domingo, 6 de novembro de 2011

segundo minha mãe, meu orí é de...

-->
Logun-Edé, chamado geralmente apenas de Logun, é o ponto de encontro entre os rios e florestas, as barrancas, beiras de rios, e também o vapor fino sobre as lagoas, que se espalha nos dias quentes pelas florestas. Logun representa o encontro de naturezas distintas sem que ambas percam suas características. É filho de Oxóssi com Oxum, dos quais herdou as características. Assim, tornou-se o amado, doce e respeitado príncipe das matas e dos rios, e tudo que alimenta os homens, como as plantas, peixes e outros animais, sendo considerado então o dono da riqueza e da beleza masculina. Tem a astúcia dos caçadores e a paciência dos pescadores como principais virtudes.

Dizem os mitos que sendo Oxóssi e Oxum extremamente vaidosos, não puderam viver juntos, pois competiam pelo prestigio e admiração das pessoas e terminaram separando-se. Ficou combinado entre eles que Logun-Edé viveria seis meses nas águas dos rios com Oxum e seis meses nas matas, com seu pai Oxóssi. Ambos ensinariam a Logun a natureza dos seus domínios. Ele seria poderoso e rico, além de belo.

No entanto, o hábito da espreita aprendido com seu pai, fez com que, um dia, curioso a respeito da beleza do corpo de sua mãe, de que tanto se falava nos reinos das águas, Logun-Edé vestindo-se de mulher fosse espiá-la no banho. Como Oxum estivesse vivendo seu romance com Xangô, tio de Logun, e Xangô tivesse exigido como condição do casamento que ela se livrasse de Logun, Oxum aproveitou a oportunidade para punir Logun com sua transformação num orixá meji (hermafrodita) e abandoná-lo na beira do rio. Iansã o encontra, e fascinada pela beleza da criança leva Logun para casa onde, juntamente com Ogum, passa a criá-lo e educa-lo.

Com Ogum Logun-Edé aprendeu a arte da guerra e da forja e com Iansã o amor à liberdade. Diz o mito que Logun tinha tudo, menos amor das mulheres, pois mesmo Iansã, quando roubada de Ogun por Xangô, abandona Logun com seu tio, criando assim um profundo antagonismo entre Xangô e Logun, já que por duas vezes Xangô lhe tira a mãe.

Em outro episódio Logun vai brincar nas águas revoltas (a deusa Obá, também esposa de Xangô) e esta tenta matá-lo como vingança contra Oxum que lhe fizera uma enorme falsidade. Oxum, vendo em seu jogo de búzios o que estava sucedendo com seu filho abandonado, pede a Orunmilá que o salve e este, que sempre atendia às preces da filha de Oxalá, faz uma oferenda a Obá que permite então que os pescadores salvem Logun-Edé, encarregando-o de proteger, a partir daquele dia, os pescadores, as navegações pelos rios e todos os que vivessem à beira das águas doces.
Logun nunca se casou, devido a seu caráter infantil e hermafrodita e sua companhia predileta é Ewá, que também vive, como ele, solitária e no limite de dois mundos diferentes.

• Cor: Azul e amarelo
• Número: 3
• Dia da semana: quinta-feira
• Comida: milho e coco, peixesv
• Símbolo: ofá (arco e flecha) e abebê (espelho de mão)
• Saudação: Loci loci, Logun!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Seminário: “Labirintos e trincheiras – onde a esquerda encontra a estética”




Gente boa gente, amigos, parceiros e simpatizantes


A Zagaia tem o prazer de convidar a todos para nosso primeiro seminário realizado em conjunto com o grupo teatral Folias: “Labirintos e Trincheiras: Onde a esquerda encontra a estética” (segue o cartaz abaixo). Na abertura o cartunista Laerte, a atriz e diretora Maria Alice Vergueiro e a professora Iná Camargo Costa discutirão a seguinte questão: “O humor é de esquerda?”


Convidamos também para a Festa de Lançamento de nossa 2a. Edição que estará no ar no dia 10/11″

Dia 10/11 – 20h Festa de lançamento da 2a edição da Zagaia com Roda Zagaia

Onde: C.E.M. – Clube Etílico Musical (Bar da Meirinha). Rua Fradique Coutinho, 1048

Contamos com a presença de todos!

Abraços,

Coletivo Zagaia


sexta-feira, 10 de junho de 2011

choro soluçado, sentido mesmo? é no bar do cidão, toda quarta!



Gente boa gente, a propósito da postagem anterior, segue essa outra referendando ao acontecimento de todas as quartas-feiras a partir das 21h00 no Bar do Cidão, lugar de referência de músicos, boêmios e perdidos da noite, em geral.

O periódico evento trata-se do encontro dos Chorões: Bira Nascimento, Lucas Silva, Maurício Pazz, Rafael Galante, Ricardo Perito e Rodolfo Stoco e seus convidados. Como já disse, é choro soluçado. E soluço sacode. Soluço é síncopa. Soluço é remandiola. Logo, choro soluçado é choro de quem sente!

O Bar do Cidão fica na Rua Deputado Lacerda Franco, 293 Pinheiros São Paulo
Reservas: Tel: (11)3813.3111 - (11)6117.2467

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Choro com Coletivo Roda Gigante - Domingo (12)

Gente boa gente, essa rapaziada forma um time de chorões da melhor qualidade e que se apresenta organizada em roda e chora um choro não camerístico. Trata-se de um choro que almeja, não a contemplação, e sim participação dos presentes... Eu diria que trata-se de um choro daqueles de soluçar. Soluço de cuíca. Pranto verdadeiramente sentido... Portanto, recomendo!


segunda-feira, 25 de abril de 2011

festa de lançamento da revista zagaia

 

Gente boa gente, amigos(as)

Preparem suas Zagaias! Dia 13/5 a 1a edição da Zagaia estará no ar! E o lançamento é no dia 12/5 no Bar B. Com roda de samba e choro do Grupo Zagaia*, Intervenção teatral do Galpão de Folias, e projeção de obras e filmes Zagaiatos. Discotecagem de DJ Zagaia e os Tabuleiros das Candongas!

Abraços,

Coletivo Editorial Zagaia



(*) Grupo Zagaia de samba e choro - Bel Borges, Chico Crozera, Fábio Goulart, Lu Santos, Marcelo Benedito, Maurício de Oliveira, Rafael Galante, Renato Fontes, Selito SD e T. Kaçula.


Manifesto Zagaia

mas é preciso disparar setas, flechas, canhões, cuspes, zagaias. Armas contra. Nosso golpe: ironia e paradoxo, estranhamento e ressignificação. Em algum lugar, um padre corre perigo. Um pensamento pelo avesso. Perplexidade? Comemos gerânios no café da manhã. Reacionários de todas as vertentes são o alimento da madrugada. A indigestão se dissolve em poemas, prosas, sons, imagens. Porque, em tempo de barbárie, zagaia contra tudo, contra todos. Uma arte contra si-mesma. Poesia do impossível após auschwitz. Já nascemos velhos. O cansaço branco da ditadura da realidade. Mas buscamos o sentido pelo novo. Usamos óculos – lente divergente, lente de ver gente. E caminhando de um lado para o outro, tecemos nossas armadilhas. Capturar a si mesmo. Estão vendo esta cicatriz profunda, obliqua, negra? Fomos nós que fizemos em nós mesmos. Precisávamos extirpar do fundo da existência tudo que era sagrado, intocável. Sim, a carne é triste.  As certezas nos abandonaram de uma vez só. Sangue no ralo.  E agora tudo era mil versos de infinitos significados possíveis. Multi-colorido, mas vermelho.

Pensar é pensar contra. A favor, já bastam os policiais de plantão, a censura dos acomodados, a inércia dos puristas, a visão cega dos falsos gurus. Então, zagaia a ponto de sonhar uma posição improvável: a esquerda da esquerda. Nossa política é a estética do imponderável. Sejamos sinceros: joguemos pedras nos porcos. 

Nossa arte é o produto do parto sangrento de um ouriço do mar. Zagaia é lança de arremesso curto, certeiro, mas voa no ar de maneira sinuosa. Porque nomear algo que propositalmente foi colocado às escuras significa perder de vista o próprio objeto. Para além da distorção, no blefe, acreditamos que a arte é um acúmulo de tempos desiguais e combinados. Um salto livre sob o céu da história. Nosso compromisso é com o agora, espaço fora do lugar, com o não-lugar. Telas sem molduras. Está mais do que na hora de cumprir aquela promessa radical. Não concordamos, não aceitamos, não acreditamos – enfim, não vendemos. Estamos fartos daquela arte bem-comportada, imunizada, higiênica. Às favas com a moderação e os bons costumes! Chega desta cultura-consumo. Arte-mercadoria. Não comercializamos o sentimento. Nosso ócio negado é o incesto. Nosso negócio é a imagem imoral de uma mulher com flores nos cabelos. Uma música que toca ao contrário. Alguém dançando no escuro.

Se as condições objetivas da vida não nos permitem viver qualquer utopia fora do capitalismo, o que nos resta é sabotá-lo. Zagaia é terrorismo cultural. Terror que espanta: o medo de sair do útero. Reconfiguração radical do simbólico. Grito das quebradas e mundaréis. A maior imoralidade é a moral. Sejamos libertos, libertários, libertinos: zagaiatos. Mas, sempre verdadeiros. Nosso embate é estético. Para que possamos ocupar de vida o vazio das palavras. Neste mundo de simulacros, nós queremos mais. É chegado o momento de sermos arco, flecha e alvo. Signo, significado e objeto. Instrumento-mensagem. Flecha contra todos, alvo de nós mesmos. 

Um projeto anti-projeto. E ainda assim 

terça-feira, 29 de março de 2011

racista, homofóbico, golpista... - com vocês, jair bolsonaro!

Por que ninguém cassa o Bolsonaro? Defende a homofobia, o racismo, o golpe militar e até um novo golpe futuro! E segue na vida política como se fosse natural. Se isso não é quebra de decoro, o que é quebra de decoro? (Thiago Mendonça)
O racista, o algoz da vez! A pergunta que cabe e não cala é: e quanto a todos os outros, os assumidos e os não assumidos (maioria)? Dos racistas, dos algozes de tantas outras vezes, como por exemplo o próprio Danilo Gentili do CQC, ninguém mais se lembra? E os outros (quantos?) que também manifestaram pública e midiaticamente seu reacionarismo, os seus seres racistas? Acaso deixaram de sê-lo? Por pior que seja, penso, é muito melhor enfrentar a esses que aos  inúmeros enrustidos! Enfrentamento constante e não o episódico pautado pelo sensacionalismo. (selito SD)


A propósito deste episódio protagonizado pelo Deputado Jair Bolsonaro, cabe dizer que a eleição de alguém com essa postura e atitude é totalmente coerente em uma sociedade que se diz racialmente democrática, mas que tal à democracia, por mais que se procure não há quem  possa encontrá-la.

O sujeito não é tão somente um representante de si mesmo ou de sua família, se é que me  faço entender. O cara representa o pensamento de segmento importante de nossa sociedade. Só com os votos dos familiares e amigos não conseguiria se eleger. Ocorre que muita gente não admite em público aquilo que defende, ferrenhamente, na esfera do particular.

Por exemplo, dentre muitos que se dizem amantes do samba há uma significante porção dos que partilham das idéias do deputado em relação ações afirmativas para as minorias (não-brancos, indígenas e negros, principalmente).

Há os que se incomodam por serem lembrados o tempo todo da apropriação/expropriação, em moda, das expressões das culturas populares por eles da "Classe Mérdia" e seus parceiros ideológicos.

Não faz muito tempo eliminei de minha lista de e-mails pessoas que se dizem e se querem sambistas/amantes do samba e coisa e tal. Tudo por conta de uma mensagem imbecil e racista veiculada a partir de um ato de racismo protagonizado pelo Danilo Gentili do CQC. Aliás, reacionário CQC que, ao que me parece, tratou foi de fazer a promoção do infeliz deputado e suas infelizes idéias. Interessante, não?

É importante lembrar que sempre que um reacionário qualquer assume pública e midiaticamente sua postura, tudo e todos imediatamente apontam para o sujeito com a mais assombrada indignação. Como se o imbecil fosse voz isoladamente dissonante numa sociedade igualitária. Elege-se o grande vilão e exime-se si mesmo e a todos os demais de culpa. Sobra o algoz da vez e o(s) discriminado(s).

Ora, por mais que caiba a indignação, por mais que se deva sim indignar-se contra tais atitudes e posturas, insisto que esse é o tipo de adversário, ou melhor, inimigo mais fácil de se enfrentar e combater. Difícil é enfrentar o inimigo oculto que, por vezes (não poucas) faz-se passar por amigo.

O que é preciso é refletirmos profundamente a fim de que possamos identificar em que medida lá no nosso íntimo, ainda que inconscientemente, defendemos e, pior, reproduzimos, muito daquilo que apontamos como negativo no outro. E só vemos no outro, por mais que conheçamos bem intimamente a esse negativo. O vemos somente no outro. Por quê?

Há braços!


Selito SD.

quinta-feira, 24 de março de 2011

seja contra a discriminação racial! saiba como

Gente boa gente, em tempo, pois sempre o é em se tratando dessa temática,  repasso no intuito de  disseminar/divulgar o 21 de março: Dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial, data instituída em 1966, pela ONU, de acordo com a Resolução 2142 (XXI), por conta da chacina que ocorreu em Sharpeville, África do Sul, no ano de 1960. 
Racismo:

1) “Racismo é valorização generalizada e definitiva de diferenças  reais  e  imaginárias, em proveito do acusador em  detrimento de sua vítima, a fim de justificar uma agressão” (MEMMI, Alberto apud Encyclopedia Universalis/UNESCO).

2) “Sistema que afirma a superioridade racial de um grupo sobre outros, pregando, em particular, o confinamento dos inferiores numa parte do país (segregação racial) [...]”(Dicionário Petit Larousse apud RUFINO, p. 10, 1991).

3) “Doutrina que afirma a superioridade de certas raças” (Novo Dicionário - Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, p. 1443, 1989).

 4) “Toda teoria que leve a admitir, nos grupos raciais ou étnicos, qualquer  superioridade  ou   inferioridade intrínseca capaz de atribuir a alguns o  direito de  dominar ou eliminar outros,  pretensamente inferiores e que leve a fundamentar julgamentos de valor em alguma  diferença racial” (DECLARAÇÃO SOBRE RAÇA E PRECONCEITOS RACIAIS / 1978, adotada na  20ª  sessão da   Conferência Geral da UNESCO

Discriminação Racial: 

Discriminação Racial é qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseadas em raça, cor, descendência ou origem étnica, que tem por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício num mesmo plano (em igualdade de condições) de direitos humanos e liberdade fundamentais no domínio político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública. 
 
Fonte: Mensagem recebida por email de Adomair O. Ogunbiyi da Rede Culturas Populares
Conheça/visite os blogs: