genética. Em 1904, Davenport montou um laboratório experimental em Cold Spring Harbor, Long Island, no qual muita pesquisa genética legítima seria realizada – o laboratório existe até hoje e já teve até James Watson, um dos descobridores da hélice dupla do DNA, entre seus diretores. Mas Cold Spring Harbor também abrigou um escritório de registro dedicado a coletar dados sobre linhagens humanas. Seus pesquisadores percorriam o país, visitando prisões e hospícios, na tentativa de descobrir padrões hereditários para o crime e até mesmo para a pobreza. Orientadas por uma paródia de método científico, essas pesquisas foram amparadas por algumas das maiores fortunas americanas – a Fundação Rockefeller estava entre os financiadores de Davenport.

A eugenia conseguiu se infiltrar na sociedade americana ao longo das primeiras décadas do século XX, exercendo influência sobre várias políticas públicas. Nos anos 20, por exemplo, a legislação do Estado da Virgínia proibiu índios, negros e mestiços de contrair matrimônio com brancos "puros". Pela mesma época, Harry Laughlin, um dos mais raivosos colaboradores de Davenport, tornou-se consultor científico do Congresso para assuntos relacionados à imigração. Em 1922, ele apresentou um relatório em que dizia: "Particularmente no campo da insanidade, as estatísticas indicam que os Estados Unidos, nos últimos anos, têm sido um despejadouro para os habitantes mentalmente instáveis de outros países. Essas degenerações e incapacidades hereditárias são inerentes ao sangue". Seu trabalho foi fundamental para dar respaldo à lei que, em 1924, impôs cotas raciais à imigração. A nova lei restringiu a entrada de italianos, judeus e eslavos, privilegiando os imigrantes de cepa nórdica.

Até Hollywood se rendeu à eugenia: o filme The Black Stork (A Cegonha Negra), de 1917, defendia a eutanásia de bebês com defeitos congênitos. O astro principal era Harry Haiselden, médico de Chicago polêmico por ter admitido publicamente que negava cuidados a recém-nascidos deficientes. O carro-chefe da campanha eugenista era a esterilização compulsória. Em 1927, a Suprema Corte, órgão máximo do Judiciário americano, ratificou a determinação de esterilizar Carrie Buck, mãe solteira de 18 anos que os médicos tacharam de "débil mental" (a classificação era muito elástica, incluindo qualquer um que não tivesse educação formal). O caso fixou a jurisprudência sobre o tema e abriu as comportas para vários programas estaduais de esterilização, alguns dos quais seguiram em atividade até os anos 70. Black calcula que cerca de 60.000 americanos foram esterilizados.

Com essas realizações, não é de surpreender que os americanos trocassem figurinhas com seus colegas alemães. Nos anos que antecederam a II Guerra, o Eugenical News, órgão oficial da eugenia americana, estampava artigos elogiando as políticas raciais do nazismo – alguns chegavam quase a lamentar a existência da democracia, incômodo obstáculo para as mais saudáveis práticas eugênicas adotadas pelo totalitarismo alemão. No pós-guerra, os campos de concentração seriam fonte de constrangimento para muitos cientistas, dos dois lados do Atlântico. Hoje, a própria palavra "eugenia" tem uma aura maldita.



Raízes do Holocausto (REVISTA ISTO É: 21/03/04)
Cláudio Camargo

Adolf Hitler copiou de eugenistas americanos política que eliminava "raças inferiores"

Algumas palavras ficaram tão associadas a crimes aberrantes que simplesmente desapareceram do vocabulário corrente. É o caso da "eugenia" ou "higiene racial", um movimento racista e pseudocientífico surgido no início do século XX que classificava as pessoas segundo a hereditariedade, esterilizando os "incapazes" (doentes mentais, epilépticos, alcoólatras, criminosos comuns, deficientes visuais, pobres, mas também negros, judeus, poloneses...) com o objetivo de preservar e ampliar a "raça superior", branca e nórdica. Embora tenha sido aplicada em escala industrial e genocida apenas na Alemanha nazista, a eugenia tomou corpo e ganhou forma e robustez nos EUA. Os epígonos de Hitler apenas copiaram e universalizaram o modelo. Essa incrível história, pouco conhecida, é contada agora, num minucioso relato, em A guerra contra os fracos - a eugenia e a campanha norte-americana para criar uma raça superior (editora A girafa, 860 páginas), do jornalista americano Edwin Black.

Nos domínios de Tio Sam, berço da democracia moderna, a eliminação de grupos étnicos indesejáveis não foi perpetrada por sinistras tropas de assalto, como no III Reich, mas por "respeitados professores, universidades de elite, ricos industriais e funcionários do governo". Criada na Inglaterra no século XIX pelo matemático Francis J. Galton, a eugenia (composta do grego "bem nascido") atravessou o oceano e encontrou campo fértil em terras americanas. Sob a batuta do zoólogo Charles Davenport, o movimento eugenista obteve apoio de instituições renomadas, como a Carnagie Institution - que montou a primeira empresa de eugenia em Long Island -, da Fundação Rockefeller e de uma plêiade de acadêmicos, políticos e intelectuais.

O movimento cativou tanto a elite americana da época que, a partir de 1924, leis que impunham a esterilização compulsória foram promulgadas em 27 Estados americanos, para impedir que determinados grupos tivessem descendentes. Uma vasta legislação proibindo ou restringindo casamentos também foi criada para barrar a miscigenação. Confrontada com tamanha violação dos princípios da Constituição americana, a Suprema Corte deu sua bênção à eliminação dos mais fracos. "Em vez de esperar para executar descendentes degenerados por crimes, a sociedade deve se prevenir contra aqueles que são manifestadamente incapazes de procriar sua espécie", disse o juiz Oliver Wendell. Entre os anos 1920 e 1960 pelo menos 70 mil americanos foram esterilizados compulsoriamente - a maioria mulheres.

Edwin Black, que ficou famoso em 2001 com o best-seller 'A IBM e o Holocausto', lembra que a cruzada eugenista de Tio Sam não foi apenas um crime doméstico. "Os esforços americanos para criar uma super-raça nórdica chamaram a atenção de Hitler." Antes da guerra, os nazistas praticaram a eugenia com total aprovação dos cruzados eugenistas americanos. Não sem uma ponta de inveja, claro: "Hitler está nos vencendo em nosso próprio jogo", declarou em 1934 Joseph DeJarnette, superintendente do Western State Hospital, da Virgínia.

Desmascarado pelo genocídio hitlerista, o antes arrogante movimento eugenista baixou a guarda. Mesmo assim, entre 1972 e 1976, hospitais de quatro cidades esterilizaram 3.406 mulheres e 142 homens. Muitas mulheres pobres foram ameaçadas com a perda de benefícios sociais ou mesmo a guarda dos filhos.

Condenada pela comunidade acadêmica em 1977, a eugenia escondeu o rosto e buscou refúgio nos cromossomos da engenharia genética. Mas, assim como no passado a eugenia contaminou causas sociais, médicas e educacionais importantes, hoje ela pode inocular o vírus da intolerância em projetos científicos fundamentais, como o genoma e o processo de clonagem para fins terapêuticos. Afinal, é sabido que, ao brincar de Deus, o homem costuma fazer a obra do diabo.


----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Origem: http://www. submarino .com.br/

Saiba mais: http://resistir.info/eua/raizes_nazismo_eua.html#notas

gérson king combo

Gerson "King" Combo nasceu na cidade do Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Considerado "Soul Man" nacional, Gerson iniciou na carreira artística fazendo dublagem , no famoso programa "Jair de Taumaturgo", em seguida seu irmão Getúlio Cortes (autor de "Negro Gato", um sucesso na voz de Roberto Carlos) o levou para dançar no programa Jovem Guarda, apresentado por nada menos que o próprio Roberto.

Influenciado pela música negra, Gerson cantou nas bandas de Erlon Chaves e Wilson Simonal e fez parte do embrião da Banda Black Rio. Em carreira solo adotou o nome Gerson King Combo (alusão a uma banda de soul music chamada King Curtis Combo). Seu estilo "James Brown" causou sensação e foi aclamado o rei dos bailes blacks cariocas e começou a gravar sucessos como: "Mandamentos Black, "Jingle Black", "o Rei Morreu", entre outros, e seu último sucesso gravado foi em 1984, a "Melô do Mão Branca".

Com a queda do movimento Black dos anos 1980 no cenário musical, o rei entrou em seu exílio. Retornou nos anos 1990 fazendo alguns shows e gravando o disco "Mensageiro da paz".

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origem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gérson_King_Combo

benedida da silva - benê

Benedita da Silva nasceu no dia 11 de março de 1942 na favela da Praia do Pinto (RJ), de onde mudou-se, muito cedo, para o Morro do Chapéu Mangueira, no Leme, onde viveu durante 57 anos.

Formada em Assistência Social e licenciada em Estudos Sociais, Bené é fundadora e primeira presidente do Departamento Feminino da favela Chapéu Mangueira, onde exerce também a função de professora na escola Comunitária local, no Rio de Janeiro.

Em 1982 foi eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores - PT e foi líder do partido na Câmara. Como vereadora organizou o 1º e o 2º Encontro de Mulheres de Favelas e Periferia, que deu origem ao CEMUFP.

É conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e integrante da Comissão de defesa dos Direitos da Mulher no Estado do Rio de Janeiro.

Em 15 de novembro de 86, Benedita da Silva, enfrentando sua tríplice discriminação (negra, mulher e pobre), se elege Deputada Federal Constituinte pelo PT do Rio. Em 01/02/87, Benedita da Silva tomou posse em Brasília com a única constituinte negra. Estava com dengue, doença típica da população pobre.

Depois de reeleger-se em 1990, Benedita da Silva candidatou-se à Prefeitura do Rio de Janeiro. Venceu no primeiro turno, no entanto, perdeu no segundo para César Maia. Em 2001, presidiu a Conferência Nacional de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, que reuniu mais de dez mil pessoas de todo país, entre lideranças de ONGs e governos.

Em 1994, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar uma vaga no Senado, com mais de 2,2 milhões de votos. Foi eleita vice-governadora do Rio de Janeiro em 1998 na chapa de Anthony Garotinho e assumiu o governo em abril, tornando-se a primeira mulher negra a governar um Estado brasileiro.

Em 2003, no governo Lula, assumiu a Secretaria da Assistência e Promoção Social, com status de ministra, cargo que ocupou até janeiro de 2004, tornando-se a primeira mulher negra a atingir essa posição na política brasileira.

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Fonte: Centro de Documentação Carolina de Jesus/CCMN